Quase Um Anjo

16 Cap. 16 – Parabéns, Sara.


Notas iniciais
Desculpem a demora. Tinha uma "feira de ciências" que durou dois dias, então foi tudo nas carreiras!

Part. Sara –

Sol quente ardia minha pele, meus cabelos cor de bronze estavam caídos sobre meus joelhos ­– eu estava sentada, olhando umas. Um vestido branco me cobria; um tecido diferente, fino, sem mangas e simples.

Levantei devagar e olhei em volta. Estava em um campo com flores coloridas e árvores grandes em volta. Depois de um tempo percebi que era o terreno da minha casa, já em divisa com outra casa. Percebi também que eu me lembrava disso tudo, então olhei em volta mais uma vez e notei que era um sonho. Era tudo brilhante demais, era tudo perfeito demais... Mas eu não conseguia me lembrar do que acontecia depois.

Meus olhos então focalizaram em um garoto bronzeado na minha frente. Seus olhos eram negros, seus cabelos do mesmo jeito – era um pouco grande, na altura de suas bochechas –, estavam por trás de suas orelhas e ele era mais alto que eu.

Ele segurou minhas mãos, sua pele quente em contato com a minha fez meu corpo todo sentir um choque suave e meu coração acelerou. Ao mesmo tempo eu me lembrei do garoto e do seu toque. Sua pele quente e macia em contato com a minha.

– Miguel? – perguntei.

– Sara! Eu não sabia que eu tinha uma filha tão burra e vagabunda! – Stephen apareceu e me puxou pelo braço, fazendo-me cair no chão.

Olhei para baixo e vi um pouco do meu vestido rasgado, deixando minha coxa à mostra. Stephen me olhava com adoração e desejo, depois se virou para Miguel e vários homens apareceram por trás dele, o segurando pelos braços.

– Sara! Sara! Não deixe que ele a machuque, por favor. – gritou Miguel enquanto era levado.

– Mallory? Samantha? Ajude-me, eu preciso de vocês. Por favor.

Mas era em vão. Não tinha ninguém ao meu lado além de Stephen, e não tinha ninguém ocupando minha mente além das imagens de Miguel.

Meus olhos seguiram agora o campo verde em volta, depois Stephen na minha frente. Ele sorriu e se abaixou ao meu lado, assim tocando minhas coxas e levantando meu vestido rasgado até a altura da barriga, ele sorriu mais uma vez e levou seus lábios até o meio das minhas pernas.

Senti que lágrimas escorriam pelos meus olhos e senti uma forte dor no corpo inteiro. Olhei para baixo e vi meu vestido ensanguentado. De repente estava em um quarto cheio de espelhos ­– meu closet. Olhei meu rosto e vi que o sangue viera de meus olhos. Lágrimas de sangue.

– Feliz aniversário, Sara. – falou uma voz conhecida.

O rosto que estava na minha frente agora era o de Stephen, ele sorria amargamente e fazia uma cara maliciosa; eu apenas gritei, com toda minha força gritei. Não estava mais aguentando guardar isso só pra mim.

– Sara?

Abri os olhos e me sentei na cama. “É só um sonho”, murmurei para mim mesma. Olhei para Nathan, ele estava sentado ao meu lado na cama.

– Está tudo bem? – ele passou uma mão em meu rosto.

Assenti com a cabeça e olhei em volta, ainda estava em Los Angeles. Suspirei com um alívio e logo tive que conferir.

“Mallory? Sam?” perguntei nervosa e apressada.

“Bom dia pra você também” retrucou Mallory.

Revirei os olhos, porém sorri, estava feliz por ainda ter “minhas irmãs” ao meu lado para me ajudar. Mas o que ainda não conseguia era entender foi o sonho. O que Miguel Wolf estava fazendo nele?

– Como eu havia dito, feliz aniversário. – disse Nathan me entregando uma caixinha.

– Foi você? – perguntei lembrando da voz familiar; balancei a cabeça e peguei a caixinha. – Combinamos em você não me dar presentes, Nate.

– Sim, mas eu cruzei os dedos ao prometer. Achou mesmo...?

– Não. Te conheço. – falei sorrindo.

Abri a pequena caixinha e dentro havia um anel, muito bonito por sinal. Era prata com uma pedra cristalina. Eu podia ver a prata por baixo do “cristal”. Olhei para Nate e antes de falar ele já começou:

– Está transparente porque nunca foi usado. É raro anéis assim... É o anel do humor.

– É lindo, Nate! – o abracei. – Obrigada.

– Nada, coloque-o.

Mas quem colocou foi ele. Ele segurou minha mão e colocou o anel em meu dedo indicador para ver como ficava e ali estava bom. Ficamos olhando a pedrinha transparente e então ela começou a mudar para um azul claro.

– Está calma. – Nate falou.

– Acho que estou. – ri baixinho.

