Quase Sem Querer
28 Capítulo 28 - E nós vemos o tempo passar
Notas iniciais
Dedicado a Flor do Deserto, que escreveu a recomendação e eu simplesmente AMEI. E desculpas porque eu esqueci de agradecer no capítulo anterior.
Último aviso: Um tempo se passou nesse capítulo. Literalmente.
Boa leitura.
Respirei fundo. Sorri. Ou apenas foi aquele velho e conhecido repuxar de lábios que eu tinha aprendido a usar para parentes ou amigos da minha mãe. Só que agora era diferente, eu estava tentando usá-lo para convencer a mim mesma.
–Sabia que você está ficando mais bonita?
–Mãe... – ela me puxou para um abraço e vi seus olhos rasos.
–Eu gosto tanto de você, Mah. Você sabe disso, não é?
–Mãe, eu não vou morrer.
–Nem repita isso – ela bateu com os nós do dedo na porta de metal do carro. Não era para bater na madeira?
–Eu tenho que ir...
–Eu também.
–Então destranca o carro.
Ela sorriu amarelo e eu abri a porta. Eu sabia que daqui a pouco a macha nupcial começaria a tocar. Eu estava nervosa. Engoli em seco, dei um ultimo olhar para minha mãe que o devolveu com um sorriso calmo e segurei firmemente o buquê de flores. Acho que eram tulipas, ao menos era o que eu tinha pedido.
–Está pronta?
–Acho que sim. – Falei para Maria, a organizadora do casamento que me aguardava na porta da igreja.
–Ótimo, porque agora é sua vez.
Eu respirei fundo. Sabendo quem eu encontraria na igreja. Sabendo muito bem que talvez aquilo fosse o chamado “destino”. Ou bem... Talvez não.
Alinhei os ombros. Como minha mãe repetia diversas vezes no ultimo ano. Desde que o casamento foi marcado.
Eu fitava o chão, até me lembrar mais uma das normas de etiqueta da minha mãe: queixo alinhado, olhar para cima.
E eu o vi. Ele estava realmente bonito. Não tão bonito quanto deveria estar o...
Balancei a cabeça.
Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. Eu confiava nele, incrivelmente confiava nele. Então eu prossegui.
Um.
Dois.
Três.
Pausa.
Um.
Dos.
Três.
Pausa.
A voz de Maria vinha a minha cabeça. Cada comando.
Há quanto tempo ele tinha me feito o pedido? Eu lembro nitidamente do dia. E eu quase me emocionei.
Parei bem na frente do altar. Ele deu alguns passos travessos em minha direção. Falando baixinho logo depois:
–Você está linda.
E então eu sorri e disse:
–Você também.
E me dirigi ao lado da criançinha que iria entregar as alianças. A grande da verdade é que eu me sentia como uma gigante no meio das crianças nos ensaios. Mas continuei firme com o pedido que Matt tinha me feito. Eu não iria dar o pé para trás. Não quando meu sonho desde os 4 anos de idade era justamente fazer aquele papel: ir na frente da noiva.
Tive tamanha coragem e ousadia de olhar para cima. Manuela estava linda, uma verdadeira noiva com direito a vestido branco tomara-que-caia e rosas nas mãos.
Vi minha melhor amiga em pé ao lado da minha mãe num dos bancos do fundo. Não sei bem ao certo, mas tinha conseguido um convite para ela. Talvez pelo fato que ela me acompanhava, juntamente com minha mãe a todos os ensaios.
As duas estavam lindas. E não tinha como ser diferente, as duas eram lindas. Sorri em suas direções e ambas acenaram exageradamente o que me fez ter bochechas coradas. Para quê blush, né?
A mulher de branco seguia pelo pequeno corredor, mas eu mantinha o olhar entre curioso e retido na nossa pequena “platéia”.
Eu não estava o procurando. Longe disso. Eu tinha feito um propósito comigo mesma. Eu prometi que o deixaria em 2º, 3º e se duvidar 14º plano. Para que eu gastasse minhas energias no ultimo ano com os estudos. E eu tinha conseguido. Bem, eu defino “conseguir” como “ir para faculdade”.
Estava realizando o objetivo que eu queria. Indo para a faculdade de jornalismo e principalmente estava realizando o sonho de minha mãe.
