Quase Sem Querer...
39 Maldito José Cuervo...
Notas iniciais
_ Damon... – a voz de Elena saiu suplicante por seus lábios enquanto sentia seu corpo estremecer com o simples toque dos lábios de Damon em seu pescoço – Para... Vamos chegar atrasados...
_ Nós já estamos atrasados... – Damon colou seu corpo seminu no de Elena, também em mesmo estado. Sua mão presa à cintura de Elena enquanto ela sentia suas pernas amolecerem cada vez mais, fazendo que ela precisasse se apoiar no peito desnudo de Damon – Só mais alguns minutinhos... A Barbie não vai sequer sentir nossa falta...
Elena virou-se de frente para Damon, e encarou os olhos azuis luxuriosos que ela amava sentir queimando sobre sua pele. Damon tinha os cabelos em um perfeito desalinho e o rosto ruborizado com uma fina camada de suor, graças ao momentâneo, mas notável ato de amor que eles cometeram, ali mesmo, no chão de madeira do pequeno galpão. Elena não deveria está em uma situação muito melhor, apenas vestida com suas roupas íntimas, ela sentia o cheiro, deliciosamente amadeirado, de Damon misturado ao seu, cobrir cada centímetro de seu corpo, e os cabelos desgrenhados lhe caiam sobre os olhos.
_ Você não se cansa não? O que nós acabamos de fazer, não foi o bastante pra você?
Elena dirigiu a Damon um olhar cheio de segundas intenções, enquanto passava seus braços ao redor do pescoço do galã de olhos azuis inconfundíveis, recebendo um muito mais intenso em troca. Damon segurou Elena pela cintura e a ergueu em um movimento abrupto, o que fez Elena soltar um pequeno grito de surpresa quando foi posta sobre uma mesa de construção, cheia de papeis, lápis e ferramentas, que logo Damon fez questão de afastar, derrubando sua maioria no chão.
_ Não importa quantas vezes eu repita, você parece não entender... – Damon disse cínica e divertidamente enquanto suas mãos subiam lentamente pelos braços de Elena até a alça preta do recém-colocado sutiã, e ele mordia seu lábio inferior evitando que um sorriso safado lhe escapasse, mas que lhe deixava com um ar mais devastador e sedutor que de costume – Eu nunca vou conseguir ter bastante de você, Lena...
Damon derrubou as alças, deixando boa parte dos seios de Elena expostos, parte essa que ele fez questão de explorar novamente com os próprios lábios, arrancando suspiros entrecortados e gemidos contidos de Elena. Suas mãos subiam e desciam pelas costas de Damon, arranhando com as grandes unhas a pele branca e imaculada de Damon, enquanto suas pernas se prendiam ao redor do quadril dele e o trazia, mas para si, fazendo Elena sentir próximo de seu âmago, o símbolo do desejo e vontade que Damon sentia por ela naquele momento, acumulado em uma parte muito interessante de seu corpo.
Elena segurou o rosto de Damon e o ergueu, fazendo o fitar seu rosto, enquanto ela olhava admirada os olhos azuis de Damon mais uma vez. Ele a amava, e aquilo era perceptível apenas pelo jeito que seus orbes brilhavam quando se prendiam aos dela. Amor, admiração, devoção... Damon conseguia dizer tudo, sem dizer simplesmente nada. Ele a amava, e seus olhos eram a prova disso. Os polegares de Elena delinearam os lábios de Damon, enquanto ela fitava com fascínio seus traços atrativos e desejáveis. Damon mordeu de leve um dos polegares de Elena, fazendo a chama, já acesa dentro dela se inflamar muito mais, e o olhar, antes admirador, se tornar em um cheio de vontade e voracidade, e em menos de um segundo depois, os lábios de Elena já estavam se moldando aos de Damon, os beijando com uma fúria e fervor arrebatadores.
_ Ei... – Damon os separou por um instante, fazendo Elena gemer em reprovação e o questiona-lo com o olhar. – Nós não estávamos atrasados?
_ Que se dane! – Elena disse impetuosa enquanto puxava o rosto de Damon para perto do seu novamente, recebendo um sorriso sedutoramente safado do mesmo.
