Quando menos esperamos
26 CAPÍTULO 26
Os dias foram passando e com eles meu desespero aumentando. Estava muito perto do dia de eu ir embora, na verdade faltavam apenas dois dias.
Eloísa e eu não nos desgrudávamos, não sei como meus pais não notaram nada, porque era impossível eu não me perder em seu rosto, seus olhos, seu sorriso, todas as vezes que ela estava aqui em casa. O que passou a ser todos os dias.
Gabriela via minha angustia e sempre dizia que ia ficar tudo bem, mas eu sabia que não ia ficar. Eu sabia que meu coração não iria comigo, ficaria aqui com a Elô e isso estava me matando.
Eu estava no banho, perdido em pensamentos, quando sinto duas mãos rodeando minha cintura e subindo para meu peito. A segurei ali e dei um beijo na mesma.
- Nem me chamou.
Me virei e sorri para o amor da minha vida que tinha o rostinho amassado por causa do sono.
- Não quis te acordar. – rodeei sua cintura, juntando nossos corpos e colei minha testa na sua.
- Eu não ligo. – disse sorrindo. – Prefiro passar o máximo de tempo possível com você, já que...
- Não. – a calei com um beijo. – Não quero pensar nisso agora. Não agora que tenho você aqui nos meus braços e completamente nua.
Eloísa riu e me olhou.
- Ah é? – disse com divertimento na voz. – E o que quer fazer? – me deu aquele sorriso safado que me desestabiliza completamente.
- Pois eu vou te amostrar.
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Estávamos deitados em minha cama, nus e completamente exaustos depois de termos feito amor três vezes. Eu não me cansava dela e via que a mesma retribuía na mesma intensidade.
- Dominic...
A olhei e a puxei para ficar deitada de frente para mim. Sua perna foi para cima da minha cintura e meu braço ficou embaixo da cabeça dela, fazendo de travesseiro.
- Sim?
- Deixamos para conversar quando estivesse perto da sua partida...
Não gostava desse assunto. Eu sabia que teríamos que falar sobre isso, mas eu não gostava nenhum pouco.
- Eu sei...
Elô se sentou, levando consigo o lençol cobrindo seus seios e eu a segui, ainda ficado de frente para ela.
- Eu te amo. – começou olhando em meus olhos. – E é um sentimento que eu jamais imaginei que pudesse sentir. É algo muito forte é... – pude ver que estava tentando encontrar a palavra certa. – Intenso. E eu sei que não vou amar mais ninguém assim. – Lagrimas começaram a brotar dos seus olhos e isso estava acabando comigo. – Você é o amor da minha vida.
Inclinei meu rosto e a beijei. Não com desejo, mas sim com amor. Tentando demonstrar para ela o que as palavras não eram capazes de fazer.
- Eu sei exatamente o que você está sentindo. – falei quando nossos lábios se separaram. – Eu me apaixonei por você antes de te conhecer. – Pude ver como ela ficou confusa. – Eu sonhei com você. – achei melhor falar meias verdades, não falaria sobre o bebê, mas sim sobre ela. – Quando ainda estava no avião vindo para cá, eu sonhei com o grande amor da minha vida sem nem saber que você existia. Então... – peguei sua mão e depositei um beijo suave nela antes de olhar em seus lindos olhos verdes. – Não acho que isso o que temos vai acabar. Isso não é o fim, é apenas uma pausa no que ainda vamos viver. – limpei uma lágrima que corria dos seus olhos. – Nós dois ainda vamos nos encontrar de novo e vamos retomar de onde paramos, porque eu sei que o que eu sinto por você não vai passar nunca e eu ainda vou vê-la entrando na igreja com um lindo vestido branco e caminhando até mim que provavelmente estarei com uma cara de bobo no altar só te esperando para poder torna-la minha esposa.
Elô sorriu entre as lágrimas.
- Está me dizendo que quer se casar comigo? – disse com emoção na voz.
