Quando o Amor Acontece
4 Capítulo 4 - Fitinha de Cetim
Notas iniciais
- Tchau Emmett, até amanhã.
- Tchau Rose.
Rosalie pegou sua bicicleta que havia deixado embaixo da árvore e saiu empurrando. Seguiram direções opostas, já que Rosalie mora no início da rua e Emmett um pouco mais para o fim da mesma.
Alguns passos adiante, ela parou, olhou para trás e o chamou.
- Emmett!
O garoto girou em sua direção.
- Adorei passar à tarde em sua companhia – disse satisfeita.
- Eu também loirinha. Até mais...
E assim cada um seguiu se caminho para casa.
[...]
- Mãe, cheguei! – exclamou ao entrar em casa e se deparar com toda sua família sentada na sala vendo TV.
A pequena Alice correu em sua direção antes mesmo que alguém pudesse falar.
- Emmett, olha o desenho que eu fiz – lhe estendeu o caderno de desenhos.
- Quem são essas pessoas? – perguntou girando o caderno em varias direções. – São todos meio estranhos, não? Meio tortinhos.
- Não Emmett, esses somos nós, olha direito! Esse é o papai, a mamãe, a Bella, e quem está no colo da mamãe é a Nessie. E essa com cara de brava é a Maria.
Emmett sorriu e disse.
- Pensando bem baixinha, você está certa, ficou a cara dela! – ambos gargalharam ao olhar para Maria que estava largada em um dos sofás vendo TV.
- O que foi? Por que estão me olhando e rindo? Virei palhaço por acaso?
- É Alice, você acertou em cheio, combina bem com o temperamento dela – riram mais ainda se é que é possível.
Alice voltou sua atenção para o desenho e disse.
- Olha Emmett, esse é você e essa sou eu.
- Pelo tamanho pensei que fosse a Nessie.
- Engraçadinho! – resmungou o olhando de canto de olho.
- E por que estou segurando sua mão no desenho? – Emmett quis saber.
- Porque você cuida de mim quando nem mamãe e nem o papai estão por perto.
Emmett se abaixou e depositou um beijo singelo na testa da irmã saltitante.
- Emmett, filho vai tomar banho que dentro de alguns minutos o jantar será servido.
- Sim mãe, estou indo.
- Antes vai fazer suas tarefas – o pai ordenou. – Vá levar os sacos de lixo que estão na área de serviço para a lixeira, e não esqueça de na volta passar na estufa e desligar o regador que Bella deixou ligado agora há pouco.
- Mas Albert, ele está cansado, trabalhou a tarde inteira! Ele pode fazer isso amanhã antes de ir para a escola – a mãe tentou interferir, mas sem sucesso.
- Tudo bem mãe, faço isso agora, depois tomo banho e venho jantar – dizendo isso ele seguiu em direção à área de serviço.
Alice fez menção de ir junto, mas foi barrada.
- Onde pensa que vai? – o pai perguntou em tom um tanto rude.
- Eu quero ir com ele – respondeu inocentemente.
- Não, a senhorita não vai, não tem nada para fazer lá fora.
- Mamãe... – Alice choramingou indo para o colo da mãe.
- Fica quieta, Alice – Maria gritou. Alice fez beicinho ao se jogar no colo da mãe.
- Da próxima vez que gritar, vai para o quarto sem jantar. Fui claro?
- Sim, papai – Maria respondeu educadamente, mas por dentro estava queimando de raiva.
[...]
Enquanto isso, do lado de fora da casa, Emmett fazia o serviço o qual foi designado. Ao voltar, lavou as mãos ainda na área de serviço, depois foi para o banheiro tomar banho.
Ao passar pela sala fez careta para Alice que ainda estava no colo da mãe. Um sorriso cheio de brilho logo se formou em seu rosto de fada.
Emmett sorriu de volta revelando suas covinhas perfeitas.
Logo depois do jantar, Emmett foi para seu quarto, o qual é dividido com Alice por falta de opção.
Sentou-se em sua cama e começou a contar o dinheiro que ganhou com o corte da grama junto com outra parte que tinha guardado, quando, de repente, alguém bateu na porta.
- Pode entrar!
Sua mãe entrou com a pequena Alice dormindo em seus braços e a aconchegou em sua cama. Deu um beijinho na pontinha do nariz da pequena. Depois dirigiu-se ao filho.
- Então filho, vai dar para comprar o que você quer?