_ Foi o que eu pensei...
***
_ Eu juro, Elena Gilbert, que quando você chegar aqui eu vou... Te matar!
Carol disse a ultima parte entre dentes, tentando passar toda a sua fúria para a milésima mensagem que ela estava deixando na caixa postal de Elena. Carol apertou a tela touch do celular, desligando a ligação, com mais força do que necessária, e guardou o celular dentro da bolsa. Caroline bufou, se sentindo contrariada e raivosa. A despedida de solteiro estava prestes a começar, a música já tocava a todo volume na área vip da boate, o bar já estava muito bem abastecido com as mais diversas bebidas e aperitivos, e os primeiros, dos poucos convidados, já estavam chegando e tomando seus lugares, e nenhum sinal de Elena, e claro, Damon.
E pra ajudar mais ainda na aflição que Care sentia dentro de si, Stefan estava conversando com uma loira a mais de meia hora. Caroline não sabia o porquê isso a chateava tanto, mas sabia que quanto mais fitava aquela cena, mais vontade ela tinha de ir até lá e expulsar a garota de perto dele. No entanto ela não queria que as coisas se tornassem mais confusas do que estavam entre ela e Stefan. Eles se tornaram bons amigos em pouco tempo, tinham uma ótima relação, brincavam juntos, riam juntos, mas não passava disso... Porém por que algo ainda continuava a incomodar no peito de Carol enquanto ela via a loira se insinuar pra ele?
_ Caroline! – Bonnie a chamou, ou melhor, a gritou, atraindo a atenção de Carol pra si – Ei, onde você está com a cabeça, hein?
_ Oh, Bonn... Desculpa, não é nada demais... – Carol meneou negativamente sua cabeça, tentando afastar os pensamentos inoportunos que lhe consumiam há algum tempo – O que foi? Aconteceu alguma coisa? Precisa de algo?
_ Está tudo ótimo, não se preocupe. Eu vim perguntar pra você se você havia conseguido falar com a Elena...
Bonnie olhou preocupada para Care, ela mantinha seu olhar distante, para algum ponto logo atrás da morena. Ela se virou, encarando Stefan conversar com uma garota, muito bonita por sinal. Bonnie voltou seu olhar para Carol, vendo a tristeza invadir seus olhos azuis esverdeados.
_ Mas quer saber, deixa pra isso pra lá, você precisa de álcool!
Caroline não prestou muita atenção no que Bonnie disse, mas quando deu por si, já estava sendo carregada pela mais recente melhor amiga até o bar da área vip, onde Bonnie ordenou imediatamente uma garrafa da melhor tequila, dois copos de dose, e um pouco de limão fatiado e um saleiro.
_ Bonnie, o que você está fazendo... – Carol perguntou surpresa – Nós temos que cuidar das coisas por aqui...
_ Não! Caroline, você organizou isso tudo praticamente sozinha, se dê um descanso, está tudo perfeito, e se alguma coisa acontecer, os garotos cuidam de tudo! — Bonnie disse autoritária, interrompendo Care e colocando a garrafa de tequila em sua mão. Novamente, Bonnie não deu tempo para Caroline pudesse assimilar suas palavras, e já a arrastava pelo braço para uma das mesas desocupadas no local. — Você precisa urgentemente beber!
***
_ Como ele pode querer ficar conversando com ela? – Carol disse depois tomar mais uma vez uma boa dose de tequila direto do gargalo. – Ela não tem nada de atrativo! É uma magrela...
_ Sem duvida alguma! – Bonnie disse concordando com Carol, enquanto fazia uma careta desdenhosa – E aquele cabelo loiro farmácia não engana ninguém...
_ Não acho que seja farmácia... – Carol inclinou a cabeça, analisando a garota que ainda estava conversando com Stefan, ao que parecia uma eternidade – Droga, ela é muito gostosa, não é?
_ Pior que é mesmo... – Bonnie fez outra careta depois de suspirar pesadamente, recebendo um olhar incrédulo da loira levemente bêbada ao seu lado – O que foi? Ela é muito bonita, mas não se compara a você... Você dá mil delas!
