Quando o Amor Acontece
97 Capítulo 97 - Hora da Verdade
Notas iniciais
Simbora ler o/
Logo que chegou a Los Angeles Emmett desfez as malas, na área de serviço, deixando lá o que precisava ser lavado. E como havia prometido à Rosalie, alguns dias atrás, ele foi resolver a questão da nova cama da suíte do casal. E para essa tarefa foi em busca da ajuda da irmã, Isabella.
Quando estava no estacionamento pronto para ir buscar Isabella, Emmett encontrou a pequena Madelayne, vestida de bailarina, pronta para ir à apresentação de ballet na companhia da babá e do motorista. Emmett já não estranhava mais o fato da garotinha quase sempre não está na companhia dos pais. Eles nunca demostravam interesse pela filha.
Emmett a chamou quando ela estava prestes a entrar no carro. Logo que reconheceu a voz, Madelayne correu ao encontro dele, saltitando com suas sapatilhas de ponta através da garagem subterrânea do prédio.
Emmett a pegou no colo, beijando cada uma de suas bochechinhas rosadas antes de contar a novidade sobre seu noivado com Rosalie. A garotinha ficou muito feliz com a notícia; o abraçou lhe desejando muitas felicidades. Depois disso Emmett a colocou de volta no chão. Madelayne abraçou as pernas dele antes de sair correndo para entrar no carro onde a babá e o motorista estava a sua espera.
Horas mais tarde Emmett já tinha realizado a compra de uma nova cama de casal que seria entregue no dia seguinte. Antes de voltar para casa fez um lanche na companhia da irmã Isabella. Maria ainda estava brava com ele, por esse motivo não deu a mínima importância para o fato de o irmão estar de volta a Los Angeles.
[...]
A semana foi de muito treino para Emmett. Durante esses dias ele conversou com Rosalie por telefone e pelo o Skaype. Inclusive em uma dessas conversas pelo Skaype ele apresentou a nova cama para a noiva, ressaltando o quanto estava ansioso para dormirem juntos nela. Rosalie garantiu que mal podia esperar para que isso voltasse acontecer.
Na sexta-feira, por volta das dezoito horas, Rosalie pegou um voo para Los Angeles. E como havia prometido a Emmett, lhe avisou com antecedência de sua chegada. Quando desembarcou no aeroporto internacional de Los Angeles – Lax –, Emmett estava a sua espera, sorridente como nunca. Ele segurava um lindo buquê de rosas vermelhas, e a expressão de seu rosto lembrava um adolescente ansioso.
Rosalie sorriu indo ao encontro dele, deixando a bagagem de mão no meio do saguão do aeroporto, sem se importar com nada a não ser abraçá-lo novamente. Seu corpo colidiu com força contra o dele no momento em que Emmett afastou o braço que segurava o buquê. Em um reconhecimento que esmagava a saudade trocaram um beijo voraz e saudoso, em meio às pessoas que circulavam sem se importar com a cena de afeto.
E quando aquele beijo chegou ao fim, Emmett foi com ela recolher a bagagem. Ele empurrou o carrinho até o estacionamento e guardou as malas de Rosalie no bagageiro. Do aeroporto a levou direto para o restaurante onde Isabella com o namorado Edward, e alguns amigos haviam combinado de jantarem juntos naquela noite.
O jantar com o grupo de amigos foi descontraído, o que fez a noite perfeita. Por volta da meia-noite Emmett e Rosalie se despediram dos amigos que ficaram de saírem para dançar em uma casa noturna. Por causa das finais de campeonato, nos últimos dias, Emmett estava proibido de sair e chegar tarde. Sendo assim aproveitou para levar a noiva para o apartamento e matarem a saudade que sentiam um do outro depois de uma semana inteira afastados.
Vera, mais uma vez, ficou com os pais de Rosalie. Sua mãe, Ava, ainda não havia retornado do cruzeiro com namorado.
