Quando o Amor Acontece
67 Capítulo 67 - Visita, e Um Pedido de Perdão
Notas iniciais
Vocês sempre me deixam com olhinhos brilhando, com o que escrevem, são tão gentis.
Naquela madrugada Emmett se negou a sair de perto de Melinda; reforçando com palavras duras o quanto havia sido monstruoso por deixá-la sofrer sozinha. Suas irmãs, Maria e Isabella que lá estavam para lhe dar apoio, afirmaram que ele não sabia. Por isso não fora um monstro.
A permanência de acompanhe no quarto foram reversadas entre Martha; tia de Melinda, Maria, Isabella e Emmett. Emmett só saíra depois de muitas insistências.
Por volta das cinco da manhã, Emmett estava na cantina do hospital na companhia das irmãs, Isabella e Maria. Isabella estava sentada em um banco ao lado da grande porta dupla de cor branca. Maria estava sentada de frente para Emmett enquanto tomavam um café em um pequeno copo descartável.
- Vá para casa Emmett, durma um pouco, está cansado. Não pregou os olhos à noite inteira. Nenhum de nós. Depois você volta, continuarei aqui até você voltar – Maria sugeriu, tentando não soar autoritária, pois não era o momento para isso.
- Vá para casa você e leve a Bella. Ela está dormindo em pé – disse Emmett ao ficar de pé, parecendo ofendido.
- Aonde vai agora Emmtt?
- Vou ficar com a Mel... – respondeu, deixando o pequeno copo descartável vazio sobre a mesa.
- Mas você acabou de vir de lá... – Maria pronunciou estalando a língua insatisfeita.
Isabella se aproximou praticamente se arrastando de cansaço. Tanto ela quanto Maria estavam com semblante abatido. Afinal passaram a noite inteira no hospital. Melinda havia tido convulsões durante o inicio da noite. Como precaução, temendo o pior, Maria e Isabella decidiram ficar por ali, para apoiar o irmão.
- Eu vou para casa, preciso dormir... Hoje, nem em sonho irei para a faculdade... Qualquer coisa me liga – avisou Isabella.
- Tudo bem Bella, vai sim. Pelo menos alguém dorme um pouco – disse Maria ao ficar de pé.
- Você vai? – Isabella perguntou.
- Não. Ainda não. Vou tentar convencer Emmett a ir comigo e voltamos depois...
- Certo... – Isabella respondeu enquanto andavam pelos corredores indo para o elevador. No andar da oncologia, ambas pareciam ficar mais deprimidas o que não era de se estranhar. Enquanto andavam por um dos corredores, próximo ao que ficava o quarto de Melinda, houve uma agitação, mas nada diferente do que costumava acontecer todos os dias.
- Detesto esse lugar... – Maria confessou.
Isabella que estava ao seu lado disse. – Ele me dar calafrios e uma coisa estranha no estomago.
Nesse momento Emmett passou, sem prestar atenção, acabou esbarrando em Maria. Parecia meio “perdido”. Sem dizer absolutamente nada, ele apenas mudou de direção.
- Emmett! – Maria gritou sem se importar onde estava.
- Maria isso é um hospital... – Isabella sussurrou envergonhada da atitude da irmã.
- Dane-se! – aumentou o passo para alcançar o irmão. Conseguindo seu objetivo o puxou pelo braço com força, mas se arrependeu de tê-lo feito ao ver o rosto de Emmett. Talvez ele não quisesse que o vissem desse jeito; lágrimas no rosto e olhar de menino assustado.
Naquele momento não foram necessárias palavras para que tudo fosse compreendido. Maria não conseguiu encará-lo, algo estranho aconteceu em seu coração; um sentimento que, talvez, ela nunca houvesse sentido antes.
- Acabou... Ela se foi... – revelou Emmett, com palavras sufocadas, encarando a irmã como se fosse um garotinho assustado.
Mesmo não gostando de demonstrar afeto, Maria o abraçou como que para protegê-lo. Isabella que se aproximava uniu-se a eles em um abraço coletivo entre irmãos.