_ Bonnie! Você está dizendo que eu sou gorda? – Caroline perguntou exaltada, fitando Bonnie com um ‘o’ perfeito nos lábios pintados de vermelho – Ótimo, eu já estou me sentindo muito melhor!
_ Care! Você sabe que não foi isso que eu quis dizer... – Bonnie disse desacreditada com as palavras de Caroline – Eu quero dizer que você é muito mais bonita que ela... Não que você é gorda!
_ Ah Bonnie... – Caroline relaxou seu corpo na poltrona de couro, bebendo do gargalo a bebida, que desceu rasgando por suas entranhas – Não adianta nada você me dizer isso... A única pessoa que eu queria que reparasse nesses meus atributos, não para de falar com aquela vaca magrela... Serio! Quem tem tanto papo assim...
_ Caroline, eles não estão a tanto tempo se falando... – Bonnie fitou Caroline perplexa.
_ Como não? – Caroline replicou exaltada – Antes de começarmos a beber, eles já estavam conversando, e agora, nós estamos a uns dois dedos do fim da garrafa...
_ Nós estamos sentadas aqui a menos de vinte minutos, Care... – Bonnie disse com um olhar perplexo, fitando Caroline a olha-la surpresa – O problema aqui é que você bebeu rápido demais...
_ Como assim, você bebeu comigo! – Caroline se defendeu.
_ Eu bebi duas doses... – Bonnie disse com uma das sobrancelhas arqueadas, recebendo um olhar espantado de Caroline – Você me serviu até ai, a partir da terceira você passou a beber do gargalo...
_ Isso explica por que eu me sinto meio engraçada, e você continua normal... – Caroline ponderou, mas logo voltou a tomar do gargalo, matando de uma vez o restante da bebida – Quer saber... Eu que não vou ficar aqui vendo essa loira natural e aparentemente gostosa se aproveitar do meu italiano! Segura isso pra mim...
Caroline entregou a garrafa vazia para Bonnie, e se pós de pé sobre o salto anabella com um pouco de dificuldade, mas no fim das contas, lá estava ela, caminhando em direção a Stefan e da loira, a qual ela nem sequer sabia o nome, ou como havia ido para ali. Carol parou ao lado de Stefan, recebendo um olhar confuso da loira, mas um sorriso divertidamente amável de Stefan, o que deu mais coragem para cumprir o que ela foi de fato fazer ali.
_ Com licença, fofa... Mas esse italiano aqui, me deve uma dança.
Caroline dirigiu seu mais deslumbrante e confiante sorriso para a garota ao lado de Stefan, e puxou o mesmo pela gravata preta slim que ele usava, até a pista de dança, deixando pra trás a garota totalmente confusa e sem entender nada.
_ Posso saber o que isso significa? – a voz de Stefan soou divertida logo atrás de Carol.
_ Que você me deve uma dança...
Carol deu de ombros, se virando para Stefan, encarando o sorriso divertido que ele tinha nos lábios. Aquela proximidade não parecia afetá-lo de jeito algum, pelo menos não do mesmo jeito que afetava Caroline. Ela colocou as mãos de Stefan ao redor de sua cintura, e com as suas ela enlaçou o pescoço do mesmo.
_ Posso saber o motivo por eu está te devendo uma dança? – Stefan perguntou ironicamente.
_ Como assim? – Caroline enrugou o cenho, fitando Stefan com uma falsa ofensa – Eu acabei de te salvar das garras daquela loira, e é assim que você me agradece?
_ Você me salvou? – Stefan perguntou curioso, enquanto mordia o lábio inferior para não rir – Do que exatamente fui salvo?
_ Você não percebeu? Claro que você não percebeu você é homem. Aquele cabelo loiro... – Caroline gesticulou com uma das mãos, apontando para o próprio cabelo – Pode até parecer loiro de farmácia, mas é loiro natural!
_ Não sei como isso possa ser um problema! – Stefan ponderou por alguns instantes – Você também é loira natural...
_ Sim, mas são tipos diferentes de loiro... – Carol revirou os olhos com petulância – Aquele loiro é de mulher que nasceu pra se aproveitar dos outros, especificamente aquelas que procuram um rapaz rico pra logo se casarem e usufruírem do dinheiro deles...