Antes de ir buscá-la no aeroporto Emmett havia preparado uma surpresa para Rosalie. Já no prédio colocou a bagagem dela no elevador privado e permaneceram juntinhos até chegarem à cobertura.
Rosalie segurava apenas a bolsa e o buquê de rosas quando saíram do elevador. Emmett deixou as malas dela no hall e esperou que ela fosse à frente. Sem desconfiar de nada, Rosalie andou rumo à sala de estar, notando pelo caminho uma trilha de pétalas de rosas vermelhas, exatamente iguais as do buquê que segurava.
O rosto de feições delicadas se iluminou em um sorriso receptivo quando desconfiou do que se tratava. Alguns passos adiante ela notou que a trilha de pétalas seguia através do corredor de acesso aos quartos. Feliz com a suspeita, ela olhou para Emmett, que lhe deu uma piscadela e a incentivou seguir em frente. Rosalie suspirou, satisfeita, e seguiu através da trilha de pétalas de rosas até que chegou em frente a porta da suíte principal. Afastou uma das mãos do buquê e abriu a porta devagar. A mesma mão que abriu a porta foi a que tateou a parede em busca do interruptor, acendendo as luzes.
Seu coração pulsou forte contra o peito, fazendo uma leve pressão, quando notou que a trilha de pétalas terminava nos pés da nova cama que Emmett comprara para suprir o desejo dela. Essa era ainda mais bonita e mais confortável que a anterior. No centro da cama havia um coração desenhado com pétalas de rosas e dentro dele havia um bilhete.
Rosalie mal podia acreditar no quão especial seu ursinho vinha se mostrando em cada gesto, dia após dia. Às vezes chegava a se pergunta se realmente o merecia.
Ela encolheu os ombros e olhou para trás, sentindo os pelos se arrepiarem quando Emmett beijou sua nuca.
Em meio a um grande sorriso Rosalie o agradeceu, e o beijou com vontade. Um beijo sedento, carregado de emoções. No entanto, seu coração pedia e a mente ordenava que fizesse o que deveria ter feito há muito tempo.
Entre um beijo e outro, Rosalie avisou.
- Amor, precisamos conversar...
Perdido no transe, movido pelo desejo e a ansiedade de fazê-la sua mais uma vez, Emmett apenas sibilou com o timbre levemente rouco.
- Conversaremos pela manhã Rose. Agora tudo o que quero é amar você...
- É muito importante amor... – murmurou Rosalie, recebendo inúmeros beijos no pescoço.
- Nada pode ser mais importante do que ter você em meus braços agora – sussurrou ele em resposta, ao pé do ouvido deixando-a arrepiada mais uma vez.
Rosalie fez menção de falar, mas Emmett a silenciou com um beijo, pegando-a nos braços e levando até a cama. Colocou Rosalie deitada sobre o coração feito de pétalas de rosas, pegando das mãos dela o buquê e a bolsa deixando-os sobre o récamier.
Recebendo beijos no pescoço, ela recolheu o bilhete que havia ficado embaixo de suas costas e o leu brevemente.
“Saudade me define nesse momento. Espero que aprecie a nossa nova cama. Com amor Emmett, o seu ursinho que contou cada segundo para te ver novamente.”
Ela finalizou a leitura do bilhete decidida a aproveitar a noite de amor que a esperava. Tinha que admitir que sentira tanta falta do calor daqueles braços quanto ele sentira dos dela. Decidiu desfrutar da noite que ele havia se empenhado em preparar, pensando apenas nela.
Apenas Deus sabia o que seria do amanhã, talvez essa fosse uma noite de despedida...
Com um sorriso, Rosalie levou suas mãos a barra da camisa que Emmett usava e puxou, passando pela cabeça dele. No minuto seguinte, Emmett a beijava com sofreguidão.
E assim transcorreu mais uma madrugada; cheia de amor, desejo e luxúria entre dois corpos que se completavam em um encaixe perfeito. Dois corpos que uniam para saciar a saudade e desejo que despertavam um no outro.
