Quase isso...
1 A Garota dos Olhos Penetrantes.
Notas iniciais
Capitulo 1
São 2h17 da madrugada, bem no meio do inverno. Eu estou sentado no banco de um parque a quase 4horas. Eu estou congelando.Por que eu estou sentado aqui? Por que eu ainda estou sentado nesse banco? Bom, é, eu acho que é melhor relembrar... Voltar, e explicar.
Todo relacionamento chega há um momento crítico, uma crise, entre continuar, ou desistir, eu chamo esse momento de ‘Então’.
_Então... como é que vai ser?- disse ela, colocando uma mecha de seus cabelos loiros atrás da sua orelha direita.
_Você é incrível...eu acho você uma mulher incrível... eu... acho que você... é uma mulher incrível... uma... é isso, eu acho você uma mulher incrível.- digo, sentado no colchão no chão da minha casa, segurando uma tigela azul escuro.
_Nããão...eu vou terminar com você. – diz ela se levantando rapidamente do colchão, e colocando sua bolsa em seu ombro esquerdo.
_ Vai terminar?- digo, colocando meu dedo esquerdo indicador sobre meu queixo.
_ Eu preciso de alguém que esteja pronto...preciso de alguém que não beba café em uma tigela de cereal.- diz, mexendo suas mãos como se estivesse zangada. Deve ser porque está.
_ O quê?
_ E que tenha uma cama de verdade, em vez de um colchão no chão.
Eu não fiquei confuso porque ela terminou comigo...
_ Estou muito atrasada- diz ela indo em direção á porta.
...eu fiquei confuso porque eu nem sabia que nós estávamos namorando.
Levanto do colchão e vou atrás dela, com a tigela em minha mão.
_ Olha... eu sinto muito de ainda não ser esse cara.- digo parado na frente dela.
Em defesa dela, nós fizemos sexo uma vez por semana, durante seis semanas.
_ Eu estou muito atrasada.- diz ela, me abraçando e chorando.
Mas em minha defesa, aquilo foi uma aventura, sexo se aproximando de um estágio mais sério.
_ Sinto muito Jason- diz, segurando meu rosto com suas duas mãos.
_ Não! Eu entendo. Eu entendo.- digo balançando a cabeça positivamente, enquanto ela tira suas mãos de mim e vai indo em direção a porta.
O que eu entendi, foi que naquele momento, nós não estávamos mesmo namorando.
O celular toca, corro para atender, é o Daniel, um dos meus dois melhores amigos.
_ E ai? Recebeu minha mensagem?
_ Eu sai já faz uns dez minutos.- digo abrindo a janela apressado, e colocando o celular para fora para ele ouvir o trânsito.
_ Vai logo! Você está atrasado. O que você estava fazendo, hein?
_ O que eu estava fazendo? A Christi acabou de terminar comigo.- digo se escorando na janela.
_ AI CARAMBA...! Quem é Christi?
_ Daqui uns 15 minutos chego ai.
...
Chegando no Café Select , Mikey e Daniel estão sentados me esperando na mesa de sempre.
_ Então a sua mulher disse que ela fez sexo intenso?- pergunto para Mikey.
_ Não acredito que ela disse intenso.- diz Daniel balançando a cabeça negativamente.
_ Foi o que ela disse, com um cara chamado Hawrdy. – diz Mikey olhando fixamente para seu copo com chá gelado.
_ E enquanto ela dizia isso o advogado dela estava ali do lado?- interrogo.
_ Ele parecia o Jack Reacher.
_ E quem é esse tal de Jack Reacher?- pergunta Daniel, fazendo uma cara de pavor.
_ Jack Reacher. O cara de ‘O Último Tiro’ – diz Mikey.
_ Tom Cruise?- Daniel pergunta, quase abrindo um sorriso.
_ É – digo calmamente.
_ Eu adoro o Tom Cruise! – diz Daniel sorrindo.
Mikey encara Daniel.
_ Bom, adorava. Ele nem tem um estilo legal. -diz Daniel cessando rapidamente o sorriso.
_ Quem parece Jack Reacher? – pergunto, confuso.
_ O advogado dela parece Jack Reacher. – diz Mikey, nervosamente.
_ E por que ele estava na sua casa?- pergunto, meio confuso.
