Quando o Amor Acontece
88 Capítulo 88 - Surpresa Para o Anjo
Notas iniciais
**
Para quem estava ansiosa sobre a surpresa de Emmett, poderão desvendá-la nesse capítulo.
Boa leitura pessoal :)
Enquanto as amigas se reencontravam em Chicago, Emmett tentava estabelecer sua rotina em Los Angeles. Sem pressa ele desfez as malas, deixando as roupas sujas na área de serviço à espera que a diarista as lavasse. Minutos depois retornou a cozinha, onde tomou um copo de suco bem gelado. Dispensou o copo sobre a pia com uma pequena quantidade de suco dentro, e decidiu ir ao andar de baixo, onde mora a pequena Madelayne, para ver como ela estava, depois de tê-lo avisado acerca do perigo que Rosalie corria, mesmo quando sua mãe a proibia de falar qualquer coisa que envolvesse suas intuições.
Ao passar pela sala de estar Emmett pegou o celular, que estava sobre o sofá, inserindo-o no bolso da calça jeans que usava. Saiu do apartamento direto para o elevador, onde se manteve com as mãos nos bolsos até que as portas se abriram pouco tempo depois. A passos curtos ele se encaminhou até a porta do apartamento dos pais de Madelayne, tocando a campainha imediatamente. Aguardou por alguns instantes para insistir novamente, caso ninguém o atendesse. Mas não fora necessário, segundos depois do primeiro toque à porta fora aberta pela babá da garotinha, revelando por trás de seus ombros o interior de um luxuoso e sofisticado apartamento. A decoração era clássica e em tons claros.
Emmett jamais estivera ali antes, sempre que falava com Madelayne era nas dependências do condomínio, ou quando Alice estava em Los Angeles e levava Madelayne para jogar vídeo game juntas no apartamento do irmão.
– Boa noite – saudou Emmett, sem lembrar o nome da babá, pois essa tinha pouco tempo que trabalhava com família. A anterior havia sido despedida por implicância da própria patroa.
– Boa noite, McCarty – murmurou a jovem babá, mal acreditando no que estava a sua frente. Certamente ela tinha conhecimento que McCarty era o famoso jogador de basquete que morava na cobertura do condomínio, porém, ainda, não tinha tido a chance de encontrá-lo no elevador, quando levava a garotinha para passear.
Emmett pigarreou incomodado com o olhar fixo da babá. – Se os pais de Madelayne não se incomodarem, eu gostaria de vê-la. Se ela ainda estiver acordada claro – frisou.
– O senhor e a senhora Lefebvre não estão. Foram ao teatro com um casal de amigos, e depois irão jantar fora. Sendo assim devem demorar a voltar. Madelayne está no quarto dela, fazendo alguns desenhos.
– Poderia chamá-la, por favor?!
– Sim, claro. Entre – convidou, cedendo passagem.
– Obrigado – disse Emmett, indo até a sala de estar onde se sentou em dos sofás a espera de Madelayne.
A babá se retirou ainda com a expressão de surpresa. Não demorou muito a pequena Madelayne apareceu na sala, sendo seguida de perto pela babá. A garotinha usava um pijama cor de rosa, com o tema da gatinha Marie – calça com blusinha de manga comprida –, nos pezinhos usava uma pantufa branca de gatinho. Seus longos cabelos louros acinzentados estavam presos em duas chiquinhas sobre os ombros, sua franja bem feita lhe cobria a testa. Em suas mãos ela carregava um caderno de desenhos.
Assim que Madelayne o viu correu em sua direção, seus bracinhos levemente erguidos, segurando o caderno de desenhos, que chocalhava as folhas com o movimento.
– Emmett! – exclamou ela, feliz, com sua voz infantil entoando pela sala de estar.
Emmett, que, até então, estava distraído observando uma pintura em quadro na parede virou-se para olhá-la.