_ Ah é? – Carol assentiu com um aceno de cabeça – E qual é o seu tipo de loiro?
_ O meu é o tipo de loiro de quem é honesta, sincera e o mais importante, inteligente o bastante para um dia te salvar das garras daquele tipo aproveitador de loira! – Carol concluiu com um sorriso perspicaz nos lábios — Então, é por esse motivo que você me deve uma dança...
_ Ok, já que é assim... — Stefan puxou Carol pela cintura, praticamente colando seu corpo no dela, fazendo Caroline estacar no lugar, sentindo o toque suave da mão de Stefan subir por seu braço até seu rosto, e colocar uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha enquanto mantinha o seu olhar preso ao de Caroline – Me permita te agradecer do jeito certo.
Caroline sentiu os olhos verdes esmeralda de Stefan se dirigir aos poucos até seus lábios, e lenta e torturantemente seu rosto de aproximava do seu, fazendo um arrepio subir pela coluna de Carol e borboletas levantarem voou em seu estômago. Mas quanto mais perto Stefan chegava, mais borboletas batiam na parede de seu estômago, o fazendo revirar dentro de Caroline. Rapidamente, a sensação gostosa, causada pela ansiedade, havia se tornado um tremendo incomodo.
_ Oh merda! — Caroline sentiu sua boca se encher de saliva e algo querendo subir pelo seu esôfago. Ela tentou engolir, mas a sensação se tornou mais incomoda.
_ O que foi? – Stefan se afastou um pouco, fitando perplexo o rosto de Caroline se tornar pálido e doente de repente. – Care, está tudo bem?
Caroline meneou rapidamente com a cabeça negando a pergunta de Stefan, e antes que ele pudesse presenciar o que seria uma das cenas mais humilhantes da vida dela, Caroline saiu correndo pela boate com uma das mãos lhe cobrindo a boca e a outra empurrando as pessoas a sua frente. Stefan sem hesitar nem um momento, saiu atrás de Carol, a seguindo de longe a cabeça loira da mesma em meio a multidão, até que a viu entrar por uma porta, que Stefan deduziu ser o banheiro feminino, graças a placa em neon que ilustrava uma pequena boneca rosa. Novamente sem pensar duas vezes, Stefan adentrou no banheiro atrás de Caroline, recebendo inúmeros olhares de reprovação e xingamentos das outras garotas que ali estavam.
_ Sinto muito... – Stefan se desculpou, mas não saiu dali, continuando em sua busca. – Caroline?
Stefan olhou ao redor, procurando entre o grupo de mulheres a cabeça loira de Caroline. Não a encontrando, ele seguiu para o pequeno corredor de cabines, inclinando levemente a cabeça, tentando reconhecer o salto vermelho que Care usava naquela noite em uma daquelas cabines. Stefan respirou aliviado assim que a viu, dentro de uma cabine com a porta aberta, debruçada sobre a privada. O corpo delgado de Care se contraia e o barulho de algo caindo sobre a água da privada podia ser escutado, fazendo que o alivio repentino de Stefan se esvair, dando lugar a preocupação.
_ Caroline! – Stefan adentrou rapidamente na pequena cabine, se abaixando na altura de Care, a fitando aflito. – Dío mio, você está bem?
_ Sai! Sai Daqui! – Caroline disse em meio a sua crise de vomito.
_ Eu não vou a lugar nenhum, Care... – Stefan tentou toca-la, mas Caroline se esquivou de seu toque, e o fitou com os olhos cheios de lagrimas e suplica.
_ Eu não quero que me veja assim... – Caroline disse chorosa, mas logo outra contração lhe atingiu o estomago, fazendo novamente que o vomito subisse por sua garganta e ela voltasse a ficar com o rosto na privada.
_Deixe de besteira, eu já disse que não vou a lugar nenhum...
