Quando o Amor Acontece
103 Capítulo 103 – O Destino se Cumpre
Notas iniciais
Há meses Rosalie vinha tentando fazer com que Nicole largasse a mamadeira de uma vez por todas, mas estava sendo um tanto complicado. Durante o dia ela já não usava mais, mas a noite ainda era uma guerra perdida. Sempre antes de dormir Nicole pedia a mamadeira e Rosalie acabava cedendo por não suportar vê-la com os olhinhos pidões e tristonhos. Depois da queda no banheiro Nicole não quis jantar e já foi logo pedindo a mamadeira. Rosalie sabia que isso fazia parte do dengo de sua filha. Do temperamento manhoso de sua marrentinha. Se sentindo culpada pela queda recente permitiu que a filha mamasse sem impor que jantasse antes.
Nicole ficou no colo do pai durante todo o jantar, com a mamadeira na boca. Às vezes parava e respirava fundo, olhava para cada um dos membros de sua família sentado em volta da mesa e retornava a mamar. Vez ou outra Rosalie passava a mão no rostinho da filha afastando alguns fios de cabelo cuidadosamente. Depois do jantar todos foram à sala de TV, onde permaneceram por um bom tempo conversando, vendo o noticiário.
Nicole estava deitada aconchegada ao pai, apertando sua mantinha lilás entre os dedos, em um dos sofás. Já Rosalie estava sozinha em outro, por causa da barriga ela deixava Nicole com o pai nos períodos que antecediam o sono, porque a garotinha se remexia muito e acabava lhe chutando a barriga. No tapete perto do sofá onde Nicole estava com o pai, Pimenta, o cão labrador, dormia.
– Posso dormir com a vovó hoje, mamãe? – Nicole pediu, erguendo as pernas e jogando de volta sobre a barriga do pai, que segurou seu pezinho e deu um beijo sem se importar com seu jeito inquieto.
– Só se a sua avó deixar – avisou Rosalie.
Nicole olhou para Esme com os olhinhos sonolentos, bocejando antes de falar. –Vovó você deixa?
– Claro que a vovó deixa meu amor. Já que irei embora amanhã, e você vai visitar sua vovó Elisa, aproveito para ficar bem pertinho da minha netinha hoje. Contar uma historinha para dormir e dar um monte de beijinhos nessa coisa linda da vovó.
Embora sonolenta Nicole sorriu. – Não fica com ciúmes vovozinha. Eu amo as duas. A minha vovó Esme, que é a mamãe da minha mamãe e a minha vovó Elisa, que é a mamãe do papai urso. Nikki ama um tantão assim – Nicole abriu os braços atirando um deles sobre o pai. Seus olhinhos brilharam no momento em que encontraram com os de Emmett, ele aproveitou e lhe beijou a pontinha do nariz.
– A vovó não fica com ciúmes não amor – assegurou Esme. – Vovó sabe que você ama as duas igualmente. Da mesma forma que nós duas também te amamos. Nikki é bonequinha linda das duas vovós e dos dois vovôs também.
Nicole sorriu esbanjando as covinhas herdadas do pai. Não demorou muito surgiu outro bocejo e olhinhos lacrimejaram enquanto a preguiça tomava conta de seu corpinho.
– Nikki – murmurou Rosalie –, você já perguntou para o vovô também. Não esquece que a cama da vovó é dele também. Você precisa pedir a permissão dos dois ou nada feito, mocinha.
– Que nem a sua é do papai também? – perguntou ela, coçando o olhinho.
– Exatamente bebê. Igualzinho a do papai e da mamãe – Rosalie piscou para ela enquanto afagava a barriga, sentindo o bebê mexer. No mesmo instante Emmett lhe lançou um olhar avaliador, buscando a certeza de que ela não demonstrava nenhum sinal de dor ou desconforto fora do normal.
Alheia a avaliação do pai, Nicole olhou para o avô, sempre inquieta. – Você deixa vovozinho?
– Deixo, sim, princesa. Vovô deixa – Carlisle ficou de pé e a pegou no colo. Nicole encostou a cabeça ao ombro dele levando a mantinha junto, seu corpinho todo mole por causa do sono que chegava de mansinho.
– O vovô deixou mamãe – disse ela, com a voz fraca.
– Pode ir bebê – respondeu Rosalie, satisfeita, vendo a filha ser carregada no colo do avô. O mesmo colo que a carregou tantas vezes quando ainda era pequenina.
– Boa noite papai urso. Boa noite mamãe.
– Boa noite bonequinha do papai – Emmett respondeu.
– Boa noite amor. Sonhe com os anjinhos – respondeu Rosalie, soprando um beijo para a filha.
– Nikki ama o papai urso e a mamãe com a mesma quantidade de estrelas no céu somado a todos os peixes do oceano – murmurou Nicole, sonolenta, lembrando-se de todas as vezes que Rosalie e Emmett lhe repetiam a mesma frase declarando seu amor por ela.
– O papai e mamãe também amam a Nikki com a mesma quantidade de estrelas no céu somado a todos os peixes do oceano – Emmett foi quem respondeu, logo em seguida mudou de sofá indo para o que Rosalie estava deitada, colocando os pés, um pouco inchados, da esposa sobre seu colo, começando a massageá-los levemente.
