Quarentena
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Essa é minha primeira fanfic sobre Bleach em um Universo Alternativo.
Espero que gostem!
Ichigo reclamava por todos os cantos da casa que a morena baixinha era uma tremenda desorganizada, haviam toalhas molhadas em cima da cama, maquiagens espalhadas pelo quarto do casal, meias utilizadas espalhadas pelo chão do cômodo – sendo que havia um cesto de roupas sujas no banheiro para que isso não ocorresse – a escrivaninha encontrava-se cheia de papéis jogados o que indicava o esforço que Rukia havia feito para tentar estudar as matérias acumuladas da faculdade de direito.
Não era fácil, maldita hora em que decidiram ficar juntos durante a quarentena de 30 dias que o governo havia decretado por conta do Coronavírus que havia saído de controle. O Kurosaki não era o único reclamão, Rukia dizia que o alaranjado era irritante demais com essa mania de não deixar nada desorganizado, Ichigo irritava-se pois ela nunca cumpria com o que dizia quando a questão em pauta era sobre organização, ainda mais quando a baixinha insistia que a bagunça era necessária para sua sobrevivência, era sua marca.
Mas hoje, após quatro dias juntos, dividindo quarto, banheiro, tudo, ele simplesmente não aguentava mais, haviam brigado naquela manhã sobre esse assunto e o alaranjado havia sido grosso com a menina, sendo esquentadinho do jeito que era acabou falando o que não deveria. Estava com medo, amava demais aquela garota e ter sido um babaca com ela só o deixava mais temeroso.
Conhecera a Kuchiki mais nova quando ainda eram crianças, ela havia se mudado com seu irmão Kuchiki Byakuya para uma casa ao lado da sua, seu pai como sempre fez questão de ir apresentar-se aos novos vizinhos e assim acabou conhecendo a menina, viraram amigos muito rapidamente, mesmo com Byakuya dizendo que o ruivo era um delinquente de primeira. Faziam tudo juntos, iam e voltavam da escola na parte da manhã, passavam a tarde toda brincando na rua com seus amigos até que escurecesse – um desses amigos hoje era marido de Byakuya, Abarai Renji o nome dele, outro delinquente como seu marido costumava dizer – eles eram realmente carne e unha, e então quando a adolescência começou a ser presente em suas vidas, com os hormônios a flor da pele e tudo mais, eles se distanciaram, não sabiam bem o porque até hoje, mas incrivelmente, isso não interferiu em nada na relação dos dois, atualmente presenciavam isso, mantinham a mesma relação hoje como namorados, a diferença é que não iam mais a escola juntos, pois somente Rukia fazia faculdade, Ichigo havia decidido esperar mais um ano para escolher o que realmente gostaria de fazer, e também não brincavam mais na rua até anoitecer, pois os dois já era adultos, trabalhavam e não tinham mais tempo, e claro, seus gostos haviam mudado.
Ichigo arrumava-se para dar uma volta na cidade, fazendo uso de todos os itens de proteção como, mascará – levava outra em seu bolso para caso acontecesse algum imprevisto – luvas e levava em seu outro bolso um vidrinho de álcool em gel. Como roupa, usava uma calça jeans preta, seus all star surrados e uma camiseta tão igualmente laranja quanto os fios de seu cabelo natural, aos seus olhos estava bonito. O menino sempre soube que Rukia era uma bagunceira, quando ia em seu quarto na adolescência, parecia o de Renji, seu amigo, uma bagunça só, o alaranjado sempre dizia que os dois haviam sido feitos um para o outro, mas quis o destino que o ruivo ficasse junto do outro Kuchiki, só que mesmo sabendo disso tudo não entendia porque Rukia insistia em fazer aquela bagunça, apesar de Ichigo estar sempre arrumando tudo, acabou ficando estressado nos últimos dias e descontou nela, um erro, um grande erro, a Kuchiki não era dessas meninas que se alguém engrossasse a voz pra ela estava tudo bem, ela não aguentava desaforos, e Ichigo sabia, estava com medo de que ela terminasse com ele por isso, pois não duvidava que isso fosse acontecer, do jeito que ela era, era capaz de assim que ele saísse do quarto, ela entrasse nele, pegasse todas as suas roupas e jogasse todas pela janela, gritando para ele nunca mais voltar e que seu Byakuya-nii iria cassá-lo – talvez essa última parte nunca acontecesse porque Renji conseguiu mudar esse jeito superprotetor dele com a irmã, o que era uma benção.
