Quando menos esperamos
31 CAPÍTULO 31
Pisquei algumas vezes em choque.
- Gabriela, o que está fazendo aqui, garota? – perguntei a puxando para dentro do apartamento ainda sem acreditar.
- Vim te visitar. – disse largando a pequena mala na entrada e passando os braços por minha cintura. – Eu perguntei se podia.
Retribui o abraço e a encarei.
- Eu pensei que estava em Caraguá. – minha irmã era muito maluca.
- Já estava na sua porta. Se eu falasse sobre o bebê e você surtasse eu iria para um hotel, mas como você levou numa boa, resolvi apertar a campainha. – foi entrando e olhando tudo em volta. – Onde fica a cozinha? Estou morrendo de fome.
Eu ainda não conseguia acreditar que minha irmã estava na minha casa. Sorri e a abracei de novo.
- Menina, que saudade que eu estava de você. Que horas chegou?
- Não faz muito tempo. Cheguei e já vim para cá. Mamãe me deu seu endereço.
A soltei e levei sua mala para o quarto de hospedes com ela atrás de mim.
- Mamãe sabe que está aqui? – coloquei a mala no canto do quarto e me virei para ela. – Esdras sabe que está aqui? – ergui uma sobrancelha.
Gabi deu de ombros.
- Avisei ele quando cheguei no aeroporto daqui.
Balancei a cabeça indignado.
- Gabriela, você não tem jeito. Como você faz uma coisa dessas?
- Nick, estou grávida, cansada e com fome... – desconversou. – Pode nos alimentar, por favor, antes de soltar seus sermões?
Revirei os olhos. Minha irmã quando queria era bem cabeça dura.
- Vem, dragãozinho. Vamos matar o que está te matando.
Levei um tapa no braço.
- Dragão é a senhora sua mãe.
Eu ri.
- Deixa só a dona Clara ouvir isso.
Fui a guiando para a cozinha.
- Não fiz compra ainda, então vamos ter que pedir uma pizza... O que acha?
- Excelente. – disse empolgada. – Você tem alface e mostarda?
A olhei confuso com a pergunta.
- Tenho, por que?
- Estou com desejo de pizza com alface e mostarda. – os olhos dela até brilharam com esse desejo esquisito.
Fiz uma careta.
- Eca, Gabriela. Você vai passar mal.
- Não me olha assim. É desejo da sua sobrinha.
Peguei meu celular e pedi a pizza de atum com mozzarella que era a preferida da minha irmã.
- Sobrinha? – a olhei. – Acha que vai ser uma menina?
Ela balançou a cabeça negando.
- Não acho, tenho absoluta certeza.
Eu ri e finalizei o pedido.
- Chega daqui á 45 minutos.
Seus olhos encheram-se de lágrimas.
- Tudo isso? – e caíram algumas lágrimas. – É muito tempo, Nick.... Estou com fome.
Eu segurei a risada. Não conseguia lidar direito com essa Gabriela que estava toda emotiva na minha frente.
- Meu Deus... É o tempo que demora mesmo, Gabi.
Ela enxugou as lágrimas e já deu um sorriso, como se nunca tivesse chorado.
- Tudo bem, vamos matar a saudade, maninho. – pegou minha mão e me levou para o sofá.
Que troca rápida de humor. Tenho pena do Esdras nos próximos meses.
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Eu e minha irmã conversamos sobre tudo. Ela me contou que estava muito insegura depois que descobriu da gravidez e por isso estava surtando com Esdras. A aconselhei para que conversasse com ele e que dissesse logo sobre a gravidez, porque eu já estava maluco com as mudanças de humor dela. E olha que ela só está aqui há alguns minutos.
Acredita que ela chorou porque a pizza veio cortada? PORQUE A PIZZA VEIO DIVIDIDA, como sempre vem. Dividida em 8 partes iguais e ela chorou porque ela queria que algumas tivessem vindo maiores que outras.
Se um dia eu tivesse um filho com a Elô, eu espero que ela não seja surtada assim.
- Nick... Estou com sono. Vou descansar. Amanhã a gente se fala ta? – minha irmã me deu um beijo no rosto e foi para o quarto.
Suspirei e peguei meu celular que marcava 00:30.
Disquei o número e aguardei. Não demorou muito e ouvi uma voz afobada e desesperada do outro lado da linha.
- Dominic, ela está aí? Ela chegou? A Gabriela saiu daqui e eu nem vi. Eu estava trabalhando. Quando abri o guarda-roupas estava sem uma parte das roupas dela e quando ligo para sua irmã, ela me diz que estava no aeroporto daí... – Esdras disparou tudo de uma vez.
- Esdras... Respira. Calma. – falei o cortando. – A Gabi está aqui e está bem. Não se preocupe. Ela me disse que vai ficar apenas dois dias. – tentei acalma-lo e parece que funcionou, porque ouvi um suspiro de alívio do outro lado. – Tenta ficar calmo.
Ouvi sua respiração se normalizar.
- A Gabi anda muito inconstante. – confessou. – Não sei o que está acontecendo com ela. Uma hora está toda carinhosa, outra ela quer me matar só porque pergunto onde está uma camisa que ela tinha tirado do varal. Há dois dias a peguei chorando e quando perguntei qual era o problema ela me disse que tinha matado sem querer uma formiga. Uma formiga, Dominic. – eu segurei a risada. – Não sei mais o que fazer. Não sei o que está acontecendo. Estou perdido.
Minha irmã era bem maluquinha, mas agora está bem pior.
- Ela está estressada. Tenha paciência.
- Mais do que estou tendo? – perguntou incrédulo. – O que eu mais tenho com a sua irmã é paciência.
Peguei a caixa de pizza, o alface e a mostarda que a Gabi tinha misturado e levei para a cozinha. Equilibrando tudo na caixa de pizza.
- Só te liguei mesmo para não ficar preocupado. – disse rindo um pouco. – Amanhã vocês conversam. Ela foi dormir agora.
Esdras suspirou.
- Obrigado por me avisar, Dominic. Vou dormir mais tranquilo agora.
- Boa noite, Esdras.
- Boa noite, Dominic.
Desligamos e eu arrumei tudo antes de apagar as luzes.
Fui para o quarto de hospedes para ver se a Gabi estava coberta, porque hoje estava mesmo frio e constei que estava, fechei a porta e finalmente fui deitar. Hoje o dia foi cansativo e surpreendente.
Antes de dormir, entrei no instagram e fui no da Elô. Sim, eu fico stalkeando ela.
Ela estava tão linda, seu cabelo estava cortado na altura dos ombros em um corte Chanel com bico na frente. Ela estava linda demais. Sempre amei o seu cabelo comprido, mas devo confessar que esse corte curto a deixou incrivelmente sensual.
Suspirei e desliguei o celular. Precisava dormir e se eu ficasse olhando suas fotos, eu sei que não conseguiria pregar meus olhos tão cedo. Deixei o aparelho celular no criado mudo e me cobri, caindo no sono pensando no amor da minha vida.
...
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