Carlisle e Esme se recolheram levando a neta junto. Emmett e Rosalie ficaram mais alguns minutos conversando enquanto ele massageava os pés dela. Depois disso subiram e ficaram deitados juntinhos da cama. Emmett afagava o barrigão de Rosalie depois de ter erguido o pijama dela e passado um olhinho para evitar estrias. Vez ou outra Valentina mexia, reconhecendo as caricias feita na barriga da mãe, apreciando o carinho paterno.
Naquela noite Nicole dormiu com os avós exatamente como Rosalie fazia quando tinha a mesma idade, em noites em que estava dengosa ou com medo, no calor e aconchego de uma cama macia, cercada de pessoas que a amam, em uma casa onde o carinho e o afeto jamais lhe faltarão. Um de seus bracinhos estava jogado em cima do avô e uma perninha jogada em cima da avó, dormindo tranquila como se o mundo lá fora não existisse. Como se o mal jamais pudesse alcançá-la.
Para Carlisle e Esme aqueles momentos com a neta eram como voltar no tempo, onde Nicole lhes fazia lembrar a Rosalie do passado. Tão parecidas em quase tudo.
Quando a manhã chegou, a família foi acordando pouco a pouco e se preparando para as respectivas viagens que fariam aquela manhã. Esme e Carlisle voltariam para Chicago, para a sua rotina. Rosalie, Emmett e Nicole iriam passar o fim de semana em Norristown, visitando o outro lado da família.
Rosalie deixou Nicole para vesti-la por último para que a pequena aproveitasse um pouco mais do seu soninho. Mas quando foi acordá-la na cama dos avós, no quarto que Rosalie reservou na mansão especialmente para eles, Nicole fez manha sem querer sair da cama. No entanto, bastou Rosalie mencionar que era hora de visitar a vovó Elisa que ela pulou no colchão agarrando o pescoço da mãe em um abraço animado.
Rosalie levou Nicole para o banheiro de seu quarto, e colocou um roupão de banho por cima da roupa que estava usando para não se molhar enquanto dava banho na filha. Nicole estava completamente serelepe não parava um minuto sequer. Durante o banho mencionou o Secret Place mais de uma vez, os avôs e as tias também.
Em cima da cama dos pais enquanto a mãe a vestia, Nicole fez da cama trampolim. Emmett observava os dois amores de sua vida em silêncio, imaginando que logo seriam três, mas que poderiam ser quatro não tivesse perdido Natalie antes mesmo de seu nascimento. Por fim, depois de muita luta, Rosalie conseguiu terminar de vesti-la. Nicole estava parecendo uma boneca: com meia-calça preta, sapatinho de boneca, um vestidinho com detalhes em vermelho e preto, um bolerinho também preto. Seus longos cabelos dourados estavam soltos, sua franja impecável sobre a testa, com um arquinho vermelho em destaque. O sorriso de covinhas sapecas não deixava seu rostinho de anjo nem por um minuto.
Nicole correu para os braços do pai e os três desceram as escadas juntos. Carlisle e Esme já os esperavam no andar de baixo prontos para partir. Depois de guardar as malas no bagageiro do carro de Emmett – que ficaria em um estacionamento privado até sua volta – foi à vez de Pimenta ser posto dentro do carro, deixando Nicole toda empolgada. Sentada na cadeirinha ela não parava de olhar para o cachorro que estava atrás de suas costas. Esme e Carlisle também entraram no carro se posicionando cada um de um lado da neta. Rosalie foi no banco do carona, ao lado do marido.
Já no aeroporto, Carlisle e Esme se despediram e foram para o portão de embarque do voo que sairia dentro de minutos com destino a Chicago.
Depois que Pimenta foi posto no kennel e despachado para o embarque, a família também embarcou. Nicole entrou no avião nos braços do pai – estratégia para fazê-la ficar quieta. Sentadinha entre os dois, seus olhinhos não paravam de brilhar, ansiosa para rever os avós paternos, e, pela primeira vez, visitar a casinha na árvore que tanto conhecia das histórias que ouviu dos pais ao longo de seus cinco aninhos de vida, despertando assim seu amor incondicional pelo local que foi palco de um grande amor.
Horas depois, eles desembarcaram na Filadélfia e seguiram de taxi até Norristown. Pimenta estava louco para sair do carro e farrear como sempre fazia, além de fazer suas necessidades fisiológicas. Nicole dormia no colo do pai quando o taxi parou em frente à casa que pertencia aos pais de Rosalie. Depois que se casou com Emmett as idas a Norristown se tornaram mais frequentes, algumas vezes Carlisle e Esme voltaram lá com eles também. A casa, agora, frequentemente usada havia passado por uma reforma no andar de cima; um dos quartos de hospedes foi inteiramente modificado para ser o quarto de Nicole, e a família já tinha planos para o quarto de Valentina que estava a caminho.
Quando Emmett abriu a porta do taxi Pimenta saiu correndo pelo gramado cujo ele já conhecia. Com a filha dormindo em seu colo, com a cabecinha apoiada em seu ombro, Emmett ajudou a esposa a sair do carro lhe estendendo a mão. Usando a mão livre Rosalie acarinhava inconscientemente a barriga avantajada, sentindo um leve incomodo nas costas pelo tempo em que esteve sentada.
O taxista – já conhecido do casal – desceu do carro e os ajudou com a bagagem levando até a entrada da casa. Minutos depois ele refazia o caminho de volta, satisfeito, com uma ótima gorjeta no bolso.