– Ei, bonequinha – disse ele, com um sorriso de covinhas perfeitas e braços abertos em um convite.
Madelayne retribuiu o sorriso. Seu sorriso banguela começava a dar as boas vindas aos dentinhos permanentes. Porém, dois, dos de baixo, caíram durante o tempo em que Emmett esteve em Chicago. Ele a ergueu pela cintura, colocando-a sentada sobre sua perna esquerda.
– Você anda lutando boxe, Mady? Sempre que te vejo está lhe faltando um dente novo – brincou ele, lhe fazendo cocegas na barriga. Madelayne se encolheu encostando o rostinho ao ombro enquanto gargalhava.
– Não estou, não – respondeu entre gargalhadas.
Emmett parou de lhe fazer cocegas, e Madelayne respirou fundo olhando para ele.
– Que bom que você voltou tio Emmett. Eu já estava com saudades, sabia?!
– É impossível não sentir saudades minhas – provocou Emmett, tocando a pontinha do nariz de Madelayne. – Mady, além de lutar boxe, você está tomando muita chuva, porque você está enferrujando.
– Não estou nada – respondeu ela, maneando a cabeça. – Isso são sardas, tio Emmett – explicou, tocando em seu próprio narizinho.
– Ah está vendo, confundi tudo – brincou ele.
Madelayne sorriu ajeitando o caderno de desenhos em suas mãos. Nesse meio tempo, Emmett notou que embaixo da franja dela havia um curativo. Ele passou a mão devagar, erguendo parcialmente a franja loura acinzentada. Os olhinhos azuis de Madelayne encaravam o caderno de desenhos em suas mãos. Emmett olhou em volta, notando que a babá tinha se retirado da sala.
– O que aconteceu aqui, bonequinha?
– Eu machuquei no play... – murmurou ela em resposta.
– Como? – insistiu Emmett por uma resposta mais precisa.
– Eu estava correndo aí eu me distrair olhando para o lado, depois eu não vi a barra de ferro do pendura e bati nela.
Desconfiado, Emmett insistiu.
– Tem certeza de que foi isso mesmo que aconteceu? – ela maneou a cabeça positivamente. – Sua mãe bateu em você novamente, depois que eu fui ver a Rose?
– Não. A moça que você pediu para vir aqui, falou para a mamãe que iria denunciar ela por maus tratos se ela me batesse novamente.
– Que bom, assim fico mais tranquilo.
– Mas ela disse que ainda não desistiu de me mandar para um colégio interno na Suíça. Ela disse também que só assim vai poder viver em paz – o lábio inferior de Madelayne tremeu se projetando em beicinho. – Porque a mamãe não gosta de mim tio Emmett?
– Ela gosta sim, bonequinha – disse Emmett, tocando o beicinho dela com o dedo indicador. – Sua mamãe só não sabe demonstrar isso. Mas um dia ela aprende.
– E se ela nunca aprender...? Eu não quero ir para um colégio interno, nem pra Suíça. Eu gosto de morar aqui em Los Angeles.
– Não se preocupe Mady. Eu falarei com seus pais sobre isso. “Só espero que me ouçam”, pensou ele.
– Eles não vão te ouvir... – murmurou ela, quase como se tivesse ouvido os pensamentos dele.
– Confia em mim?
– Sim – respondeu, maneando a cabeça positivamente. – E o homem mau, ele machucou a tia Rose?
– Infelizmente ele machucou sim, Mady. Mas agora ela está se recuperando, e o homem mau já está na prisão. Agora ele não poderá mais machucá-la.
– Ela veio com você?
– Não bonequinha. Ela não pode vir para cá durante a semana. Ela tem que ir para a faculdade, assim como você tem que ir para o colégio.
– Quando ela estiver em seu apartamento você a traz aqui para me ver?
