Tínhamos acabado de parar o carro no estacionamento que levaria para o mirante. Pois é, como já era 19 horas, achamos melhor não irmos à praia. Não era bom fazer trilha de noite, principalmente com alguém como a Gabi junto.

- Quando fui embora isso não existia. – comentei enquanto ia caminhando e olhando para a paisagem do mar e da cidade com Eloísa ao meu lado. Já que minha irmã e Esdras foram para um canto afastado para namorar. – É lindo. – parei na grade de proteção apoiando os braços na mesma.

Vi Elô parar ao meu lado na mesma posição que eu.

- Fizeram não faz muito tempo. – respondeu encarando o mar escuro. – É realmente lindo.

Ficamos em silencio por alguns instantes. Olhei para o lado e vi, de longe, minha irmã e Esdras abraçados e conversando.

- Aqui por acaso é um daqueles lugares que os casais vão para namorar? – perguntei já sabendo a resposta, porque o que mais tinha ali era casal.

Ela riu e assentiu.

- É mais ou menos por aí.

- Ótimo. – resmunguei. Eu estou em um lugar de casal, com a mulher que eu estou apaixonado e sequer posso beijá-la. Que sorte a minha né.

Eloísa se virou de lado para me olhar e apoiou apenas um braço na grade.

- Você é tão avesso assim a relacionamentos? – perguntou de repente.

A olhei surpreso.

- Ai... – fiz uma cara fingida de dor. – O que minha irmã anda falando de mim por aí?

Ouvir a risada da Eloísa é algo que eu queria para o resto da vida.

- Só que se você precisasse escolher entre um casamento ou correr em direção a uma porta em chamas e que só tivesse uma pequena abertura para passar por ela e se livrar desse compromisso... ela disse que você correria para a abertura da porta em chamas sem nem pensar duas vezes. Só para não casar.

Fiquei indignado com isso. Com uma irmã como a Gabi, quem precisa de inimigos?

- Não é bem assim... – falei meio na defensiva. – Só não tinha me apaixonado por ninguém para que eu desse um passo tão grande quanto um casamento.

- Jura? – perguntou surpresa. – Nunca se apaixonou?

A olhei de lado e pude perceber que ela estava há alguns centímetros de mim. Questão de 20 centímetros e isso me fez ter uma louca vontade de beijar a morena na minha frente.

- Não. – respondi tirando esses pensamentos da minha cabeça. – Quer dizer... – me corrigi e a olhei bem dentro dos olhos. Se é pra falar, vamos dar indiretas então. Vamos ver no que dá. Dependendo do que eu ver vou deixa-la em paz. – Até um tempo atrás. – mantive os olhos nos dela. Eloísa só não precisava saber que esse “até um tempo atrás” seria 24 horas.

Pude ver compreensão passar em seus olhos. Só não sei se ela entendeu tudo.

- Você se apaixonou. – Foi uma afirmação. – E ela sabe?

Aparentemente não.

- Não. – Balancei a cabeça em negação.

- Por que? – Perguntou curiosa.

Dei de ombros.

- É um pouco complicado. – olhei de volta para a paisagem. – Envolve algumas coisas que as pessoas não vão entender. – voltei a olhá-la.

Vi seu cenho franzir na mesma hora.

- E desde quando o que as pessoas pensam deveria interferir nas suas decisões e escolhas? – perguntou descrente. – As consequências das suas decisões só dizem respeito a você e a pessoa que você escolher. – ela desviou os olhos para a paisagem. – Não acho que deveria se prender ao que os outros irão pensar... – e continuou enquanto absorvia suas palavras. – Até porque é você que vai viver um amor.... Não vale a pena perder isso por causa do que os outros irão pensar. Nunca se sabe... – ela me olhou e sorriu. – A pessoa por quem você se apaixonou pode sentir o mesmo por você e ser o grande amor da sua vida.

Meus olhos se fixaram em Eloísa e me perdi ali. Ela tinha razão. As consequências seriam somente minhas, os olhares de indignação seria nada se eu tivesse ao lado dela..., mas não posso me precipitar. Não posso simplesmente me declarar para ela. Primeiro porque eu tenho 20 anos a mais que ela e me apaixonei em apenas um dia; segundo, ela tem um namorado e terceiro... eu moro longe demais, não sei se ela sente o mesmo por mim... por isso preciso ir com calma e sondar. Dependendo do que eu descobrir, eu falo com ela.

- Você parece entender sobre amar alguém. – comecei com a minha sondagem. Vamos ver se eu consigo descobrir alguma coisa sobre esse namoro.

Pude ver o brilho que estava em seus olhos sumir e ela desviar o olhar para um ponto no mar.

Tinha algo muito errado ali.

- Bom... – começou – Eu... – Ela estava decidindo se me contava ou não. Pude ver isso em sua expressão torturada.

Peguei em sua mão que estava perto da minha.

- Olha para mim. – pedi gentilmente.

Levaram alguns segundos, mas assim ela o fez e pude ver uma tristeza bem grande para uma garota tão nova.

- Não precisa contar se não quiser. – comecei. – Mas eu realmente queria te ajudar.... Posso?




...

Notas finais
Gente, o próximo capítulo terá ela contando mais ou menos sobre o relacionamento dela com o Henrique. Não é nada muuuito alarmante, mas contem algumas partes que talvez acabe sendo gatilhos. Então, já deixo de sobreaviso.