A pequena Norristown estava ensolarada, porém com uma temperatura agradável. Algumas crianças estavam brincando nas calçadas e gramados ao redor. Aquela atmosfera de paz e segurança os fazia sentir-se em casa.
Depois de enfiar a mão na bolsa e recolher as chaves da casa, Rosalie afagou os cabelos da filha suavemente e roçou o nariz em sua bochechinha, aspirando o perfume.
– Já chegamos bebê – ela anunciou, com a voz suave. Nicole virou o rostinho para o outro lado e continuou dormindo, colocando o polegar na boca. Rosalie retirou o polegar da boca dela, com Nicole ameaçando chorar.
Emmett passou a mão no rostinho da filha, carinhosamente. – Nós a acordamos muito cedo hoje, Rose. Vamos deixá-la dormir mais um pouco – inconscientemente Nicole colocou de volta o polegar na boca.
Rosalie assentiu antes de virar de costas e abrir a porta para que Emmett fosse à frente com a filha no colo.
– Põe a Nikki no sofá amor e vem me ajudar com as malas – explicou Rosalie. No minuto seguinte olhou ao redor do jardim procurando pelo cachorro. – Pimenta – ela o chamou quando não o viu por perto. Pimenta latiu e logo depois surgiu por entre um arbusto. – Vem cá garoto – Rosalie o chamou. Pimenta passou por ela entrando na casa, tão feliz que seu rabinho não parava de abanar.
– Deixa as malas aí que já vou buscá-las, Rose – avisou Emmett, da sala de estar, acomodando Nicole no sofá como Rosalie havia sugerido. A garotinha se remexeu sentindo a mudança, Emmett fez carinho no rostinho corado dela, que continuou dormindo com o polegar na boca.
Rosalie pegou a garrafinha de água mineral que estava no bolso da mochila de Nicole e o pratinho de Pimenta na sacola de coisas dele, despejou a água e se abaixou com dificuldade para pôr para ele beber.
– Preciso ir ao banheiro – ela comentou apressada assim que Pimenta se aproximou do pratinho.
A casa estava sempre impecável. A senhora Scott era muito cuidadosa com tudo. Rosalie passou por Emmett quando ele foi buscar as malas no hall. Ele levou todas para a sala e as deixou ao lado do sofá. Deu mais uma olhadinha na filha e viu quando Pimenta deitou no tapete perto do sofá que Nicole dormia, antes de sair e ir ao banheiro onde Rosalie estava. Ele a encontrou lavando as mãos na pia do lavabo. A abraçou por trás afagando o barrigão enquanto lhe beijava a nuca.
– Já que a Nikki está dormindo nós poderíamos aproveitar para namorar um pouquinho – sussurrou ao pé do ouvido dela, com a voz levemente rouca. – O que me diz disso?
Rosalie gemeu baixinho e virou-se ficando de frente para ele. Suas mãos deslizaram sobre a camisa acariciando o peito forte do marido. Emmett segurou na nuca dela, fazendo pequenos círculos com o polegar. Devagar conduzindo a um beijo. As caricias foram se intensificando e o desejo os consumindo pouco a pouco. Se tornando difícil de controlar. No entanto, o clima foi interrompido pela voz assustada de Nicole, que chamava por eles. Ainda confusa por causa do sono, sem saber exatamente onde estava.
– Mamãe. Papai urso.
Emmett suspirou com o rosto no vão do pescoço de Rosalie, antes de se afastar depositou um beijo no local. Frustrado ele olhou para ela, desejando muito poder continuar de onde haviam parado.
– Não fica assim amor – pediu Rosalie lhe dando um selinho. – É o nosso bebê que está procurando pela gente – ela segurou o queixo de Emmett e o beijou novamente antes de sair do banheiro deixando-o frustrado.
– Mamãe – Nicole continuou chamando, com a voz dengosa, porém ainda sonolenta.
Rosalie sorriu ao chegar novamente na sala vendo o rostinho preocupado da filha. – Mamãe já está aqui amor. Não precisa ficar assustada, mamãe está aqui. Está tudo bem.
– E o papai urso?
– O papai urso está no banheiro. Daqui a pouco ele volta.
Nicole estava sentadinha no sofá sobre as próprias pernas. Rosalie chegou mais perto e sentou ao lado dela, trazendo-a para sentar sobre suas pernas, de frente para o barrigão. Nicole se encostou ao peito da mãe com os bracinhos em volta da barriga avantajada. Rosalie ficou fazendo carinho nos cabelos da filha até que ela se afastou novamente. Com as duas mãozinhas afagou o barrigão da mãe com caricias suave olhando para ela.
– Esse bebê está quietinho agora – ela comentou.
Rosalie sorriu. – Ela está tirando uma soneca igual você estava – acariciou os cabelos da filha e completou. – Já estamos em Norristown, amor. Vamos ligar para a vovó Esme e avisar que chegamos bem?! E depois para a tia Vera?
– Eu posso falar com a Phoebe também, mamãe?
– Pode amor – respondeu Rosalie. Nicole sorriu revelando as covinhas herdadas do pai. Rosalie beijou ambas as covinhas com adoração – Coisa linda da mamãe. Meu bebê lindo. Minha vida – Nicole se contorceu dengosa no colo de Rosalie.