Emmett sorriu. – Claro que sim. Ela vai adorar te ver novamente. Rose adora crianças, sabia?! Principalmente você que é o nosso anjinho da guarda – Madelayne sorriu satisfeita. – Obrigado Mady por ter me procurado durante aquele noite, mesmo sua mãe não sendo a favor. Foi por sua causa que cheguei mais rápido a Chicago e, com isso, pude diminuir o tempo em que minha Rose esteve nas mãos do homem mau.
– Mas o homem mau a machucou... – sussurrou Madelayne, tristonha.
– Ei não fique triste, ela está bem agora – disse Emmett, tocando a pontinha do nariz de dela. – O importante é que você me alertou e eu fui o mais rápido que pude.
– Mamãe não gosta quando eu falo essas coisas... Ela fica muito brava. Ela disse que sou uma criança anormal.
– Você não é anormal, Mady. Não escute as coisas que ruins que ela fala. Você é especial, foi escolhida a dedo por Deus. Eu te adoro bonequinha, e mesmo que não tenhamos o mesmo sangue a considero parte da família. E a Rose se apaixonou por você desde o primeiro momento em que a viu – Madelayne mexia nas folhas do caderno e Emmett viu de relance alguns desenhos. – Você quem desenhou todos eles?
– Aham – murmurou ela em resposta. – Você gostou?
– Sim, gostei muito. São muito bonitos – afirmou ele, com um sorriso de covinhas.
– Eu desenhei você e a tia Rose. Quer ver? – disse ela, procurando pela pagina exata.
– Claro que sim. Aposto que você me desenhou todo bonitão, alto, forte igual a um super-herói. Mas nada daquelas roupas coladinhas – disse ele fazendo uma careta.
Madelayne deu uma gargalhada gostosa. – Olha tio Emmett – ela estendeu o caderno aberto na pagina especifica.
Emmett segurou o caderno para poder ver melhor os detalhes. No desenho havia um homem alto e forte, de cabelos castanhos, como ele imaginou. Ao seu lado havia uma mulher de cabelos dourados, e ambos andavam de mãos dadas sobre a grama verde, desenhada com giz de cera. Acima de suas cabeças havia um lindo céu azul e o desenho de um anjo entre as nuvens. Havia também dois pontinhos de luz, em pontos estratégicos, que Emmett não soube identificar o que seriam exatamente.
– Imagino que esse sou eu e a Rose.
– Aham.
– E porque esse anjo aqui acima de nós?
– É a Mel... – murmurou Madelayne, naturalmente. – Não consigo mais vê-la porque agora você está feliz com a garota de Norristown.
Emmett olhou para Madelayne, com uma sobrancelha levemente erguida, mas ele estava tão acostumado com o modo dela falar, algumas vezes, que não fez daquilo algo assombroso.
– E o que são exatamente esses pontinhos de luz aqui? – encostou o dedo indicador sobre os pontinhos no desenho, um após o outro.
– Ainda não sei o que pode ser... Talvez pessoas...
– Como assim? – pediu Emmett, confuso.
– Eu não sei explicar tio Emmett... Mas há algo muito forte... Por isso eu os sinto.
– Suponhamos que sejam pessoas – disse Emmett, curioso. – O que os fariam brilhar tão forte, mesmo você não os vendo exatamente.
– A personalidade e a proximidade entre vocês.
Enquanto Madelayne estava com a expressão sonhadora no rosto, a babá retornou a sala de estar interrompendo a conversa dos dois.
– Madelayne, agora é hora de ir para a cama.
– Eu não quero ir dormir agora, quero ficar com o tio Emmett – resmungou.
– Tudo bem bonequinha, já passou mesmo da hora de você ir para a cama – avisou Emmett.
– Está bem – resmungou, fazendo beicinho.
– Ei, não é para fazer beicinho. Cadê o sorrio banguelinha do tio Emmett? – Madelayne não resistiu, lhe sorrindo abertamente. – Assim é bem melhor. A propósito, Mady, eu posso ficar com esse desenho?