Antes de dormir, Rosalie se retraiu, abraçando o próprio corpo, quando se lembrou da conversa que teriam quando enfim o dia amanhecesse. Ela sentiu os lábios de Emmett tocarem sua nuca enquanto os braços fortes envolviam seu corpo cuidadosamente. O gesto a fez deixar um pouco de lado o medo que a assolava, permitindo assim a chegada do sono.
[...]
O sol brilhava forte do lado de fora. O relógio marcava onze horas e trinta minutos da manhã de sábado. Rosalie começou despertar, se sentindo um tanto estranha e um pouco angustiada. Seus corpos nus, juntinhos, mantinham pétalas de rosas grudadas a pele. Os cabelos dourados de Rosalie estavam uma verdadeira desordem aquela manhã; um pouco selvagem talvez. Ela passou as mãos nos cabelos, tentando amenizar a bagunça, enquanto sua mente gritava que era chegada a hora da verdade.
Mesmo que o medo pela reação de Emmett a fizesse fraquejar, tinha que contar toda a verdade para ele antes que alguém fizesse isso, dificultando ainda mais a situação e o entendimento.
Olhando Emmett dormindo ao seu lado com uma expressão serena no rosto, ela decidiu levantar e tomar um banho para estar pelo menos vestida de forma decente do momento da verdade. Com cuidado afastou o braço de Emmett que circundava sua cintura. Ele se remexeu impaciente quando o espaço na cama ficou vazio. No entanto, não chegou a acordar. Enrolada em um dos lençóis, Rosalie andou na pontinha dos pés e acabou tropeçando nas calças de Emmett que estava jogada ao chão. Ela se abaixou recolhendo todas as roupas, levando tudo para o banheiro onde tomou um banho quente e relativamente demorado. Secou os cabelos com a porta do banheiro ainda fechada, evitando fazer muito barulho. Quando já estava pronta, saiu do quarto deixando a porta entreaberta.
Com a expressão preocupada, ela foi à cozinha decidida a passar um café, mas, sabia que suas habilidades naquela parte da casa não eram lá essas coisas.
Minutos depois, quando o café ficou pronto, ela encheu uma caneca pela metade e levou consigo para a varanda onde sentou em uma espreguiçadeira e ficou olhando a vista da cidade. A temperatura estava agradável embora o dia estivesse ensolarado, o que não era nenhuma novidade em Los Angeles. O barulho e os ruídos da cidade grande não incomodavam quem já estava habituada a eles. Diferente de Norristown, ali não havia canto de pássaros ao acordar, entretanto, não era isso que a incomodava.
Perdida em seus próprios pensamentos, Rosalie vez ou outra tomava um gole de café enquanto segurava a caneca entre ambas às mãos.
Seus pensamentos estavam direcionados totalmente a conversa que teria com Emmett tão logo ele acordasse. Estava com medo. Medo de que o seu silêncio viesse a surtir efeitos tardios em sua relação com o homem que mais amou na vida.
Na suíte, Emmett acordou e ao perceber que Rosalie não estava ao seu lado começou a procurá-la. Ele saiu da cama usando um emaranhado de lençóis para cobrir suas partes íntimas. Entrou no banheiro acreditando que ela estivesse lá, mas suas suspeitas foram equivocadas.
- Rose...? – ele a chamava à medida que andava por alguns cômodos. – Rose – agora ele estava na sala de estar, a poucos metros da varanda onde ela estava.
Institivamente o coração de Rosalie falhou uma batida, e um frio acusatório atravessou seu coração, para logo em seguida o estomago da uma embrulhada. Ele estava acordado, não tinha mais como evitar a conversa, foi o que ela pensou.
Insegura, temerosa, Rosalie ficou de pé, segurando a caneca entre as mãos. Deu alguns passos cautelosos em direção a grande porta de vidro que estava aberta.
- Oi, amor – sibilou ela, em um fio de voz.
- Aí está você – murmurou Emmett, chegando mais perto. – O que está fazendo aí sozinha? Porque fugiu da cama?