Naquele instante Emmett entrou na sala, e, mais uma vez, se permitiu observá-las com orgulho e adoração. Um sorriso suave marcava presença em seu rosto, reflexo do que era seu coração nos últimos anos. Ele sabia; não havia felicidade maior do que tê-las ao seu lado. Do que ter uma família. Alguém que esperasse todos os dias seu retorno para casa.
Pimenta sentou ao lado do sofá e ficou olhando de um para o outro. Seus olhos brilhavam como que dissesse “essa é a minha família”. E ele tinha razão.
– Papai urso, vamos ver a vovó Elisa. Eu estou com saudades dela e do vovô Albert. Vamos.
– Vamos, sim, princesa linda do papai.
Emmett sentou ao lado de Rosalie, que estava fazendo uma ligação para Chicago. Ele ficou brincando com as mãozinhas da filha, que lhe sorria o tempo inteiro. Rosalie aproveitou e mandou Nicole falar com os avós. Depois foi a vez de ligar para Los Angeles e falar com Vera. Nicole engatou uma conversa divertida com Phoebe que foi preciso Rosalie interferir senão elas ficariam o dia inteiro tagarelando. Ela disse que Nicole podia ligar para falar com Phoebe mais tarde porque agora eles tinham que sair.
– E agora vamos ver a vovó Elisa? – perguntou Rosalie, fazendo cocegas na barriga da filha. Nicole se remexeu, Emmett segurou nas costas dela para ela não cair do colo da mãe. Pimenta logo se intrometeu, latindo, chamando atenção. Nicole gritou entusiasmada fazendo o cachorro latir ainda mais, o que a fez gargalhar gostosamente.
– Mamãe e eu vou ver também o Secret Place que é seu e do papai urso? – perguntou Nicole, com os olhos arregalados de puro entusiasmo.
– Vai sim amor – Rosalie confirmou, batendo palminhas se divertindo com o entusiasmo da filha. Depois de perder Natalie, Emmett e Nicole foram os únicos que fizeram Rosalie ter vontade de reagir a sua dor emocional.
Nicole desceu do colo da mãe, comemorando com os bracinhos para cima, completamente empolgada e saltitante. Pimenta logo começou a pular ao lado dela, brincando. Rosalie rolou os olhos, sorrindo. Emmett se inclinou beijando a cabeça da esposa apreciando o momento em família.
– Nikki vai ver o Secret Place da mamãe e do papai urso. Nikki vai ver o Secret Place. E você também vai Pimenta – Nicole cantarolava feliz.
– Own – Rosalie murmurou quando sentiu o bebê chutar forte em sua barriga. – Acho que a Valentina também está comemorando – disse ela, afagando o barrigão. No minuto seguinte Emmett e Nicole também faziam o mesmo, sentindo o bebê mexer. – Estamos fritos amor. Vamos ter duas espoletas em casa correndo de um lado para o outro. Virando tudo de cabeça para baixo. E ainda temos o Pimenta de brinde.
– Daremos conta do recado – comentou um Emmett sorridente. – Eu sei que daremos. E depois quem sabe não vem um garotão por aí – Rosalie rolou os olhos, pensando no assunto.
– E se vier mais uma menina? – argumentou ela, sem conseguir esconder o brilho de satisfação em seus olhos por ter formado sua própria família.
– Vamos amá-la do mesmo jeito – ele completou, sorrindo. –Já estou me convencendo de que tenho tendência a fazer meninas. Mas vamos tentar a ter, pelo menos, um garoto, não é amor?!
Rosalie sorriu dando uma piscadela. Emmett entendeu aquilo como um “sim”, ficando satisfeito. Nicole pulou no sofá e ficou de pé entre os dois, passando os bracinhos em volta do pescoço deles.
– Um papai, uma mamãe e duas irmãzinhas – ela comentou incluindo Natalie. – E não quero mais ninguém. Já chega de tanta gente. Não quero um irmão. Já chega! – exigiu com a voz autoritária.
Emmett e Rosalie sorriram em meio a uma troca de olhares. Rosalie maneou a cabeça quando Emmett lhe deu uma piscadela. Ela olhou para a filha sem conseguir esconder seu sorriso bobo estampado no rosto. Eles sabiam que Nicole ainda reclamaria, e muito.
– Vamos trocar essa roupa, amor – sugeriu Rosalie. – Vamos pôr uma roupinha mais confortável para você brincar na casa da vovó Elisa.
– E no Secret Place – acrescentou Nicole, com entusiasmo.
– Claro que sim – afirmou Rosalie. Emmett fez cocegas na barriga de Nicole e ela se encolheu agarrada ao pescoço dos dois. – Amor pega a malinha da Nikki e põe aqui pertinho de mim, por favor – Emmet fez o que ela pediu, com um sorriso no rosto. Rosalie abriu a malinha da filha e começou a vasculhar em busca de algo confortável para ela vestir. – Pede para o papai te ajudar a retirar o vestidinho, filha – ela acrescentou.
– Papai urso – Nicole pediu, já erguendo os bracinhos esperando pela ajuda paterna.
Emmett ficou de pé de frente para ela. Primeiro ajudou a retirar o bolerinho. – Espera um pouco filha que o papai tem que abrir o zíper atrás – Nicole virou de costas, Emmett abriu o zíper com cuidado e ajudou a retirar o vestidinho. Depois foi a vez da meia-calça.
– Papai urso, eu preciso fazer xixi – avisou Nicole, inquieta.
