Quando nem o Tempo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1-
“Não Pedro Gabriel, você não entende mesmo né? Eu vi você aos beijos e trocando carícias no sofá com a Giovanna, vai dizer que foi loucura minha? –Eu gritava enquanto Pedro me olhava assustado, de repente uma criaturinha pequena, de uns 2 anos, com olhos esverdeados e cabelos macios e negros apareceu e pulou no colo de Pedro Gabriel que começou a correr e a caiu num buraco fundo...”
Acordei assustada com os gritos de Manuella no quarto e corri para vê-la, estava apenas com fome. Ah, desculpe a indelicadeza, sou Isabella Falcon e tenho 20 anos, sou fotógrafa e possuo um estúdio de grande importância aqui em Londres; Manuella Falcon é minha filha, de quase dois anos, devem estar se perguntando, “ela não tem namorado?” eu lhes responderei: Não, Manu não sabe quem é o pai e se depender de mim jamais saberá, se eu sei quem é o pai dela? Sim, logicamente, e aliás vocês também devem saber quem é, é Pedro Gabriel Lanza Reis, ou Pe Lanza como preferir. Curiosos para saber o que houve? Bem irei lhes contar muito brevemente.
Flashback – Dezembro de 2008
Namorava Pedro Gabriel há dois anos e estávamos felizes, a banda dele fazia sucesso e eu estava na faculdade de moda e ainda tomava conta dos grandes e renomados estúdios de fotografia Falcon. Há um mês estava me sentindo mal, enjôos, tonturas, fome zero e nada de menstruação, fui ao médico e a bomba: Estava grávida de Pedro Gabriel. E agora o que iria fazer? Meus pais iriam me matar, qual seria a reação de Pedro? Eu não esperava uma reação negativa porque ele dizia que o sonho dele era ter filhos comigo.
Contei primeiro para meus pais, que pra minha surpresa não esboçaram nenhuma reação negativa em relação a minha gravidez precoce, sabia que poderia contar com eles. No outro dia levantei decidida a contar pra Pedro da gravidez, ele me entenderia e me apoiaria, com certeza. Cheguei ao apartamento que ele dividia com a irmã, Michelle, e o porteiro me deixou subir, quando cheguei ao andar dele, a porta estava estranhamente aberta, achei curioso e resolvi entrar, pior erro de minha vida, Pedro Gabriel estava em cima de uma garota aos beijos, pareciam.... apaixonados, só o que consegui fazer foi soltar um grito e sair correndo, ouvi ele me chamar algumas vezes, mas não dei atenção, apenas corri e chorei, até não ter mais forças e chamar um táxi pra voltar pra casa. Depois desse dia, decidi que iria morar em Londres, sozinha mesmo e também prometi a mim mesmo de NUNCA contar a Pedro da pequena Manu.
End Flashback
Levantei, dei de mamar pra minha pequena, dei um banho e a vesti, uma coisa eu agradeço e muito a Pedro, ele me deu um motivo pra sorrir. Terminei de arrumá-la e desci para deixar ela com a empregada enquanto me arrumava. Hoje eu passar na casa da minha mãe pra deixar ela mimar a Manu um pouquinho.
Entrei no banho e relaxei, mentira, eu não relaxei fiquei pensando em porque diabos eu tinha sonhado com Pedro de novo, sim, há dois anos eu ando tendo sonhos freqüentes com ele. Sai do banho, me arrumei, passei um make de leve desci, encontrando Manu sentadinha no sofá quietinha deixando Joan dar a ela o que comer.
-Joan, hoje levarei Manu pra casa dos meus pais, então apenas arrume a casa e vá embora- eu disse
-Tudo bem Bella, queria mesmo pedi o dia de folga hoje pra cuidar do meu pai.-ela disse sem desviar os olhos de Manu que comia e assistia um programa infantil.
