Os titãs estavam se perguntando como um dia que tinha tudo para ser um bom dia, podia mudar tão depressa. As coisas estavam bem, e no segundo seguinte o mudo vinha ao chão. Eles ainda não sabiam direito o que tinha acontecido, mas sabiam que as coisas iriam demorar para voltarem ao normal. E pensar que o dia começou tão bem...

Era um dia normal em Jump City. Nas ruas as pessoas andavam, umas apresadas, outras lentamente. Cada uma seguindo seu caminho. A manhã estava limpa, o sol brilhava e tinha poucas nuvens no céu. Na Torre em formata de T estava tudo como de costume. Todos já estavam acordados, mas apenas quatro dos cinco heróis já tinham saído dos seus quartos. Mutano estava na cozinha preparando o café da manhã, os outros ainda não tinha levantado, quando ele acordou e como ele não tinha pressa decidiu que prepararia café para todos, menos para Cyborg. Como Cyborg não comia tofu, ele estava preparando apenas para ele, Estelar e Robin, ele fez um pouco a mais por que se Ravena tivesse de bom humor, comeria também. Ele estava terminando de preparar os ovos quando Estelar e Robin entraram na cozinha. Eles se sentaram na mesa, enquanto Mutano colocava a panela em cima da mesma.

– Bom dia, amigo Mutano. – Estelar disse alegre como sempre. – Um dia glorioso.

– Bom dia, Estelar. – ele disse sorrindo para ela. – Bom dia, Robin.

– Bom dia, Mutano. – Robin se servindo.

– Amigo, como você entende mais de animal do que qualquer um de nós, poderia me explicar o que seria um animal assexuado?

Quando ouviu a pergunta Robin cuspiu todo o suco que tinha colocado na boca. Mutano olhou para a amiga por um tempo. Ela tinha mesmo lhe perguntado isso? Não era a pergunta mais estranha que ela já fez, mesmo assim era estranha.

– Bom, Estelar, chamamos assim um animal que se reproduz sozinho. Um animal que se divide. Geralmente, é o que acontece com os animais microscópios. – ele disse. – Por que quer saber?

– Ontem eu escutei isso na TV e fiquei curiosa. – ela explicou. – Obrigada por sana minha dúvida.

– Bom dia, galera. – Cyborg disse entrando na cozinha. – Eca, tofu.

– Bom dia. E não faça essa cara para minha comida. – Mutano disse se sentando. – Eu não fiz para você.

– Certo, Verdinho. – Cyborg disse indo até a geladeira e pegando ovos de verdade. – Então, o que vamos fazer hoje?

– Nada de especial. – Robin disse. – A não ser que queira treinamento, ou que algum vilão ataque. Acho que seria bom treina um pouco. Treino nunca é demais.

– Espero que não aconteça nada na cidade, e não quero treinar não. Amanhã já será tortura suficiente. Só de pensar isso já sinto dor.

– Não é assim tão ruim. – o líder disse. – Apenas um treinamento e uma avaliação.

– Claro, nada demais. – o jovem cibernético disse, fazendo os outros dois rirem.

– Senti um certo sarcasmo na sua voz? – o líder perguntou.

– Não. Eu não sei ser sarcástico. Nem sei o que é isso. Pode me explicar, por favor?

Nessa hora a porta se abriu e Ravena entrou.

– Bom dia. – ela disse passando rapidamente por eles, indo pegar seu chá.

– Bom dia. – os outros responderam.

– Ei, Rae, deixei um pouco de tofu para você, caso queira. – Mutano disse alegre.

– Não. Obrigada. – ela disse saindo da sala.

Estelar foi a única que viu as orelhas de Mutano se abaixarem um pouco. Mesmo que tivesse sido por apenas um minuto.

...

Mutano estava deitado no chão da sala com um caderno, desenhando. Ele estava distraído. Apenas desenhava e não prestava atenção a sua volta. Conforme ele fazia os rabiscos o desenho ia ganhando forma. Quando terminou ele viu que tinha feito o rosto de Ravena. Com detalhes que muitos artista deixam de fora. Mas como tem uma visão melhor do que a dos humanos, Mutano conseguia enxerga e colocar no papel. Ele estava tão distraído que não notou Cyborg entra na sala, nem começa a jogar vídeo game. E principalmente ele não viu quando Cyborg derrubou um copo suco que estava em cima da mesa no livro de Ravena.