Stefan continuou ao lado de Caroline, segurando seus cabelos com uma mão e alisando suas costas de maneira reconfortante com a outra, até que as contrações cessassem de assolar o estomago de Care, e ela parasse de vomitar. Caroline sentou-se com as costas encostando na divisória de mármore escuro, e inclinou sua cabeça, respirando fundo, tentando recuperar um pouco das suas forças, já que boa parte havia ido privada abaixo. Stefan se levantou e foi em direção a fileiras de pias que tinha no banheiro, pegando um pedaço de papel-toalha, e o molhando um pouco, para logo depois voltar até Caroline.
_ Se sente melhor? – Stefan disse preocupado, enquanto se abaixava novamente a altura de Caroline, e passando o papel-toalha úmido na testa suada da loira.
_ Um pouco... – Caroline sussurrou ainda de olhos fechados, sentindo sua cabeça girar lentamente e um gosto ácido na boca – Maldito José Cuervo...
_ Você e Elena adoram descontar as coisas na tequila... – Stefan disse com um sorriso brincalhão em seus lábios.
_ Me desculpa... – Caroline abriu os olhos, a tempo de ver o sorriso divertido de Stefan se transformar em um complacente e compreensivo – Eu não...
_ Está tudo bem, Care... – Stefan sorriu amavelmente enquanto colocava uma mecha do cabelo loiro de Caroline atrás de sua orelha, e logo depois se pós de pé, oferecendo uma mão como apoio para Care. – Vem, vou te levar pra casa...
_ Não, não precisa... – Caroline meneou a cabeça, negando avidamente a oferta de Stefan, se apoiando na divisória de mármore para se levantar, mas seu corpo parecia estar muito mais pesado que de costume, e suas pernas pareciam gelatina sobre o salto que ela usava – Eu consigo me virar sozinha, eu vou pra casa, e você vai volta pra festa...
Por um instante, onde Caroline tentava buscar apoio nas paredes lisas de mármore e o ponto de equilíbrio de seu salto, ela teve a impressão de que cairia e até fechou os olhos esperando o impacto bruto de sua bunda no chão, mas a única coisa que ela sentiu foram as mãos firmes de Stefan lhe circundarem a cintura, a mantendo de pé. Carol abriu lentamente os olhos, encarando o rosto de Stefan bem próximo ao seu, enquanto ele a firmava com cuidado para não machuca-la.
_ Eu não vou te deixar sozinha nesse estado... – Stefan disse com ímpeto enquanto agarrava o corpo fraco de Caroline lateralmente pela cintura, e passava um dos braços dela por seu pescoço – Consegue andar?
Carol assentiu envergonhada, mas assim que se apoiou em um de seus pés, a fim de dar o primeiro passo, suas pernas falharam, e se não fossem pelos braços de Stefan ao seu redor, ela teria caído. Sem hesitação, Stefan se inclinou, passando o braço pelas pernas de Caroline, e sem seguida a ergueu com cuidado. Caroline não protestou, apenas deitou sua cabeça no ombro de Stefan, e fechou os olhos, rezando para que seu enjoo não voltasse, caso contrário, ela jamais se perdoaria se vomitasse em Stefan.
***
Stefan abriu a porta de seu quarto com dificuldades, graças à xícara de chá quente que ele havia ido preparar para Caroline enquanto ela tomava banho, se deparando com a imagem de Caroline com seus cabelos molhados de costas para a porta, vestindo apenas uma camiseta de Stefan, que lhe batia na altura das coxas. Stefan encostou se no portal da porta, e ficou a analisar minuciosamente a garota a sua frente. Seus orbes cor de esmeralda brilhavam com admiração enquanto ele admitia mentalmente a si mesmo, que nenhumas das mulheres que já passaram em sua vida se comparavam com Caroline. Ela era audaciosa, inteligente, carismática, inocente e delicada, mas nem um pouco ingênua. Caroline Forbes fazia jus ao seu nome, sendo a garota forte, e digna de admiração que era.
_ Minha camiseta... – Stefan disse com um tom divertido em sua voz, fazendo que Caroline virasse abruptamente para encara-lo. — Caiu bem em você.
_ Desculpa pegar suas coisas assim... – Carol ruborizou ao ver o olhar de Stefan sobre ela, ainda mais quando ele parecia enxergar sua alma com aqueles olhos verdes fascinantes – É por que as minhas não são tão confortáveis, e as que são estão na lavanderia, então...