_ Porque ela quer o divorcio. – explica Mikey, com a garganta seca.
_ Que merda em cara. – comenta Daniel.
_ Você esta falando serio?- o interrogo.
_Eu sinto muito — diz Daniel.
_ Esse é o detalhe, o advogado, o cara que parece Jack Reacher, é o cara com quem ela está transando.
_ O Hawrdy? – pergunta Daniel abismado. Ele acaba gritando, fazendo com que pessoas da mesa vizinha nos olhem por um segundo.
_ O Hawrdy – concorda Mikey, meio desligado, ainda olhando para seu copo de chá gelado. É, se eu conheço bem meu amigo, e eu conheço, diria que ele está muito mal. Muito mal mesmo.
_ Que desgraçado, mas ele...- Daniel fala hesitante dando uma expressão de nojo em seu rosto retorcido. — Ele falou alguma coisa? Mikey diz algo, mas não dá para entender, pois, ele fala muito baixo...
_ O quê?- eu e Daniel perguntamos em uníssono.
_ Ele gostou do meu sapato. –ele repete agora mais alto. Nós se esgueiramos para ver seus sapatos por baixo da mesa. Mikey balança a cabeça negativamente.
_ Olha ele não está errado não. É um sapato beeem legal...!
_ Ai!, que droga eu não mereço isso...
Mikey se levanta e sai dali, sem dizer mais nada. Eu e Daniel, como somos parceiros de trabalho, saímos juntos e vamos andando em direção ao trabalho, que por sorte é ali por perto.
_ O que vamos fazer?- pergunto.
_ Descolar uma prostituta. – Daniel diz isso com a maior naturalidade.
_ A gente não pode pagar uma.
_ A gente pode usar um cupom, achar uma baratinha aqui, pro Mikey — diz ele pegando uma revista e me mostrando –, Garotas East Village
_Não – discordo dele, enquanto entramos pelas portas de vidro de correr no prédio onde trabalhamos.
_Sim.
_Não.
_Sim –ele insiste.
_Não.
_Sim, segundo esse artigo, a maioria dos bares de East Village é cheio de prostitutas – diz ele, vindo apresado atrás de mim.
_Sabe o que eu mais gosto em você? – pergunto relutantemente pela ingenuidade de Daniel — É que você literalmente acredita em tudo que lê – falo eu com seriedade arremangando as mangas do casaco.
_Não acredito. – discorda ele com uma face de garotinho certinho que come o brócolis no jantar.
_Acredita sim.
_Não acredito.
_ Acredita sim.
_Não acredito.
_Acredita sim.
_Não acredito.
_Acredita sim, parece que você tem nove anos- digo enquanto andamos pelos corredores da empresa.
_ Uuuuh! Não, não, não!, olha: prostitutas novas e legais, se vestem na moda e tudo mais... – comenta ele enquanto lê a tal revista.
_ E eu te digo que eu duvido muito que isso seja verdade.- falo enquanto tiro o casaco e coloco-o em cima da minha cadeira.
_ Então por que está na revista?
_ Não sei- falo e pego a revista de suas mãos.
_ Então lê.
_‘Ela se veste igual qualquer outra garota bonita, bota até o joelho, jogada no chão, e uma gaveta cheia de camisinhas, parecem ser a única indicação...’ – leio e levanto os olhos para encarar Daniel.
_ Isso não é de mais!? – diz Daniel animado.
_ Oi pessoal? Aqui é o Fredd.
_ Oi Fredd. Cê sabe que não está no telefone né?- eu pergunto.
_ Você está aqui, podemos ver você. – comenta Daniel.
_ Então. Vocês. Vão. Apresentar. Um. Livro do Silverman... Então... Vocês estão preparados, certo?- Fredd pergunta, nos pressionando.
_Pode deixar.- diz Daniel, enquanto leva uma caneca de café até sua boca.Vamos até a sala de reuniões... Bom, nós criamos capas para livros (somos o marketing da editora), e neste instante terei de apresentar uma capa para um livro sobre sapatos femininos. Constrangedor.
_ O que você vê ai, é o que você vai ver em qualquer outro lugar.- começo, improvisando, qualquer palavra errada, e aquelas pessoas podem me demitir.
_ E podemos fazer isso, mas quando falamos da Princesa Imprevisível ... é um titulo incrível. – Daniel continua a explicação, colocando a mão direita sobre sua cabeça.