Ele sorriu e me deu um beijo na testa, então descemos para tomar café. Depois de comer, subi para tomar um banho e arrumar as malas – era dia de voltar para casa. Mas antes os garotos queriam levar eu e a Luna para fazer algo.

Troquei de roupa, colocando um casaco, blusa de manga comprida, calça e botas – estava frio –, e decidi colocar uma boina e também luvas, só pra completar. Me olhei no espelho e então vi que a roupa era muito “britânica” e “arrumada” demais para um passeio, mesmo assim desci as escadas e fui para frente de casa.

– Está parecendo a princesa. Vai se apresentar onde? – brincou Tim.

– Não liga, está linda. – disse Luna me olhando. – Feliz aniversário.

Ela me deu um cordão e logo pendurou em meu pescoço, era lindo. Parecia com o anel que Nathan havia me dado.

– Parabéns, pequena. – disse Tim dando-me um abraço. – Seu presente irá ver agora. Vamos.

Ele começou a andar pela rua gelada, eu e Nathan logo ao lado. Nossas roupas eram bem pesadas e formais para um passeio.

“Pelo menos não estamos vestidas assim sozinhas” murmurou Mallory.

“Por que está tão quieta, vocês duas?” perguntei.

“Estamos aproveitando as férias” disse Sam.

“Se fingindo de muda?” perguntei.

“Besta” riu Mallory.

Revirei os olhos e alguns minutos depois chegamos em um parque. Não estava nevando nem nada, mas havia uma pista de patinação no local e era enorme. Era como se tivessem pegado um quarteirão inteiro e feito a pista.

Sorri feliz e então olhei para Tim com os olhos brilhando.

– Não precisa agradecer ou algo do tipo. Apenas me esperem ali que eu vou falar com a bilheteria.

Fomos até um lugar ali perto onde tinha mesas de espera, havia pais e jovens ali. Talvez esperando alguém ou sem vontade de patinar.

Olhei em volta e vi rostos felizes, sorrindo e patinando. Alguns casais, alguns amigos, pais e filhos, todos misturados na grande multidão. Era um grande formigueiro – metaforicamente falando –, mas organizado.

– Pronto, pessoal. Aqui estão. Cuidado com as lâminas. – disse Tim entregando-nos os patins.

– Que legal, que legal. Patinar, patinar. – cantarolei e todos riram.

Quando terminei de amarrar o cadarço dos patins já me levantei e quase cai em cima de uma mesa. Todos riram de mim e Tim me ajudou ir até a pista de gelo.

Coloquei os pés e fiquei “patinando” pelos cantos, assim poderia me segurar antes de cair. E fiquei assim por um bom tempo. Eu via o pessoal passando por mim e rindo do meu estado. Eu apenas revirava os olhos e continuava com o meu “treinamento”.

“Acho que já ta bom, Sara” falou Mallory.

– Não, vai doer se eu cair. – falei.

“Não, vamos. Vai logo, pro meio”

– Hey, Sara. Nós vamos parar um pouco. Vamos pra cafeteria. – disse Tim junto à Luna e Nathan.

Eles saíram da pista, tiraram os patins e foram para uma cafeteria no outro quarteirão. Eu fiquei lá com meu treinamento e com minhas irmãs reclamando.

“Vai pro meio!” gritou Mallory.

“Eu vou cair!” gritei de volta e Sam riu.

“Vou te empurrar” disse Mallory e eu logo dei um impulso para frente antes de qualquer coisa.

Minhas pernas estavam um pouco dobradas e eu tentava patinar, às vezes nem saia do canto e as meninas apenas riam.

Olhei pra baixo e fiquei forçando meus pés para frente e para trás, assim comecei a sair do canto.

– Cuidado! – gritou uma voz.

Logo eu estava caindo no chão rindo e sentindo um peso em cima do meu corpo. Bati a cabeça no gelo e as vozes foram ficando mais longe até tudo estar escuro.

“Pronto, morremos” disse Mallory.

“Culpa sua que a mandou ir para o meio” disse Sam.

“Sara?” perguntou Mallory.

“Que feliz, morri no gelo” murmurei e elas bufaram.

Mas não tinha morrido, eu estava só na inconsciência, e nela eu podia ver e tocar minhas irmãs. Mallory estava sentada no sofá e Sam em pé perto de uma geladeira. O lugar era parecido com meu closet, só que mais iluminado e mais parecido com uma casa.

– Você está bem? – falou uma voz conhecida.

– Oi? – perguntei para as meninas.

– Não falamos. – elas disseram ao mesmo tempo.

– Acorde... – falou a voz novamente.

De repente eu estava sentada no que parecia um banco e estava frio o tempo. Abri os olhos devagar e uma dor forte atingiu minha cabeça, fazendo-me por a mão na testa e perceber um grande galo ali.

Olhei para frente e vi uma mancha de um garoto. Ele parecia ter cabelos negros, mas eu não conseguia vê-lo.

– Conheço você, é a Sara. Sou Miguel Wolf, lembra? – disse o garoto.

Notas finais
E ai? *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.