Quando o Amor Acontece

79 Capítulo 79 - Cercadas pelo Medo


Notas iniciais
Eis que chegou a continuação do capítulo passado.
Boa leitura :)

E quando tudo parecia perdido, Rosalie parou de pé atrás de Royce King. Postura confiante e olhar ameaçador.

- Larga ela agora! – exigiu. Royce King sorriu parecendo se divertir, mas ao olhar para trás seu sorriso se desfez instantaneamente. Rosalie estava com uma arma em mãos. – Sai de cima dela – ordenou pausadamente. No entanto, Royce King ficou parado, segurando ambas as pernas de Vera, que soluçava desesperadamente entre o choro. – Você não ouviu? SE AFASTE DELA AGORA – gritou Rosalie.

Royce ergueu suas calças juntamente com a cueca boxer, encarando Rosalie a todo o momento.

- Calma princesa do gelo – grunhiu ele. Vera rastejou de costas para longe de Royce o máximo possível. – Você não teria coragem – zombou. – Aposto que nem sabe como usar isso – completou com olhar cauteloso sobre a arma.

- Ah não?! – essa fora a vez de Rosalie ironizar. – Então olha isso – disse ela, segundos antes de disparar a arma contra a poltrona onde estivera presa antes. – O que achou disso? – perguntou sarcástica.

Royce estava fazendo-a se distrair, e no momento certo lhe deu uma rasteira. Rosalie caiu e consequentemente a arma caiu de suas mãos, deslizando para baixo dos móveis da ampla suíte.

Ambos começaram a rastejar tentando alcançar a arma. Rosalie chutou o rosto de Royce no momento em que ele a segurou pelas pernas. Rapidamente Royce a dominou mantendo-a presa sob o peso de seu corpo. Com uma das mãos ele apertou a garganta de Rosalie, que tossiu ansiando por ar.

Apavorada, Vera correu ao closet e encontrou algumas cuecas boxer ainda com etiquetas. Sacou a primeira que viu na frente e vestiu. Ela odiou o fato de ter que vestir aquilo, sendo de quem era, mas o fato de não ter sido usada ainda diminuía sua repulsa. Não poderia tentar uma fuga sem calcinha. Certamente que não.

Vera voltou correndo para o quarto jogando-se ao chão em busca da arma, que estava no pé das cortinas de seda. Quando Royce se deu conta era tarde demais, Vera estava com a arma em mãos apontando em sua direção.

- Solte a Rose, agora!– exigiu Vera.

Royce, no entanto, não dera ouvidos mais uma vez. Achou que poderia distrai-la como fez com Rosalie.

- Nunca teria coragem para disparar esse gatilho. É psicologicamente fraca demais para isso – zombou. – Não tem a audácia que a princesa do gelo teve, e nem mesmo ela conseguiu realizar tal feito.

Vera manteve a arma apontada em direção a Royce King. Sua respiração estava entrecortada pela raiva e pelo medo.

- Eu te avisei psicopata, asqueroso, filha de uma vaca King Kong que se eu pusesse minhas mãos em uma arma você iria me pagar. E olha só – Vera zombou inclinando a cabeça em direção à arma. – Não é que a arma é sua. Irônico não?! Você achou mesmo que iria enfiar esses seus dedos asquerosos dentro do meu corpo e iria ficar por isso mesmo?! Doce ilusão camarada... – estalou a língua com desdém.

- CALE ESSA BOCA SUA GRANDE IMBECIL – gritou Royce.

- Sai de cima de minha amiga, AGORA – gritou exigindo.

Royce agarrou o pescoço de Rosalie, apertando com força. Essa, por sua vez, se debatia empurrando as mãos de Royce, perdendo as forças enquanto tentava respirar.

Vera respirou fundo, e antes que Royce pudesse reagir, ela efetuou o disparo na perna esquerda dele. O barulho do disparo ecoou mansão adentro, uma vez que a arma usada estava sem o silenciador. Rosalie gritou estridente, movida pelo susto. Royce King tombou para o lado, pressionando o local atingindo pelo disparo, se contorcendo de dor. Seu sangue se espalhando em uma poça no carpete caro do quarto.

Vera estendeu uma das mãos para Rosalie ajudando-a ficar de pé. Rosalie respirava com dificuldade, e não tinha cor alguma no rosto.

- Você é louca – disse Rosalie, com a mão direita sobre o lado esquerdo do peito.

- Ele me violentou, inseriu seus dedos asquerosos dentro do meu corpo – disse Vera com angustia e pesar. – Ah Rose, não acredito que isso aconteceu... – lastimou.

- Sinto muito Vera – disse Rosalie com pesar.

- Eu quero matá-lo – disse Vera entre dentes.

Rosalie segurou o rosto da amiga entre ambas as mãos.