_É um pote de ouro! Mas ainda assim se afoga nesse mar de coisas chatas — afirmo.
_ É.
_ E não é isso que você quer- digo.
_Não. Não é o que precisa.
_ Acho que eu sei do que precisa.
_ Acho que ele sabe mesmo – comenta Daniel.
_ Uma capa de livro tem que combinar com a história.- digo enquanto me levanto e vou em direção a um quadro.
_...mas não entregar muita coisa.- diz Daniel, que continua sentado, na cadeira ao lado da minha.
_Bom... um estudo recente com ressonância magnética mostrou que o cérebro da mulher explode como fogos de artificio quando vê imagens de ...
_ Um pênis. – diz um gordo que está no fundo da sala.
_ O quê!?- diz Daniel.
_ Não. – digo.
_ Não.- repete Daniel.
_Não.- o gordo repete também.
_... Que o cérebro da mulher explode como fogos de artificio quando vê imagens de sapatos.- corrijo, desenhando sapatos no quadro.
_Sapatos!
_Sapatos!- grita o gordo sorrindo.
Minha chefe abre um sorriso no canto da boca.
_E nada satisfaz mais seus desejos que Christian Louboutin pergunte para qualquer mulher desta sala. As quatro mulheres que estão ali sorriem e olham umas para as outras.
_Adorei! – diz minha chefe, abrindo totalmente um sorriso.
Fui promovido!
...
_DANIEL VOCÊ ESTÁ CAGANDO NA MINHA CASA?!- grito para Daniel, enquanto sirvo
uísque.
_ É claro que não!!
_TODA VEZ QUE VOCÊ VEM NA MINHA CASA VOCÊ CAGA!
_Eu não estou cagando! Só estou usando bronzeador.
_Bronzeador?- pergunto, escorado no balcão.
_Eu falei para aquela assistente da Voguem que não poderia sair porque estava na praia, eu
vou tirar ela da minha listinha. Mas também estou soltando o barrão.
_Toda vez! Toda vez!- digo
Mikey entra pela porta com uma caixa média.
_ Pegou suas coisas é?
_Peguei tudo que eu podia!- diz, colocando a caixa sobre o balcão.
Daniel bate a porta do banheiro.
_E ai Mikey!!
_ Você estava cagando?
_ Estava!-diz Daniel com uma face tranquila.
_ Meu Deus, toda vez!- diz Mikey enquanto tira o casaco.
_Vamos dar um rolê!- diz Daniel enquanto arruma a cinta.
_Isso ai é sorvete?- digo, apontando para a caixa.
_ Você trouxe sorvete Mikey?- Daniel faz uma face de espanto.
_É, de chocolate com amendoim.
_É um ótimo sabor, deixa eu ver. -digo estendendo a mão.
_ Não!
_ Vamos sair, nada de sorvete. -diz Daniel ainda arrumando a cinta.
_ Deixa eu ver.
_ Não!
_ Então, uísque não combina com sorvete.- digo.
_ Eu preciso de sorvete.
_ Precisa? Por que? Você é uma adolescente gorda?- diz Daniel enchendo a boca de avelã.
_ Tá achando que é a Bridget Jones?- digo.
_ Ata! Então agora você vai apelar?- diz Mikey segurando o pote de sorvete.
_Me dá!!- digo saindo de trás do balcão e indo em direção ao Mikey.
_Não!!
_Me dá o sorvete.
_Não! E olha aqui, sai de perto de mim. -diz ele apontando para mim.
_Me dá o sorvete!
_Nem vem que não tem!
Eu pego no braço de Mikey e tento pegar o sorvete que está na outra mão.
_Me dá o sorvete! Me dá!!
Daniel pega pelo outro lado o pote de sorvete e o arremessa para fora da janela que está
aberta. Isso foi impressionante, ele parecia um jogador de Basebol.
E quando a bola de Basebol passou pela linha. O incrível Daniel Blackmore , levantou seus
braços há cima da cabeça fingindo que estava segurando duas armas e gritou...
_NINGUÉM AQUI VAI COMER SORVETINHO!!
_HAA! Gostei de ver!- digo levantando as mãos para cima.
_ Não acredito que fez isso. Jogou o sorvete pela janela. –diz Mikey com uma face de
desamparado.