– Pode sim. Você vai mostrar ele para a tia Rose? – ela arrancou a pagina entregando o desenho para Emmett.
– Assim que eu vê-la novamente mostrarei com toda certeza.
– Legal! – comemorou Madelayne.
Antes de colocá-la de pé no chão, Emmett lhe beijou ambas as bochechas.
– Durma bem bonequinha.
– Tchau, tio Emmett.
– Tchau Mady. Até amanhã.
Emmett ficou de pé e se encaminhou em direção ao hall de entrada. Ao passar pela babá agradeceu.
– Obrigado por me deixar vê-la. Até logo, tenha uma boa noite.
A babá parecia em transe enquanto respondia um “boa noite” abobalhado para Emmett. Madelayne acenou em despedida quando ele abriu a porta para sair.
[...]
Dois dias depois...
Emmett foi aos treinos de basquete regularmente durante as manhãs. Ligava duas vezes ao dia para saber como Rosalie estava, o que ocasionava vários minutos pendurado ao telefone. Isso sem deixar de lado os e-mails e as mensagens de texto de ambas as partes.
Os dois dias que se passaram foram o bastante para ter certeza de que não poderia mais viver afastado de Rosalie. Já não estava aguentando mais de tantas saudades. Ansiava insanamente por um momento a sós com a mulher que ama. Seu corpo clamava pelo o dela de tal maneira que já não podia mais controlar. Desde o fim de semana que Rosalie passou com ele em Los Angeles que ambos não tiveram mais envolvimento carnal. A essa altura, Emmett sonhava com ela todas as noites e acordava altamente excitado pela manhã. Tendo que se concentrar em resolver seu “problema” sozinho.
A manhã de sábado chegara ensolarada em Los Angeles. Tudo o que Emmett queria era aquele fim de semana para poder vê-la novamente. Foi a mais um treino naquela manhã de sábado, depois disso, almoçou com a irmã Isabella. Quanto a sua irmã mais velha, Maria, essa ainda estava brigada com ele desde o último telefonema para Chicago.
Emmett havia conseguido, com a diretoria do time, mais alguns dias livres para fazer uma viagem de curta distância, porém, muito, mas muito especial.
Naquele mesmo sábado, depois do horário do almoço, ele pegou um voo para Chicago, ansioso como um pré-adolescente para rever o seu anjo mais uma vez. Poder beijá-la, sentir seu perfume, a maciez de sua pele, e quem sabe ter a chance de fazê-la sua mais uma vez.
[...]
Em Chicago, Rosalie e Vera passaram grande parte dos últimos dois dias passando toda a matéria da faculdade que haviam perdido devido aos últimos acontecimentos. Uma colega de turma foi gentil o bastante para ajudá-las a se situar. Nesse mesmo período, ambas receberam visitas de amigos da faculdade, e até mesmo de alguns professores.
[...]
Emmett não avisou que estava a caminho porque não quis que ela se preocupasse em ir recebê-lo no aeroporto. Sabia o quanto sua namorada era teimosa e insistiria nisso, mesmo ele dizendo o contrario.
Assim que chegou a Chicago, a primeira coisa que fez foi ir a uma floricultura, onde escolheu a dedo um lindo buquê de rosas vermelhas.
Minutos depois, sentado em um banco traseiro de um taxi qualquer, Emmett segurava o buquê de rosas cuidadosamente para não estragá-las. Vez ou outra o taxista olhava através do espelho retrovisor com curiosidade.
[...]
Mansão Cullen...
Após horas passando a matéria que faltava, Rosalie e Vera se despediram da colega de turma, Anastásia, que esteve ajudando-as nos últimos dias. Quando Anastásia saiu, Vera decidiu assistir um filme para descarregar a tensão de tanta matéria que haviam trabalhado.