Ichigo saiu do quarto as pressas, passou pela Kuchiki na sala, a menina estava com sua camisola de cetim lilás, já que agora trabalhava e estudava em casa ficava o dia inteiro de pijama ou camisola, não se importava muito, pois Ichigo já a havia visto vestida assim tantas vezes e até mesmo sem roupa, agora não ligava mais. Ele apenas deu uma olhada de canto para a menina de olhos violáceos que se encontrava cabisbaixa sentada no sofá grande de cor creme, murmurou um baixo “Estou saindo, volto logo” e a deixou sozinha perdida em seus pensamentos.
Rukia estava em uma espécie de inércia, sem saber o que fazer, havia brigado com o namorado pela manhã, uma cena incomum, pois os dois normalmente não discutiam coisas tão superficiais como aquela, ela entendia o lado dele por estar cansando e estressado ficando 24 horas por dia em casa trancado, mas isso não era motivo para ele descontar nela sua frustração, onde é que já se viu, ela lá era algum tipo de objeto onde ele pode muito bem fazer o que quiser com ela, sair e depois voltar como se nada tivesse acontecido, de jeito nenhum. Eles tinham um relacionamento saudável e estável, apesar de muita coisa ter acontecido ao longo desse tempo que estavam juntos, eles mantinham o respeito acima de tudo, até aquela manhã.
Ela como não era boba nem nada, não deixou que Ichigo falasse o que bem entendesse sem ouvir poucas e boas depois, mas ela se arrependia de ter falado o quão irritante e inconveniente ele era por nunca tentar entende-la e que se eles terminassem não faria diferença, o olhar dele de tristeza como se algo tivesse se quebrado dentro dele foi muito doloroso para Rukia assistir, talvez ele tenha entendido que ela não o amasse de verdade, mas no calor do momento não conseguiu achar palavras melhores para se expressar e magoou quem ela amava. E isso doía, machucava, e não sabia a quem recorrer para que pudesse achar alguma solução sobre o que fazer, talvez devesse tentar conversar com Inoue, já que a menina ruiva conhecia Ichigo, mas ela havia sumido e tinha receio, ela era ex namorada de seu namorado, apesar de ser sua amiga, como contar para ela que estavam passando dificuldades como casal, apesar de ter sido a primeira vez que isso acontecia, aos olhos da morena não parecia certo incomodar a ruivinha com assuntos do tipo.
Ela se pôs de pé, decidida, iria ligar para Renji, seu amigo e marido de seu irmão, e conversaria com ele, sabia que o ruivo tatuado a ajudaria a arranjar uma solução, pegou o telefone e ligou para a residência atual dos dois.
— Alô? – Uma voz risonha e grossa atendeu, era o Abarai.
— Renji?
— Ele mesmo, quem fala?
— Sou eu, Rukia.
— Oh baixinha, resolveu ligar finalmente, achei que tinha esquecido do seu belíssimo amigo e cunhado, e também do seu queridíssimo irmão. – Debochou o ruivo atestando que Rukia realmente não havia ligado frequentemente como havia prometido assim que se mudou para a casa de Ichigo, eles entendiam óbvio, mas Renji nunca perdia a oportunidade de encher o saco da menina.
— Não começa Renji – A baixinha rolou os olhos violáceos – Preciso de sua ajuda.
— Pois não, irmãzinha – Renji costumava chamar Rukia desse modo, pois como sempre foram muito amigos e apegados um ao outro, ele nutria um sentimento fraterno muito forte por ela. – Vai me dizer o que aprontou dessa vez? Sabe que não vou contar nada para o Bya.
— Quem vê pensa que não é uma verdadeira Maria fofoqueira quando está com meu irmão, garanto que vocês dois falam da vida de todo mundo!
— Se quer saber, eu e Byakuya falamos mesmo, falamos até de você e do Ichigo.
