Quase Sem Querer...
42 Momento entre irmãs
Notas iniciais
Os dedos de Katherine tamborilavam no volante de couro preto, enquanto dirigia pela a estrada de mão dupla, pensando e analisando suas atitudes recentes e opções enquanto esperava que Elena acordasse. Ela tinha sequestrado sua meia irmã. Isso ela já podia riscar da sua lista de afazeres, mas qual seria seu próximo passo, isso ainda era algo indefinido. Durante boa parte do caminho até ali, o que foi em torno de 50 minutos, ela ficou se perguntando se o estava fazendo era valido para o tamanho de sua raiva. De inicio sua resposta era sim, mas agora, ela já não sabia o que estava fazendo. Seu lado racional estava entrando em colapso, e o barulho irritante do celular de Elena não estava deixando a pensar. Ela pegou novamente o celular de Elena e revirou os olhos com desdém enquanto lia o nome de Damon na tela brilhante.
_ Você simplesmente não desiste! – Ela deslizou o dedo na tela, atendendo a primeira de muitas chamadas que ele já havia feito – Elena ‘vadia’ Gilbert não está disponível no momento, por favor, ligue mais tarde!
Ela disse com escárnio para depois desligar antes que Damon pudesse dizer alguma coisa, abriu a janela e jogou o telefone de Elena pela mesma, sorrindo ao ver o aparelho se espatifar na estrada pelo retrovisor.
_ Ninguém vai nos incomodar irmãzinha... – Katherine disse com um sorriso insano nos lábios, que só cresceu quando percebeu que Elena estava acordando -– Finalmente! Achei que a bela adormecida não estaria acordada para vê seu próprio fim...
_ Katherine...
_ Não! A vovozinha! – a voz de Katherine era banhada por ironia e escárnio enquanto a mesma revirava seus olhos para a estrada a sua frente, tentando ignorar o olhar minucioso da garota sentada ao seu lado sobre si – Dá pra você para de me olhar com essa sua cara de sonsa, isso realmente me irrita!
_ O que está fazendo, Katherine? – Elena tentou soar mais calma e controlada possível, ela sabia que Katherine não deveria está em seu juízo normal, pra está fazendo tal coisa.
_ Dentre todas as perguntas do mundo, você tem certeza que é essa a única que você não sabe a resposta? – Katherine voltou seu olhar para Elena durante alguns segundos, a fitando com os olhos cheios de fúria mascarada por seu sarcasmo usual – Sinceramente, depois de tudo que você me fez, você não consegue pensar em nenhum motivo para o que eu estou fazendo?
_ Katherine, nada do que aconteceu foi proposital, muito menos pra atingir você!
Elena disse pausadamente, assim como ela faria com uma criança birrenta, para que ela pudesse captar suas palavras e processa-las, mas acabou por receber um bufar sarcástico acompanhado de um revirar de olhos de Katherine. Elena respirou profundamente passando a mão pelo rosto enquanto tentava se acalmar. Lidar com Katherine era algo que ela passou um bom tempo tentando conseguir, e nunca teve sucesso, não seria agora que conseguiria.
_ Você pode continuar com esse seu discurso de ‘menina pura’ que se apaixonou sem querer pelo namorado da meia irmã, por mim tudo bem... – Katherine disse ironicamente enquanto dava de ombros diante da declaração de Elena – Mas você não me engana, Eleninha... Você adora me julgar, dizer que sou manipuladora, que eu sou uma vadia... No entanto, no fundo não somos tão diferentes assim! Você com essa sua ceninha toda foi capaz de comover muitas pessoas... John, Damon, até minha mãe ficou emocionada com a sua atuação! Você deveria ser atriz, ou então escrever roteiros dramáticos, sei lá...
_Por favor, Katherine...
_ Por favor, digo eu! E ainda completo... Cala essa boca! – Katherine disse nervosa com os dentes trincados, mas logo voltou a sua pose irônica de sempre – Sabe de uma coisa, você deveria ter ficado na porcaria do lugar onde esteve durante esses oito anos! Estava tudo as mil maravilhas até você aparecer... Damon e eu estávamos bem, assim como eu e Elijah, John me adorava, assim como minha mãe! Eu finalmente tinha conseguido tirar a atenção deles de você por alguns anos e fazê-los prestar a atenção na filha perfeita que eles tinham em casa... Mas não, você sempre tem que aparecer e ferrar com tudo! Você e seus olhos castanhos enormes e pidões tinham que aparecer por aqui e implorar para todos atenção... Nada nisso me espanta, alias foi o que você sempre fez... Pagando de menina órfã de mãe para que todos tenham pena de você! Ótima jogada...
_ Você acha que eu gosto de ser a menina órfã de mãe? – Elena disse exaltada, deixando pela primeira vez seu lado racional de lado – Você acha que se eu tivesse oportunidade eu tinha trocado de lugar com ela? Não teve um dia durante toda a minha infância onde eu não me perguntasse por que Deus tinha levado ela em vez de mim! Você não sabe como é crescer sem uma mãe pra te dá suporte, te apoiar, pra conversar e dizer que tudo vai ficar bem quando alguma coisa ruim acontece...
