Algumas horas depois eu estava na cozinha lavando o prato e Sarah comia na mesa da cozinha. Mesmo depois do que minha irmã fez eu não consegui deixar de falar com ela. Aproveitando a presença dela ali na cozinha, resolvi matar a curiosidade.

L: Sarah, você sairia com alguém mais novo que você? – perguntei como quem não queria nada.

S: bom, depende. Se o cara tiver cabeça... – depende de qual das cabeças ela esteja falando, no caso dela eu levaria em consideração a...esquece! não vou pensar isso da minha irmã!

L: você sairia com o Gerard?

S: quem é Gerard? – ela perguntou me olhando duvidosa.

L: um daqueles caras populares da minha sala, o ex daquela menina que virou modelo e saiu da escola. Lembra?

S: ah sim, aquele gatinho!? É...até que não seria mal sair com aquele gato da tua sala. Mas por que me pergunta isso?

L: nada...

S: por acaso ta afim dele e quer ter minha aprovação?

L: lógico que não, não fale bobagens. Nessa escola, não tem ninguém interessante.

S: sei...isso porque nenhum deles dá bola pra você.

L: não, não é isso. Eu não gosto mesmo, ainda não vi nenhum cara que fizesse meu tipo.

S: e qual é seu tipo de homem?

L: bom, ele precisaria ser inteligente, gostar de ciência e me fazer sorrir o resto não importa, esse negocio de beleza não está com nada o que importa é a beleza interior.

S: você descreveu o Einstein todinho. Ele é inteligente, adora ciência e não sei como, mas você consegue ri lendo livros desse tipo. Só Jesus salva!

L: ah Sarah! Você nunca vai entender isso...não é coisa pra gente fú... – acho melhor deixar pra lá. Sai sem responde-la e fui pro meu quarto irritada. nesse dia dormi no chão, ainda não tinha me recuperado do trauma daquela cena que presenciei.

No dia seguinte quando mexia no meu armário alguém chegou por trás da porta dele e começou a cantar, aquela voz, só podia ser o Gerard. e depois o paspalho foi batucar a porta do meu armário que foi direto na minha cabeça minha testa com toda força. Eu fechei a porta e depois com a mão massageando a testa o olhei com um olhar ameaçador.

G: desculpa. – disse Gerard morrendo de rir, mas se contendo enquanto me ajudava com a massagem na testa.

L: sai garoto me deixa. – eu disse esfregando a testa por mim mesma. Ele se encostou ao armário ao lado do meu e ficou olhando pra minha cara. – por que está me olhando? O que você quer? – perguntei toda ignorante.

G: falou com ela?

L: o que? Já te disse que não vou falar. – eu ali cheia de dor por causa dele e ele querendo saber da minha irmã. Francamente, esse garoto ta querendo tirar com a minha cara. – desista.

G: eu sou persistente.

L: que seja, eu sou teimosa.

G: que seja... – disse com ar de deboche. -...você vai cansar de mim e vai me obedecer. – olhei pra cara dele com desprezo e tranquei o armário em seguida fui pra sala de aula e o imbecil veio atrás de mim cantando feito um louco. Sentou na cadeira do meu lado e ficou me encarando.

L: não... – deixei sair como um gemido quando vi que não tinha outro lugar na sala pra eu sentar, a não ser lá atrás.

Enfim chegou uma péssima noticia, o professor não tinha vindo pra escola e não teria aula, mas os alunos teriam que permanecer ali na sala esperando o próximo de tempo de aula com outro professor. Então teria que ficar ali sentada aturando o rádio ambulante ao meu lado. Peguei meu fichário e comecei a estudar, ou melhor, tentar, pois aquela cantoria toda me tirava a concentração.

G: qual você quer agora? – perguntava ele falando sozinho fazendo vozes diferentes. – ah eu vou querer Pearl Jam, Jeremy. – dizia dessa vez imitando voz de mulher.

L: ai não acredito. – eu disse tapando o ouvido e ele começou a cantar a próxima musica da sessão. Quando os meninos conversavam com ele eu agradecia pois ele parava de cantar, mas logo depois ele voltava com a cantoria. Ele arrastou sua cadeira colando com a minha e cantando. – ei! – disse empurrando ele.

G: peraí garota! – disse ele segurando meus braços pra não cair.

L: dá pra deixar de ser tão infantil?

G: dá pra me ouvir?

L: mais do que já ouvi? Você não para de cantar desde que chegou. Eu não agüento mais. O que você quer?

G: eu já disse, sua irmã.

L: e eu já te disse o que ela disse. Olha...ontem eu toquei no assunto e ela disse não, só lamento, desiste.

G: ta mentindo.

L: se quiser pensar assim...

G: você não sabe mentir.

L: você sabia que é insuportável?

G: sou mesmo? Que bom, adoro ouvir isso de vocês nerds.

L: isso não me atinge.

G: não disse pra atingir.

L: ah me deixa vai seu mongol.

G: gorda! – ele disse com um sorriso sarcástico com certeza aquilo foi pra me provocar. Eu não liguei apenas respirei fundo e continuei com minha leitura foi quando ele insistiu. – Gor-da! – eu me mexi na cadeira e bufei. – gorda, gordinha, sapão... – começou ele com um sorriso sarcástico e um olhar ameaçador. — ...fofuxa da mamãe. – disse ele apertando minha bochecha. eu que já estava me segurando na cadeira me levantei na mesma hora e o empurrei com força fazendo-o cair com a cadeira e tudo. Eu parecia um selvagem embravecido. Ele me olhou assustado e levantou depressa do chão.

L: você procurou, agora vai ter o que merece. – e eu corri atrás dele pela sala, quando dei por mim todos olhavam pra mim rindo.

Eu odiava quando riam de mim, e a culpa era toda dele o peste do Gerard. Ele ria junto com os amigos dele distraído quando lhe enfiei a mão no cabelo e puxei com toda força foi quando a diretora apareceu na sala pra ver que bagunça era aquela e presenciou toda a cena.