- Claro. – disse como se fosse óbvio. – Acha mesmo que vou perder o amor da minha vida assim? Nem pensar. – a puxei para se aconchegar em meu peito. – Não vai ser agora, claro. Quero que você conquiste todos os seus objetivos e sonhos antes. Quero que termine o colegial, que consiga entrar na faculdade que tanto deseja e quando você estiver pronta, vou pedi-la em casamento do jeito certo e quero que todos da nossa família saibam que eu te amo mais do que amo a mim mesmo.
Eloísa me olhou e vi que ela também me amava na mesma proporção que eu a amava.
- Então já te digo que aceito seu pedido não feito de casamento.
Eu ri e a beijei deitando a mesma na cama e ficando por cima dela.
- Acho bom mesmo, porque eu não iria desistir até ouvir um sim saindo desses lindos lábios. – Então a beijei e mais uma vez a fiz minha.
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O dia seguinte passou como um borrão. Parece que quando você quer que o dia passe rápido ele demora, mas quando você quer eternizar o momento, ele liga o foda-se e voa como se não tivesse 24hrs e sim 12.
Já era noite e meu voo para Curitiba estava marcado para o dia seguinte às 15:00. Já tinha combinado com meu pai que iria me levar junto de Esdras.
Gabriela estava sentada em minha cama me olhando enquanto terminava de arrumar minha mala.
- Você não vai querer mesmo que a Elô vá te levar ao aeroporto? – perguntou minha irmã pela milésima vez.
- Não, Gabi. – falei terminando de fechar minha mala. – Não vou conseguir entrar naquele avião se ela estiver lá. Não da.
Ela assentiu e suspirou.
- Pela primeira vez na vida você se apaixona por alguém e nem se quer é do mesmo estado que você. Por que não mantém um namoro a distância? Pode dar certo!
Sentei na frente da minha irmã e peguei suas mãos.
- Relacionamento a distância se desgasta com o tempo, pelo menos a maioria deles, não quero que isso aconteça com a gente. Não vou fazer isso com ela. – disse por fim. – Não vou prendê-la em um relacionamento a distância. Ela ainda é nova, precisa sair, curtir. – por mais que odiasse isso. – Não quero que ela se prive de curtir a adolescência dela por minha causa ou por medo do que eu vou pensar. É pouco o tempo que estou com ela, mas sei como a mente da Elô funciona. Você se lembra como era com o Henrique, ela fazia de tudo para evitar aborrecê-lo. Não quero que ela se prive de nada por minha causa. Sei que se estivéssemos juntos ela não sairia, não iria aproveitar o que deveria aproveitar... Só quero que ela se sinta livre.
Gabi bufa.
- Acha mesmo que a Elô vai ficar curtindo aqui enquanto você está longe? Aquela menina te ama.
- Eu sei. E eu também a amo e é por amá-la que eu estou deixando que ela se sinta livre. – me levantei e peguei meu celular que estava no carregador. – Eu e ela conversamos sobre isso e decidimos que seria assim. Ela está de acordo. Só não gostou muito quando eu pedi para que ela não fosse me levar.
Gabi sorriu e se levantou.
- Claro que não gostou. Nem eu gostei que não me deixou ir.
Fui até minha irmã e beijei sua testa.
- Não aguentaria vocês duas lá. Então eu te peço que distraia a Elô, não deixe-a ficar triste.
- Claro, a missão mais difícil fica para mim. – disse murmurando enquanto saía do quarto.
- EU TE AMO – gritei quando ela fechou a porta.
- EU SEI. – gritou de volta.
Eu ri. Gabi era mesmo uma pessoa incrível.
Sinto o celular vibrar em minha mão e já vejo na tela do celular quem é.
- Já está com saudades? Volto amanhã, calma.
- Vou fazer assim.... eu vou desligar e te ligar de novo, aí você me atende como uma pessoa normal atenderia, beleza? – e realmente desligou.
Fiquei olhando para a tela do celular incrédulo. Mas que palhaçada.
Meu celular começou a piscar de novo anunciando a chamada e eu fiquei realmente pensando se atenderia ou não. Que audácia, desligar o telefone na minha cara, onde já se viu.
...
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