- Acho que sim, juntando com outra parte que já tinha.
- Que bom querido. Mas agora está na hora de dormir, amanhã tem aula – beijou a testa do filho retirando-se em seguida.
Emmett guardou o dinheiro apagou as luzes e logo também estava dormindo.
Na manhã seguinte, acordaram cedo, tomaram café da manhã e seguiram para o ponto de ônibus onde pegariam o ônibus escolar.
Já no ponto, Alice disse.
- Emmett, a Rose não vai hoje? – perguntou ao notar que a mesma estava atrasada.
- Não sei... Talvez ela vá de carro com o pai.
Assim que terminou de falar, o ônibus chegou.
- Emmett! – Rosalie gritou enquanto corria.
Ele a olhou e um sorriso resplandecente se formou em seus lábios.
- Perdi a hora – revelou ao entrar no ônibus logo atrás de Emmett.
- Olá Alice, você está linda com essa fitinha de cetim vermelha no cabelo. Está parecendo a Branca de Neve, sabia?! – Rosalie disse sorrindo para a pequena.
- Eu sei... Por isso adoro essa fitinha.
- Senta comigo? – Emmett perguntou.
- Mas e a Alice?!
- Ela vai sentar com a amiga.
- Oi Bree! Você viu minha fitinha que linda?! – Alice falou ao sentar-se ao lado da amiga em um banco atrás do que Emmett e Rosalie sentaram.
Então, só depois de vê-la conversando com a amiga foi que Rosalie sentou-se ao lado de Emmett.
Horas depois no intervalo de aula.
Emmett e Rosalie estavam sentados em um banco no pátio externo.
- Emmett, hoje depois da aula você terá treino de basquete?
- Não só amanhã. Mas por que a pergunta?!
- Será que eu poderia ficar para assistir o treino?!
- Claro que pode. Bem, desde que você não queira jogar com os garotos.
- Nossa Emmett, que machista isso!
- Não estou sendo machista, é só que o treinador e os garotos não iriam gostar nada disso. Mas, vem cá, você joga basquete também?!
- Bem... Jogar, jogar não, mas digamos que dá para o gasto o que sei fazer.
- Essa eu quero ver – Emmett disse.
Enquanto dialogavam sobre o basquete, a pequena Alice chegou aos prantos. Ao seu lado vinham seus amigos. Jasper, o garotinho loirinho da segunda série, e Bree, colega de classe de Alice.
- Emmett! – a pequena exclamou sufocada pelos soluços incessantes. Emmett se pôs de pé em um rompante.
Rosalie também ficou preocupada ao ver tamanho desespero da criança.
- O que houve Alice? – o irmão perguntou ao abraçá-la. Estava aflito por vê-la chorar sem saber o motivo.
- A minha fitinha... – a pequena falou com a voz embargada.
- O que tem sua fitinha? – continuou perguntando. A liberou do abraço e olhou nos olhos da pequena.
- A Heidi da sexta série pegou minha fitinha! – Alice fungava de tristeza. – A minha fitinha que ficou tão bonitinha em mim. Eu parecia a branca de Neve com ela!
- Mas para quê ela quer sua fitinha? – Emmett perguntou sem entender o porquê de Heidi tê-la pego. Para quê afinal ela queria?!
A pequena Alice recomeçou com o choro, então sua amiga Bree se pronunciou.
- Ela disse que era perfeita para a peça de teatro que está ensaiando com as amigas. Daí ela arrancou do cabelo de Alice.
- Filha da mãe ordinária! – Rosalie esbravejou com repulsa.
- Emmett, você é meu irmão, tem que bater nela e pegar minha fitinha de volta. Tem que me defender! – o lábio inferior de Alice tremia involuntariamente.
- Eu não posso bater em uma garota – Emmett disse secando as lágrimas da irmã.
- Por que você apanharia dela? – perguntou inocentemente.
Rosalie, Jasper e Bree riram do comentário de Alice.
- Claro que não né, Alice. É que se eu bater nela seria expulso. E sabe o que vai acontecer comigo se for expulso?!
- Papai vai te matar de pancada?!
- Está vendo?! Por isso, esqueça a fitinha.
Alice cruzou os bracinhos e fez beicinho.
- Você pode comprar outra com o dinheiro do seu porquinho – Emmett tentou tranquilizá-la.
- Mas é para comprar uma boneca...
- Não chore, Alice – o garotinho loiro pediu.
