Quando nem o Tempo
6 Watching the flash backs intertwine
Notas iniciais
14 horas, as meninas ainda não tinham chegado, resolvi ligar pra e Carol:
Ligação, ON
-Alô- Carol atendeu do outro lado da linha-
-Hey bitch, cadê vocês?
-Bitch, desculpe, o trânsito tá HORRÍVEL a gente ainda vai demorar um pouco mais
-hm, ok então, beijos
-Beijunda- ela disse e eu ri
Ligação OF
Joguei o celular no sofá e fui comer alguma coisa, comi uma bolacha boa pra caramba (n/a não botei o nome porque ela estava há dois anos fora do Brasil e essa bolacha é nova, mas só pros curiosos, aquela bolacha recheada da nescau, agora a clássica, é MUITO boa) e depois fiquei na sala zapeando os canais de tevê até ser imersa de uma lembrança, uma lembrança nada boa
Flashback ON
Dentro do taxi eu chorava, mas chorava alto e pra soluçar, o taxista me olhava com dó, eu realmente devia estar horrível,cheguei em casa e não tinha ninguém, fui tomar um banho pra ver em vão se eu conseguia me acalmar, me despi e olhei de perfil para o espelho, minha barrigava estava um pouco grande, virei de frente pro espelho e dei de cara com uma Isabella que não era eu, eu estava morta, meus olhos estavam sem expressão e vermelhos, minha pele estava fria, morta.
Fui pra dentro do box e liguei a água do chuveiro que se misturavam com as lágrimas, lágrimas de uma pessoa que agora estava sozinha, lágrimas de dor e traição, comecei mais uma vez a chorar alto, falando palavras desconexas, era como se Pedro estivesse morrido, a água caía sobre meus ombros como pedaços de ferro de tão pesadas, me deixei escorregar pela parede do banheiro e deitei naquele chão frio em posição fetal chorando cada vez mais, como se facas estivessem sendo enfiadas no meu peito despedaçando meu coração, porque era assim que eu me sentia, despedaçada, meu coração estava em pedaços, eu tinha perdido minha base, meu chão. Fiquei chorando lá por uma hora,chorei pela traição, chorei pelo fato de agora estar com uma criança em meu ventre, chorei por..chorei por tudo, chorei como nunca havia chorado na minha vida. Sai do box, me sentido mais leve e me olhei no espelho mais uma vez, embaixo dos meus olhos haviam olheiras roxas como se eu não tivesse dormido há dias, minha pele estava pálida, meus olhos completamente verdes agora estavam mortos, sem expressão, minha boca estava ressecada e meu rosto inchado, eu estava morta, não apenas pela minha aparência, mas por dentro, eu estava morta porque eu simplesmente não tinha mais coração. Saí do banheiro e fui para o meu closet mas eu acho que foi uma péssima ideia, quando eu entrei as primeiras peças de roupa que haviam eram dele, o vento trouxe seu perfume me fazendo fechar os olhos e só o que eu senti foram mais lágrimas grossas e cheias de dor rolarem pelo meu rosto, e eu nem fazia mais questão de guardá-las, vesti um conjunto de lingerie preto e vesti um blusão e uma calça de moletom, peguei um casaco dele que estava ali e aspirei todo o cheiro, molhando-o com minhas lágrimas e jurando a mim mesmo que seria a ultima vez que sentiria aquele cheiro, me joguei na minha cama de casal enorme e abraçei o casaco contra mim, chorando mais ainda, comecei a sentir meu corpo pedir arrego e deixei que aquele cansaço me dominasse por inteira, me fazendo fechar os olhos e dormir. A partir daquela hora eu estava mais que decidida a esquecê-lo, eu iria seguir em frente, eu iria me reerguer, eu ia levantar do chão e começar tudo de novo sozinha. Naquela noite quando acordei, meus pais e meu irmão já haviam chegado e eu os contei o que tinha acontecido, meu pai prontamente disse que iria abrir um estúdio em Londres, e eu seria a representante das nossas empresas lá, não pensei duas vezes antes de aceitar, não me importei se eu ia desistir de fazer moda aqui no Brasil, ir pra Londres seria uma ótima pedida pra eu começar do zero, eu e essa criança, que eu iria amar com todas as minhas forças. Desde aquele dia, não falei mais com as meninas, não queria despedidas, apenas deixei uma carta para cada uma, explicando meus motivos -não todos-, eu fui embora com minha mãe primeiro, pra organizar as coisas. Fui pra Londres sem olhar pra trás, certa do que estava fazendo.
Fale com o autor