Quando se cansou de desenhar, Mutano levantou-se e foi até seu quarto onde deixou seu caderno, depois voltou para a cozinha. Ele estava com fome. Nessa hora Cyborg também foi para a cozinha.

– Ei, cara, quer jogar? – o titã mais velho perguntou.

– Agora não, cara. – ele disse mordendo seu sanduíche. – Acho que vou correr um pouco.

– Você? Correr? Não acredito. Está doente?

– Ás vezes, faz bem. Principalmente se você é um cachorro. – Mutano disse dando os ombros. – É bom sentir o vento no rosto.

O Metamorfo voltou para sala. Ele estava quase saindo quando escutou o som de alguma coisa pingando. Ele foi atrás. Quando ele chegou a fonte seu queixo caiu no chão. Alguém tinha estragado o livro de Ravena. Ele largou o sanduiche ainda pela metade e pegou o livro. Talvez, se ele fizesse igual naquele filme, Os Incríveis, dava para secar o livro.

– O que? – ele escutou Ravena falando baixinho, apenas para si mesmo. – O QUE VOCÊ FEZ ISSO COM MEU LIVRO? – ela gritou.

Mutano levantou os olhos e viu Ravena, Estelar e Robin parados na frente da porta. Ravena levantou os olhos do livro molhado e olhou para Mutano que estava parado com o livro ainda em suas mãos. Seus olhos ficaram vermelhos.

– MUTANO, ME RESPONDA. – ela gritou se aproximando dele.

– E-eu, eu não f-fiz, nada. – ele disse nervoso. – E-ele es-estava assim quando en-encontrei.

– Eu não acredito. – ela disse arrancando o livro da mão dele. – Eu deixei ele aqui por cinco minutos, CINCO. Para ir ajudar Estelar e quando volto e ele está assim. E pelo que eu me lembro de quando sair daqui, apenas você estava na sala.

– Ma-mas, e-eu não cheguei perto dele. – Mutano disse.

– Então, quem foi? – ela gritou. – Vamos, me dê um nome.

– Eu não sei. Eu juro que não foi eu.

– Eu peguei você com a prova na mão. – ela disse.

– Eu pago. – ele disse assustado. – É só me falar quanto é que eu pago.

– Não tem como você pagar. – Ravena disse se virando para sair.

Mutano apenas abaixou a cabeça.

– Ravena, se acalme. – Robin pediu. – Tenho certeza que Mutano não fez por mal. E ele vai se desculpar. Não vai?

– Me desculpa, mesmo não ter sido eu, me desculpa. – ele disse. E esse foi seu erro. Para Ravena pedi desculpa, era o mesmo que assumir a culpa.

– ME DESCULPA? VOCÊ ACHA QUE MERECE SER DESCULPADO? ESSE ERA MEU LIVRO FAVORITO. CUSTA SER MAIS CUIDADOSO?

– Eu...

– Quer saber, Mutano? Estou cansada de você. Cansada das suas brincadeiras. Cansada das suas piadas. Cansada de ter que aguentar suas perguntas. Estou cansada de tudo o que diz respeito a você. – Ravena gritou se virando para ele, com os olhos brilhando. – Cansada de seu jeito atrapalhado. Você nunca presta atenção em nada. Luta mal, não sabe fazer nada se ter que trocar de forma. Você não sabe a hora de parar, não sabe falar com os bandidos, não sabe seguir ordens, não sabe nem fazer um relatório completo. E o que faz tem tantos erros que precisa de um tradutor para ler. Você não parar de nos perturba, tenta fazer com que comecemos aquela porcaria de tofu. A única vez que realmente fez alguma coisa certa foi quando estava sendo controlado por um animal. Então, me pergunto, o que você ainda faz aqui nos Titãs? E isso sem falar de todas as piadas horríveis que temos que ouvi, mesmo quando falamos que não queremos, no meio de lutas. Você é tão imaturo que não consegue perceber que podemos nos machucar por sua causa. Por causa das suas piadas.

– E-eu... apenas que-queria animar vo-vocês. – ele disse tremulo. – E-eu que-queria que vo-vocês s-se sentissem bem, po-por que me i-impor-porto com vo-vocês. Me importo com você.