- Pára Jasper, eu quero chorar. Nunca mais irei ver minha fitinha linda. Se eu parar de chorar, você bate na Heidi?
- Não posso, ela tem doze anos e eu só tenho oito. Ela é quem vai bater em mim.
- Então fique quieto, Jasper! – Alice bateu o pé com força no chão ao falar.
- Espera, vocês não podem, mas eu posso! – Rosalie disse triunfante. – Somos meninas da mesma idade, do mesmo tamanho. E meu pai não vai bater em mim se eu for expulsa. Bom, assim espero – a última frase ela disse em um sussurro.
Os olhos da pequena Alice brilharam com a possibilidade de ver Heidi apanhar e ter sua preciosa fitinha de cetim de volta em seus cabelos negros.
- Não Rose, não posso deixar você sair por aí brigando por algo que você não tem nada a ver. Não, de jeito nenhum!
- Mas, Emmett, ela afanou a fitinha de sua irmã, a fez chorar, não é justo ela ficar de boa.
- Emmett, você é meu irmão... – Alice choramingou.
- Eu sei que sou seu irmão, mas não vou deixar a Rose brigar e correr o risco de ser expulsa.
Alice empurrou o garotinho loiro e disse.
- Vai lá Jasper, bate nela!
O coitadinho por pouco não caiu com empurrão que levou sem esperar.
- Alice, eu já disse, ela é grande! – ele se defendeu tentando não deixá-la ainda mais triste.
- Hunf! Então vai você Bree!
- Eu não Alice! – a menina exclamou assustada.
Em meio a toda essa discussão o sinal tocou.
- Vocês três vão já para a classe – Emmett ordenou.
Alice saiu batendo o pé com força no chão e resmungando.
- Minha fitinha tão linda...
- Alice!
- Está bem, Emmett, eu já estou indo. Fica quieto. Não me irrite! – Alice reclamou.
- Coitadinha, Emmett, ela ficou mesmo triste por causa da fitinha! – Rosalie disse enquanto iam para classe.
- Eu sei, mas não vai adiantar nada sair batendo na garota por isso. É só uma fitinha, depois ela compra outra.
Disse, mas no fundo ele estava preocupado, pois sabia que sua mãe não daria outra fitinha a ela hoje e talvez nem amanhã. E que o dinheiro do porquinho que Alice estava guardando era para comprar a Barbie que tanto queria. E que se retirasse dinheiro de lá, por menor que fosse a quantia, já faria diferença.
Ambos entraram na sala de aula. O restante do período transcorreu normalmente.
Na volta para casa, Alice estava quieta dentro do ônibus, mal dava uma palavra. Apenas respondia alguma coisa vez ou outra quando Bree perguntava.
Assim como na ida, Rosalie sentou-se ao lado de Emmett.
Logo que desceram do ônibus, Rosalie disse.
- Alice, eu não brinco mais com minhas Barbies já faz algum tempo. Se você quiser, pode ir em minha casa depois e escolher as que quiser.
- Está dando para mim de verdade? Sem devolução? – nesse momento os olhos da pequena brilharam como se fossem duas jóias preciosas. Em seu rostinho delicado formou-se um sorriso que eu diria ser semelhante ao do gato do filme “Alice no País das Maravilhas”.
- Sim!
- Obrigada Rose, irei contar para mamãe que você vai me dar as bonecas! – dizendo isso, a pequena saiu correndo em direção sua casa.
- Nossa, ela mudou rápido de humor, né?! – Rosalie disse surpresa.
- É, Alice será sempre Alice. A propósito Rose, eu sei que fez isso para animá-la. Mas, de verdade, não precisava.
- Não foi apenas por isso, é que tem algumas que nem retirei da caixa! Então nós vemos mais tarde?
- Sim... Depois que fizer minhas tarefas venho te chamar, quero ver se joga basquete mesmo.
- Tchau Emmett!
- Tchau Rose...
Ao chegar em casa, Emmett encontrou uma Alice assustadoramente saltitante contando para sua mãe sobre as bonecas que Rosalie lhe daria.
A mãe apenas lhe aconselhava que fosse uma menina educada e não agarrasse todas as bonecas que visse pela frente.
Na verdade, Elisa preferia que sua filha não aceitasse nenhuma das bonecas, mas como poderia privar a pequena criança saltitante de tamanha felicidade?! Seria até considerado um crime se lhe causasse tamanha frustração. Ela havia até esquecido da fitinha de cetim!!!
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