Vera queria assistir a um filme de aventura. Já Rosalie, queria um romance. Ambas estavam prestes a decidir em pedra, papel, tesoura quando Christopher chegou, rindo das duas, e sugeriu que assistissem a um filme de ação. Sendo assim, optaram por “Anjos da Noite 4: Um Novo Amanhecer”.
Esme estava no escritório analisando a planta de um projeto, já em fase final. Algumas vezes ela os ouvia debatendo algo entre si, e sorrindo logo em seguida. Isso lhe dava a sensação enorme de bem estar, saber que sua filha estava em casa, em segurança, e desfrutava da companhia de amigos que lhe tinha extremo carinho. Vera e Rosalie eram irmãs de alma, não havia o que contestar. Ninguém jamais as afastaria haja o que houver.
Ava Lewin, mãe de Vera, reclamou, ameaçou bloquear as contas bancarias e os cartões de créditos da filha, caso ela não voltasse para casa o quanto antes. Entretanto, os Cullen intercederam por Vera, e fizeram Ava perceber que essa não era a melhor forma de agir com relação à própria filha.
Já que não estava disposta a ajudá-la, emocionalmente, a passar por esse momento conturbado, que pelo menos não a desestruturasse ainda mais. Que permitisse a Vera passar um tempo com eles, sem intervenções drásticas e surpresas. Ava, mesmo a contra gosto, acabou aceitando e aproveitou o momento para fazer uma um cruzeiro com o novo namorado – dono de uma multinacional –, pela costa do Caribe.
Após darem uma pausa no filme, quando a pipoca acabou, Vera foi à cozinha preparar mais. Foi aí que o interfone tocou, avisando da recente visita. Rapidamente ela mastigou um punhado de pipocas que havia acabado de pôr na boca, lavou ambas as mãos na pia e as secou antes de retirar o interfone do gancho.
– Pronto.
– Oi, aqui é o Emmett – disse ele. – Posso entrar?
– Emmett! – exclamou Vera, em total surpresa. Rapidamente ela olhou nas câmeras de segurança para ter certeza de que não havia entendido errado. – Ei grandão, é você mesmo.
– Vera! – exclamou Emmett, sorrindo.
– Espera um pouco, grandão. Já estou liberando os portões – murmurou, buscando no teclado do interfone o botão que abria os portões. – Pronto – falou consigo mesma assim que o encontrou. – Abriu? – perguntou ao mesmo tempo em que voltava a olhar através das câmeras de segurança.
– Sim, mas aguarde um pouco que preciso tirar as malas do taxi – avisou.
– Todo bem, grandão – respondeu Vera, enfiando a mão esquerda na tigela de pipocas, levando à boca novamente.
O taxista percorreu grande parte do jardim da mansão, parando em frente à porta principal, onde ajudou Emmett a retirar a bagagem do porta-malas. No total, havia duas malas, mais a bagagem de mão. Assim que o taxi saiu das dependências do jardim da mansão Cullen, Vera permitiu que os portões fossem fechados novamente.
Segurando a tigela de pipocas entre ambas as mãos, Vera se encaminhou até o hall de entrada. Abriu a porta se deparando com um Emmett sorridente, segurando um lindo e enorme buquê de rosas vermelhas.
– Tudo bem, Vera?
– Sim – respondeu ela, com um sorriso gigantesco. – Ah, minha nossa. A Rose vai pirar com essa surpresa. Aliás, lindas flores.
Emmett olhou para o buquê que segurava depois para Vera. – Acha que ela vai gostar?
– Com toda certeza. Mas, acho que ela vai gostar mais é de te ver.
Emmett sorriu travesso. – Gostei dessa parte – disse ele, então retirou uma rosa do buquê e entregou a Vera. – Para a melhor amiga do meu anjo – completou.
– Ah grandão, obrigada – Vera saltitou ao receber a rosa, chegando a derrubar algumas pipocas no chão. – Ops! A tia Esme não vai gostar nada disso – murmurou ela, olhando as pipocas caídas no piso do hall de entrada.
– Onde está a Rose?