_A gente vai para a balada!- disse Daniel abrindo um sorriso.
...
_Aposto que você pensou que nunca mais iria sentir isso cara, essa animação, energia, não
tem como sentir isso quando se está em um relacionamento! -digo.
_Eu não faço isso aqui a tanto tempo que até esqueci como que é. -diz Mikey.
_É.
_Você nunca fez isso! É um medico casado. -diz Daniel.
_ HAA! Cala a boca.
_Ai! Vocês querem bala?- Daniel diz enquanto coloca a mão no bolso.
_Quero sim!
_Toma! Essa é pra você, e essa para você.
Ele me entrega uma ‘bala’.
_ Huuum! Que bala estranha!- diz Mikey fazendo uma face de nojo.
_É! É remédio de ereção. Temos quatro horas para encher a cara e detonar na cama.
_Agora que já está no inferno é melhor abraçar o capeta!- digo colocando a ‘bala’ em
minha boca, e seguindo em frete. Atrás de Daniel. Mikey vem logo atrás.
_ Seus merdas. Idiotas.
...
Vamos para uma balada onde tem logo do lado uma boate- East Village.
O lugar é legal. Sempre tem muita mulher sexy lá.
Elas chegam se esfregando, esse é o legal, elas tomam a iniciativa, mas sempre é bom
encontrar uma que não vem chegando e ‘agarrando’.
Eu, Mikey, Daniel e a Maggie, estamos sentados ao redor de onde fazem bebidas.
Maggie é nossa amiga, Daniel de vez enquanto transa com ela... e etc. Mas nada sério, fora
isto é como se ela fosse o quarto homem do grupo para nós.
_Cara! Eu ainda vou curtir muito, ficar muito bêbado, transar com muita mulher, e duvido
que algum dia eu case. Não sou o tipo de cara que casa.- digo para Mikey, que
nem está prestando atenção, qual está olhando as mulheres descerem até o chão
rebolando, com uma expressão de desdém.
_ Eu não posso fazer isso.- admite Mikey, tentando ir em direção á porta — Nããão.
_ Não! Fica! Você pode sim.- digo, colocando minha mão direita no ombro esquerdo dele.
_ É! PODE SIM! PODE SIM! E TEM QUE FALAR ‘ OI, EU SOU O NEGO PEGAÇÃO’ – diz Daniel.
Maggie está do outro lado, se estica por cima de Daniel e diz...
_ Eu te pegaria Mikey!
_ É mesmo?- diz Daniel.
_ É pegaria! Com certeza pegaria.
_ HAA! Mas a sua opinião não vale né! – digo, Maggie é uma ruiva linda, mas, eu não teria
coragem, seria como, estar com um homem, para mim.
Mikey enche a boca de vodca.
Quando... vejo uma loira, sexy. Com um vestido colado no corpo perfeitamente curvado
dela. Está com o cabelo solto, todo jogado para trás, e com um copo na mão esquerda.
_ Ei! Maggie! Essa.- digo mostrando a garota para Maggie.
Mikey, Daniel olham para a garota.
Maggie entra na frente da garota. Olha para baixo, para os pés dela, como de costume. Ela e
Daniel tem um acordo que Maggie vai arrumar as mulheres para ele, e ele homens para
ela... Essa garota que eu mostrei, mas uma vitima da Maggie e do Daniel.
_ Ei!! Adorei seus sapatos! São incríveis.- diz Maggie colocando uma mecha de sua franja
que está solta de dentro do coque ruivo.
A menina olha para Daniel que está do lado de Maggie, e sorri.
_ HAA!! Obrigado. – diz ela, fazendo um movimento positivo com a cabeça.
_ Nossa você é linda! Há! Esse é meu amigo Daniel!- diz ela, segurando os ombros de
Daniel._ Ele é incrível, mas... ele é virgem. – ela pega no ombro da garota.
_ Bom... tem sempre a primeira vez.
Daniel olha para a garota e assente com a cabeça.
_Eu estou tentando transar antes de me formar no colegial.
Maggie olha para a garota e assente positivamente enquanto da um sorriso.
_Oi, eu sou a Zoey!- diz ela, levando a mão para cumprimentar Daniel.
_ Eu sei que é!
