8 ANOS DEPOIS


Eu estava indo para o restaurante, depois de mais um dia no escritório. Devo confessar que depois que eu e o Lucas viramos sócios da construtora, o trabalho ficou ainda mais árduo, mas não tenho do que reclamar.

Estou na melhor fase da minha vida.

Meu celular começa a tocar assim que manobro para sair do prédio. Atendo pelo volante do carro.

- Acabei de sair daí, como já está me ligando?

- Dominic, pelo amor de Deus, há 20 anos eu falo a mesma coisa para você. ATENDE O CELULAR COMO UMA PESSOA NORMAL.

Eu comecei a rir. Fazia isso só para irritar o Lucas.

- Estou brincando, mas me diz, o que aconteceu?

- Lígia disse que é para você ir direto para o hospital. Ela está lá com a Elô e parece... – ele ficou uns minutos em silencio. – Que a bolsa estourou.

Quase bati o carro agora.

- COMO É QUE É?

- Cara, não surta. Vai direto para o hospital que tem perto do restaurante da sua esposa, mas não acelera esse carro. Senão invés de ajuda-la no parto você vai se tornar paciente. Não quero que meus afilhados cresçam sem pai. Vou finalizar aqui e estou voando para lá.

Minha mente estava a milhão. Desliguei a ligação e voei para o hospital. Nem via se estava passando sinal vermelho ou não, eu só queria estar perto dela.

Nesses 8 anos, eu e a Elô nos casamos. Decidimos continuar aqui em Curitiba já que ela se apaixonou pela cidade.

Desde quando nos reencontramos, não nos desgrudamos mais. A família dela, quando soube que estávamos juntos nos apoiaram bastante. Tudo bem que meu sogro quis me decapitar por estar com a filhinha dele, mas Esdras conseguiu convencê-lo de que eu realmente a amava e que jamais machucaria sua filha. Meus pais também apoiaram a gente e nem preciso dizer que minha mãe só faltou soltar fogos de artifícios de tanta felicidade. Gabriela e Esdras resolveram se mudar também aqui para Curitiba já que Esdras recebeu uma proposta de emprego de um escritório de advocacia bem renomado daqui.

Esses anos que se passaram foram cheios de surpresas. Eloísa se formou, abriu seu próprio restaurante que fazia muito sucesso e eu não poderia estar mais orgulhoso dela. Nos casamos depois de dois anos morando juntos. Elô tinha apenas 20 anos.

Tínhamos decidido que precisávamos nos estabelecer primeiro. Ela no restaurante e eu como novo sócio da construtora... tudo estava maravilhoso. Então, quando a Elô completou 24 anos, conversamos e decidimos que queríamos muito ter um filho. Na verdade, eu era completamente apaixonado por ela e se ela quisesse um filho, eu também iria querer. Eu queria tudo com essa mulher.

Tentamos por um tempo e todas as vezes que os testes davam negativo, Elô chorava. Foram tempos bem complicados, até que no nosso aniversário de casamento, minha linda esposa me presenteou com um macacãozinho amarelo que dizia: “Se prepara, papai. Eu estou chegando.”. Não consigo descrever a felicidade que eu senti. O amor que eu sentia por aquela mulher estava naquele momento se formando no ventre dela e logo estaria nos nossos braços. O susto só não foi maior de quando descobrimos que seriam gêmeos. Acredita nisso? Gêmeos. Um casalzinho.

Cheguei no estacionamento do hospital deixando o carro de qualquer jeito quase na entrada e corri para dentro.

- Por favor. – falei com a enfermeira que estava passando ali na hora. – Minha esposa deu entrada aqui em trabalho de parto.

A enfermeira me olhou com compaixão.

- Oh, querido. Vai até aquele balcão e dê o nome de sua esposa. Ela vai te informar o quarto... tudo bem?

Agradeci e fui.

- Eloísa Kepler Miller.

A garota da recepção me olhou como se eu fosse maluco.

- Desculpe?

Bufei.

- Moça, pelo amor de Deus. Minha esposa. Eloísa Kepler Miller.

Ela assentiu.

- Que bom. – disse sem entender.

Ela ta tirando com a minha cara?

- E então? – perguntei impaciente.

- Moço, não estou entendendo.

