Quando o Amor Acontece
5 Capítulo 5 - Medo de Altura
Após ter feito as tarefas que seu pai lhe encarregava, Emmett pegou sua bola de basquete para ir à casa de Rosalie comprovar se ela de fato sabe jogar como tinha dito.
- Mãe, estou saindo.
- Filho, aonde vai?
- Estou indo falar com a filha do médico.
- Me leva, me leva... – a pequena Alice surgiu gritando toda saltitante. – Me leva com você Emmett, quero ver as bonecas que a Rose vai me dar – fez carinha de gato do Shrek, o que derretia até o mais duro dos corações, e aquela garotinha esperta sabia bem disso.
- Está bem, mas não fique perturbando, ok?!
- Prometo que serei um anjinho – juntou as mãozinhas piscando os olhinhos várias vezes.
- Você é uma monstrinha, sabia?!
- Não sou não.
- Emmett, não volte tarde e cuide de sua irmã, não a deixe sozinha na rua.
- Pode deixar mãe, eu fico de olho na pestinha.
- Eu não sou pestinha! – disse ao saírem porta a fora. – Meu nome é Alice. Sabe, Alice é um nome muito bonito e combina comigo. Será que a mamãe escolheu esse nome por causa da Alice no País das Maravilhas? Ou será que foi por causa de outra Alice? Ou talvez Alice seja o nome de uma diva. Nossa! Isso seria muito legal e...
- Cale a boca, Alice! Credo, o que você bebeu? Está pior que nunca!
Alice arregalou os olhos encarando o irmão.
- É que estou feliz que a Rose vai me dar uma Barbie nova. Aí com o dinheiro do meu porquinho, compro várias fitinhas de cetim, uma de cada cor para usar no meu cabelo. Ah, irei ficar tão bonitinha...
- Para de falar, sua tampinha.
Ao chegar em frente a casa de Rosalie, a pequena Alice saltitava tanto que parecia que havia molas em seus pequenos pés.
- Para com isso, Alice, você vai assustar os pais da Rose!
- Mas eu sou tão bonitinha, como irei assustar eles? Mamãe disse que pareço uma fadinha saltitante! Os pais da Rose têm medo de fadas, é? Fadas são boazinhas!
- Pare com isso! – Emmett quase gritou, mas só se conteve para não chamar atenção dos donos da casa. Ele a segurou pelos ombros tentando fazê-la parar de quicar e de falar tanto.
A criança saltitante foi parando relativamente de quicar, mas isso não quer dizer que seu corpo não manteve sinais de inquietude.
Emmett tocou a campainha e esperou que alguém atendesse.
Por trás da porta que se abriu, havia uma senhora de aparência jovem, cabelos castanhos e feições extremamentes maternais e bondosas.
- Olá! Vocês são os amigos da Rose?!
- Sim senhora, sou Emmett e essa é minha irmã Alice.
- Oi Alice, seu nome é muito bonito, assim como você!
- Obrigada! – a pequena agradeceu com aquele sorriso do gato de Alice no País das Maravilhas.
- Entrem, por favor, a Rose já vai descer para recebê-los.
- Senhora mãe da Rose, como a senhora se chama? – Alice quis saber já que a mulher ainda não havia falado seu nome. E ela é uma criança muito curiosa.
- Ah desculpa, não me apresentei. Meu nome é Esme!
- Então, dona Esme, você não tem medo de fadas, não é?! – Alice questionou inocentemente ao sentar-se em um dos sofás.
- Alice! – Emmett exclamou encarando-a.
- Tudo bem, querido, sua irmã é adorável, não se preocupe.
No exato momento, Rosalie chegou à sala.
- Oi Emmett, Alice. Então, preparado para jogar e perder?! – disse ao retirar a bola de basquete das mãos de Emmett e quicá-la ao chão algumas vezes seguidas.
- Jogar sim, agora quanto a perder, isso não vai acontecer!
- Então vamos! – Rosalie disse. – Mas espera, Alice veio ver as bonecas, antes tenho que mostrá-las a ela.