– Ai que está o ponto. EU.NÃO.ME.IMPORTO.COM.VOCÊ. – Ravena disse com raiva e até mesmo ódio na voz. – Eu te odeio. E queria que nunca tivesse conhecido você. Te odeio por ter trazido a Terra para cá, apenas para ela nós trair e você ficar pior do que já é. Na verdade, acho que você mereceu o fora que levou dela, mereceu a traição por ser tão burro. Eu ainda não sei o que ela viu em você. Um menino bobo e verde. Uma aberração verde. Um monstro. EU TE ODEIO.

Ravena só percebeu o que tinha dito quando Mutano deixou a primeira lágrima cair. Ele saiu correndo, mas seus amigos escutaram o soluço que ele deixou escapar.

– O que você fez? – Estelar perguntou em choque. – Como pode dizer uma coisa dessa para ele?

– Eu...

– Isso tudo por causa de um livro? – Cyborg perguntou saindo do transe. – Você falou tudo isso por causa da droga de UM LIVRO? Um livro que ele estava desporto em compra outro, mesmo depois de você ter gritado com ele?

– Eu... não queria falar isso.

– Mas, disse. – Cyborg gritou.

– Chega. – Robin gritou mais alto. – Ficar aqui discutindo não vai ajudar em nada. Briga não vai ajudar em nada. O que está dito, está dito. Não podemos tirar as palavras, uma vez que já a falamos. Se acalme todos. Eu vou ir falar com ele.

Robin saiu deixando os outros sozinhos, apesar de não está muito confiante. Ele tinha medo de que Estelar e Cyborg fizesse alguma coisa contra Ravena. Quando Robin chegou ao quarto de Mutano escutou os soluços.

– Mutano? Sou eu. Me deixa entrar. – ele disse. – Escuta, sei você está triste, mas... me deixe entrar.

Ele não escutou nada. Nenhum som.

– Mutano? – ele bateu e chamou novamente.

– Vá embora. – Mutano disse com a voz quebrada. – Eu... – seja lá o que ele fosse dizer não conseguiu por causa do choro.

– Quando quiser falar, sabe onde me encontra. – Robin disse antes de se afasta.

– Então? – Estelar perguntou quando ele voltou para a sala.

– Ele não quer abri a porta. Acho que devemos dá um tempo para ele. Ravena, venha comigo, precisamos conversar.

...

Mutano não podia acreditar que aquelas palavras estavam saindo da boca de Ravena. Ele não queria acreditar. Mas a cada segundo ficava pior. A cada segundo, elas partia seu coração, estraçalhava e triturava. Ele saiu correndo para não ouvi mais, na verdade, ele não queria ter ficado lá, quando ela começou a falar, ele não queria ter escutado nada daquilo. Mas ele estava em choque. Não conseguia sair do lugar. Apenas, ficou ali, imóvel. Até que não aguentou mais. Afinal, até quando você aguenta quando a pessoa que você ama te falar palavras que cortam sua alma?

Cansada das suas brincadeiras.

Ele sabia que ela não gostava de suas brincadeiras, mas ele não brincava mais com ela. Sempre que fazia alguma brincadeira avisava a ela. Falava o que ia fazer e os lugares que não eram seguros ir.

Estou cansada de tudo o que diz respeito a você.

Tudo? Até mesmo ás vezes que meditamos juntos? Ao que ficamos no telhado até tarde falando sobre coisas sem sentido?

Você nunca presta atenção em nada. Luta mal, não sabe fazer nada se ter trocar de forma.

Ele não sabia que era sim. Não sabia que não era um bom herói. Sempre pensou que se fosse muito abaixo dos outros, Robin lhe diria. Sempre confiou no seu líder.

Não sabe nem fazer um relatório completo. E o que faz tem tantos erros que precisa de um tradutor para ler.

Ele não tinha culpa. Ele não podia fazer um relatório completo ou mesmo ler um. Ele era disléxico. As palavra simplesmente fugiam. E ele ter aprendido a ler na África não ajudou muito. Apesar de ter livros em inglês, a maioria que achava era em africano. Nem suas histórias em quadrinhos ele lia. Apenas, via os desenhos e inventava uma história.

A única vez que realmente fez alguma coisa certa foi quando estava sendo controlado por um animal.

Aquilo doeu mais do que quando ele estava morrendo de febre verde. Mas do que qualquer ferida das lutas contra o crime. Mais que todos os seus ferimentos juntos.

Então, me pergunto, o que você ainda faz aqui nos Titãs.