Embora Emmett fosse bem maior que as irmãs, ainda assim elas o abraçaram como se ele fosse um garotinho que precisava de apoio.
Isabella soluçava em meio ao abraço. No entanto Maria se mantinha firme; o que não quer dizer que não estava sentindo nada, apenas era seu modo de ser e agir.
- A tia dela está lá... – Emmett deixou a frase solta no ar ao mesmo tempo em que gesticulou com a mão indicando o corredor do qual viera. – Com os médicos... – concluiu.
- Sinto muito, irmão... – disse Maria com sinceridade.
Emmett a olhou, porém dessa vez seus olhos continham raiva.
- Sente nada. Você sabia e não me disse, até que fosse tarde demais – esbravejou irritado. – Todos vocês sabiam, me fizeram de bobo o tempo todo.
Isabella tentou sua defesa, antes que fosse tarde para isso.
- Eu não sabia Emmett, eu juro. Só soube minutos antes de você.
Emmett olhou para a irmã Isabella, como se dissesse “Você eu desculpo”, mas ao olhar para Maria queixou-se.
- Você sabia... Ela sofreu querendo a minha presença, mesmo dizendo o contrario, era isso o que ela mais queria. Mesmo amando a Rose, Melinda foi uma grande amiga para mim. Eu gostava dela, sabia?!
- Não venha me culpar não. Eu tentei ajudá-los. Sim. Não diga o contrario. Ela me pediu que não contasse, mas como eu te disse, só dei um tempo para ela mesma fazer isso, mas ela não fez. Não fosse por mim, nem aqui você estaria agora. Então não me venha com essa de que a culpa é minha. Ela foi ingênua ao te poupar de um sofrimento inevitável... Não existe culpado nessa história. Existe amor excessivo e proteção desnecessária. Você está me entendendo, Emmett?! – afirmou com a voz firme como se estivesse em um tribunal; o local o qual ela mais se sentia a vontade. – Aquela garota tentou de tudo para você seguir em frente, mesmo que isso a machucasse profundamente. Não há culpados, ponha isso em sua cabeça.
Emmett ofegava de tristeza e raiva, ouvindo as palavras da irmã.
- Para Maria, você está sendo dura com ele. Não é o momento... – Isabella pediu suplicante.
- É claro que é Isabella. Se eu não falo a verdade para ele agora, é bem capaz que ele saia por aí dirigindo feito louco e culpando a todas nós.
- Já chega! – Emmett interrompeu com tristeza no olhar.
Maria e Isabella o olharam imediatamente.
- Eu vou ficar para ajudar a tia de Melinda no que ela precisar – disse Maria. – E você Isabella vá com Emmett para o apartamento dele e fique lá. Não tire os olhos dele. Quando for o momento de todo se despedirem eu os avisarei.
Isabella maneou a cabeça positivamente segurando a mão do irmão.
- Vá para casa Emmett, deixe que eu faço o que tiver que ser feito por aqui.
Com o olhar triste Emmett assentiu. Antes que eles se retirassem, Maria sussurrou para Isabella.
- Não deixe que ele dirija. Tente dar algo para ele dormir um pouco. O dia será longo...
Mais uma vez Isabella assentiu. Segurando a mão do irmão, ambos deixaram a ala de oncologia do hospital esperando que a vida jamais os fizesse voltar ali. Em pouco tempo deixavam o hospital, e todas as sensações de tristeza que ele transmitia. Assim como Maria disse; o dia seria longo, ainda teriam um velório pela frente.
[...]
Alguns dias depois...
Mesmo depois de alguns dias, Emmett estava de certa forma, arrasado. A forma como recebera a notícia sobre a doença de Melinda, e o tão pouco tempo que teve ao lado da garota que um dia fora sua namorada. Tudo isso fora um golpe desagradável. Uma doença fatal e um tempo que Emmett não teve para estar ao lado dela; para lhe dar apoio, conforto e carinho. Contudo Emmett chegara tarde demais...