- DOMINIC.

Olho para Lígia e suspiro aliviado e vou até ela, deixando aquela mulher para trás. Que tipo de atendimento tem os hospitais. Pelo amor de Deus.

- Onde ela está? Meus filhos já nasceram?

Lígia me segurou pelos ombros.

- Calma, homem. Você vai acabar caindo duro. – tentei fazer o que ela sugeriu. – A Elô está se preparando. Logo irão te chamar para entrar com ela.

Assenti. Ainda sentindo meu coração acelerado e minhas mãos suando. Nem quando me casei com a Elô eu fiquei assim.

- Onde está o Lucas? – perguntou Lígia.

Lucas e Lígia se casaram há dois anos. Depois de ele muito insistir, eles acabaram juntos e minha querida secretária esqueceu do episódio que aconteceu entre eles e a ruiva do RH.

- Está finalizando um projeto, mas disse que estaria aqui logo. – começo a caminhar de um lado para o outro. – Como aconteceu?

- Estávamos saindo do restaurante quando a Elô reclamou de umas pontadas embaixo da barriga e do nada o liquido saiu dela. Eu entrei em pânico, devo confessar.

Eu ri de nervoso.

- Meus filhos vão nascer. – disse meio bobo. – Mas ela está bem? – olhei para Lígia.

- Está com um sorriso radiante. Não sei como ela consegue. Em um seguindo ela está com um mega sorriso, aí vem a contração e ela faz uma cara de dor que até eu tenho medo de engravidar, mas aí do nada ela da aquele sorriso radiante de novo. Sério. Sua esposa está me traumatizando com esse lance de parto.

- Parentes de Eloísa Miller?

Olhei para o médico e me apressei a ficar de frente para ele.

- Sou o marido dela.

- Venha comigo. Vamos prepara-lo para entrar na sala de parto.

Segui o médico, sentindo minha pulsação acelerar.


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Depois do que pareceu uma eternidade naquela sala e vendo minha esposa se contorcer de dor, nós ouvimos o choro do nosso menino e depois de três minutos nossa garotinha nasceu.

Benjamin e Rafaella Kepler Miller.

Estávamos no quarto e eu olhava minha linda esposa amamentando nossa menina enquanto eu segurava Ben nos braços.

- Eles são tão lindos, não são? – a voz da Elô era de devoção. E eu sei exatamente como ela se sente. Porque para mim, esses três são as coisas mais importantes da minha vida.

Eu estava sentado na poltrona ao lado da cama dela.

- São perfeitos, amor.

Elô me olhou com devoção. Um olhar que era pura felicidade, assim como o meu para ela. Aquela mulher era tudo pra mim. Era minha vida. Eu a amava mais do que amava a mim mesmo e ela me deu meus dois maiores presentes. Meus lindos filhos.

Benjamin era exatamente como o menino que sonhei um dia. Cabelos pretos e olhos de um verde tão intenso que eu jamais tinha visto e Rafaella era exatamente igual ao irmão. Os dois eram idênticos, ainda bem que nasceram de sexo oposto, senão eu certamente confundiria os dois.

- Obrigada, meu amor.

Ergo meus olhos para o amor da minha vida.

- Obrigado pelo que?

- Por ter me dado tudo o que eu sempre sonhei.

Sorri e me levantei, tomando todo o cuidado do mundo com meu pequeno em meus braços e beijei os lábios do amor da minha vida.

- Eu que tenho que te agradecer, por ter entrado na minha vida e por me fazer o homem mais feliz do mundo. Eu te amo mais do que tudo nesse mundo. Você e nossos pequenos. Prometo continuar te fazendo feliz.

Elô me deu aquele sorriso que aparecia sua linda covinha.

- Você me faz feliz desde o dia em que coloquei meus olhos em você.

Eu não poderia pedir mais nada.

Há anos atrás eu tinha ido para minha cidade natal apenas para passar as férias, mas isso mudou completamente a minha vida. Encontrei o meu grande amor e posso dizer que eu não poderia ser mais feliz... com minha linda esposa e meus dois filhos lindos.





FIM


Notas finais
Então é isso, galera... Muuuito obrigada a vocês que acompanharam até aqui e por vocês que comentaram. Fiquei muuuuuito feliz. até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!