– Está bem, bonequinha – respondeu ele, colocando-a de pé no chão.
Nicole saiu correndo já sabendo onde ficava cada cômodo daquela casa. Conhecendo cada um deles como a palma de sua mão.
– Vai com ela amor – Rosalie pediu –, senão ela vai destruir tudo lá dentro. Você sabe como a Nikki é quando está sozinha.
Emmett maneou a cabeça concordando e foi atrás da filha. Pouco tempo depois Nicole voltou correndo na frente e Emmett logo atrás. Rosalie já havia escolhido um shortinho jeans com elástico nas perninhas e uma blusinha floral. Um tênis all star cor de rosa – com velcro no lugar dos cadarços. Ela vestiu a filha novamente e fez duas trancinhas laterais, penduradas sobre os ombros.
Emmett estava procurando uma bermuda para se trocar, quando Nicole viu a perna do urso de pelúcia que ele havia dado a Rosalie no passado, guardado dentro da mala.
– O ursinho Emmett – ela gritou, correndo para pegá-lo. Pimenta logo ergueu as orelhas interessado na brincadeira, seja lá qual ela fosse.
Antes mesmo que Emmett percebesse Nicole estava abraçada ao urso de pelúcia que Rosalie tanto amava. Pimenta olhava Nicole com curiosidade, apenas esperando o comando para o início da farra.
– Nikki não – advertiu Rosalie, tentando salvar seu objeto de estimação que carregava um vinculo inestimável.
– Eu quero ele pra mim – Nicole choramingou. – Eu quero mamãe. Eu quero.
– A mamãe já falou um milhão de vezes que esse urso não é seu Nikki. Esse é da mamãe. Devolve filha. Vai amor, não faz assim. Mamãe não gosta disso. Nikki, por favor, devolve para a mamãe.
Nicole agarrou o urso com mais força e olhou para o pai como que pedindo ajuda. Emmett deu de ombros, olhando da filha para a esposa. Ele não queria ter que escolher um lado, e assim o fez. Ele sabia que Rosalie o mataria se aceitasse ceder o urso para Nicole. Porque ela sabia, Nicole o destruiria em pouco tempo.
– É o ursinho Emmett – ela argumentou sem querer ceder. – Você já tem o papai urso, mamãe. Eu quero esse. Eu quero – ela bateu o pé com força no chão, curvando as sobrancelhas, seu rosto se tornando o espelho de sua frustração.
Rosalie insistiu. – A mamãe já falou que você pode pôr o nome do seu pai nos seus ursinhos, filha, mas esse aí é da mamãe. Eu já te dei um monte de ursos, princesa linda. A mamãe só tem esse – Nicole fez beicinho, abraçada ao urso. Antes de devolvê-lo a mãe ela deu um beijinho nele. – Não fica triste bebê – Rosalie tentou animá-la. – A mamãe vai te levar daqui a pouco no Secret Place.
Nicole sorriu expondo suas covinhas novamente. Seu sorriso fez um pouco da culpa que Rosalie estava sentindo desaparecer, pelo menos, por enquanto.
Emmett suspirou, satisfeito ao ver que as duas mulheres de sua vida estavam conseguindo se entender com relação ao bicho de pelúcia.
– Eu vou me trocar, Rose – ele avisou, segurando uma bermuda em uma das mãos indo para o banheiro para poder se trocar.
Rosalie foi com Nicole e Pimenta esperar por Emmett do lado de fora da casa. Nicole achou uma bola de basquete perdida pelo caminho e foi brincar com o cachorro no gramado. Rosalie ficou observando ela brincar enquanto esperava pelo marido.
Quando Nicole menos esperava a bola rolou para fora do gramado e atravessou a rua. Pimenta latiu e foi buscá-la, mas parou quando um garotinho se abaixou e pegou a bola entre mãos. Pimenta o olhava com curiosidade, esperando alguma reação que indicasse farra.
– Essa bola é do papai urso – avisou Nicole, sem sair do gramado. Ela bem sabia que não podia atravessar a rua sozinha mesmo que em uma cidade pequena. Rosalie ficou atenta ao diálogo da filha, permitindo que ela continuasse.
O garotinho de seis anos de idade, de cabelos negros e lisos, com olhos em um tom esverdeado, atravessou a rua depois de olhar para os dois lados, segurando a bola de basquete de Nicole entre as mãos. Pimenta o seguiu, e voltou para perto de Nicole.
– Eu posso brincar com você? – perguntou ele, após entregar a bola para ela.
– Não pode – respondeu Nicole, em um tom sério que lhe fazia parecer presunçosa.
– Porque não? – ele quis saber o motivo da recusa.
– Porque eu não te conheço, ué – argumentou Nicole, não estendendo muito a conversa.
– O meu nome é Jonah – o garotinho se apresentou, com um sorriso tímido estampado no rosto. Os olhinhos brilhando ao olhar para Nicole, como se tivesse o prazer de ver a mais bela imagem de toda sua vida.
– O meu é Nicole. Mas todo mundo gosta de me chamar de Nikki. Todo mundo que eu conheço bem – ela acrescentou sorrindo. – O meu papai é jogador de baquete, sabia? – disse ela, com o nariz empinado. Realmente muito presunçosa.
– Eu sei – Jonah respondeu sem se importar com a postura dela. – O seu pai é Emmett McCarty. Ele joga pelos Lakers. É o jogador mais caro da liga norte-americana de basquete nos últimos anos. Todo mundo conhece Emmett McCarty. Seja fã ou não.