- Eu não fugi da cama, seu bobo. Eu só não estava mais com sono, então, decidir ficar aqui um pouco, pensando enquanto esperava você acordar. Quer um café? Acabei de passar – ofereceu erguendo a caneca. – Acredite, mesmo que tenha sido eu que tenha preparado, ficou bom.
- Eu sei que ficou, amor – murmurou ele, sorrindo. – Mas é melhor eu tomar um banho antes não acha?!
- Emm... – sussurrou insegura –, na verdade, eu estava esperando por você para termos aquela conversa.
- Que conversa – pediu ele, um tanto confuso.
- Como assim amor?! A conversa que deveríamos ter tido ontem quando chegamos.
- E é tão importante assim? – questionou passando a mão na cabeça.
- É – respondeu Rosalie sem demostrar humor algum.
- Estou começando a ficar preocupado com o tema dessa conversa. Você me parece um pouco nervosa. Acho melhor resolvermos o que quer que seja agora mesmo.
- É melhor você ir se vestir, porque o que tenho para falar é muito sério.
- Eu fiz alguma coisa errada? Você vai me deixar? – ele questionou se sentindo um tanto ameaçado pelo o medo de uma separação.
- Não. Claro que não – Rosalie frisou imediatamente. E em pensamento completou. “Mas estou com medo de que você me deixe”.
Emmett passou a mão no rosto demostrando preocupação. – Espere um pouco então, eu vou tomar um banho rápido e já volto para conversarmos.
Quando ele virou de costas, Rosalie o chamou.
- Amor – ele virou novamente para olhá-la. – Você está irresistível enrolado nesse cobertor.
Emmett sorriu dando uma piscadela. – Eu sou um ursinho sexy. Diz aí?! – brincou ele.
- Eu te amo ursinho... – sussurrou, com angustia.
- Eu também te amo, anjo. Aguenta aí que seu ursinho sexy já, já estará de volta.
Ele se virou novamente, e começou refazer o caminho de volta para a suíte principal. Rosalie suspirou encostando-se a porta de vidro da varanda, inclinando a cabeça levemente para trás. Sentindo o mesmo frio estranho atravessar seu coração novamente. E o nome disso ela sabia; era medo de que algo ruim pudesse vir a acontecer.
“Por favor, meu Deus, me ajude. Não permita que ele fique muito irritado comigo.”, pensou em suplica, desejando de todo o coração que Deus lhe ouvisse.
Alguns minutos depois. Minutos esses que para Rosalie pareciam ter voado, Emmett retornou, de banho tomado, porém estava sem camisa. Rosalie estava sentada sobre as próprias pernas, no sofá da sala, como se estivesse refletindo, e de fato ela estava.
Ela abriu os olhos quando sentiu o aroma do perfume de Emmett invadir o ambiente alcançando seu olfato. Em pouco tempo as grandes mãos másculas tocaram seus ombros por trás do sofá. Rosalie virou o rosto, lhe sorrindo fracamente.
Emmett massageou os ombros dela bem devagar. – Estou te achando tão tensa, amor. Estou começando a achar que a culpa é minha. Que fiz algo errado. Acho melhor você revelar logo do que se trata essa conversa porque estou criando várias teorias e nenhuma delas é boa, pelo menos, não para mim.
- Senta, por favor, Emmett – pediu ela.
Emmett afastou as mãos dos ombros dela e deu a volta em torno do sofá sentando-se no sofá oposto.
- Então – pediu ele, ansioso, mexendo as mãos, mantendo os cotovelos apoiados nas coxas.
Rosalie passou os dedos por entre os fios dourados, respirando fundo antes de começar falar.
- Promete que não vai ficar bravo comigo?
- Porque eu ficaria bravo com você?
- Só promete – insistiu nervosa.
