Quando o Amor Acontece
36 Capítulo 36 - Não Precisa Ser Assim
Notas iniciais
Então vamos lá!
=)
Passaram-se alguns minutos de silêncio até que alguém decidisse falar.
Melinda secou suas lágrimas com as mãos, então, olhou para Rosalie, e lhe fez a pergunta que faltava.
- Agora que já sabe tudo que está acontecendo, quanto tempo pretende ficar?
Rosalie a olhou incerta.
- Tenho que voltar ainda hoje por causa da faculdade, mas manteremos contato. Venho te ver assim que tiver a chance. Quero conversar com você outras vezes. Se incomoda?
- Não! – disse Melinda. – Assim que eu souber como fazer para que se reencontrem, te avisarei. Tem que parecer que foi ao acaso, para que ele não desconfie de nada. Depois que isso acontecer, terminarei com ele...
Pronunciar tais palavras, formular um plano para afastar a si mesma do homem que ama, estava sendo extremamente doloroso para Melinda. No entanto, o que poderia fazer se estava encurralada?
Supostamente, só lhe restava uma saída: a “saída de emergência”, que era deixá-lo da melhor forma que conseguisse, ou seja, feliz, mesmo que isso fosse um caminho doloroso para si mesma.
- Agora preciso ir, passamos o dia praticamente inteiro de um lado para outro. Preciso descansar e tomar outros medicamentos – Melinda ficou de pé, seu semblante estava abatido, parecia cansada.
- Melinda, não quer que acompanhemos você até sua casa? Acho que seria mais prudente – disse Rosalie ficando de pé ao lado de Melinda.
- Não é necessário, de verdade, irei de táxi. É melhor assim... Ele pode aparecer e nos ver juntas. Ficaria confuso, desconfiado, e o plano iria por água abaixo.
Melinda acenou levemente com a mão para Rosalie e Vera ao se afastar devagar.
- Melinda, espera! – Rosalie a chamou, sem perder tempo indo ao seu encontro.
- Sim?! – Melinda respondeu fracamente. Seu coração estava sendo comprimido por uma tristeza lancinante. Queria poder acordar e descobrir que sua doença fazia parte de um terrível pesadelo. Que nada dos acontecimentos da última semana havia sido real.
Queria poder chegar o quanto antes em sua casa, deitar em sua cama e quem sabe expulsar um pouco de sua tristeza com ajuda de algumas lágrimas.
Rosalie segurou as mãos de Melinda ao se aproximar e disse.
- Melinda... – a olhou nos olhos. – Você realmente não precisa fazer isso, não precisa sacrificar seu amor... Mesmo que eu também o ame... Não quero passar por cima de seu sofrimento. Fique com ele, deixe que cuide de você. Eu juro que basta uma palavra sua de que está arrependida de ter me procurado, que entenderei. Volto para casa sem olhar para trás... Não quero viver me sentindo culpada em te causar mais sofrimento.
- Rosalie... Se você o ama, não se sinta culpada, e muito menos tenha medo. Apenas cuide dele por mim. O ame como ele merece, seja carinhosa, não o deixe sozinho. Apenas faça isso. Seria capaz de fazer isso?!
- Sim! Eu serei...
- Obrigada... Agora preciso mesmo ir. Me liga antes de voltar para Chicago?
- Sim... Eu ligo...
Tanto Rosalie quanto Melinda estavam com lágrimas no rosto. Um pouco mais afastada, Vera também se encontrava na mesma situação.
- Até logo... – disse Rosalie assim que Melinda entrou em um táxi.
Rosalie suspirou passando as mãos nos cabelos. Segurou as mechas entre os dedos por alguns instantes.
- Isso não está correto, Vera... – parecia confusa. – Ela o ama. Está morrendo, está sacrificando o amor que tem por ele... Desejei por tantos anos que alguém chegasse a mim dizendo que iria me ajudar a ficar com ele... Mas em outras circunstâncias! – deixou que as mechas de seus longos cabelos loiros deslizassem de suas mãos. – Não quero que me acusem de ser uma aproveitadora sem coração... Não quero Vera, não quero!