Ele se fazia a mesma pergunta todos os dias.

NÃO.ME.IMPORTO.COM.VOCÊ. Eu te odeio. E queria que nunca tivesse conhecido você.

Isso ficava martelando em sua cabeça. Principalmente o: Eu te odeio.

Na verdade acho que você mereceu o fora que levou dela, mereceu a traição por ser tão burro. Eu ainda não sei o que ela viu em você.

Quando ela falou de Terra abriu feridas que estava quase cicatrizadas. Abriu feridas que não doíam tanto. Mas, agora, parecia que estava lá de novo.

Um menino bobo e verde.

Na verdade, é uma aberração verde.

Um monstro.

Ele sabia que esse dia chegaria. O dia em que todos iam passar na cara dele o que ele é. O que sempre falaram para ele antes dele virar um herói. O que todos achavam dele. Ele é um monstro e sempre vai ser. Apenas, um monstro.

Um monstro.

Ele é um monstro.

– Ahhhhhhhhhhhhhhhh. – ele gritou. – Pare com isso. – ele gritou colocando as mãos nos ouvidos. – Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. Eu não sou um monstro. – ele se deitou se enrolando como uma bola e começou a se balança enquanto murmurava isso sem parar.

...

– Ahhhhhhhhhhhhhhhh. –os titãs se assustaram quando escutaram o grito de Mutano. – Pare com isso. Eu não sou um monstro.

Estelar foi a primeira a chegar no quarto de Mutano. Seguida pelos outros.

– Mutano, abra a porta. – Robin mandou. – Mutano, abra essa porta agora.

– Vão embora. – eles escutaram a voz dele abafada. – Eu quero ficar sozinho.

– Amigo, queremos ajudar. – Estelar disse colocando a mão na porta. – Deixe a gente entrar?

Silêncio. Isso era tudo o que se ouvia na Torre. O mais absoluto silêncio.

...

Mutano passou o resto do dia e a noite trancado no quarto. Ele não dormiu nada, mas não estava pronto para sair. Ele olhou para seu quarto. Ele tinha finalmente arrumado, reaproveitado melhor o espaço. Nas paredes ele colocou fotos de seus amigos e alguns desenhos que ele tinha feito. Ele também tinha colocado uma prateleira para colocar seus jogos e quadrinhos. Não que nenhum dos seus amigos soubessem o que ele faz. Ele nunca contou isso para ninguém, ele tinha vergonha disso. Vergonha de não saber ler direito. Como ele podia servi de exemplo para as crianças quando sempre foi tão mal na escola por não consegui ler? Esse era um dos seus maiores segredos.

Ele se levantou e foi para o banheiro. Depois de tomar banho, ele se olhou no espelho. Seu rosto estava inchado, os olhos vermelhos e com marcas horríveis de baixo. Ele suspirou e se vestiu. Depois de tomar coragem, ele finalmente saiu do quarto.

– Amigo. – Ele foi esmagado pelo abraço de Estelar, assim que ele chegou na sala.

Todos olharam para ele. Robin e Cyborg estavam nervosos, eles nunca tinham visto o amigo assim.

– Oi. – ele disse baixou.

– Eu sinto tanto. – ela disse. – Como você está?

– Bem. – foi tudo o que ele disse antes de ir para a geladeira e pegar um pouco de suco.

Todos ficaram em silêncio. Mutano apenas se sentou no sofá e ficou lá. Sem dizer mais nada. Pouco tempo depois, Ravena entrou na sala. Ela olhou para Mutano e foi em direção a ele.

– Mutano? – ela chamou. – Eu queria...

Ela não pode falar mais nada, já que Mutano pegou seu copo e saiu. A empata fechou os olhos. Seria mais difícil do que ela pensava. Ela teria de dá um jeito de pedir desculpas para ele, mas ele não estava ajudando.

Mutano foi para seu quarto e mexeu em sua gaveta. Depois de hesitar um pouco, ele pegou o cartão que estava lá dentro. Ele nunca usou esse dinheiro, o dinheiro que seus pais tinham deixando para ele. Ele se transformou em um pássaro e saiu da Torre.

– Bom dia. Em que posso ter ajudar? – a atendente falou assim que ele entrou na loja.

– Bom dia. Gostaria saber como faço para compra um livro. Só que não sei como é o nome dele. – ele disse olhando envolta. – Mas tenho um desenho dele.