Para McCarty, Melinda não fora apenas uma namorada qualquer; um acréscimo ao seu ego masculino. Melinda fora uma amiga, acima de tudo. Mesmo não a amando da mesma forma que ela o amou, Emmett nutria grande afeto pela jovem que se fora de sua vida sem que tivessem um pouco mais de tempo para suavizar a solidão que sentira nos últimos dias de sua vida.
Através de um longo telefonema Rosalie ficara sabendo da morte prematura de Melinda. Com um aperto no peito a jovem loira chorou. Chorou como não imaginaria que pudesse chorar por alguém que mal conhecia.
Por causa da faculdade, Rosalie não pode comparecer ao funeral. Havia também outro motivo; Emmett não sabia que elas se conheciam. Como poderia Rosalie explicar para Emmett sua vontade de fazer parte da despedida de alguém que ela não conhecia?! E ainda, de alguém que namorara em um passado recente o seu atual namorado.
Tudo parecia querer evitar a ida de Rosalie a Los Angeles; pois também no mesmo dia Rosalie teve prova na faculdade. Ainda assim gostaria de dar apoio a Emmett. Rosalie tinha toda certeza e confiança do amor que Emmett tinha por ela, mas também sabia o quanto Melinda fora importante em determinado momento da vida do homem que ama.
Mesmo que Emmett tenha te garantido, por telefone, que ficaria bem, Rosalie não desistiu de vê-lo tão facilmente.
Se despediu dos pais alegando que o homem que ama precisava de sua companhia.
Carlisle que estava de folga na recente manhã de sexta-feira, se ofereceu para levá-la ao aeroporto.
Rosalie beijou a bochecha do pai no portão de embarque, pedindo que ele lhe desejasse boa sorte. Fora isso que Carlisle fez, seguido de um, “Boa viajem, filha”.
[...]
Algum tempo depois, Rosalie chegava a Los Angeles cheia de saudades do seu urso. No entanto aquele local também lhe trazia lembranças não tão boas assim.
Suspirou lembrando-se do dia em que esteve ali. O mesmo dia que Melinda fora recebê-la e lhe revelou a gravidade do motivo que a motivou procurar por Rosalie, sendo que, ela amava Emmett tanto quanto a jovem loira.
Sentindo-se estranha, ou talvez, culpada, uma lágrima percorreu a face rosada de Rosalie tão rápido que ela mal teve tempo de contê-la.
Como queria fazer uma surpresa para Emmett, não avisou que estava a caminho. Isso a deixava um tanto apreensiva quanto a sua recepção após um momento tão difícil.
Para surpresa de Rosalie, Los Angeles estava nublada. Empurrando o carrinho com sua bagagem, Rosalie foi pegar um taxi. No entanto seu primeiro destino naquela sexta-feira nublada em Los Angeles não fora o apartamento de Emmett, mas sim o cemitério o qual a jovem Melinda fora sepultada.
Pediu gentilmente ao motorista do taxi que no caminho parasse em uma floricultura, onde comprou um buquê de lindas rosas brancas.
Sentada no banco traseiro do taxi, carregava o buquê de rosas brancas sobre o colo. Sobre o banco ao seu lado, estava sua bolsa. Rosalie observava a cidade através do vidro da janela, sentindo seu coração apertar à medida que se aproximava do seu destino.
Em uma rua, não tão movimentada, o taxi parou em frente a um grande portão de ferro preto.
De dentro do carro, Rosalie olhou para além da grade de ferro a grande imensidão de grama verde bem cuidada. As muitas lápides brancas davam o toque mórbido ao local.
Sentindo um frio estranho percorrer seu coração, Rosalie abriu a porta do taxi devagar. Ajeitou a bolsa no ombro enquanto segurava próximo ao peito o buquê de rosas brancas. Se aproximou da janela do carona e pediu.
- Me espera aqui, por favor. Preciso que me leve a outro lugar depois. Pagarei também o tempo que estiver aqui me esperando.
- Sem problemas, moça – disse o taxista educadamente.
