Notas iniciais
Bjitos pra tds :)

Quando voltamos da pequena loja que havia na academia, fui me trocar pra vestir a outra calça que eu escolhi de um outro pano bem melhor que era bem maior. Quando sai ele fez cara de riso e eu ameacei lhe dar outra cotovelada.

L: dessa vez será mais embaixo. – ameacei.

G: calma, não to fazendo nada.

L: vamos logo malhar e para de palhaçada nem está doendo.

G: diz isso por que não foi você, parece que levei porrada de um carro... – resmungou.

Um instrutor me escreveu uma série, como chamavam na academia, pra eu fazer todos os dias. Nos primeiro dia fui bem, mas quando cheguei em casa estava quebrada.

L: to morta, não consigo nem me levantar. – eu dizia esparramada no sofá.

G: É assim mesmo, depois se acostuma. – dizia enquanto fazia alongamento.

L: para com isso gerard.

G: É preciso fazer isso toda vez que acabar, senão vou ficar assim que nem você cheio de dor no corpo. Faz comigo vem?

L: não, eu não consigo nem levantar daqui Gerard. Amanhã eu faço.

G: Você que sabe.

Foi um mês de pura malhação, mas aquilo não estava adiantando muito, o tanto que eu malhava recuperava na cozinha comendo o dobro. Voltava da academia com muita fome. Visto que não estava adiantando Gerard resolveu pular pro plano B.

G: Eis aqui o plano B. – disse me entregando um papel na mão.

L: nem pensar Gerard. – eu disse lendo o que continha no papel.

G: ah sim! – disse ele com um olhar ameaçador.

Chegamos em frente a um galpão meia hora depois da viagem de ônibus.

L: eu não quero. – eu dizia enquanto Gerard tentava me empurrar pra dentro do lugar. O lugar era um balcão gigante onde funcionavam algumas reuniões do vigilante do peso. É isso aí, ele me convenceu a vir numa reunião daquelas onde um bando de gordos e ex gordos iam pra contar sua historia. Quando chegamos lá o pessoal virou de seu lugar pra nos olhar entrando. Gerard entrava acenando pra todos e dei-lhe um tapa nas costas que fez ele cair de joelho no chão.

G: ta maluca?

K: dá pra parar de acenar? Ta parecendo um maluco. Fica quieto. – sentamos na ultima fileira e então um cara levantou-se do lugar e se pôs na frente de todas as outras.

H: meu nome é Henrique, sou o organizador de tudo isso. To vendo muitas caras novas aqui hoje e fico muito feliz, muito mesmo em saber que há tanta pessoa querendo mudar sua vida.

G: ele ta falando de você.

L: cala a boca.

H: alguém quer começar?

G: vai lá.

L: no way!

G: olha eu vou primeiro e você vai depois.

L: pra que você vai se não é gordo?

G: vou ser seu estímulo.

L: Gerard nem pense em se levantar. – disse ameaçando ele com as mãos fechadas.

Tarde demais lá estava ele indo em direção ao cara com o microfone.

H: temos alguém aqui que quer começar. Vamos aplaudí-lo.

G: obrigado. – dizia ele acenando mandando beijinho a todos que aplaudiam.

L: que mico. – eu disse afundando na minha cadeira.

H: você não é gordo...então é um ex gordo e veio contar sua historia pra gente. Já participou de algumas de nossas reuniões? – e o cara lhe entregou o microfone e sentou na cadeira.

G: Na verdade nunca, nunca fui a nenhumas reuniões, e eu já fui gordo sim, mas quando era pequeno. – e ficou calado olhando pro pessoal que esperava que ele falasse alguma coisa. – é só. – disse pro tal de Henrique.

H: você deve falar sobre alguma experiência sua traumatizante.