_ Não tem problema...
Stefan sorriu mais abertamente, e fechou a porta atrás de si para logo depois ir em direção a sua cama, colocando a xícara no criado mudo sobre um dos seus livros. Ele retirou a colcha que cobria a cama, e afofou o travesseiro, e voltou seu olhar para Carol, gesticulando com um movimento de cabeça para ela se sentar, o que ela fez com um olhar um pouco apreensivo. Stefan ajudou Caroline a se cobrir e em seguida sentou-se ao seu lado, na beirada da cama, pegou a xícara de chá quente e a ofereceu.
_ Tome um pouco... – Stefan disse enquanto obsevava Caroline levar cautelosamente a xícara até os lábios e bebericar, se certificando da temperatura antes de beber um gole maior. – É hortelã com erva-doce. Vai ajudar com o enjoo.
_ Obrigada...
Caroline disse depois de tomar um gole do chá, sentindo o mesmo esquentar suas entranhas e acalmar seu estômago. Carol sorriu em agradecimento e colocou a xícara novamente sobre o livro no criado mudo e voltou seu olhar para suas mãos repousadas sobre a colcha que lhe cobria, tentando de alguma forma criar coragem para dizer tudo que afligia e incomodava seu peito naquele momento. Ela engoliu em seco e respirou fundo antes de voltar seu olhar para Stefan a sua frente, que ao contrario de Caroline, ele mantinha seu olhar sobre ela, como se algo o prendesse ali.
_ Stefan, eu... – Caroline murmurou enquanto desviava o seu olhar do de Stefan por alguns instantes, para que ela pudesse retomar o fio da meada que ela havia perdido assim que fitou os olhos atenciosos de Stefan – Eu quero... Quero te pedir desculpas por hoje...
_ Você não...
_ Stefan, por favor... — Caroline o interrompeu, voltando a olha-lo, com um sorriso suplicante nos lábios agora rosados, recebendo em troca um sorriso complacente de Stefan, que a instigou a continuar. – Eu sinto muito por hoje a noite, eu não queria estragar nada pra você. Nem sua noite, muito menos as suas chances com aquela garota. Mas eu tenho que ser honesta com você, quando eu te vi conversar por tanto tempo com ela, uma sensação sufocante surgiu em meu peito, e que eu até conseguia controlar no inicio, mas depois da garrafa de tequila, tudo que eu pensava era por que você estava falando com ela e não comigo...
Caroline respirou fundo, recuperando o fôlego depois da enxurrada de palavras que saíram descontroladas por sua boca. Ela abaixou seu olhar, voltando a fitar suas mãos. Carol sentia o peso do olhar de Stefan sobre si, o que fazia tudo ser muito mais difícil de assumir em voz alta, mas já que ela havia começado, era seu dever terminar.
_ Quando dei por mim, minhas atitudes pararam de acompanhar meus pensamentos, e eu já estava te puxando pela gravata até a pista de dança, sem ao menos ter um motivo plausível... – Caroline disse irônica em meio a uma risada esganiçada — E só agora depois de um banho gelado e algumas aspirinas, eu vejo o quão idiota eu fui, e mais prejudicado foi você, por ter que vim embora comigo. E eu estou me sentindo horrível com tudo isso...
Caroline permaneceu encarando suas mãos, enquanto sentia Stefan se movimentar ao seu lado, e logo depois uma das mãos de Stefan se juntaram as suas em seu campo de visão. Care sorriu sem graça, segurando a mão dele entre as suas enquanto brincava com o anel gigante que ele sempre usava. Um silêncio se instalou no quarto, porém não era algo constrangedor, muito pelo contrário, aquele silêncio era algo um tanto quanto acolhedor, e Caroline se sentia bem estando na presença de Stefan e daquele silêncio calmo e pacífico.
_ Caroline... – A mão de Stefan deixou a suas, e foi até seu queixo, o erguendo, fazendo com que Carol o encarasse – Você não fez nada que eu não queria que fizesse...
_ Mas...