– Ela está na sala de vídeo com o Christopher. Eles deram pausa no filme enquanto eu fui fazer pipocas, a propósito, eles já devem estar querendo me matar pela demora. Vamos entre, fique a vontade. A casa não é minha, mas eu finjo que é. Afinal a Rose, a tia Esme e o tio Carlisle me deixam sonhar.
Enquanto Vera falava, Esme chegou ao hall de entrada, sorrindo ao ver Emmett com buquê de rosas nas mãos.
– Emmett, querido, que surpresa boa. Mas porque não avisou que estava a caminho, eu teria ido recebê-lo no aeroporto.
Emmett a cumprimentou com um abraço meio que de lado, devido o buquê de rosas que atrapalhava um pouco.
– Desculpa por não ter avisado, mas é que preferi fazer uma surpresa para a Rose.
– Está tudo bem, querido. Ela vai amar a surpresa. Ela está na sala de vídeo, vai lá – sugeriu Esme.
– Obrigado, Esme – disse ele, dando um passo à frente.
– Fique a vontade. Ela vai adorar.
Com um sorriso de covinhas perfeitas, Emmett adentrou a mansão, que ele já conhecia tão bem, indo ao encontro daquela a quem ele sentia mais falta no mundo todo.
Esme olhou em volta procurando por Vera, e a encontrou de joelhos no chão, catando as pipocas que tinha derrubado anteriormente. A tigela com as pipocas estavam agora sobre a mesinha do hall. Mas a rosa, ela ainda a segurava.
– Desculpa tia. Sem querer deixei que caíssem algumas, mas já estou catando tudo – avisou, enchendo ambas as mãos com pipocas do chão.
– Levanta daí, meu bem – pediu Esme, lhe estendendo a mão. – Não precisa se apavorar. Não vou brigar com você por isso. Acidentes acontecem, e isso não é nada demais – Vera ficou de pé segurando a mão de Esme. – Mas eu vou te dar uma bronca, sim, se você voltar a rastejar dessa forma catando coisa que deixou cair. Da próxima vez que algo assim acontecer, respire, não fique em pânico. Pegue uma pazinha e uma vassoura na área de serviço e pronto, nada de ficar rastejando. Assim você me faz pensar que sou uma tirana.
Ambas sorriram. Esme beijou a bochecha de Vera, e, juntas seguiram Emmett. Esme levava a tigela de pipocas, uma vez que Vera estava com as pipocas que haviam caído no chão. As jogaria na lata de lixo da sala de vídeo assim que estivesse lá.
Rosalie estava distraída conversando com Christopher, na verdade, ambos estavam resmungando a respeito da demora de Vera em retornar com as pipocas.
– Acho que ela comeu todas as pipocas e agora está com medo de voltar – disse Rosalie, sorrindo.
– É provável que ela tenha decidido incrementar as pipocas com alguma guloseima – brincou Christopher. – Do jeito que ela adora um doce – ambos sorriram novamente.
Emmett parou em frente à porta que estava aberta, onde pode ouvir a última fala dos dois, para logo em seguida, ouvir o riso maravilhoso de seu anjo entoando em seus ouvidos.
Rosalie estava de costas para a porta, sentada em puff branco, usando um edredom vermelho, de estampas orientais, cobrindo ambas as pernas. Christopher estava do outro lado da grande sala, sentado em puff preto, e bem ao seu lado estava, visivelmente, o puff que Vera estava ocupando antes, com um edredom xadrez jogado por cima.
– Anjo... – murmurou Emmett. Por um fugaz momento Rosalie pensou que estivesse ouvindo vozes, ou talvez, sonhando acordada. Mas o aroma familiar do perfume que seu namorado usava invadiu seu olfato, fazendo seu coração, já acelerado pelo som da voz, falhar uma batida, antes de esmurra forte o peito.