- Ei, olhe para mim. Ele não vale tudo isso, não vale que destrua sua vida. Não vale anos de sua vida trancafiada em uma prisão. Você tem um futuro brilhante pela frente. Não destrua isso por causa dele.

- Ah Rose, e se com isso ele me desvirginou, poxa vida. Que merda, acho que sangrei quando ele inseriu aquele maldito dedo... Além de que doeu muito – disse com pesar.

- Para, não pense nisso – Rosalie pediu. – Vamos, por favor, Vera, precisamos sair daqui. Logo os caras virão para ver o que aconteceu. Você disparou uma arma, lembra?! Certamente todos eles ouviram o disparo.

Vera assentiu com o olhar triste. De mãos dadas ambas correram em direção à porta da suíte. Então Royce avisou.

- Corram, corram bastante, vadias. Eu alcançarei vocês mais cedo ou mais tarde. Querem brincar de gato e rato? Excelente – grasnou pressionando a mandíbula. – Esse tipo de atitude me excita tanto...

Vera olhou para trás, desafiante.

- Desgraçado, você não sabe a vontade tremenda que estou de dar um tiro no meio de suas pernas. Só assim para você nunca mais pensar em abusar de nenhuma garota. Mas eu não farei isso. Lamentável, mas a Rose tem razão. Não vou para a cadeia por sua causa... – cuspiu em direção a Royce, mas não chegou atingi-lo.

- Vamos Vera – insistiu Rosalie, puxando Vera pelo braço ao abrir a porta da suíte. Juntas correram pelo extenso corredor, seus corações batendo forte contra o peito. O medo de encontrar um dos comparsas era surpreendente forte. O medo do que eles poderiam fazer a mandado de Royce King era intimidador.

Os cabelos de ambas chicoteavam contra o rosto em meio à fuga.

Ao alcançarem o topo das escadas, Rosalie olhou para a arma na mão de Vera.

- O quê? – disse Vera. – É para o caso daqueles caras virem nos perseguir. Você sabe que aquele tiro não vai matá-lo. Logo todos eles estarão atrás de nós, Rose.

- Eu sei – constatou Rosalie, com a voz vacilante. – Por isso precisamos ser rápidas. Preciso encontrar a minha bolsa. Eu sei que ela ficou em algum lugar naquela sala de estar vazia. Meu celular está dentro dela, ele é o nosso passaporte para fora desse lugar. Ele precisa estar por perto onde quer que eu vá. – murmurou Rosalie, seus olhos atentos a tudo em sua volta.

- Acha que estão rastreando-o? – questionou Vera.

- Possivelmente... – respondeu Rosalie.

Após um olhar cúmplice ambas retiraram as sandálias e começaram a descer as escadas correndo, segurando no corrimão dourado. Uma vez em seu destino – a sala de estar –, passaram a procurar pela bolsa, que se Rosalie não estivesse enganada, estaria em algum lugar ali. Alguns segundos depois a bolsa foi encontrada com sucesso, localizada atrás de uma das grandes colunas de gesso.

Rosalie abriu rapidamente a bolsa, por pouco não chegou a quebrar o zíper. Com mãos trêmulas sacou o celular, conferindo as chamadas perdidas. Muitas delas eram de seus pais e de Emmett. Seu coração pulsou forte contra o peito. Sentimentos se confundindo, felicidade, angustia e medo. De forma alguma desejava Emmett envolvido em tudo isso. Mas como negar que era tarde demais para isso?! Emmett a amava e iria ao fim do mundo por ela incontestavelmente.

Rosalie olhou para Vera, embora com os problemas que estava enfrentando, um sorriso bobo ameaçou surgir em seu rosto.

- Emmett está aqui em Chicago – disse Rosalie após ler brevemente uma mensagem de texto, segurando o celular com a mão trêmula. – Meus pais devem ter entrado em contato. Meu ursinho está furioso...

- O que diz a mensagem? – questionou Vera na esperança de ser boas noticias.

- Olha – estendeu o celular para que Vera pudesse ler brevemente.

“Rose eu estou em Chicago. Estou preocupado, mas também irritado. Sabe dos perigos que a cercam e ainda assim seguiu adiante. Sabe o quanto me deixa louco, essa sua atitude?! Mas agora está feito... Se tiver a chance de ler essa mensagem, por favor, me dê uma pista de onde posso encontrá-la.”

- Ai Rose, ele é mesmo louco por você – disse Vera ao concluir a leitura. – Vamos responda a mensagem, e rápido. Precisamos de toda ajuda possível para sair daqui. Os comparsas do King Kong estão lá fora, e estarão em nosso encalço a qualquer momento.

- Não! – respondeu Rosalie, instantaneamente.

- Porque não? – movida pela surpresa Vera quase gritou. Em suas mãos ainda estava à arma de fogo que pertencia a Royce King.