Observando as reações dela tudo o que ele pode dizer foi:
- Não posso prometer isso, Rose. Não sei o que você vai falar. Não tenho a menor ideia do que se trata. Assumo que estou ficando com medo, nunca te vi assim antes, tão preocupada com uma simples conversa.
- Amor me desculpe...
- Fala logo, Rose, não estou mais aguentando todo esse mistério. Por Deus, o que pode ser de tão sério para te deixar assim.
- É sobre a sua falecida ex.
- Sobre a Mel – constatou, com uma sobrancelha levemente erguida. – Ok, você quer começar com algumas mudanças por aqui e não sabe como me pedir isso. Tudo bem meu anjo, pode mudar tudo o que você quiser. Eu não me importo. Deixo tudo em suas mãos.
- Não é isso, Emmett – afirmou Rosalie, com a expressão afetada. – É que... – ela suspirou –, eu não sei como dizer isso. É que... Eu... a conheci... – sussurrou.
- Você quer dizer que a viu comigo em algumas fotos de revistas e na internet – constatou Emmett.
Rosalie estalou os dedos das mãos, um tanto nervosa. – Não, eu quero dizer que... a conheci pessoalmente.
- Como assim você a conheceu pessoalmente? Onde? Como? E porque eu nunca fiquei sabendo disso? – questionou aumentando o tom de voz.
- Eu a conheci quando vocês ainda estavam juntos... – um silêncio incomodo se instalou de repente. Depois de alguns segundos, Rosalie prosseguiu. – Na verdade, ela me procurou...
- Como assim ela te procurou? – perguntou Emmett totalmente surpreso com a revelação inesperada. Ele iria perguntar como Melinda sabia sobre Rosalie, mas então se lembrou do que a ex disse antes de morrer. “Você chamava por ela algumas noites enquanto dormia”. – Porque Melinda te procurou e nenhuma das duas me disse nada sobre isso?
- Ela queria conversar comigo pessoalmente para poder me fazer um pedido. Foi aí que ela me disse que tinha que ser aqui em Los Angeles, porque ela não podia viajar. Inicialmente eu não quis vir. Pensei que ela estivesse me procurando para dizer que era sua namorada e me mandar ficar longe de vocês. Mas seus argumentos foram bastante convincentes então acabei vindo, acompanhada por Vera.
Emmett esboçou um sorriso totalmente irônico. – Como ela conseguiu te localizar?
- Um detetive.
Ele maneou a cabeça desacreditando. – Melinda contratou um detetive para localizar a mulher que amei a vida inteira? Porque ela faria isso, sendo que com esse gesto só tinha a perder?
- Talvez por isso ela tenha me procurado...
- Rose nada disso me parece fazer sentido – disse ele ao ficar de pé, se sentindo incomodado. – Será que dá para você ser mais especifica porque tudo isso está me dando um nó na cabeça.
Rosalie se remexeu no assento, se sentindo totalmente desconfortável.
- Ela me procurou para dizer que estava muito doente... Que iria morrer. – Rosalie fechou os olhos com força como se estivesse sentindo uma forte dor, mas, no entanto, sua dor não era física, mas sim emocional. Uma dor que o medo da perda sustentava.
Emmett virou-se bruscamente e a encarou. A expressão de seu rosto era de incredulidade, pouco a pouco se tornando raiva.
- Deixa ver se entendi – esbravejou retoricamente. – Antes mesmo de ter nos reencontrado naquele dia, no ginásio do United Center, você já conhecia a Mel e sabia que ela estava doente?!
- Sim – respondeu Rosalie se encolhendo no assento, mesmo sabendo que ele não queria ouvir sua resposta.
- Você sabia que ela estava morrendo?
- Sim... – confirmou novamente, sentindo-se uma criança encurralada. Sentindo medo até mesmo de olhá-lo.
- Todos sabiam menos o idiota aqui – esbravejou irritado, chutando a mesinha de um dos abajures da sala, fazendo o objeto cair ao chão se partindo em vários pedaços que se espalharam.
Institivamente Rosalie pulou do sofá, sentindo a pulsação sanguínea latejar em seus próprios ouvidos.