— Mas sério Renji, eu e Ichigo brigamos agora pela manhã e ele simplesmente se arrumou e saiu, acho que fiz merda. – Disse a baixinha, tristonha.
— Brigaram? Como assim, Rukia? Vocês dois sempre estiveram tão bem, me conta isso aí direito, vai.
— Isso mesmo, eu acordei hoje e vi que ele estava arrumando as coisas que deixo desorganizadas, mas vi que ele estava bravo e sério, perguntei o que era e ele me tratou com grosseria, disse que eu era uma tremenda bagunceira, o que eu sei que não é mentira, mas poxa, você sabe, não consigo nunca deixar as coisas no lugar, tenho esse problema desde criança e ele nunca se incomodou, agora de uma hora para outra ele me trata assim? – A morena falava irada ao telefone com o cunhado, sabia que não deveria estar jogando assim os problemas para cima dele, mas era inevitável.
— Ei, ei, calma lá Rukia, você tá me dizendo que vocês brigaram porque você é desorganizada? Achei que tivessem passado dela fase já. – Disse o ruivo desacreditado no que ouvia.
— Renji, presta atenção no que eu tô te contando, porra. – A menina irritou-se, pois sabia que ele quase não havia prestado atenção no que ela disse.
— Tô prestando, tô prestando, mas sabe, já que você não consegue manter as coisas organizadas, como eu, converse com ele, fiz isso com o Bya e deu certo, e olha que você conhece o irmão que tem.
— Conheço mesmo, até hoje não sei como meu irmão ainda não te chutou dessa casa, porque Renji, você é pior que eu.
— Olha aqui, eu mudei ok? Agora não sou tão desleixado mais, uma coisa ou outra ainda acontece, mas o Byakuya sempre me auxilia nessa parte. Mas então, porque você não conversa com o Ichigo a hora que ele voltar para esclarecer tudo, hein?
— Bom... É que... – Rukia tentou dizer
— Rukia... – Aí então o Abarai soube que a menina não havia ficado quieta – O que você disse para o Ichigo afinal?
— No calor do momento não escolhi as palavras certas e bom, acabei dizendo que ele era irritante e inconveniente com esse jeito dele de sempre arrumar tudo, que me estressava também ele achar que tinha o direito de arrumar coisas que não eram dele... – A morena explicava o que tinha dito ao alaranjado mais cedo
— Mas você não falou algo que pudesse ter feito ele sair de casa – Disse Renji sem entender o motivo do amigo ter saído, pois a menina não disse um absurdo, somente se exaltou.
— Tô contando ainda, calma lá. E bom, ele me falou que sabia que as coisas não eram dele e tudo bem eu achar ruim que ele mexesse apesar de nós já termos intimidade, mas então eu estraguei tudo. Disse a ele que se ele estivesse achando ruim, ele que me dissesse que nós podíamos muito bem terminar ali agora que não faria diferença alguma, e então ele poderia voltar a vida normal dele sem bagunça e eu sem um chato me incomodando sobre organização.
— Kuchiki, você tem problema ou que? – Renji exasperou-se bravo. – O Ichigo é doido por você, tá maluca? Como assim terminar não vai fazer diferença? RUKIA.
— Ah eu sei, tá bom? Eu o amo demais, só que escolhi as palavras erradas já disse, mas Renji o pior de tudo foi ver o Ichigo calado, me olhando fixamente com um olhar quebrado, me senti um lixo por ter falado daquele jeito com ele.
— Eu imagino, mas Rukia, assim que ele voltar, tentem conversar e se resolver, deixe ele explicar os motivos dele por ter brigado com você e você também, diga o que você me disse, garanto que ele vai entender, vocês dois são iguais, almas gêmeas.
— Tá bom Renji, obrigada mesmo. Mas ei, me promete uma coisa?
— Diga, minha flor.
— Não conta nada pro Byakuya-nii, ok?
— Não posso te prometer nada, baixinha. Sabe que nós não escondemos nada um do outro, além do mais, olha a fofoca perfeita para a gente falar mais sobre vocês. – Provocou novamente o ruivo.