- Não posso envolvê-lo nisso... – os olhos de Rosalie encontraram a arma que Vera segurava. – Ai Vera, vira essa coisa pra lá – resmungou com os olhos vidrados na arma.

- Foi mal – respondeu Vera, escondendo a arma atrás das costas. – É uma sensação muito louca, estar segurando uma arma de fogo. Um misto de ansiedade e medo – confessou.

Rosalie passou uma das mãos nervosamente nos longos cabelos dourados.

- Nem me fale, é meio insano. É como se essa coisa fosse disparar a qualquer momento por conta própria – sussurrou Rosalie.

Enquanto conversavam aos sussurros, escondidas atrás da grande coluna de gesso onde encontraram a bolsa, ouviram vozes e o som de passos se aproximando.

Rosalie segurou a mão livre de Vera e juntas correram em direção oposta aos sons que se aproximava.

Sem que se dessem conta de onde estavam indo, acabaram entrando na ampla cozinha que assim como a maior parte da mansão estava praticamente vazia, exceto, pelos armários modulados. Entretanto acabaram se arrependendo imediatamente de terem seguido aquele caminho. Do lado de fora da mansão, no jardim dos fundos, estava um dos comparsas de Royce King que acabara de chegar. Por infortúnio esse decidiu entrar na casa pela porta da cozinha – uma grande porta dupla de vidro –, o cômodo estava apenas à meia luz, recebendo iluminação da luminária do jardim dos fundos.

Rapidamente Rosalie puxou Vera para baixo, para que pudessem se esconder atrás do grande balcão. Vera fora surpreendida pelo gesto, quase indo de encontro ao chão, o que ocasionou a perda da arma, que caiu de suas mãos deslizando pelo piso polido da cozinha – que lembrava um tabuleiro de xadrez. Vera olhava para Rosalie com os olhos arregalado de susto. Rosalie fez sinal com o dedo indicador para que a amiga fizesse silêncio. Sentada ao chão Vera se encostou ao balcão, demonstrando que entendera o que a amiga quis dizer.

O comparsa de Royce King entrou na cozinha ascendendo às luzes. Vera esteve a ponto de entrar no armário da bancada, só não o fez porque temeu que as portas fizessem barulho ao abrir, e consequentemente chamasse atenção para onde elas estavam escondidas.

Rosalie sentiu seu coração pulsar forte contra o peito. Ela podia jurar que todos ali pudessem ouvi-lo bobeando seu sangue a força total. Uma sensação de calafrio percorreu seu estomago se tornando absurdamente desagradável.

Vera olhou para Rosalie, preocupada, mas não pode questioná-la no momento.

O comparsa de Royce pigarreou minutos antes de tropeçar na arma de fogo que pertencia a seu chefe.

- A arma de Royce. Que estranho como isso veio parar aqui – disse ele ao se abaixar para recolher o objeto perdido. Apagou as luzes ao sair da cozinha, levando consigo a arma de fogo. Certamente esse estava alheio ao fato de Rosalie e Vera terem ferido Royce King.

- Eu... Vou... Vomi... – Rosalie sussurrava, colocando ambas as mãos sobre a boca, como se segurasse sua ânsia de vomito.

Apavorada Vera puxou a lixeira de aço inoxidável que estava ao seu lado e empurrou para Rosalie, que rapidamente enfiou a cara dentro, vomitando desesperadamente.

Vera ficou com ânsia de vomito só de presenciar a amiga vomitando deploravelmente.

Após alguns segundos, Rosalie empurrou a lixeira para o lado oposto a Vera, limpando a boca com uma das mãos. Seu semblante não era dos melhores, seu rosto estava pálido como uma folha de papel. Sua boca estava amarga, e a sensação ruim ainda não tinha passado por completo.

- O que foi isso?! – questionou Vera.

- Crise de pânico... – murmurou Rosalie, ficando de pé apoiando-se ao balcão. Abriu a torneira da pia – o jato era forte e espumante –, começou a lavar a boca sem pressa. Encheu a boca e cuspiu na água que corria pelo ralo da pia, algumas vezes antes de desligara torneira.

- Ainda bem que foi uma crise de pânico, seguida de vomito, e não uma dor de barriga – murmurou Vera, fazendo piada da situação. Rosalie lhe deu um tapa no braço em sinal de protesto.

- Ai caramba – disse Vera, colocando ambas as mãos na barriga, fingindo sentir dor.

Rosalie a encarrou, sua expressão afetada.

- Brincadeira – esclareceu Vera, ficando de pé normalmente.

- Não tem graça Vera. Isso foi sério e deprimente – resmungou Rosalie.

- Foi mal – lamentou-se Vera.