- Fica calmo, amor. Por favor... – murmurou, beirando as lágrimas.
- Não me peça para ficar calmo, Rose. Vocês me fizeram de idiota. Todos vocês... –disse ele, com rancor. – Mesmo sabendo que ela estava morrendo você compactuou com aquela história de que ela tinha um caso com Royce King. Sabe o quanto odeio esse cara por tudo o que ele fez a você. Vocês estavam juntas, tramando, quando ela veio com aquele papinho de que eu fui somente um passa tempo na vida dela. Isso não se faz.
- Foi ela quem me procurou. Eu só fiquei em silêncio ouvindo o que tinha para me dizer. Ela planejou tudo sozinha, eu apenas aceitei porque ela me pediu e me fez jurar – Rosalie se defendeu mesmo sabendo que talvez não tivesse defesa para isso.
- Quem me enviou aquele dossiê sobre Royce King? Você sabe – ele acusou.
- Não tenho certeza, mas tudo leva a crer que foi ela. Todas as fotos que saíram nas revistas; fotos dela com Royce foram todas planejadas e calculadas. Todas foram feitas por um cara que ela conhecia. Não sei quem é, mas sei que foi assim.
Inconformado, Emmett andava de um lado para o outro passando a mão na cabeça, nervosamente, sentindo que podia explodir em fúria a qualquer momento.
- Porque diabos me fizeram acreditar em tantas mentiras? Porque Rosalie? – gritou ele.
- Por quê... – soluçou Rosalie, começando a chorar. Doía muito mais nela do que nele assumir que agiu errado e que a outra também o amava. – Porque ela te amava e não queria que a visse sofrendo em uma cama de hospital. Ela não quis te deixar sozinho... quando... chegasse o momento de partir... – Rosalie soluçou. – Por isso me procurou e me pediu ajuda.
Transtornado com tantas revelações, Emmett se aproximou de Rosalie segurando-a firme pelos ombros.
- Você chama isso de ajuda? – gritou fazendo com que Rosalie fechasse os olhos, com medo. – Ela estava morrendo. Você – ele acusou, irritado. – Você sabia que ela estava sofrendo sozinha e se calou. Você ficou calada quando eu pensei ter sido traído por uma mulher em quem eu confiava. Isso é egoísta demais Rosalie. Você foi mesquinha... Só pensou em você... Não pensou em mim. Não pensou nela – murmurou enraivecido, soltando os ombros de Rosalie fazendo-a se desequilibrar e cair de costas no sofá.
O gesto violento vindo da parte de Emmett fez Rosalie chorar aos soluços como uma criança que acaba de levar uma surra. Doía nela vê-lo tão transtornado por culpa de seu silêncio, mas, também, vê-lo assim a deixava assustada a fazia lembrar-se de todas às vezes que Royce King a agrediu.
- Eu não fui egoísta – ela soluçou as palavras entre o choro. – Tudo o que eu fiz foi por amor...
Irritado Emmett a interrompeu. – Que merda de amor é esse que mente e faz as pessoas de idiota?
- Eu não menti – ela respondeu mais para si mesma do que para ele. – Eu queria ficar perto de você... Esperei muito por isso. E, sua ex surgiu como um anjo disposta a me ajudar... – Rosalie se explicou em meio ao choro pesaroso.
- Você me enganou, Rosalie – disse ele, entre dentes antes de sair da sala, irritado.
- Emmett me perdoa...
Rosalie o seguiu pelo apartamento. Quando tentou tocar o ombro dele com a mão, Emmett se afastou.
- Você me escondeu a verdade. Como posso confiar em você agora?! Como posso estar em um relacionamento com uma mulher que mente para mim? Não se constrói um relacionamento com base em mentiras. Cheio de segredos. Eu não te escondo nada. O que mais você esconde de mim, Rosalie?
- Eu não menti. Apenas omiti a verdade. E isso é tudo, amor. Eu juro que não te escondo nada. Por favor, acredite em mim.