Nicole sorriu orgulhosa. – O meu papai urso é o melhor – confirmou, passando uma de suas tranças para frente dos ombros.
Emmett apareceu no gramado, segurou a mão de Rosalie e chamou por Nicole.
– Vem filha! Vamos visitar a vovó Elisa agora. Vem Pimenta – o cachorro imediatamente obedeceu ao comando, empurrando a mão de Nicole com a cabeça para que ela fosse junto. Nicole saiu correndo ao encontro do pai, levando a bola de basquete entre as mãos, com Pimenta correndo ao seu lado. Emmett a pegou no colo assim que ela se aproximou.
– Tchau Nicole – Jonah se despediu.
– Tchau menino. Obrigada por pegar a minha bola e devolvê-la pra mim.
Jonah sorriu vendo-a se afastar sendo levada nos braços do pai. A cabeça de Jonah inclinou para o lado enquanto ele os observava se afastar.
Emmett sorriu, beijando o rosto de Nicole. Segurando a filha em um dos braços, e de mãos dadas com a esposa grávida, sendo seguido por Pimenta, Emmett desceu a rua a caminho da casa dos pais.
Na calçada que antecedia o gramado ele colocou Nicole no chão e ela saiu correndo em direção à varanda. Como a porta de entrada estava aberta, Nicole já foi logo entrando e avisando a todos de sua chegada.
– Vovozinha Elisa. Advinha quem chegou?! A Nikki, filha do papai urso com a mamãe Rose – ela cantarolou saltitando.
Rosalie e Emmett sorriram enquanto subiam de mãos dadas os poucos degraus da varanda, devagar. Cientes de que todos já tinham ouvido os gritos de sua filha.
Nicole parou no meio da sala, com um sorriso gigantesco no rosto e os olhinhos brilhado, feito joias preciosas, vendo a família paterna inteira reunida. Nicole jogou a bola de basquete no chão quando a avó Elisa foi ao seu encontro e a pegou no colo.
– Coisa mais linda da vovó – murmurou Elisa, beijando o rostinho da neta. – A vovó estava morrendo de saudades, sabia?! Eu estava pensando: quando será que a Nikki virá visitar a vovó novamente – brincou Elisa. Nicole segurou o rosto da avó e a beijou em ambas as bochechas da mesma forma que Elisa havia feito com ela.
Emmett e Rosalie pararam na soleira da porta, surpresos em ver toda a família reunida; Elisa com a neta no colo. Albert sentado ao lado da filha mais velha, Maria, que estava com o noivo Marcos. Isabella e o marido Edward, Alice e o namorado Jasper, Renesmee e o namorado Jacob.
O casal cumprimentou a todos que estavam na sala. Não demorou muito Nicole era o centro das atenções. Todo mundo queria abraçá-la e beijá-la. Ela passou alguns minutos assim, recebendo beijos e carinho de todos os tios e tias. Pimenta andava pela sala analisando todos, que ele já conhecia, recebendo afagos na cabeça. A barriga de Rosalie foi o próximo alvo dos carinhos, todo mundo queria afagar e até mesmo beijar.
Isabella aproveitou que a família estava inteira reunida e anunciou que estava gravida de dois meses. No minuto seguinte a atenção voltou-se para ela. Todo mundo querendo saber mais detalhes sobre a gravidez. Até mesmo Nicole questionou a tia; se ela tinha comido a tal sementinha igual a sua mamãe tinha comido, só que foi o titio Edward que tinha dado e não o seu papai urso. O que fez todos sorrirem.
– Quando vocês chegaram aqui? – perguntou Emmett para as irmãs que também moravam em Los Angeles, mas ele não sabia que elas estariam ali até o momento que chegou e as encontrou.
– Chegamos ontem à noite – foi Alice quem respondeu.
– E porque não falou para a gente que estavam vindo para cá? Poderíamos ter vindo todos juntos em um voo particular. Teríamos adorado vir com vocês.
– Porque os pais da Rose estavam com vocês. Pensamos que não viriam para cá esse fim de semana – Isabella esclareceu.
– Eles precisaram voltar para Chicago hoje, então aproveitamos e viemos para cá – explicou Emmett. – Nikki estava doida para rever a vovó e o vovô, não era filha?
– Aham. Eu estava com muitas saudades da vovó Elisa e do vovô Albert. Muita mesmo. Porque esses vovozinhos não gostam muito de viajar como os vovozinhos de Chicago. E eu também vou ver o Secret Place da mamãe e do papai urso – gritou feliz, com Pimenta ao seu lado agora.
Maria agarrou Nicole e lhe deu um monte de beijos em seu rostinho. – Bebê linda da titia – acrescentou entre um beijo e outro. – Titia ama tanto essa garotinha loura. Você ama a titia também?
Nicole ficou toda empolgada se esfregando na tia feito um gatinho buscando carinho.
– Amo sim. Amo mesmo – murmurou ela, dengosa. – Amo muito.
– Quem diria que Maria... – começou Alice, mas foi impedida de continuar, levando um cutucão da parte de Isabella.
– Nós vamos levá-la lá antes que fique tarde e os mosquitos se tornem insuportáveis. Não quero que minha bebê fique toda picada – explicou Rosalie. – Há dias que ela fala nessa visita, não é amor? – Nicole afirmou com a cabeça, ainda sentada o colo da tia. – Se despede do pessoal e vem com a mamãe, amor.
