Quando passei por aquela porta

8 Capítulo oito - De repente...


De repente recebo uma mensagem em meu celular, é Richard, e também Nykolas. Decido abrir primeiro a mensagem do meu melhor amigo, fiquei surpresa, fazia algumas semanas que não nos falávamos por conta da correria do dia a dia. Contou-me que estava namorando uma garota holandesa, alta, magra e loira. Já havia visto uma foto dos dois em uma rede social, mas não quis tocar no assunto. Por um momento fiquei feliz, já que ele encontrado uma pessoa que o amava da mesma forma. Abri então a mensagem de Richard, susto, desespero, medo, tristeza, como em apenas alguns minutos ele teve o poder de me transformar assim? Fiquei completamente perdida, no escuro.

“Lauren,

Desculpe-me, talvez eu esteja cometendo um grande erro, mas, acho que é necessário, sei que estamos passando por um momento difícil, no qual passamos pouco tempo juntos, não sei se você percebeu, mas ando meio estranho, tentando te evitar, são meus pais, não, esquece, sou eu. Acredito que não tenho te dado muita atenção ultimamente, e isso está me sufocando, eu te amo, mas, apesar daquela ano que vivemos no passado e mais esses meses maravilhosos que tivemos, eu preciso pensar, preciso de um tempo para mim, por favor, espero que compreenda.”

Meu mundo desmoronou, reli inúmeras vezes para ter certeza de o que eu acabara de ler era real, e era. Por que ele simplesmente não pediu para que conversássemos? Seria tão melhor. Sempre fomos tão sinceros um com o outro, porque agora, tão de repente isso? Não consigo entender ou achar alguma explicação para isso. Não respondo, me isolo por alguns minutos e então decido ligar para Hope. Ela deve ter percebido o meu estado, pois não falei nada quando atendeu, apenas chorei, mais uma vez. Em questão de dez minutos ela já estava em meu apartamento me consolando, me mimando.

— Quem ele pensa que é para fazer algo do tipo com você? – ela disse determinada – Você é a melhor pessoa que conheço, divertida, simpática e inteligente, e merece uma boa explicação – completou.

— Eu sei, mas... – solucei.

— Eu acho que você deve tirar esse tempo também para você, pensar se realmente é ele que você quer ao teu lado pelo resto da sua vida – disse olhando em meus olhos – Não se esqueça que, se não der certo, estarei sempre aqui para te apoiar, eu e também Nykolas, tudo bem? – terminou.

— Obrigada – falei ainda choramingando, era a única coisa que conseguia falar sem desmoronar outra vez.

Estava frio, mas não para mim, essa coisa toda mexeu comigo, não recordo que horas peguei no sono, mas quando acordei, Hope estava sentada toda encolhida na poltrona ao meu lado. Estava completamente destruída, tanto emocional quanto fisicamente. Parecia que havia bebido sem limites a noite passada, e talvez fosse isso que eu devesse fazer este sábado.

Eram umas três horas da tarde, realmente ficamos muito tempo conversando, tomei um banho para me sentir melhor e preparei algo para tomarmos nosso café. Estava melhor, mas não totalmente, foi ai que Hope sugeriu que fossemos a uma festa em uma casa noturna mais reservada, não hesitei, queria esquecer tudo isso nem que fosse apenas por algumas horas, me sentir livre, mesmo talvez ainda não sendo.

Chegamos lá cerca das dez horas da noite, vários caras se aproximaram de mim, não os deixei fazer nada além apenas uma boa conversa e uma demorada dança. Fazia muito tempo que eu não me divertia assim com amigos. Cantei a letra de todas as músicas que tocaram perfeitamente, tome bebidas que nunca colocaria em minha boca se estivesse sóbria, dancei até meus pés não agüentarem mais. Por sorte Hope se controlou, levou-me para casa e passou mais uma noite comigo. No dia seguinte eu estava muito pior fisicamente, mas meu emocional não, já podia me sentir melhor, uma liberdade que há tempos não tinha, não porque ele me prendia, não, mas me sentia um pouco presa às vezes, é difícil, ainda mais quando você é impaciente, e que deseja uma resposta rápida. Não é a pior sensação do mundo, mas é uma parte sua que quebra algo que você demora a reconstruir, é realmente muito devastador.

Decidi me ocupar com meus projetos, coloquei uma playlist mais animada, deixei a porta da varanda aberta e o vento levemente gelado levantava meus fios de cabelo. O interfone tocou e atendi sem a mínima vontade.

— Senhorita? Há um homem aqui, ele exige falar com você – falou Ben.

— Tudo bem, mande-o subir – disse desanimada.

Abri a porta e ele me abraçou, não consegui pensar em mais nada além de devolver esse abraço perfeito. Por mais que não nos víssemos ou falássemos por alguns dias sempre voltava ao normal, conversávamos como mais ninguém, parecíamos dois papagaios que quando aprendem alguma palavra não para mais. Como eu sentia falta de Nykolas, e como estava com ciúmes dele com outra mulher. Eu não sei bem o motivo de ele estar aqui, não contei nada a ele, mas ele parecia me entender, parecia saber que eu precisava dele aqui. Fechei a porta e preparei um chocolate quente para ambos. Ficamos na varanda conversando, ele contara que não havia dado certo com aquela linda mulher que eu não fazia questão de lembrar o nome dela. Por alguns segundos eu agradeci por isso, era o que eu precisava para me sentir melhorar, não a desgraça dele é claro, eu torcia para que desse certo, mas que fosse comigo. Desta vez fui eu quem o abraçou. Foi um abraço mais demorado, carregado de sentimentos e expectativas de ambos, ficamos alguns segundos trocando olhares e foi quando seus lábios se encontraram aos meus. Muito melhor do que ir a festas, parece telepatia o que ele faz, sente quando preciso de algo ou alguém.

***

Lá embaixo estava Richard, não o vi, mas assim que paramos de nos beijar, não faço ideia do por que, mas olhei para baixo e lá estava ele, e estava indignado. Voltou para o carro e saiu, novamente voltou aquele sentimento ruim, mas tentei não me prender a isso e voltar a conversar com Nykolas, era ele com quem eu deveria me preocupar agora, eu não poderia perdê-lo por nada. Como sempre fiz a escolha errada, mas agora estou certa de que está não é.

Ficamos juntos vendo TV, agora eu estava segura, me sentia protegida e muito bem, não pensei nem um pouco em Richard, não fiz questão de enviar uma mensagem, e nem ele pelo jeito. Aparentemente já estava tudo acabado mesmo. Havia até esquecido da aliança em meu dedo. Balancei um pouco e ela voou alguns centímetros no apartamento, não me dei ao luxo de pegar do chão, estava muito ocupada no melhor silêncio que já tivera.