— RENJI – A garota esbravejou, mas já era tarde, o Abarai já havia desligado e ela tinha certeza que logo mais seu irmão estaria enviando mensagens para seu telefone perguntando se a menina estava bem e precisava que ele desse um jeito em Ichigo. Certas coisas nunca mudavam.
Após ter conversado com o ruivo, Rukia se pôs a pensar no que diria a Ichigo, ela tinha vontade de dar uns belos tapas no Kurosaki por ele ter sido grosso com ela logo pela manhã e simplesmente ter saído depois de discutirem, que tipo de namorado fazia aquilo, mas não podia arrumar mais uma briga com ele, se não, ai sim terminariam na certa. A morena escutou a porta sendo aberta a tirando de seus devaneios e olhou o namorado entrando pela porta a fechando logo em seguida, engoliu em seco e logo disparou:
— Ichigo, precisamos conversar. Onde você esteve? Tem noção de como me deixou preocupada?
— Ei, ei, eu estou bem, ok? -Disse ele, indo em direção ao sofá para se sentar, pois sabia que a conversa seria longa – Foi mal, dei uma volta pelo centro de Karakura para colocar os pensamentos no lugar e acabei perdendo um pouco a noção do horário, encontrei Inoue e conversei um pouco com ela, descobri que ela quase foi presa esses dias.
— Como assim? – Indagou a menina muito curiosa sobre o assunto, até porque fazia dias que não via Orihime.
— Ela me disse que no dia que o governo decretou a quarentena ela não sabia, não duvido pois do jeito que ela é avoada – Rukia concordou mentalmente pois conhecia a amiga que tinha — e então ela resolveu sair para ir a praia já que estava fazendo sol, assim que ela chegou, ela foi barrada, o policial colocou ela no viatura e a trouxe de volta para casa, ele disse a ela que se a visse na rua novamente ela iria era para a cadeia, tadinha.
— Mas a Orihime também né, nunca presta atenção nas coisas. Mas enfim, Ichigo... Sobre o que aconteceu, eu queria me desculpar... – Rukia aproximando-se do namorado alaranjado deu início ao assunto que realmente importava para ela.
— Você não tem que se desculpar – Ichigo cortou-a – Quem lhe deve desculpas sou eu, sei que não deveria ter falado daquele jeito com você, você é muito importante para mim e eu fui um completo estúpido com você, deveria ter tentando te compreender melhor, assim como seu irmão fez com Renji, porque pelo que me lembro vocês eram iguais...
— Ei, não me ofenda, ok?
— Ok, ok. – Riu fraco, pois sempre soube que aqueles dois eram iguais, mas para a Kuchiki mais nova admitir isso era extremamente difícil — Mas sério, me perdoe, não me vejo vivendo sem sua bagunça diária.
— Ichigo, sei que as vezes é difícil conviver comigo, sei que você se irrita quando eu deixo meus pertences e alguns dos seus fora do lugar ou até mesmo espalhados, mas é uma mania que tenho, estou tentando melhorar, juro para você, mas preciso que me entenda. Eu me expressei mal e espero que me perdoe, não quero que nosso relacionamento termine por um desentendimento desse. – Disse Rukia, sentindo os olhos violetas marejarem, uma raridade, pois a baixinha nunca dava indícios de que choraria perto de Ichigo.
— Oh meu amor – Disse ele se levantando e indo ao encontro de Rukia para abraçá-la – Eu entendo, claro que entendo você, deveria ter tido mais paciência, juro que vou melhorar nesse aspecto também, espero que possa entender.
— Claro, Ichigo. – Murmurou baixinho e logo sentiu que o mais alto deixou um selar em seus lábios, estes com gosto de morango, a fruta que representava o nome de Ichigo. Sorriram um para o outro após o breve selo, eles se amavam e estavam bem agora, sentiam seus corações em paz naquele momento, sabiam que talvez aquela não fosse a última vez que brigariam já que manias iriam aparecer tanto da parte de Rukia quanto de Ichigo, mas nunca esqueceriam que o amor que uniu os dois era maior que todos os problemas que ainda viriam a ter.
Notas finais
Espero que gostem.
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Obrigada por ler e até a próxima, bros!
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