Quando menos esperamos
19 CAPÍTULO 19
Notas iniciais
Lígia suspirou.
- Eu acho que você enlouqueceu, mas... quando a gente se apaixona de verdade e começa a amar, nós cometemos loucuras mesmo. – riu. – Se ela gosta de você e quer estar com você, então que assim seja. Se vocês estão felizes é o que deveria importar.
Do jeito que ela fala parece até que é tudo simples assim.
- Obrigado. – agradeci sincero. Entrando pelo portão.
- Pelo quê?
- Por não me julgar.
Lígia era incrível.
- Vou estar sempre do seu lado. Mesmo que eu tenha perdido para sempre o meu querido amigo com benefícios.
Dessa vez eu ri de verdade.
- Olha, eu tenho certeza que o Lucas adoraria esse cargo. – falei mais para implicar com ela, porque eu sabia que Lígia e Lucas só faltavam se matar.
Vi minha irmã entrar na cozinha e sorrir para mim.
- Está maluco? Prefiro virar freira, muito obrigada.
- Finjo que acredito. – disse por fim. – Qualquer coisa eu estou aqui. É só ligar, Lígia.
- Pode deixar, chefe. E boa sorte. Vou querer conhecê-la. – disse e desligou.
Ainda estava sorrindo quando finalizei a ligação.
- Estava falando com quem? – perguntou minha irmã curiosa.
A olhei e arqueei uma sobrancelha.
- Por que a curiosidade? – devolvi a pergunta.
Deu de ombros.
- Achei você muito cheio de sorrisos no telefone.
- Era a Lígia. – disse simplesmente encostando na bancada, só pra ver até onde iam as perguntas. Ela estava sondando. Pude perceber. Conhecia bem minha irmã.
Gabriela revirou os olhos e cruzou os braços.
- Isso eu ouvi.
- Então não entendi a pergunta.
- Quem é essa Lígia?
Minha irmã estava com ciúmes. Com essa eu tive que rir.
- É minha secretária, sua ciumenta. – disse indo até ela e beijando seu cabelo.
- Hum... – resmungou e abraçou minha cintura. – Ainda não desisti de você e da Elô. – ela falou com naturalidade.
Eu gelei. Sabe quando você faz alguma coisa escondido, sabe que é errado e faz mesmo assim e quando alguém está desconfiado você sente aquele friozinho na barriga?! Então, era essa sensação que eu estava.
- Gabriela, não começa. – disse a soltando e indo em direção a sala de estar.
A verdade é que eu me afastei de Gabi para que ela não visse meu rosto. Eu sabia que ia acabar cometendo um deslize. Só de falar no nome da Eloísa eu já sentia vontade de sorrir.
- O que foi? – disse me seguindo. – Vi como vocês se aproximaram nessas duas semanas. Qual o problema? Ela não namora mais, graças a Deus. – acrescentou. – Você nunca namora, mas vi que ela te faz bem. – chegamos ao sofá e eu me sentei nele vendo a Gabi sentar à minha frente na poltrona. – Eu sei que você não é indiferente a ela.
Não pude debater quanto a isso. Não poderia mentir para minha irmã. Ela me conhecia bem o bastante para saber quando eu estava mentindo.
- Gabri...
- Olha Nick... – ela me cortou. – Você acha que consegue disfarçar, a Elô também acha que não está dando bandeira, mas o jeito como vocês dois se olham... – minha irmã sabia. Nesse momento eu tive a certeza disso. – Eu não sei porque vocês estão escondendo isso que vocês sentem de todo mundo. Não tem nada de errado nisso.
A olhei indignado.
- Como não, Gabi? – perguntei incrédulo. – Você sabe que o pai dela jamais aceitaria um homem de 36 anos se envolver a filha de 16. Eles discutiram feio quando a Elô terminou o namoro com o Henrique.
Vi o rosto da minha irmã se iluminar. E foi nessa hora que eu percebi que minha linda irmãzinha tinha jogado verde para cima de mim e eu caí.
- EU SABIA. – Gabi gritou. – EU SABIA. EU SABIA. EU SABIA.
Peguei as mãos da minha irmã que tinha se levantado e começado a pular.
- Gabriela, pelo amor de Deus, se controla. – a fiz se sentar e já me arrependendo de ter falado com ela.
Gabi me sondou de tal maneira que ela conseguiu arrancar de mim que eu sinto algo pela Elô. Só não sabe que estamos nos envolvendo, mas do jeito que ela está determinada em nos juntar, não duvido nada que descubra logo.
- Eu sabia que vocês estavam se gostando. – disse com um sorriso que eu pensei por um segundo que ia rasgar o rosto dela. – Eu estou tão feliz Nick, você nem tem noção.
Suspirei e recostei no sofá.
- Feliz?
- Sim. – disse ainda sorrindo. E realmente via a felicidade no rosto dela. – Esdras também desconfiava por causa dos olhares de vocês.
Me mexi desconfortável. Eu pensei que estava disfarçando bem.
- Que olhar?
Gabi deu um meio sorriso zombeteiro.
- Esse olhar de “te dou o mundo se você me pedir. ”
Com essa eu ri. Foi exatamente o que eu disse a ela quando me perguntou o que eu achava do Esdras.
- Não exagera, Gabi. – eu sei que eu olhava assim para a Elô, mas ela... Acho que não.... Será?
- Não estou exagerando. Nunca te vi olhar assim para ninguém.
- O que eu sinto por ela eu nunca senti por ninguém. – confessei mais pra mim mesmo, por um segundo esqueci que minha irmã estava ali.
Gabi sorriu.
- E o que sente por ela.
Só então que percebi que eu disse isso alto. A verdade era que eu estava pensando alto, não consegui controlar minha boca.
Suspirei. Gabriela já sabia mesmo que eu sentia algo pela Elô.
- Eu... – pensei se deveria ou não contar. Ainda não falei em voz alta. Ainda não parece real, mas eu percebi que nunca poderia mentir com relação ao que eu sentia pela Eloísa.
- Você...? – insistiu Gabi.
- Eu me apaixonei por ela. – falei de uma vez.
Eu não conseguia olhar para Gabi. Eu olhava para minhas mãos que estavam sobre meu colo. Passaram alguns segundos e minha irmã não falava nada, resolvi erguer a cabeça para ver se ela estava bem e a encontrei com a boca escancarada.
- Gabi? – chamei mais pra ter certeza de que ela estava viva. Estava ficando nervoso com essa paralisia dela.
- Você... eu... Espera. – ela balançou a cabeça e me olhou. – Repete.
Eu me remexi desconfortável.
- Você já ouviu, Gabriela.
- Quero ouvir de novo, só para ter certeza de que eu ouvi bem.
Respirei fundo.
- Eu me apaixonei pela Eloísa. Satisfeita?
- Muito. – Gabriela respondeu com um sorriso presunçoso e não estava me olhando, estava olhando para atrás de mim.
...
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