- Você sabia que por causa de seu silêncio ela quase morreu sem ao menos se despedir de mim? Pode imaginar como estaria me sentindo agora se isso realmente tivesse acontecido? Se coloque em meu lugar por um minuto.
Emmett entrou no quarto, pegou uma camisa no closet e vestiu, com Rosalie em seu encalço tentando fazê-lo entender, mas, ele estava furioso demais para qualquer entendimento. Nada do que ela disse agora o faria pensar diferente.
- Amor me perdoa... – Rosalie suplicou, com o rosto molhado de lágrimas, seguindo-o para todos os lados. Emmett passou novamente pela sala indo dessa vez para o hall rumo à saída. – Para onde você vai, Emmett? – se desesperou, notando que ele iria sair do apartamento.
- Eu preciso sair, e esfriar a cabeça. Caramba! Eu te amo Rose, mas, no momento, estou com raiva de você – murmurou, com os olhos cheios de lágrimas. Lágrimas originadas do fato de se sentir enganado, usado como uma marionete nas mãos de duas mulheres que tentou proteger. E foi o seu amor por Rosalie que o fez querer sair de casa naquele momento. Estava furioso demais, e temia machucá-la. A raiva era predominante e tinha total poder em suas ações agora. Se odiaria pelo resto da vida se a machucasse em um momento cego de fúria.
- Por favor, Emmett, não vá... – Rosalie suplicou mais uma vez em meio ao choro.
Quando Emmett alcançou a maçaneta da porta, Rosalie segurou seu pulso, em um ato desesperado de fazê-lo ficar. De fazê-lo entender. De fazê-lo refrear.
- Não venha atrás de mim, Rose – ordenou. – Eu não quero te machucar... De nenhuma forma.
Olhando no fundo dos olhos dele, Rosalie sentiu o coração se despedaçar. Ele estava terrivelmente magoado com ela, era latente esse sentimento de revolta. Ela soltou o pulso dele e então ele saiu, levando a chave do carro e a do apartamento, sem dar maiores explicações.
- Emmett, por favor, não faz isso. Não vá dirigir nervoso como você está. Eu te imploro meu amor, não faça isso. Não quero que nada te aconteça. Por favor, Emmett, me escuta. Me escuta! – ela gritou, em um ato de desespero. Rosalie correu para ir atrás dele quando a porta se fechou, mas, ao fazer isso percebeu que ele tinha fechado com a chave ao sair. – Abre a porta Emmett – ela implorou, chorando, nervosa. – Me perdoa... Eu não fiz por mal. Não saia de casa assim desse jeito. Por favor, me deixa ir com você – do outro lado, Emmett se encostou a porta, respirando irregular, tentando não quebrar tudo que via a sua frente. Ele apertou o botão do elevador se sentindo sufocado com tanta raiva, por ter sido enganado pela mulher a qual ama loucamente.
Impossibilitada de agir, Rosalie chorava aos soluços. Pouco a pouco suas costas deslizaram pela superfície lisa da porta até que seu corpo encontrou o chão.
- Eu não fui egoísta... – ela sussurrava como se tentasse convencer a si mesma. –Tudo o que fiz foi por amor a você... Eu te amo Emmett. Eu te amo mais do que a mim mesma. Não saia de casa desse jeito amor... Volta, por favor. Volta... – ela soluçou em meio às lágrimas, cansada pelo desgaste emocional.
Alguns fios de cabelos estavam grudados em seu rosto, grudados nas lágrimas que caiam sem reservas. Seu peito arfava descontroladamente e os soluços a atrapalhava com espasmos contínuos. As mãos tremiam, regidas pela angustia e pelo medo de perdê-lo, por um deslize seu. Por seu silêncio. Isso não podia estar acontecendo. Essa não era a reação que esperava.

Notas finais
E agora, hein? O ursinho não esperava por essa O.o
Espero vocês nos reviews.
Beijo, beijo
Sill
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