– Tchau pessoal. Não fiquem tristes porque eu volto já, já – brincou, sorrindo, ao ficar de pé. – Eu vou ver o Secret Place. Eu vou – ela gargalhou agitada.
– Tchau Nikki – todos responderam. – Até daqui apouco bebê. Aproveite o passeio.
– Vem Pimenta! – Nicole o chamou, no mesmo instante o cachorro estava ao lado dela abanando o rabo, com orelhas atentas, interessado na próxima brincadeira.
– Fique de olho nesses dois Nikki para eles não fazerem bobagens – avisou Alice. Nicole gargalhou, estendendo as mãozinhas para os pais.
De mãos dadas com a filha, com o cachorro correndo na frente, eles caminharam rumo à área arborizada no final da rua. Antes de começar andar pela trilha, Emmett pegou Nicole no colo e segurou a mão da esposa. Pimenta latiu, com a cabeça erguida, vendo os pássaros que voavam de uma árvore para a outra. Rosalie sorriu observando-o enquanto caminhava de mãos dadas com o marido.
– Pega eles Pimenta – gritou Nicole, se agitando nos braços do pai. Tão inquieta que só mesmo Emmett para conseguir segurá-la por muito tempo.
A ponte já não estava tão velha, havia passado por três pequenas reformas nos últimos cinco anos. O Secret Place estava como quando eles o construíram anos atrás. Eles sempre retornavam, desde o pedido de casamento que Emmett fez a Rosalie, mas para Nicole essa era a primeira vez que estava indo. Emmett e Rosalie achavam que ela era muito pequena para levá-la para o meio do mato, e, nos últimos anos, Nicole sempre ficava com a avó Elisa durante essas visitas.
Inicialmente ela teve medo da travessia da ponte, manteve o rostinho escondido no vão do pescoço do pai o tempo inteiro. Emmett sorriu lembrando-se de Rosalie no passado. De como ela teve medo na primeira vez em que esteve ali. De como ela segurou sua mão quando enfim conseguiu ultrapassar seus próprios limites.
Pimenta foi quem chegou primeiro do outro lado, pisando em terra firme. Todo medo que Nicole sentia desapareceu quando, depois de andar um pouco mais, ela avistou a casinha no alto da árvore.
Emmett colocou a filha no chão, e, junto com Rosalie ficou vendo Nicole correr de um lado para o outro, sendo seguida pelo cachorro.
– Eu tenho uma casinha na árvore. Eu tenho uma casinha na árvore. Eu tenho uma casinha na árvore – ela cantarolava e Pimenta latia. – Papai urso foi você que fez essa casinha na árvore? – seus olhinhos azuis brilhavam de tanto entusiasmo a espera da resposta.
– Foi o papai com a ajuda da mamãe, filha – ele explicou ainda de mãos dadas com Rosalie, que lhe afagou o braço.
– Eu posso trazer a foguinho para brincar aqui também?
– Pode meu amor – respondeu Rosalie. – Mas só se a tia Vera deixar. Porque a Phoebe ainda é pequenininha. Quando vocês estiverem de férias a tia Vera vai vir para cá com a gente outra vez. Daí nós podemos trazer a Phoebe para ver a casinha na árvore. O que você acha filha?
– Obá! Acho muito legal – comemorou Nicole, com os bracinhos para cima. Pimenta agora corria ao redor das árvores, vez ou outra latia procurando esquilos.
– Eu quero ir lá em cima, mamãe.
– O papai vai com você porque a mamãe não pode subir lá, amor – avisou Rosalie.
– Por que mamãe? Vem comigo – Nicole insistiu, estendendo a mãozinha para Rosalie. – Vem mamãe.
Alisando a barriga, Rosalie explicou. – Por causa da sua irmãzinha, amor. Mamãe não pode subir. É arriscado.
Já que a mãe não podia subir na árvore ela estendeu a mãozinha para o pai e deixou um aviso.
– Espera a gente voltar mamãe.
– Claro amor. A mamãe não vai a lugar algum sem vocês dois. E sem o Pimenta também – disse ela, vendo o cachorro perseguir um esquilo, latindo, todo empolgado.
Emmett deu um beijinho em Rosalie e foi com a filha ajudá-la subir na árvore usando a escada pregada ao tronco.
Assim que chegou lá em cima, encostada ao parapeito, no beiral da casinha, Nicole gritou:
– Eu estou no alto. E eu estou vendo você mamãe – Rosalie sorriu, olhando para cima. – Eu vou voar – Nicole abriu os bracinhos fingindo levantar voo, feito um anjo.
– Não Nikki! – gritou Rosalie, desesperada. Institivamente seu coração acelerou dentro do peito e o ar lhe faltou aos pulmões.
– Calma, Rose, eu estou segurando ela – gritou Emmett de volta.
Nicole estremeceu e olhou para o pai, assustada com o grito da mãe. Emmett beijou o rostinho dela e sussurrou que estava tudo bem, tentando tranquilizá-la.
– Segura ela, Emmett – exigiu Rosalie ainda em pânico. – Pelo amor de Deus segura o meu bebê.
– Eu estou segurando amor. Calma. Acha que vou deixar minha filha cair daqui de cima?! Não estou doido não, Rose. Nem caduco.