Como em uma cena em câmera lenta ela olhou em direção a porta, buscando pelo dono daquela voz. Seus lindos e intensos olhos castanhos claro brilhavam, feito joias preciosas. Seu sorriso intenso denunciava sua felicidade e surpresa em vê-lo ali.
– Emmett – gritou ela, empurrando o edredom das pernas, em um pulo, ficando de pé.
Emmett entregou o buquê a Esme, que acabara de chegar ao seu lado. Para poder estar com as mãos livres para receber Rosalie em seus braços. Ela correu em sua direção, como uma criança feliz em busca de um presente.
– Emmett. Ursinho... – murmurou, assim que pulou nos braços dele, circundando suas pernas em volta da cintura máscula.
Emmett a segurou firme em seus braços, enquanto ela enlaçava os seus em volta do pescoço dele, em um abraço saudoso. Emmett sorriu afagando-te o rosto em meio a uma troca intensa de olhares.
– Anjo... Como senti sua falta – sussurrou ele, agora, encarando os lábios rosados de Rosalie, cheio de desejo.
Ambos estavam com a respiração irregular, causada pela proximidade, ostentada por uma saudade insana. Rosalie umedeceu os lábios inconscientemente a espera do beijo. Emmett não pode resistir ao gesto tomando-a em um beijo avassalador.
Vera passou de fininho ao lado dos dois, indo jogar as pipocas que catara no chão na lata de lixo, de aço inoxidável, que estava em um canto ali mesmo na sala de vídeo. Com um sorriso travesso ela caminhou até onde o namorado estava sentado e sentou-se ao lado dele. Christopher a recebeu com um beijo na nuca, fazendo-a se encolher ao sentir os lábios quentes e macios tocando sua pele sensível.
– Ei, vocês dois – disse Vera. – A tia Esme está olhando, hein – Christopher mexeu na orelha dela e foi repreendido levando um tapa na mão. – Não se assanha não mocinho.
Esme, que estava parada em frente à porta da sala de vídeo, sorriu. Rosalie saltou ofegante do colo de Emmett, disfarçadamente limpando seu gloss labial que borrara um pouco.
Esme entregou o buquê de rosas novamente para Emmett, que entregou a Rosalie lhe sorrindo, exibindo suas covinhas.
– São lindas, amor – respondeu ela, com um sorriso orgulho, se inclinando para beijar o canto dos lábios de Emmett. – Seu ursinho danado, nem me avisou que estava a caminho.
– Se eu avisasse não seria surpresa né, anjo?!
– Eu adorei amor – murmurou ela, abraçando-o pela cintura, usando apenas uma das mãos, pois a outra segurava o buquê de rosas. Emmett aproveitou para lhe beijar o topo da cabeça. – Vai ficar aqui até segunda, não vai? – perguntou na expectativa de ouvir um “sim”.
– Na verdade, não – respondeu ele.
Rosalie o encarou, com a expressão curiosa e ao mesmo tempo triste. – Porque não?
– Lembra que te falei que voltaria com uma surpresa? – Rosalie maneou a cabeça positivamente. – Me espera aqui que já volto – avisou, segundos antes de virar as costas, retornando ao hall de entrada onde deixou as malas.
Rosalie olhou para a mãe. – O que será mamãe?
– Não sei querida, mas, com certeza, deve ser algo que você irá gostar.
– Um convite especial para visitar uma fabrica de chocolates – sugeriu Vera.
Mexendo nos cabelos dela, Christopher murmurou. – Amor essa é sua ideia de surpresa legal, não a da Rose – Vera cutucou a barriga dele em resposta, e teve um beijo roubado.
Segundos depois Emmett retornou e encontrou uma Rosalie ansiosa. Ao vê-lo chegar, seus olhos buscaram pelas mãos de Emmett, tentando entender qual seria a surpresa. E o que ela encontrou foram duas passagens aéreas.