Fui na cozinha e meu café estava posto na mesa, tomei um copo de suco de laranja e duas torradas, e voltei pra sala, onde Manu estava pulando no sofá,
-Manu para de pular,- Joan dizia enquanto tentava pegar minha pequena sem sucesso,
-Manuella Falcon de Andrade, para já – eu disse em tom autoritário e ela parou
-dirculpa mamai-ela disse com uma carinha fofa, e eu dei um beijo em sua testa, pegando-a no colo e me despedindo de Joan, coloquei Manu na cadeirinha no banco de trás e lhe apertei o nariz enquanto ela ria, não pude deixar de ver como seus olhos eram de um castanho esverdeado intenso, igualzinho aos do pai, na verdade tudo em Manuella lembrava o pai, o cabelo preto e macio, o sorriso intenso perfeitamente lindo. Segui pro banco da frente pra dirigir e liguei o rádio, estava passando uma música do Muse e quando acabou o locutor disse:
“And now, a Brazilian band called ‘Restart’”
(E agora ouçam uma banda brasileira chamada ‘Restart’)
Pronto, gelei, eu ouviria a voz de Pedro depois de tanto tempo? Eu queria mudar a estação e poupar-me daquela situação, mas algo me impediu, algo dentro de mim, pediu para que eu ouvisse a música, a introdução tocou e senti meu coração pular, Pedro Lucas começou cantando uma música lenta, nada parecido com o que eu tinha ouvido deles
“Mesmo de longe eu queria te fazer,
Sentir tudo o que eu sinto por você,
Às vezes queria poder te ter,
Às vezes me sinto invisível pra você,
E eu vou voar pra algum lugar com você, com você
Pra te encontrar, te dizer...
Te ter aqui, faz parte do meu jogo,
Me faz feliz, poder te ver de novo,
Vou te mostrar,que falta muito pouco,
Pra eu olhar no teu olho e dizer: amo você...
Todo, o meu mundo gira em torno de
Achar maneiras para te fazer sorrir,
Nem a distância e o medo de perder,
Nada vai me fazer te esquecer,
Eu vou voar, pra algum lugar com você, com você
Pra te encontrar, te dizer
Nessa hora eu realmente gelei, a voz do Pedro, estava tão diferente da voz que eu deixei no Brasil dois anos atrás, estava tão madura, mas desenvolvida
Te ter aqui faz parte do meu jogo
Me faz feliz poder te ver de novo
Vou te mostrar que falta muito pouco
Pra eu olhar no teu olho e dizer: amo você
E se o mundo um dia te virar as costas,
Lembra que eu sou feliz só por você existir, só por estar aqui
E se algum dia me ver longe demais,
Pensa em tudo que eu sou capaz pra te ver sorrir, te ver sorrir,
Te ter aqui faz parte do meu jogo,
Me faz feliz poder te ver de novo,
Vou te mostrar que falta muito pouco,
Pra eu olhar no teu olho e dizer,
Te ter aqui faz parte do meu jogo,
Me faz feliz poder te ver de novo,
Vou te mostrar que falta muito pouco,
Pra eu olhar no teu olho e dizer: amo você
Amo você...”
Puta que pariu os elefantes africanos, que música linda! Certamente Lucas ajudou a escrevê-la, sentia tanta falta dos meninos, quer dizer, menos do Pedro Gabriel, eu fui embora sem me despedir deles, ninguém sabia da minha gravidez, nem minhas melhores amigas, eu pretendia morar aqui pra sempre, então não tem porque contar a eles de Manu. Dirigi uns 20 minutos até chegar a casa dos meus pais, falei com eles e deixei Manu lá, e segui pro trabalho, no meio do caminho recebi uma ligação do meu pai, queria que fosse pra lá quando saísse do trabalho, bom, eu ira de qualquer jeito, tinha que pegar minha pequena lá.
O dia passou tranqüilo e se resumiu em ‘books, books, book’s, bandas, bandas e dinheiro’, terminei o expediente no meu estúdio e segui pra casa dos meu pais, porque algo dentro de mim me dizia que aquela conversa seria pertubadora?
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