Quando menos esperamos
24 CAPÍTULO 24
Quando estávamos somente eu e Esdras na sala, porque as meninas subiram para se trocar para que pudéssemos sair, ele começou a falar.
- Dominic... Queria te agradecer. – disse olhando em meus olhos. – Fazia muito tempo que não via minha irmã feliz assim. Muito tempo desde que eu tinha visto aquele brilho de novo nos olhos dela. – e sorriu. – É muito bom tê-la de volta e eu sei que isso é por sua causa.
Eu não sabia muito bem o que dizer... porque ele diz que eu trouxe a felicidade de volta para ela, mas a verdade é que ela que me trouxe a felicidade. Uma felicidade que eu jamais imaginei sentir e que nem pensei que precisasse.
Ainda preso em meu devaneio, Esdras continuou.
- Não vou dizer que não fiquei surpreso. Fiquei sim, mas sei que você é um cara legal, de boa família e que não machucaria minha irmã, porque vejo a maneira com a qual você a olha. – Ele desviou o olhar para a escada que dava acesso ao andar superior e voltou a olhar para mim. – É a mesma maneira que eu olho para a Gabi. E se você sente pela minha irmã o mesmo que eu sinto pela sua, eu fico muito mais tranquilo e satisfeito.
Respirei fundo.
- Esdras... Vou ser sincero com você... – comecei já pensando no que dizer. – No começo, quando eu a vi... – disse me referindo a Elô. – Não sei te explicar o que foi que aconteceu. Eu me vi preso a ela. Eu amei a sua irmã antes mesmo de conhecê-la. – ele me olhou meio confuso. Já que eu estava falando a verdade... vou contá-la toda. – Acreditaria se eu dissesse que quando estava no avião vindo para cá, eu sonhei com ela?
Pude ver surpresa em seu rosto.
- Pois é. – disse com um sorriso sem humor. – Não sabia quem era, só sabia que ali era o meu lugar. Ao lado dela. – falei me lembrando da sensação que senti. – E quando cheguei aqui e a vi... primeiro foi um choque para mim. Eu não imaginava que aquela mulher existisse... – sorri. – Depois eu senti que finalmente meu mundo tinha se completado no segundo em que meus olhos pousaram nela. – olhei para meu cunhado. – Eu não só amo sua irmã como ela se tornou o centro do meu mundo.
Isso era exatamente o que a Eloísa tinha se tornado para mim. O centro de todo o meu mundo. Não conseguiria mais ficar sem ela e eu sabia disso. Eu sabia que estava totalmente rendido a ela. E dadas as circunstâncias, isso não era bom.
- Nossa... – Esdras disse depois de um tempo. – Você ama a Elô de verdade.
- Amo.
Nessa hora as duas voltaram e a Elô sentou ao meu lado, repousando sua mão em minha coxa, eu passei meu braço por seu ombro e beijei seu cabelo.
- O que estavam falando? – perguntou a enxerida da minha irmã.
- Coisas de homens. – respondi por fim.
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Estávamos entrando em um barzinho que Esdras conhecia no início de Ubatuba e já fomos atrás de uma mesa.
- Eu amo Karaokê. – disse Gabriela com um sorriso enorme.
Realmente minha irmã não perdia oportunidade de soltar a voz sempre que fosse possível, realmente ela tinha uma voz linda.
- Eu sei, amor. Por isso queria trazer vocês aqui. – Esdras deu um beijo nela e nos sentamos em uma mesa perto da janela, onde podíamos ver a escuridão do mar.
- E você? – Elô me olhou. – Gosta de Karaokê como a Gabi ou prefere ficar quietinho?
Balancei a cabeça sorrindo com meus dedos ainda entrelaçados nos dela.
- Ah, não. Essa parte do exibicionismo eu deixo com minha irmã.
- Mas você tem uma voz tão linda.
- O Nick cantou para você? – Gabriela perguntou incrédula. Minha irmã sabia que eu não gostava muito de cantar, fazia isso antes, quando era pequeno e meus pais me colocavam para cantar na igreja.
- Sim. – a morena ao meu lado disse confusa. – Por quê?
- Ele não conta mais na frente de ninguém. Eu mesma só o vi cantar uma vez no meu aniversário de seis anos.
Revirei meus olhos.
- Não é para tanto, Gabi. – resmunguei.
- Você está mudando meu irmão, Elô. E eu estou adorando isso.
Pude ver as bochechas da Eloísa ficar vermelha. Levei sua mão, que estava entrelaçada na minha, até meus lábios e a beijei. Em seguida me inclinei até que meus lábios estivessem perto do seu ouvido.
- Ignora ela. – sussurrei vendo-a se arrepiar.
Seu sorriso ao me olhar era o mais lindo que eu já tinha visto na vida. Ela depositou um beijo em meus lábios e eu me esforcei ao máximo para não agarrá-la ali mesmo.
- Tudo bem, casal. – disse minha linda irmã, nos fazendo olhar para ela. – Estão me dando diabetes.
Esdras riu.
- Vamos fazer os pedidos.
Eu e Esdras pedimos uma cerveja e Gabi e Elô resolveram ficar com refrigerante.
Estávamos conversando e pela primeira vez na vida, me vi completo. Eu estava realmente feliz, como nunca estive antes.
Quando eu ia imaginar que iria me apaixonar perdidamente por alguém e que esse alguém fosse uma menina mulher.
Então a frase que Lucas me disse ecoa na minha cabeça.
Você ainda vai se apaixonar nessa viagem. Escuta o que eu estou te dizendo.
Bastardo filho da mãe. Não poderia estar mais certo.
...
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