Então eu tentei não me importar quando ele não me ligou. Ou quando ele não me procurou. Nem mesmo quando não perguntou sobre mim quando Gabi foi para sua viagem de família no começo do ano seguinte, enquanto eu ficava em casa voltando a adquirir o péssimo hábito de roer as unhas. Perguntando-me se ele abordaria o assunto da nossa última conversa. Provavelmente não, pensei comigo mesma. É. Não.
E foi assim que eu notei que existiam muitos “nãos” em nossa história. Existiam muitos “nãos”, muitos “talvez” e nenhum concreto “sim”.
Ele não se lembrava ou não queria lembrar e eu faria com que eu esquecesse. Isso era o que eu pensava há um ano.
A voz do padre cortou o ambiente, só ai eu notei que a música tinha acabado. Ajeitei-me no lugar.
A cerimônia seguiu e eu me concentrei nos noivos. Ou pelo menos era isso que as pessoas que me olhassem pensavam.
–Mãe porque você está chorando? — eu perguntei, tentando andar até a direção das duas mulheres.
–Ah meu bebê se casando.
–Ele não era seu filho, mãe.
–Ma-mas... Eu vi esse menino tão pequeno...
–E da primeira vez que você o viu a cabeça dele tava sangrando porque eu tinha derrubado um vaso de vidro nele. — Sorri sarcasticamente e Gabi limpou a garganta, sussurrando logo depois “certas coisas nunca mudam”.
Enxugou a lágrima que escorria dramaticamente pelo seu rosto. Eu me virei para falar com a loira e ela estava aos prantos enquanto acompanhava com o olhar o casal que já se afastava.
–Ai meu Deus!
–Não me olha assim, eu devo ta barecendo um panda com a baquiagem borrada. – O rosto dela continuava perfeito e ela enxugava as poucas lágrimas com as costas das mãos. Por favor né, quero ver essa menina debaixo de uma tempestade ou comendo bambu, ai sim ela diria que estaria parecendo um panda.
–Até você?
–Mas é que é tão... – Ela soluçou – Esse seu irmão era tão lindo, tratava tão bem uma mulher... E ele não era gay!
Eu gargalhei tanto que depois de 5 minutos a igreja já estava esvaziando, todos estavam indo embora para a festa e eu ainda tinha o rosto vermelho e estava quase sem ar.
–Meninas! – Nós nos viramos para a porta da igreja. Mamãe estava sendo consolada pelo meu padrasto e meu irmão estava correndo entre os bancos da igreja. – Vamos logo para essa festa.
Eu puxei o garoto até o carro graças a minha ótima conversa sobre “você quer ir pro céu, não quer?” e até acho que tinha pegado um pouco pesado com ele, porque fazia 5 minutos que ele meditava sobre tal pergunta.
O caminho foi preenchido por comentários do tipo “Manu estava linda”, “Matt estava uma tentação”, “eles formam um casal fofinho”, “tinha uma menina da segunda fileira que parecia que tinha ido a um cabaré” e “eu estou loca para comer bem-casado” e bem, esse último foi meu.
A festa prometia. Era isso que eu imaginava e esse pensamento triplicou quando chegamos ao local da festa. Meu padrasto mandou entrarmos que ele estacionaria o carro e meu adorável irmão ficou com ele.
A entrada estava luminosa e eu quase fiquei cega. Juro. Foi tantos flashs que eu me senti a Lady Gaga em pessoa, só faltava o vestido de carne. Esperando o comando de “soltem os leões”.
–Seu pai tá com a corda toda, hein?
–Do que você está falando? – berrei de volta no ouvido de minha mãe e ela me mandou um olhar presunçoso.
Falar do papai nunca foi seu assunto favorito, nunca foi nosso assunto favorito. Falávamos de todas as misérias do mundo, dos chocolates e como eles engordavam, o quão injusto era tudo isso, também tagarelávamos sobre bolsa de valores, mercado externo, sobre a doença do cachorro da vizinha da minha tia e só então mencionávamos o nome do papai, quando não dormíamos antes.
