O que está acontecendo? Foi a primeira pergunta que me fiz.

Por quê? A segunda.

Corri até ele guiada por um medo crescente. Ao olhar para o seu corpo inerte e largado no meio do quintal, o choque silenciou todas as próximas perguntas que me faria. Meus olhos arderam. Minha mão deteve o grito que nunca conseguiu irromper pela garganta.

Meu cachorro, companheiro leal de dez anos de muita alegria, havia partido. Assim, de repente. Sem anúncio, sem doença conhecida, sem preparação ou despedida.

Fiquei sem chão. Ainda mais em choque. Descrente. Minha reação imediata foi negar o que meus olhos teimavam em dizer.

Imaginando que Bob só havia passado mal e não podia se mexer temporariamente, peguei-o no colo e chamei por seu nome. Seu corpo, mais pesado do que de costume, pendeu flácido, sem o vigor de antes e ainda morno nos meus braços. Sensação horrível.

Sem batimentos. Foi a resposta da veterinária em meio às minhas lágrimas.

Embora minha cabeça assentisse, meu coração se recusou a aceitar. Passei o resto do dia com uma sensação estranha. De vazio e inércia.

Ainda não posso acreditar que você partiu. Deve ser um pesadelo. Acordarei a qualquer momento, tenho certeza.