Rosalie desfez o sorriso, começando a sentir um frio no estomago. Não conseguiu desviar os olhos dos dele no momento em que lhe entregava as passagens, com destino ainda desconhecido por ela.
– Olhe – instruiu Emmett.
Rosalie abaixou a cabeça, encarando agora as passagens aéreas. Abriu a primeira pagina buscando o destino, e, quando se deu conta do nome que estava escrito ali, suas mãos tremeram, seu coração bateu forte dentro do peito. Leu mentalmente duas vezes para ter certeza de que não era ilusão de sua mente desejosa. Somente então conseguira ler em voz alta.
– Norristown – gritou ela, inegavelmente feliz, surpresa, nostálgica. Suas mãos tremiam de tal maneira que ela mal conseguia segurar as passagens. – Norristown – repetiu mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa. Sorriu feio boba enquanto lágrimas de felicidade genuína rolavam pelo seu rosto. Olhou para Emmett. – Nós vamos para Norristown. Eu... Você... Juntos novamente... Em Norristown – olhou para Esme. Mamãe você ouviu isso?! Eu vou para Norristown com Emmett.
– Vai sim, filha – respondeu Esme, lhe sorrindo. – Não era o que você sempre quis e esperou.
– Sim – gritou ela, maneando a cabeça positivamente. Virou-se para olhar para Vera. – Vera eu vou para Norristown com Emmett. Aí meu Deus, eu nem sei o que fazer.
– Que tal fazer as malas – brincou Vera.
Rosalie saltitou com as passagens nas mãos, e o buquê de rosas foi deixado sobre uma poltrona. Virou olhando, agora, para Emmett.
– Você e eu juntos em Norristown. É a melhor surpresa do mundo, ursinho – Emmett segurou sua mão e beijou-lhe os dedos. – Para quando é?
Emmett sorriu. – Você não reparou na data?
Ansiosa, Rosalie voltou a conferir as passagens. – É para hoje! – exclamou chocada, tamanha sua surpresa.
– Sim. Possivelmente estaremos lá ainda essa madrugada.
– Ai meu Deus. Ai meu Deus – gritava Rosalie, surpresa. – Mas e a Vera? Não posso deixá-la sozinha.
– Filha, a Vera não vai estar sozinha. Ela vai estar comigo e com o seu pai.
– Rose se você se atrever a pensar em desistir dessa viagem por minha causa, fico de mal de você nesse instante – ameaçou Vera.
– Obrigada, Vera – Rosalie correu até onde a amiga estava ajoelhando-se ao carpete felpudo para poder abraçá-la. – Você vai cuidar bem dela, não vai Christopher?
– Pode confiar, Rose. Cuidaremos bem da nossa comilona favorita – assegurou Christopher. Ambos sorriram.
– Amor preciso fazer minhas malas – avisou Rosalie ao ficar de pé novamente. – Por quantos dias iremos permanecer lá? – perguntou ansiosa.
– Somente o fim de semana. Como hoje já perdemos o dia, não voltaremos no domingo à noite, mas sim, na segunda pela manhã.
– Ai minha nossa. Obrigada por isso, meu Deus. Eu vou para Norristown com o meu ursinho. Vamos rever a cidade onde nos conhecemos, e o Secret Place. Preciso ligar para o papai, e contar para ele...
Rosalie estava eufórica, um tanto surpresa, e muito ansiosa. Mal podia acreditar que voltaria, ao lado de Emmett, ao subúrbio da Filadélfia, mais precisamente, em Norristown, onde tudo começou. Onde seu coração descobriu que o amor realmente acontece.
Notas finais
E a nossa Vera está feliz passando uma temporada na casa dos Cullen, porque esses sim, são uma família de verdade :)
E o mais importante: o/ curtiram a surpresa que Emmett reservou para a Rose? Essa é apenas a primeira parte dela :))
Comentem o que acharam :)
*Para quem ler Amor Amigo atualizarei ainda essa semana.
Beijo, beijo
Sill
Fale com o autor