Mutano disse tirando um papel do bolso da calça e entregou para a moça. A atendente estudou o desenho por um tempo.

– Quem fez? Está perfeito. – ela disse olhando para o desenho.

– Eu. – ele disse corando.

– E por que disse que não sabe o nome? Está escrito na capa. – ela disse escrevendo alguma coisa no computador.

– Sou disléxico. – ele disse dando os ombros.

– Sem querer me intrometer, mas por que vai compra um livro então?

– Uma amiga minha tinha um desse. Aconteceu um acidente e bom... Era uma vez um livro. – ele disse dando os ombros novamente.

– Aqui está. Ierarquia dos demônios. Ele é feito por encomenda. Vai levar dois meses para ficar pronto.

– Tudo bem. Aceitam cartão?

– Sim.

Depois de pagar e dá o endereço de onde deveria ser entregue o livro, Mutano voltou para a Torre.

Os dias foram se passando assim. Todas as vezes que Ravena tentava falar com Mutano, ele simplesmente se afastava dela. Não respondia quando ela o cumprimentava. Ele também tinha parado de fazer piadas e raramente era visto pelos amigos. Passava a maior parte do tempo no quarto. Saia apenas para comer, lutar contra o crime e ir ver o pôr do sol.

– Temos que fazer alguma coisa. – Cyborg disse para os outros. – Esse clima está estranho. Eles não se falam. Ficam apenas com aquelas caras de cão sem dono. E isso sem falar nos gritos a noite. Nunca pensei que Mutano pudesse gritar tão alto.

– Concordo com o amigo Cyborg. – disse Estelar. – Temos que ajudar nossos amigos.

– Não sei o que fazer. – Robin admitiu. – Mutano sempre nos ajudou a superar os problemas, mas nunca precisou da gente. E se precisou a gente nunca percebeu. Quando a Terra foi embora, Ravena falou com ele. Eu não sei o que podemos fazer. Ele se fechou para o mundo.

– Tem que ter um modo. Se Ravena tentasse de novo...

– Ela tenta todo dia Cyborg. – Robin o cortou. – Mas Mutano se afasta. Ele não deixa ela falar.

– A culpa é dela. – o jovem robô disse. – Tudo aquilo por causa de um livro.

– Tem uma coisa errada nesse história. – Robin disse. – Mutano nunca brincou com os livros de Ravena. E também se ele tivesse molhado por acidente, teria falado.

– Acho que podemos tirar essa história a limpo. – Cyborg disse se levantando. – Vamos ver as câmeras de segurança.

Os três titãs foram para a sala de provas.

– Eu não acredito. – Cyborg disse em choque. – A culpa foi minha. Eu que derrubei o suco.

– Amigos, temos que contar isso para eles, mas acho que apenas deixará as coisas piores que já estão.

– Temos que pensar bem no que vamos fazer e em como vamos fazer. – Robin disse. – Temos que... – Nessa hora o alarme tocou. Eles correram para ver quem era. – Assalto a banco.

Nessa hora Ravena e Mutano passaram pela porta.

– Titã, vamos.

Eles chegaram ao banco. Estavam em vantagem numérica. Os ladrões pareciam assustados ao ver os titãs ali.

– Se rendam. – Robin disse.

– Não. Apenas queremos a dinheiro e vamos embora. – disse um dos ladrões.

– Não podemos deixar que saíram daqui com o dinheiro, nem depois de cometer um crime. Titã, ataca.

Tudo ia bem. Afinal, eram cinco contra dois. Ravena e Estalar cuidaram para que nenhum inocente fosse ferido, enquanto os outros três atacavam os bandidos. Robin e Cyborg se separaram, cada um indo para cima de um ladrão enquanto, Mutano cuidava para que caso eles conseguisse despista os amigos não tivessem escapatória. Os bandidos estavam quase completamente rendidos quando aconteceu. Mutano escutou um som vindo da sua esquerda, Quando olhou para lá viu outros ladrão, que tinha se escondido quando eles chegaram. Ele foi até ele. Depois de se transformar em um pequeno macaco, ele pulou perto do criminoso. Ele conseguiu derrubar a arma e nocauteou o bandido. Foi nessa hora que Robin levou um soco e ficou tonto, aproveitando isso, o ladrão contra quem ele lutava correu para a saída. Mutano se transformou em um Guepardo e correu até ele. Depois de transformou em um gorila. Assustado e sem ter para onde fugir, ele fez a única coisa que lhe veio à cabeça. Levantou a arma e atirou. Um, duas, três vezes. Três tiros certeiros.