Rosalie passou a mão no rosto e suspirou aliviada. – Desculpe amor. Não faz mais isso Nikki. Assim você mata a mamãe do coração bebê.
– Desculpe mamãe. Eu não queria te assustar.
– Está tudo bem. Vai com o papai ver como a casinha é por dentro. Segura na mão dele bebê. Não desgruda do papai, hein.
– Está bem, mamãe.
Nicole buscou a mão do pai, que já a segurava pela cintura. Eles entram juntos na casinha, Emmett precisou se curvar um pouco para passar pela porta. Uma vez dentro da casinha ele mostrou para a filha algumas coisas que mantinham ali, e lhe contou um pouco sobre como a construíram. Lhe contou também sobre o dia em que pediu a mãe dela em casamento. Nicole ouvia a tudo com olhinhos brilhando vez ou outra sorria e beijava o rosto do pai.
Quando eles desceram, Rosalie estava encostada ao tronco grosso da árvore, observando o velho coração esculpido com seus nomes dentro.
– Mamãe você está vendo o que aí? – perguntou Nicole, curiosa, esticando o pescoço tentando ver melhor.
Rosalie mostrou para ela o coração que Emmett tinha feito anos trás, no dia da separação, com seus nomes gravados nele.
– Isso aqui amor. Foi o seu papai quem fez – ela explicou, dedilhando sobre o coração sentindo a textura da grossa casca da árvore.
– Papai urso me pega – Nicole pediu, erguendo os bracinhos. Emmett a pegou no colo e ficou ao lado de Rosalie. Pimenta continuava perseguindo os esquilos, latindo, feliz por estar ali. – É o nome do papai e da mamãe – ela constatou. Embora ainda não soubesse ler muito bem, Nicole reconheceria aqueles nomes em qualquer lugar do mundo. – Põe o meu também papai urso.
Emmett a colou de volta no chão. – O papai iria fazer isso agora mesmo bonequinha – ele esclareceu. – Fica aí com a mamãe que eu vou lá em cima pegar a faquinha e já volto.
Emmett subiu novamente na árvore e entrou na casinha. Nicole ficou cutucando na terra com uma vareta, esperando que ele voltasse. Quando ele voltou com a faquinha de cortar frutas, Nicole logo pulou para o lado dele, interessada em ver como ele usaria o objeto.
Com um sorriso orgulhoso Rosalie assistiu o marido esculpir na árvore, abaixo dos seus nomes, o nome das três filhas: Nicole, Natalie – a filha que eles perderam –, e Valentina a que nasceria em breve. Abaixo dos nomes ele acrescentou; amor eterno.
Uma lágrima escorreu no rosto de Rosalie quando ela viu Emmett escrever o nome de Natalie na árvore. Ele limpou a lágrima no rosto da esposa com o polegar direito em seguida lhe deu um beijo.
Nicole ficou agitada, saltitando, querendo ver de perto. Rosalie a pegou no colo posicionando em seu quadril. Nicole ficou agarrada ao pescoço da mãe olhando os nomes esculpidos no tranco grosso da árvore.
Quando terminou e dispensou a faquinha sobre um galho, Emmett pegou a filha dos braços de Rosalie. Nicole agarrou o pescoço dele da mesma forma que havia agarrado o da mãe. Seu rostinho era a prova viva da felicidade genuína.
– Obrigada amor – agradeceu Rosalie, visivelmente emocionada. – Ficou lindo... – seu lábio tremeu a cada palavra pronunciada, carregada de emoção.
– Não por isso, anjo – respondeu ele, afagando o rosto dela com ternura e amor.
– Eu te amo – confessou Rosalie, o que já não era segredo.
– Eu também te amo – ele assegurou. – Te amo tanto. Meu anjo...
– E eu amo os dois – Nicole anunciou, com um sorriso sapeca. – Amo, amo, amo de montão. Meu papai urso e minha mamãe anjo.
– E nós amamos você, pequena travessa – os dois falaram ao mesmo tempo –, muito, muito. Muito mesmo.
Pimenta chegou perto deles com a cara toda suja de terra e se sentou, os olhando com curiosidade. Sabendo que era parte daquela família também. Emmett sorriu e acrescentou o nome de Pimenta no tronco da árvore seguido da frase; amigo fiel. Nicole gargalhou e Rosalie sorriu antes de beijá-la no rosto.
Emmett se inclinou com a filha nos braços e juntos beijaram a barriga de Rosalie. Quando tornou a ficar de pé normalmente, Emmett a encontrou com lágrimas no rosto. Ele a beijou, um beijo de amor verdadeiro. Nicole passou os bracinhos em volta do pescoço dos dois e ficou sorrindo, satisfeita.
Minutos depois, eles voltavam para perto da família. Depois de passarem novamente pela ponte Nicole foi andando de mãos dadas com os pais. Pimenta ia logo à frente. Vez ou outra Rosalie e Emmett sorriam, cumplices, antes de erguer Nicole no ar. A garotinha gargalhava e o som de seu riso enchia o coração dos pais, apaixonados, de alegria.
Nicole era parte do destino que se cumpria. Era a prova viva de que quando duas pessoas se amam de verdade nem o tempo, nem a distância pode separá-las.
Quando o amor acontece rompeu as barreiras do tempo e provou que o amor verdadeiro é mais forte que tudo.
Acredite no destino...
... Acredite no amor verdadeiro.
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