Eu o tinha visto no primeiro banco da igreja, ele tinha me lançado um beijo no ar e logo depois que a missa acabou veio me cumprimentar como se fôssemos parentes distantes e o estranho é que não deixávamos de ser exatamente isso. Desde que eu rompi com as idas à casa da sua nova família, eu mal o via, só nos dias que ele mandava a pensão alimentícia.
Eu sabia que mamãe o odiava por tê-la trocado por uma garota da metade da idade dela. Como a sua 1º mulher, mãe do Matt, o odiava por ele ter pedido o divórcio quando Matthew era uma criança ainda.
E era por isso que ela me mandava aquele olhar cúmplice. Se não era por isso, ela devia tá planejando o sequestro do meu meio-irmão (sim, porque eu tenho quase total certeza que mamãe me trocaria pelo Matt em dois tempos).
Eu dei de ombros. Ver a sombra de meu pai uma vez a mais no mês era o que menos me importava nesse momento.
Eu sabia que a loira ao meu lado estava de pontas de pés, como a perfeita bailarina, procurando um certo alguém. Eu também estaria, se não tivesse tão ocupada procurando um garçom com a comida. Bufei quando notei que só serviam bebidas.
–Toma ai pra você também, com vodka pra ver se relaxa. – Não foi a Gabi, longe disso. Foi minha mãe me entregando um daqueles coquetéis engraçados. Não como aqueles da boate, aquela boate (a última vez que eu tinha bebido um dos coquetéis). Aquele era feito de frutas.
E eu bebi. Parecendo uma criançinha encarando aquela bebida de forma mágica. Mamãe murmurou algo sobre “cumprimentar minha exxxx–sogra”, dando exagerado ênfase ao “ex” e fazendo um barulho de cobra com isso e sumiu. Estava pronta para perambular pela festa com minha melhor amiga e organizar o esquema na hora do lançamento do buquê. Imaginando tudo com formulas de física sobre lançamento oblíquo incompleto. Imaginando alguma fórmula na mente. Mas quando eu virei para o lado, não tinha ninguém. Digo, ninguém que eu conhecesse.
Engasguei com o coquetel quando vi a loira dançando já animada com um carinha bonitinho que com certeza deveria ser da família da noiva.
–Hey, pensei que você tinha dito que não iria fazer mais isso – ele pegou o copo da minha mão, sorrindo brincalhão. Eu me engasguei ainda mais pela sua presença.
–O que você está fazendo?
–Falando com você, não pode?
–Não! – eu digo rápido e balanço a cabeça. – Não é isso. Mas você é o noivo!
–Legal isso né? – Olhou pelo meu ombro, franziu minimamente o cenho.
–Você é louco – revirei os olhos e ele me devolveu o coquetel.
–Toma, você vai precisar dele.
–Do que voc...
–Hey menina do cachorro!
Notas finais
Hoje foi minha ultima prova. Para a alguém que está na adrenalina desde 24 janeiro, merece uma folguinha agora hein?
Ainda sem perder o fio da conversa. A fic não vai ter continuação ~PALMAS E RISOS AUDITÓRIO~. Eu não posso gente. Eu adoro todas vocês, só Deus sabe o quanto eu amo escrever, amo imaginar cada cena, cada detalhe, cada fisionomia de cada personagem. Mas eu não posso equilibrar meus estudos e minhas histórias. E já foi decretado pela minha mãe, "está na hora de você esquecer suas fics".
As que me aguentam e ainda tem coragem de me mandarem comentários: Sonhadora00,Olivia Benson, allison,ameblifls_smart, BelleDiniz, Adriana Morais, JessicaMoraes, mary,Nathalia, JuliaTenorio, iMitch, EspelhoDoZayn e Leti Mathias.
Muito obrigada meninas.
E você... que está aqui, lendo isso, mas não pretende comentar por preguiça OU não tem assunto... VAMO COMEÇAR A SER SOLIDÁRIO NÉ E LIGUE O800 2012 0500 SE QUISER ME DOAR e... não.
DESAFIO DE HOJE: Sua mãe tem alguma frase marcante? Daquelas que quando ela já abre a boca, você já sabe até completar?
Ex: LOUISE OU VOCÊ PARA DE CHORAR OU VOU TE DAR UM VERDADEIRO MOTIVO PRA CHORAR!
Essa minha mãe gente, ela é super legal, tá? Só um pouco estressada, mas super... :33
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