Os cabelos dourados de Rosalie estavam presos em um rabo de cavalo; ainda assim a leve brisa insistia em retirar alguns fios do lugar.
Empurrou o grande portão de ferro preto, que rangeu um pouco. Ao entrar encontrou um jovem rapaz; o zelador. Este por sua vez usava um carrinho de cortar grama.
Rosalie o cumprimentou educadamente, logo depois pediu informação sobre qual direção se encontrava a lápide de Melinda; ex-namorada do jogador de basquete Emmett McCarty.
O rapaz, sempre educado lhe indicou o caminho a seguir. Rosalie então andou devagar sobre o gramado verde tão bem cuidado; observando os nomes em cada lápide, até que encontrou a que procurava.
Notando assim que o gramado ali havia sido mexido há poucos dias. Ajoelhou-se em frente à lápide, leu os dizeres mentalmente. Colocou alguns fios de seus cabelos – que escaparam por conta do vento –, para trás da orelha.
Sobre o gramado em frente à lápide, Rosalie colocou o buquê de rosas brancas. Mexeu os lábios involuntariamente querendo falar algo, mas as palavras não saíram de imediato.
- É... Melinda... Sinto tanto que... Você não tenha tido tempo para viver... Para realizar todos os seus sonhos – lágrimas molhavam, sem receio, a face de Rosalie. A brisa fria soprava em seu rosto lhe dando a sensação de solidão. – Sei que me pediu segredo sobre sua doença, mas quero te pedir perdão. Perdão por ter estado feliz enquanto você sofria. Me perdoa... Eu sei que você também o amou e que só me ajudou por amor a ele... – retirou uma das rosas do buquê colocando sobre o alto da lápide. – Cuidarei para que Emmett seja feliz, como você pediu... Espero do fundo do coração um dia poder realizar um de seus sonhos – disse lembrando o dia em que esteve no parque na companhia de Vera e Melinda. Onde Melinda revelou que gostaria de ter tido tempo de ser mãe, mencionando supostos nomes que daria aos seus respectivos filhos, caso os tivesse. Nicole e Kellan, lindos nomes. – Sinto muito não ter voltado a nos encontrar... Tantas coisas aconteceram... Royce continua foragido. Foi você não foi?! Foi você quem enviou o dossiê?! Eu sei que foi e agradeço muito por isso também. Me perdoa Melinda, se fui egoísta... Eu teria recuado se você tivesse me feito esse pedido... Tenho certeza que você deve estar em um bom lugar... Agora já não sente dores... Descanse em paz. Juro que farei nosso Emmett feliz... – Rosalie passou as mãos no rosto secando as próprias lágrimas.
Uma brisa leve soprou a rosa do alto da lápide fazendo-a cair em seu colo. Rosalie a pegou aspirou o perfume, em seguida colocou novamente sobre o alto da lápide.
- Eu prometo... – deixou a frase solta ao vento. Ficou de pé olhando para a lápide e se despediu. – Adeus Melinda... – com os olhos vermelhos; e o vento insistindo em retirar alguns fios de seus cabelos do lugar, Rosalie refez o caminho de volta por entre as lápides sentindo seu remorso diminui.
Já do lado de fora do cemitério, Rosalie entrou no taxi informando para onde deveria ir agora.
O motorista do taxi a olhou através do retrovisor. Retirou de uma caixinha de papel um lenço branco estendendo para que Rosalie o pegasse. Depois desse gesto o taxista ligou o motor saindo dali.
Mesmo que não tenham sido amigas e que ainda assim amassem o mesmo homem. Rosalie sabia que não havia outra maneira de agir que não fosse essa. Respeito e compreensão são coisas que não fazem mal a ninguém. Apenas engrandece quem as usa.
Melinda ajudou Rosalie, antes de partir em sua viagem sem volta; em troca recebeu sua gratidão. Respeitou e foi respeitada...
Notas finais
Fecha-se um ciclo para abrir outro.
Vejo vocês nos reviews!
Beijo, beijo
Sill
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