_ Pelo amor de Deus, não faça disso uma grande coisa, você nem chegou a conhecê-la! – Katherine falou com escárnio, fazendo que Elena a fitasse incrédula — Quer saber o que é pior? Ser a culpada por seu pai ter saído de casa, ter abandonado a sua mãe, e ter dito que você foi um dos maiores erros da vida dele... Agora pensa viver com isso durante toda a sua vida!
Os olhos de Katherine estavam fixos no caminho a sua frente, mas nunca estiveram tão longe quanto agora. A vermelhidão e as lagrimas que se acumularam neles eram o primeiro vestígio de algum sentimento verdadeiro vindo de Katherine. Elena não conseguia dizer nada, um bolo enorme havia se instalado em sua garganta a impedindo de proferir qualquer palavra. Ela nunca soube dessa parte da vida de Katherine, mas a mesma nunca deu brecha pra que isso acontecesse. Saber disso tinha sido uma surpresa para Elena, mas não diminuía ou justificava tudo que ela havia feito, e continuava fazendo.
Katherine passou a mão com raiva pelas lagrimas que desciam sem sua permissão por seu rosto. Na noite em que seu pai foi embora de casa depois de ter espancado e humilhado sua mãe e ela, foi a ultima vez que deixou uma lagrima verdadeira rolar por seu rosto. Mas aquilo era duro demais pra relembrar, sem tirar que amolecia sua casca deixando a mostra sua fraqueza, para que todos pudessem ver e usar contra e se aproveitar dela.
_ Eu sinto muito que tenha passado por isso! Katherine, por favor... –Elena voltou a usar seu tom de voz calmo o pausado depois de alguns minutos encarando a cena perturbadora diante de si enquanto tentava suplicantemente conseguir algo de Katherine naquela situação – Dê meia volta, vamos pra casa. Ninguém precisa saber que isso aconteceu...
_ Dá pra parar de falar como se eu fosse uma criança, e calar essa maldita boca! – Katherine gritou desequilibrada, tirando de Elena um olhar vacilante. Estranhamente Katherine começou a rir de forma histérica e insana – Incrível é você achar que depois disso tudo pode tentar dar uma de altruísta pro meu lado!
_ Se acalma, ok? – Elena ergueu suas mãos em um gesto de rendição, enquanto tentava acalmar Katherine que chorava e ria de forma descontrolada – Pensa no seu bebê! Você tem que cuidar dele...
_ Meu bebê... – Katherine passou uma das mãos em seu ventre, acariciando a pequena criatura que crescia dentro de si. Lágrimas pesadas escorriam incessantemente por seu rosto enquanto ela continuava a acariciar sua barriga – Ele não vai ter um pai... Vai crescer achando que foi por culpa dele, e que o pai não o quis... Oh meu Deus! Meu bebê...
As lagrimas embaçavam as vistas de Katherine enquanto um choro forte invadia seu peito a fazendo soluçar fortemente. Ela colocou a mão na cabeça, murmurando coisas desconexas graças aos soluços que desordenavam sua fala. Katherine parecia verdadeiramente afetada por tudo aquilo, e novamente o bolo estava ali presente na garganta de Elena, impedindo que algo como uma palavra de consolo ou conforto saísse por sua boa. Ela pode ver os nós dos dedos da mão que Katherine ainda mantinha no volante se tornarem brancos enquanto ela apertava com intensidade o mesmo, e mordia o lábio inferior com força. Katherine estava a ponto de explodir...
_ Merda! Merda! Merda! – repentinamente Katherine começou a socar fortemente o volante de couro, enquanto gritava e xingava repetidas vezes. Elena pode ver o punho da garota luxando gradativamente, cada vez que ela socava o material duro do volante. Ela também reparou que a medida que os xingamentos saiam da boca de Katherine, e o volante era esmurrado, a velocidade do carro em que estavam aumentava. Elena olhou para o velocímetro, detectando que elas estavam a quase 170 km/h.
_ Katherine! Calma! Pelo amor de Deus! – Elena gritava nervosamente esperando que sua voz estivesse mais alta que o choro e histeria incessante de Katherine – Para esse carro! Katherine!
Mas Katherine não escutava, muito menos prestava atenção as coisas ao seu redor. Ela havia entrado em um estado de histeria e descontrole altíssimo, onde nenhum pingo de razão havia permanecido para lhe trazer de volta para a realidade. Elena não sabia se a sacudia pelos ombros, se gritava com ela para que voltasse ao seu juízo, ou se tentava controlar o carro, mas antes que ela pudesse se quer raciocinar, uma luz branca e forte ofuscou sua visão, enquanto uma buzina tocava constantemente, deixando bem claro o que vinha a seguir.
_ Katherine! Cuidado!
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