Vera a olhou com compreensão indo abraçá-la.
- Você não é um monstro amiga, não é. Entende Rose, olha para mim – Rosalie a olhou com os olhos cheios de lágrimas. – Ela te procurou e quer que você e Emmett sejam felizes juntos, está permitindo isso. Desde que te conheci que você sofre por ter sido afastada dele. Eu sei amiga, eu sei... Como sua amiga, eu quero que seja feliz, que algum dia tenha sua própria família, que tenha seus filhos para brincarem com os meus. Sim, porque eu também quero ser mãe. Claro que não serei uma mãe como a minha é. Sabe Rose, vai que você tem um filho e eu uma filha, e eles se apaixonam? Como fica isso, hein? Me diz?! Eu não quero entrar para a família “King Kong”.
Rosalie lhe sorriu um meio sorriso com algumas lágrimas.
- Eu sabia que te faria sorrir, pouquinho, mas faria. Perigoso seria você me dar uma bronca, mas eu sobreviveria a isso. E olha só o que tem ali – disse indicando com a mão. – Uma barraquinha de hot dog! Vamos comer?!
- Vera... – Rosalie disfarçou um sorriso.
- Ah Rose, depois de tantas emoções, eu mereço comer um pouquinho de gordura trans. Vem! Você também vai comer um e não reclame, um não vai te matar!
Vera puxou Rosalie pela mão indo à barraquinha de hot dog. Fez questão de pedir dois no capricho.
Ao olhar para o lado Rosalie, viu um garotinho de aparentemente dez anos de idade dar uma bronca na irmã menor, dizendo que ela não poderia jogar basquete com ele e os amigos porque era uma garota.
Foi nesse momento que Rosalie se perdeu nas lembranças de quando jogava basquete com seu melhor amigo, Emmett. De como se divertiam juntos, de como ele a ajudava a fazer o que quisesse. Um sorriso bobo se formou no canto de sua boca.
- Rose, Rose... – Vera a chamou quebrando o fio das lembranças.
- Oi... – disse Rosalie um tanto perdida. Como se estivesse acordando de um sonho.
- Seu hot dog – Vera estendeu a mão com lanche para a amiga que ainda parecia aérea.
- Ah, espera um pouco Vera – disse ao sair indo em direção onde os garotos estavam se preparando para iniciar a partida.
- Hei! – todos a olharam com curiosidade. – Podem me ouvir por alguns minutos?
- Ahan... – Alguns concordaram outros não tiveram opção.
- O que quer falar, moça? – o irmão da garotinha perguntou, segurando uma bola de basquete.
Rosalie sorriu e perguntou.
- Qual o time preferido de vocês?
- Os Lakers, claro! – todos responderam em coro. A garotinha continuava triste e afastada dos garotos.
- E o jogador preferido de vocês? – Rosalie continuou. Olhou no rostinho de cada um deles. Todos pareciam querer sorrir.
- Emmett McCarty! – fizeram um coro sonoramente.
- Ele é o melhor da liga na atualidade! – disse o irmão da garotinha.
Rosalie sorriu, e esse sorriso dizia, “cheguei onde queira”.
- Sabiam que Emmett McCarty teve uma amiga na adolescência que jogava basquete com ele?! – os olhos da garotinha brilharam ao ouvir aquelas palavras, porque ela entendeu onde Rosalie queria chegar. – Ele a deixava jogar e eles se divertiam muito.
- Mesmo?! – todos, mais uma vez falaram em coro, agora surpresos.
- Sim! – Rosalie confirmou com um lindo sorriso ao lembrar que a garotinha que jogava com Emmett McCarty era nada menos do que ela mesma.
Então o garotinho, que parecia ter um grande talento para liderança, chamou a irmã.
- Duda, vem! Você pode jogar com a gente! – ela sorriu para o irmão um sorriso que lhe faltava os dentinhos da frente e correu até ele. Um outro garotinho entregou a bola para Duda. Segurando a bola, Duda correu até Rosalie e disse.