- Pode ir filha, Alice fica comigo escolhendo as bonecas. Ela é tão adorável!
- A senhora tem certeza de que quer ficar na companhia de Alice? – Emmett perguntou.
- Claro querido, não se preocupe, cuidarei dela.
- Então está bem – Emmett deu de ombros e seguiu até onde Alice estava sentada e disse baixinho. – Não vá sair quicando pela casa, nem falar pelos cotovelos!
- Mas eu não faço isso! – exclamou com ultraje.
- Não mesmo?! Tem certeza que não faz?! – ambos sorriram.
- Eu vou estar lá na frente da casa jogando com a Rose. Qualquer coisa é só ir lá me chamar, está bem?! – falou bagunçando o cabelo da pequena, que logo queixou-se.
- Para, Emmett, está bagunçando meu cabelo!
- Então, até daqui a pouco.
Emmett e Rosalie seguiram para a frente da casa, onde havia uma sexta de basquete centralizada na entrada da garagem.
Emmett olhou com curiosidade.
- Meu pai colocou hoje, eu pedi!
- Ah certo, então me mostre o que sabe fazer!
Rosalie tomou a bola das mãos dele, e logo começaram com o jogo.
Algumas vezes o garoto dava uma gargalhada estrondosa e a menina respondia com a sua melodiosa.
- Você não joga tão bem quanto eu, mas admito joga muito bem... Para uma garota.
- Outra vez com isso... – reclamou ao lançar a bola fazendo uma sexta. – "E Rosalie empata com time da casa". Ahan, ahan... – zombou fazendo dançinha.
- Garota, você está provocando!
- Eu?! Imagina, nunca passou por minha mente fazer algo do tipo. Que imagem você teria de mim?! – sorriu vitoriosa.
- Aê Rose, acho que vou querer revanche!
- Revanche? Mas revanche de quê se estamos empatados?! Temos que desempatar apenas isso.
- Não é do jogo que estou falando.
- É do que então?
- Daquela corrida.
- Ah, beleza, então vamos nessa! Você vai perder novamente.
- Veremos! Certo, vamos até o fim da rua. Tudo bem para você?
- Ok! Que vença o melhor – Rosalie disse estendendo sua mão para cumprimentá-lo.
- Para você também.
Se posicionaram um ao lado do outro até Rosalie gritar "Valendo".
Ambos correram rua abaixo até chegar a uma parte em que não havia mais casas, onde dava início uma área arborizada.
Emmett chegou dois minutos à frente de Rosalie. Ambos estavam ofegantes com a respiração descompassada.
- Hei Emmett! Parabéns, você é mais rápido! – disse apoiando as mãos no joelho tentando respirar melhor.
- Vamos voltar, mas sem correr – Emmett sugeriu.
- Espera, o que tem ali?! – Rosalie apontou em direção as árvores.
- Árvores, mato, insetos e alguns espíritos perdidos em busca de um corpo jovem assim como o seu para habitar! – tentou ser teatral deixando sua voz em tom de suspense.
- Ai, seu bobo. Eu não tenho medo dessas coisas não, nem acredito nisso. Vem, vamos dar uma volta por lá.
- Está bem, já que você insiste!
- Poxa vida, Emmett, esse lugar é lindo! Olha essas árvores! Algumas delas devem ser centenárias!
A menina corria de um lado para o outro olhando tudo o que podia.
- Olha Emmett, tem uma ponte. O que será que tem do outro lado?
- Nada demais, só as mesmas coisas que tem aqui onde estamos.
- Você já atravessou ela alguma vez?
- Sim, uns amigos e eu estávamos construindo uma coisa do outro lado, mas paramos por que eles mudaram para outra cidade.
- O que era? – questionou não contendo a curiosidade.
- Vem, é melhor que você veja!
Emmett foi na frente e só se deu conta de que Rosalie não o seguia quando estava na metade da ponte.
Ela permanecia parada onde estava, não havia dado um passo se quer a frente.