Mikey olha para a garota e faz um olhar de confuso. Olha para mim e dou de ombros.
Estou conversando com três garotas, quando olho para os bancos ao redor do bar e vejo
Mikey sentado lá, desanimado.
Vou até ele, coloco minha mão esquerda no ombro dele.
_ E ai Cara. Como que você está?- digo enquanto puxo um banco e sento-me do lado dele.
_ Huuuuum! Eu estou bebendo sozinho em um bar cheio de caras idiotas, e a mulherada
parece gostar mais dos idiotas.
_ Cara, você lembra que durante uns dois anos na faculdade toda menina que eu gostava
você pegava?
_ Rebeca Bens!
_É, Rebeca Bens!
_ Ela era gostosa.- comenta ele.
_É, ela era. Era bem. Cadê o Mikey que pegou ela? Porque aquele cara eu achava um máximo.
_Tem uma gata te olhando do outro lado do bar!- diz ele apontando com a cabeça para o lado onde ela está.
_ Eu posso olhar?
_Não!
_Agora?
_Não!
_Agora?
_Não!!
_Agora?
_Não!!
E eu olho...
_Nãã... Vai olha.- diz ele.
Eu a vejo. Ela está sorrindo, olhando para baixo, quando de repente levanta a cabeça e
bate seus olhos verdes em mim, eles penetram dentro de mim, esvaziam meus
pensamentos, eu fico ali... a olhando por uns cinco minutos. E ela sorri, e continua a
conversar com um cara que está a seu lado.
Ela está com seu cabelo loiro, preso para trás, com um rabo de cavalo mal feito.
Eu ainda estou ali a olhando e chega uma menina no Mikey ela tem o cabelo muito liso, ela
usa óculos, um óculos vermelho.
_Fugiu da esposa?- diz ela para o Mikey.
_Não, ela que fugiu com o Hawrdy.
_Sempre tem um Hawrdy.- diz ela sentando no banco do outro lado dele.
_Sempre tem um Hawrdy.- repete ele sorrindo para ela.
_Huuum!- diz ela.
_Huuum!- repete ele.
O Mikey sorri.
_ Ele parecia o Jack Reacher.- diz o Mikey sorrindo.
_Quem é esse Jack Reacher? – ela diz sorrindo também.
_Nem queira saber! Ninguém deveria parecer o Jack Reacher.
Ela ri muito.
_Tá bom! Quem é Jack Reacher?
_ Eu sei lá, deve ser um bom advogado!- diz ele levando um copo de uísque até sua boca.
Ela fica olhando ele fixamente.
_Tá bom! Eu anotei aqui o meu telefone- diz ela entregando um papel a ele.
_É nessa hora que a gente vai para casa? Porque eu não estou no...
_Está sentado encima do meu casaco.- diz ela sorrindo e apontando para o casaco.
_Huuuum! Há! Eu estou né!- ele sorri.
Ela sorri.
_ Desculpa viu.- diz ele, a entregando o casaco.
_ Tudo bem! Obrigado. Boa noite.
_Hã... Boa noite.
O cara que estava ao lado dela, saiu dali, e eu finalmente, vou até a garota dos olhos
penetrantes. Quando estou chegando perto dela, ela me olha, eu á olho...
E um cara passa na minha frente e se senta ao lado dela.
_ Oi! Eu vou pagar uma bebida, você quer?- diz o mala sem alça.
Eu estou bem atrás dele, ela me olha, eu a olho, e então ela desvia o olhar e o responde:
_ HÃ...não! eu estou bem.
_Vodca com energético.- ele diz, erguendo a mão e chamando o cara.
_Nã...não, é não...e...e...eu estou bem, obrigada.- diz ela.
_Eu também estou precisando, vou pegar pra você.
Vou me aproximando do outro lado dela, e fico ali, parado do lado dela, em pé.
_Hã, não, sinceramente se eu gostar da bebida o que acha que acontece? – ela sorri.
_ Eu iria adorar ouvir o que você acha que acontece.- diz ele sorrindo também.
_ Eu vou falar o que acontece... A gente vai jogar palitinho com seus dois colegas de quarto
até eu acabar na sua casa em Atlanta?
_É isso ai! Como você sabia?- ele diz, sorrindo.
Eu fico ali, do lado dela. Fazendo caras e bocas com cada palavra inteligente que ela diz.