– Mutano. – Os quatro outros titãs gritaram.

Ravena foi a primeira a chegar os lado do amigo, que tinha voltado a sua forma humana. Os tiros acertaram seu peito. Ela levantou os olhos e olhou para o bandido que ainda apontava a arma.

– Você. – ela disse com uma fúria na voz. Com um simples gesto ela jogou ele longe. – Mutano, fale comigo. Vamos, Mutano. – Ela disse tentando fazer pressão no ferimento. – CYBORG. – ela gritou chamando os outros de volta de seu estado de choque.

– Temos que leva-lo para Torre agora. – o jovem cibernético disse.

Ravena fez um portal e os três desapareceram. Cyborg arrancou a blusa de Mutano e começou a examinar seus ferimentos.

– Saia. – ele disse para Ravena.

– O que?

– Saia. Preciso de espaço.

– Não. Posso curá-lo. – ela disse. – Me deixe te ajudar.

– Certo. – Cyborg disse depois de um tempo.

Os dois trabalharam juntos. Eles tiraram as balas que por pouco não acertaram nada vital. Depois Ravena passou a curá-lo. Ela simplesmente usou toda sua energia para curar. Cyborg teve que deitar ela, depois disso.

– Como ele está? – Robin perguntou entrando com Estelar logo atrás. – E o que aconteceu com Ravena?

– Ele está estável. Mas não posso te dizer muito agora, temos que esperar vinte quatro horas. E ela está assim por que usou toda a energia que tinha para curá-lo. Mas, vai ficar bem depois que dormi um pouco.

No dia seguinte Ravena não saiu de perto de Mutano. Ela ficou ali, no quarto, segurando a mão dele. Mutano não dava qualquer sinal que iria acorda, mas isso já era de se esperar.

– Como ele está? – Estelar perguntou entrando na enfermaria.

– Na mesma. – ela disse. – Será que um dia eu vou poder pedi desculpas para ele pelo que eu disse?

– Por que pergunta isso?

– Ele não fala comigo. Ele não deixa que me desculpe. Ele nem olha para mim.

– Acho que ele apenas precisa de mais tempo.

– Não. Eu fui longe demais. Era apenas um livro. E eu o chame de coisas horríveis. – Ravena deixou uma lágrima escapar. – Eu deveria ir embora. Deveria deixar ele em paz. O problema da equipe sou eu, não ele.

– Amiga, ás vezes falamos mesmo coisas que não queremos para pessoas que amamos, mas uma hora podemos nos desculpa. Ele apenas está fazendo o que ele acha que você quer. Você disse que o odiava, acho que ele ver isso como um: Não te quero perto de mim.

– Eu não tinha o direito de falar aquilo para ele.

– Não. Mas agora você pode consertar.

...

Mutano abriu seus olhos confuso. Ele não sabia onde estava e não lembrava o que tinha acontecido. Ele olhou em volta e viu que estava na enfermaria. Ele tentou se levantar, mas sentiu um peso em cima de si e uma forte dor no peito. Quando ele olhou, viu que estava sem camisa e com ataduras no peito. Ele também viu que Ravena estava deitada em cima dele, dormindo. Ele ficou confuso. Por que ela estaria ali?

Mutano se mexeu desconfortavelmente na cama, acordando Ravena.

– Mutano?

– Oi. O que aconteceu? – ele perguntou quando ela olhou para ele.

– Você não lembra?

– Não.

–Você foi baleado. Levou três tiros.

– Que sorte a minha. – ele disse revirando os olhos. – O que você faz aqui?

– Eu queria te pedi desculpa. Sei que você está com raiva de mim, mas quero que você saiba que nunca quis dizer aquilo. Sei que foi imperdoável da minha parte, mas eu estava tão nervosa e deixei tudo sair. Eu realmente gostava daquele livro, mas isso não justifica meu comportamento.

– Tudo bem. – ele disse dando os ombros.

– Serio?

– Sim.

– Será que posso te abraça? – Ravena perguntou corando.

– Acho que sim.

A empata se aproximou dele e o abraçou. Ela sabia que ele ainda não a tinha perdoado em tudo. Mas faria de tudo para ter seu perdão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!