- O que foi? Desistiu? Não quer mais ver? – Emmett perguntou.
- É que, não sei... Tem certeza de que essa ponte é segura?
- Claro que é, quer ver só?! – Emmett começou a pular e chacoalhar a ponte de madeira com cordas.
- Emmett, não! Para já com isso! – gritou em tom autoritário para seu amigo destemido, que desafiava a resistência da velha ponte.
Abruptamente, o garoto parou e olhou para sua amiga que permanecia no início da ponte sem se mover.
- Qual é, Rose?! A ponte não vai cair, vem logo!
Rosalie olhou para baixo e engoliu seco.
- Desculpa Emmett, mas não vai dar... – abaixou a cabeça virando-se para ir embora.
- Espere Rose, não vá! – correu até ela e segurou sua mão, que, por sinal, estava fria.
- Você não está com medo da ponte cair, não é?! – a menina desviou o olhar. – Você tem medo de altura? Olha para mim, Rose. Não é motivo para se envergonhar.
- Desculpa, mas não queria que soubesse disso.
- Tudo bem Rose, não irei zombar de você por isso. Somos amigos, não somos?
- Sim...
- Então confie em mim. Me deixe ajudar a vencer esse medo!
- Está bem, irei tentar, mas não garanto nada! – disse o olhando. Ele sorriu para ela, seu melhor sorriso com covinhas perfeitas e encantadoras.
- Vem, olhe para mim, nunca para baixo! – ele segurava as mãos dela sempre mantendo contato visual. – Isso Rose, olhe para mim! Você vai conseguir!
Já estavam próximos a metade da ponte quando Rosalie ficou estática.
- Vamos Rose, você pode não desista agora!
- Emmett eu quero voltar, por favor! – pediu ofegante. Em sua testa se formava gotículas de suor, tamanho o pânico que estava sentindo.
- Ok, vamos voltar!
Voltaram da mesma forma, ele a incentivando, ou do contrário ela não sairia do lugar.
- Deus, obrigada, terra firme! – gritou ao sair da ponte.
- Vamos para sua casa! – Emmett a chamou.
- Emmett, o que você estava construindo lá? Me conta vai?!
- Não vou falar, quero que sua curiosidade vença o medo e você atravesse aquela ponte comigo!
- Não irei conseguir isso! – disse enquanto andavam.
- Você é uma garota valente e de atitude. Voltaremos lá depois de amanhã após a aula. Só não vai ser amanhã porque tenho treino de basquete.
- Ok! – Rosalie aceitou e sorriu para ele. Agora resta saber se ela irá conseguir superar seu medo.
- Tenho que pegar Alice em sua casa. A essa altura ela já enlouqueceu todos por lá. Ela vai querer todas as suas bonecas! – ambos sorriram.
- Não há problema com relação a isso, para falar a verdade – Rosalie disse.
- Bem, você fica tranquila assim com aquele monstrinho em seu quarto porque não a viu quando chegamos. Ela estava assustadoramente saltitante!
- É mesmo?! Gosto de sua irmã, ela é bastante divertida!
Rosalie abriu a porta de sua casa. O andar térreo estava em completo silêncio.
- Mãe?!
- Será que elas saíram? – Emmett perguntou.
- Não, minha mãe não a levaria para passear sem a ordem dos seus pais, ela é politicamente correta. E nem me deixaria sozinha! Sempre que precisa sair, deixa alguém comigo.
- Tipo uma babá?! – ele zombou.
- Engraçadinho!
Enquanto dialogavam entre si, ouviram as gargalhadas de Alice, e ao olharem, lá estava ela segurando um cesto plástico de brinquedos com várias bonecas dentro, todas na embalagem original.
- Oi Rose! Olha, sua mãe me deixou ficar com essas. Você concorda? – perguntou com os olhos brilhando de expectativa.
- Claro que concordo, Alice!
- Obá! – gritou eufórica quicando no mesmo lugar.
- Alice, vamos para casa, você já abusou demais!
Notas finais
beijinhos...
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