_...depois vamos ouvir seu colega de quarto transar com a Hilary ou Emilly, ou seja lá qual
for o nome dela, até a gente dormir. E um ano depois ainda vamos jogar palitinhos com
seus amigos no mesmo bar, mas você vai sentir a pressão de casar e ter filhos porque vai
achar que é isto que eu quero.
_Não.- diz ele
_ E depois nos verões você vai para Amsterdã conhecer os pais dele e se perguntar a
viajem inteira se vão te achar bonita. – digo.
_ E inteligente.- diz ela.
_ Vai querer saber se vão te achar inteligente.- digo.
_Porque ninguém é, e teríamos que beber um vinho branco de merda.
_Em uma festa em um jardim de merda.
_E ter conversas de merda.
_Sobre pessoas de merda-digo.
_Com a mãe de merda dele.- ela diz, fazendo uma cara de deboche.
_Que na verdade nem te acha inteligente.- digo.
_ E bonita.- ela acrescenta.
_ Que na verdade nem te acha bonita.- repito.
Eu à olho.
_ Por que ninguém é.- ela diz.
Ela me olha.
_E ninguém nunca vai ser.
_ Que palhaçada é essa? Era só uma bebida.
_ É, mas não era só uma bebida. Ou era?- digo.
_ Foi um pedido de casamento.- diz ela.
_Casamento não... eu... era só uma bebida. A que se dane vai, tchau.
_Bebida?- pergunto.
_Tá!- diz ela.
...
Nós fomos para a casa dela... entramos na casa se beijando, fomos até seu quarto, nós trompávamos nos moveis, e ela ria durante o beijo, eu sorria junto com ela. Joguei ela encima da cama, o abajur vermelho que estava na mesa do lado direito da cama caiu, ela sorriu, e eu pulei encima dela. Ela sorriu mais ainda. Foi uma das relações amorosas mais boas que eu já tive.
...
Estávamos deitados, ela, como em todo filme de romance, estava apoiando sua cabeça em meu peitoral, ela estava me envolvendo com seus minúsculos braços.
_Eu preciso usar seu banheiro, tá.- digo, enquanto saio de entre seus braços. Sento na cama, observo no chão... uma revista ‘ Garotas East Village.’ Botas de cano alto, jogadas no chão, dinheiro encima da escrivaninha, junto do dinheiro um livro ‘A História do Ouro.’ Gavetas cheias de camisinhas... Olho rapidamente para ela, está dormindo.Fico desesperado.
_Merda!
Pego o celular rapidamente, ligo para o Daniel.
_ Atende! Atende! Atende o telefone!- digo, enquanto vou em direção ao banheiro.
_Alo!
_Cara, eu estou com um problema serio.
_ Há! Você está com problema? Eu estou com problema! Eu tenho que mijar e meu pinto poderia estar segurando um sorvete.
_ Como um sorveteiro?
_ É! Meu pinto parece um sorveteiro idiota! Parece um palito de sorvete.
_ O que?
_ Acho que eu tomei Viagra de mais , eu preciso mijar.
_ Eu acho que você tem que... acho que tem que ficar na horizontal.
_ Ficar na horizontal? Como assim?
_Precisa ficar na horizontal.
_ Eu ou o pinto?
_Os dois.
_ Não consigo, meu pinto está colado no corpo.
_ Só deita cara!
_ Essa é a ideia mais imbecil que eu já ouvi!
_Eu sei.
_ Isso não vai... aaaahuuuuuuuu!! Espera um pouquinho até que funciona!
_É claro que funciona! Agora me escuta... Eu acho que a garota que eu acabei de pegar é uma prostituta.
_ O que? Isso é incrível!
_ Não isto não é incrível, e se a garota quiser que eu pague? Eu não tenho grana para isso.
_ Com certeza não tem grana pra isso.
_ Eu não sei o que fazer cara, você vai ter que me ajudar.
_ Olha se ela pedir dinheiro, pode fingir que também é prostituto, ai talvez os valores se anulem.
_ Você é um amigo muito inútil, sabia disso?
_ Seu pinto encostou na água?
_ Ai merda!
Pego minhas roupas, meus sapatos, e dou o fora dali, sem deixar nem uma pista. Ela ficou dormindo.
Fale com o autor