G: traumatizante? Ta. – e depois voltou pro microfone. — Uma vez eu entrei no banheiro, eu estava muito bêbado naquele dia e quando entrei havia uma gorda, daquelas bem gigantonas mesmo, imensas assim ó – dizia ele abrindo os braços e inflando as bochechas. — mas bem grande mesmo com uma porra de uma calcinha enfiada no rabo, aquilo foi a visão do inferno. – dizia ele morrendo de rir e todo mundo olhando pra ele o repreendendo horrorizados com o que ele dizia.- aí percebi que estava no banheiro errado. – e voltou a rir de novo.

O cara se levantou e expulsou ele dali e o levou até o lado de fora do galpão. Assim que o homem voltou depois de tê-lo colocado pra fora eu me retirei e Gerard estava do lado de fora rindo.

L: você é maluco? Não teve graça o que você fez.

G: ele me disse pra contar algo traumatizante, e aquilo foi muito traumatizante se quer saber. Tive vários pesadelos depois disso. Cara eu nem me lembrava mais disso. Que coisa... – dizia ele rindo tanto que me dava até medo de tão idiota que ele conseguia ser.

L: você acabou de colocar centenas de gordos lá embaixo e com certeza será o culpado por piorar a auto-estima dessas pessoas. – eu dizia apontando pro galpão. – você não tem jeito Gerard, queria ver se você fosse gordo.

G: é ruim de eu perder esse corpinho com tudo isso. Olha bem tudo isso. – dizia imitando a Jay da série Eu a patroa e as crianças e me fazendo esquecer tudo que ele tinha feito e caindo na gargalhada.

Quando chegamos em casa cai no sofá exausta.

L: esquece reuniões.

G: porque?

L: Depois do que me fez passar?

G: mas não tem só nesse lugar, tem em outros lugares que podemos ir, ninguém vai nos reconhecer.

L: nem pensar. Esse negócio de reunião é muito constrangedor. Prefiro algo menos exposto.

G: porque você não compra aqueles pó pra fazer milkshake que emagrece.

L: é...deve ser bom.

G: eu vou lá comprar pra você.

E assim partimos pro plano C, o tal do DietShake. Eu comecei a beber. Estava dando o resultado, o substitui pelas refeições e tirava um pouco a fome. Parecia que toda malhação e o shake estavam mesmo dando certo já que minha calça estava folgada. Cheguei toda feliz na escola quando percebi que estava emagrecendo.

G: e aí?

L: e aí o que?

G: como está? Parece bastante feliz.

L: bastante. To até mais empolgada, essa minha calça ta um pouco larga. Ta dando certo Gerard.

G: que bom, você só tem que evitar uma coisa agora, comer.

L: é, senão não vou conseguir emagrecer. E eu quero muito sabia.

G: já imagino por que.

L: você sabe perfeitamente, já te contei.

G: esquece isso.

L: por que?

G: ta se iludindo.

L: por que diz isso? – o professor nos chamou atenção pela conversa então Gerard virou-se pra frente e voltou a aprestar atenção na aula. De repente um papel caiu na minha mesa. Quando abri era do Frank.

[E aí como você está?Ass: Frank. ]

Peguei um lápis e escrevi logo embaixo.

[ Bem.]

e devolvi o papel, minutos depois ele tornou a cair na minha mesa.

[ vai fazer o que hoje? ]

[ Depois daqui vou pra academia e depois estudar com o Gerard. ] – respondi e devolvi o papel a ele. Logo depois quando o professor se virou pra escrever ele me jogou o papel de novo.

[ academia? Bem que notei que está ficando mais magra... será que não tem um tempo pra mim hoje? ] – meu coração disparou e eu gelei quando li aquilo. Me deixou muito contente. Peguei o lápis e escrevi com toda certeza.

[ o tempo que você quiser ] – e devolvi o papel que depois foi entregue novamente a mim.

[ te pego as oito ].

Fiquei tão feliz com aquilo, escondi o papel no meu estojo e enquanto copiava o exercício do quadro ria sozinha de tão contente que estava. Não estava nem acreditando que ia sair com Frank Iero.