- Você é louca Vera. Estamos com a cabeça a prêmio e você faz graça da situação deplorável em que me encontro. – murmurou se afastando da pia. Abaixou-se novamente, abriu a bolsa sacando o celular, digitando o número do departamento de policia de Chicago.

- Para o caso deles ainda não terem rastreado... – sussurrou para Vera. – Estou com pressa, quero ir para casa...

- Foi mal Rose, eu só queria te distrair. Como se sente agora? Está melhor? – questionou enquanto Rosalie esperava a ligação ser completada.

- Estou bem melhor, agora que não tem ninguém aqui, além de nós duas. Mas se isso voltar acontecer e não tiver uma lixeira por perto, saia correndo...

Vera fez cara de repulsa.

- Cruzes que nojo – resmungou imaginando a cena. Vera deslizou as costas na lateral do balcão, sentando ao lado de Rosalie novamente. Ao fazer isso, seu vestido subiu um pouco, revelando a peça intima que usava por baixo.

- Vera você está usando uma cueca do Royce? – Rosalie questionou, disfarçando um sorriso camuflado de repulsa.

- Não ria tá – Vera retrucou. Sua expressão séria dizia que ela não estava curtindo a situação. – Eu não tinha outra coisa para vestir depois que aquele filho de uma vaca Kong rasgou minha calcinha. Além do mais essa cueca é nova. Era isso ou ficar recebendo o ventinho vindo do sul.

Rosalie começou a sorrir com a mão na boca para não chamar atenção. Vera a olhou, sua expressão ainda séria, mas não se conteve por mais tempo. Então ela tapou a boca com uma das mãos enquanto sorria. Rosalie recostou a cabeça ao ombro da amiga, respirando fundo.

- Só você para me fazer sorrir em um momento como esse – disse Rosalie.

- Rose, promete para mim que não vai contar isso para o Christopher. Eu vou morrer de vergonha se ele ficar sabendo, principalmente do porque disso... E, sabe aquele lugar – abaixou a cabeça sem muita motivação para falar –, Está um pouco incomodo – confessou envergonhada.

- Você vai precisa ir ao ginecologista para verificar isso aí Vera. Não sou expert no assunto, mas acredito que ele te machucou pra valer, amiga. Eu sinto muito. E não se preocupe eu não vou falar, até porque você sempre guarda os meus conflitos. E se o Christopher tiver que saber vai ser por você, não por mim.

[...]

Enquanto isso na suíte principal...

- Aquela vadia loura, juntamente com aquela cadela que ela chama de amiga irão me pagar caro... – Royce vociferou, tendo seu ferimento na perna estancado com ajuda de um de seus comparsas, que trouxera um quite de primeiros socorros.

- Consegue ficar de pé, chefe? – o comparsa de nome, Elliot, questionou.

- É preciso mais que um tiro na perna para me fazer recuar – grasnou Royce, ódio era visível em seu olhar. – E vocês seus grandes imbecis – disse para Caled e Gavin que estavam ao lado da grande porta da suíte principal. – Vão procurá-las, elas não irão muito longe. Ambas estão escondidas em algum lugar da casa. Se encontrá-las antes, avise-me imediatamente. Vamos ver até onde irá esse jogo. As quero em minhas mãos...

Os dois comparsas que estavam ao lado da porta se retiraram, em busca das amigas que tentavam se manter em segurança a qualquer custo.

Royce saiu da suíte mancando, recebendo ajuda de Elliot.

- O jogo de gato e rato começa agora, princesa do gelo. Quando encontrá-las farei implorar pela vida. Porque desse jogo uma se despedirá do mundo dos vivos.

Royce King estava inflado pelo ódio e sede de vingança. Sentimentos mesquinhos e hediondos fluindo em cada poro de seu corpo.

Não seria de se estranhar, tampouco lamentável se suas artérias do coração fossem obstruídas pela obsessão ao ódio, levando-o a um enfarto fulminante.

Sem dúvida que a vida da jovem Rosalie Hale se libertaria de uma alma sombria que por onde passava causava dor e medo. Entretanto me atrevo a mencionar que o infeliz parecia ser apadrinhado pelo diabo, pois mesmo ferido não desistia de sua obsessão por vingança.

Sendo alimentado pelo prazer em torturar...

Nem mesmo ferido ele desistia de procurá-la. De fazê-la sofrer. De fazê-la lastimar.

Notas finais
A situação não anda nada boa para o lado das garotas, mas não demora muito a ajuda chega.
Adorei a Rose cheia de atitude com a arma na mão, pena que o traste foi traiçoeiro e deu uma rasteira nela.
Quem acha que a Rose estava certa em brecar a Vera?
Vejo vocês no reviews.
*Pessoas que andam sumidinhas, cometem mesmo curtinho :)
*Para quem acompanha A Gotinha de Amor que Faltava semana que vem tem capítulo.
Beijo, beijo
Sill