_ Só me escuta... – Stefan a interrompeu, e Caroline apenas assentiu positivamente enquanto o encarava estática – Você não estragou nada, nem a minha noite, muito menos minhas chances com aquela loira. Então, me permita ser honesto com você agora... Nós nos conhecemos há pouco tempo, mas mesmo assim nós criamos uma conexão, e ninguém pode dizer o contrário. Eu vejo em você uma amiga...
_ Claro, uma amiga... – Caroline abaixou seu olhar novamente, e tirou as mãos de Stefan das suas enquanto saia da cama rapidamente, pelo lado oposto ao que Stefan estava sentado.
_ Caroline... – Stefan murmurou nervosamente enquanto se levantava e se dirigia ao lado de Care, a segurando pelos ombros, fazendo com que ela se virasse e o encarasse novamente – Me deixe terminar!
_ Não precisa dizer mais nada, Stefan. Eu entendi, somos amigos... Droga! Não sei por que isso me incomoda tanto... – Caroline sorriu sofregamente, com seus olhos marejados, murmurando a ultima parte mais para si do que para o moreno a sua frente, enquanto tentava se desvencilhar do toque de Stefan. – Por favor, Stefan...
_ Por favor, digo eu! Me deixe terminar! – Stefan falou firmemente, sem deixar que Caroline se solte de seus braços – Eu disse que vejo em você uma amiga, mas faz algum tempo que eu parei de te enxergar apenas desse jeito... O que Katherine fez comigo, me causou uma ferida emocional, que impedia que eu conseguisse confiar em uma mulher novamente, então procurava me concentrar somente nos momentos carnais... Caroline, eu passei todos esses anos na Itália, saindo e dormindo com diversas mulheres, mas nunca tive a capacidade de me apegar a nenhuma delas. Mas com você é diferente, eu sempre soube que poderia confiar e contar com você, desde o dia em que coloquei meus olhos em você...
Stefan levou vagarosamente suas mãos, que estavam nos ombros de Caroline, até o rosto da mesma. Caroline já estava petrificada, fitando Stefan com os olhos azuis esverdeados vidrados enquanto seu cérebro teimava em acreditar nas palavras que saiam da boca de Stefan. Ele sorriu cativantemente enquanto fazia um carinho delicado na bochecha ruborizada de Caroline.
_ A verdade é que existe algo nesses olhos azuis que me fascina de um jeito, que nem eu mesmo sei explicar, que me faz cogitar a ideia de passar o resto da minha vida ao seu lado... – Stefan se aproximou de Caroline, praticamente seu corpo ao dela, enquanto seu polegar delineava o contorno do lábio inferior de Care, causando que um arrepio transpassasse pelo corpo da loira, fazendo todos os pelos de seu corpo se eriçassem – Eu te admiro Care, e a cada dia que passa, eu me sinto cada vez mais admirado, ou melhor, apaixonado...
O olhar de Stefan queimava brandamente sobre os lábios de Caroline, enquanto ele calmamente se aproximava cada vez mais dos mesmos. Caroline podia sentir o leve roçar dos lábios de Stefan sobre os seus, ao mesmo que podia sentir o desejo se esgueirarem por suas entranhas, fazendo que a mesma quebrasse a curta distância entre eles em um movimento abrupto, chocando sua boca a dele, e a tomando com ânsia, iniciando uma dança afoita, porém perfeitamente sincronizada. Caroline o beijava como se ansiasse por aquilo durante toda a sua vida, nada parecia tão certo do que aquele beijo, e pelo modo audaz e aflito que Stefan buscava espaço em sua boca, se tornava perceptível que ele podia sentir o mesmo dentro de si.
_ Eu ainda vou ter que te agradecer por ter salvado a minha vida das garras da ‘loira errada’, ou isso salda a nossa divida? – Stefan perguntou divertido com um sorriso sedutor nos lábios enquanto distribuía diversos beijos no canto da boca de Caroline.
_ Você vai precisar de muitos mais que um desses pra me agradecer... – Caroline disse audaciosa depois de soltar uma gargalhada divertida, fazendo Stefan lhe sorrir de lado com um ar sedutor.
_ Foi o que pensei... – Stefan murmurou tentadoramente perto dos lábios de Caroline, antes de voltar ataca-los com voracidade.
[Continua...]
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