- Obrigada moça! – e sussurrando ela completou. – A garotinha era você, não era?!
Rosalie se abaixou para ficar na altura da garotinha e disse.
- Pode guardar segredo?
- Sim! – Duda respondeu com os olhinhos brilhando com a ideia de guardar um segredo.
- Sim, você está certa! A garotinha era eu – Rosalie sussurrou para ela.
- Então ele teve mesmo a melhor amiga que poderia ter – dizendo isso, Duda se juntou ao irmão e os amigos em uma partida de basquete infantil.
Vera se aproximou da amiga e disse.
- Poxa Rose, isso foi genial! E digo mais, foi lindo!
- Imagina, não foi nada. Só não gostei de vê-los agindo daquele jeito.
- Era o que Emmett fazia por você, não era?! Ele te defendia de garotos assim. Você se viu na situação, não foi?!
- Sim... – Rosalie confirmou recebendo o hot dog das mãos de uma Vera risonha.
Andaram um pouquinho e sentaram-se em um banco enquanto comiam o hot dog.
- Sabe Rose, eu não entendo nada de basquete, isso é fato. Mas parece que ela sabe jogar, me corrija se estiver errada – disse se referindo a Duda.
- Não, você está certíssima, pelo que estou vendo a Duda tem talento. Poderá sem dúvida jogar em um time de basquete feminino com sucesso. E olha que não costumo me enganar – disse com um sorriso travesso. Vera também sorriu.
- E então voltamos para o hotel agora? – Vera quis saber.
- Sim, é melhor descansarmos um pouco antes de pegar o voo de volta para Chicago.
As duas se levantaram e saíram andando devagar, apenas observaram o movimento local. As crianças continuaram jogando. Duda se divertia, dava para ouvir os risos dela de longe.
Ao se afastarem, Rosalie sentiu-se um tanto estranha por estar na mesma cidade que Emmett e não poder simplesmente sair correndo ensandecida ao encontro dele. Era de fato tudo tão surreal para ela. A doença de Melinda, seus planos para juntar os dois...
Agora Rosalie também acreditava que era o caminho certo a seguir. Não estava mais irritada com o fato de Emmett ter alguém, porque agora ela sabia o quanto Melinda o amava e queria vê-lo feliz. Melinda cuidou de seu ursinho, deu amor e carinho nos momentos em que ela, Rosalie, não pode.
O vento estava mudando. Talvez agora o destino estaria lhe dando a chance de cuidar e amá-lo na ausência de Melinda. Só teria que deixar seus sentimentos até então oprimidos fluírem que o destino se cumpriria.
Staples Center
Emmett estava em mais um final de treino. Fora um dia confuso para ele, por uma razão ainda mais confusa. Melinda e Rosalie habitaram sua mente o dia inteiro. Estivera grande parte do dia preocupado com as duas. Estaria Emmett McCarty ficando louco ou o quê?!
Perdeu alguns lances, caiu uma ou duas vezes na quadra. Isso estava irritando o treinador.
- McCarty! – gritou o técnico. – Saia da quadra! Que diabos pensa que está fazendo?! Se tem problemas pessoais resolva-os antes do próximo jogo. Precisamos do seu jogo para vencer.
Emmett saiu da quadra passando as mãos na cabeça, dando-se por vencido, indo sentar no banco dos reservas. Sentou suspirando. Parecia mais cansado que de costume. Pegou uma toalha branca e secou o suor de seu rosto.
- Cara, nunca te vi fazer um treino tão ruim. Nos jogos da semana passada você estava muito distraído. Se continuar assim, vai ser substituído – disse um dos jogadores que estava sentado no banco ao lado de Emmett.
Emmett bufou irritado com aquilo. Ser substituído era algo que ele não queria em hipótese alguma.
Notas finais
E aí meninas, o que tem a dizer a respeito desse capítulo? *curiosidade modo on*
O que acharam do que a Rose fez pela Duda?
E sobre o que está acontecendo com Emmett? Acham que ele está pressentindo algo?
Alguém mais nos recomenda? *olhinhos brilhando*
Beijinhos
Bree
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