Foi então que minha ficha caiu. A Eloísa estava em meu quarto nua e minha mãe havia chegado da viagem que ela tinha ido fazer ontem.

- Oi mãe. – disse alto o bastante para que ela pudesse me ouvir.

Levantei correndo e vesti minha bermuda que estava no chão, tentando não acordar a Elô. Seria fácil minha mãe não vê-la. Minha cama ficava do lado oposto da porta, precisava entrar no quarto para olhar para ela. Isso minha mãe nunca fazia. Ela dizia que tínhamos que ter nossa privacidade e hoje eu agradecia muito a ela por isso.

Abri a porta um pouco e sorri mais do que deveria.

- Sim?

Minha mãe me olhou meio desconfiada.

- Por que você está todo felizinho?

Dei de ombros.

- Não estou não. – disse sem conseguir tirar o sorriso bobo do meu rosto.

Minha mãe sorriu de lado.

- Está com um sorriso apaixonado. – Dona Clara me conhecia demais, teria que me policiar. – Se apaixonou, meu filho? – Perguntou numa empolgação que chega a dar medo.

- Por que a senhora estava me chamando mesmo? – mudei de assunto sem nenhuma sutileza.

Minha mãe notou, mas por hora ela deixou para lá. Retornaria nesse assunto depois que eu sei.

- Queria saber se você viu a Elô.

Sei que foi uma pergunta inocente, mas meu corpo gelou, porque eu sabia sim onde ela estava, só não poderia dizer onde e como.

- Hum... – tentei fazer minha voz parecer calma, até porque ninguém poderia desconfiar de nada, certo? – Não. Por que?

Minha mãe suspirou.

- Ela foi embora da Ilha e disse que viria para cá. Acho que para falar com sua irmã. Só que fui falar com a Gabi e ela não está. O pai da Elô ligou. Queria falar com ela. Disse que não ligou desde que voltou de lá.

Assenti. Precisava acordar a Eloísa.

- Bom, se eu vê-la, eu a aviso. – não estava mentindo mesmo.

Minha mãe me encarou por uns instantes e eu fiquei com um pouco de medo daquele olhar.

- Já são 17:30 da tarde... O que faz trancado nesse quarto?

Não queria mesmo ter essa conversa agora. Eu era adulto, certo?

- Estava descansando, mãe. Logo mais volto para casa e minhas férias acabam. – senti uma dor forte no peito ao dizer isso e me esforcei para não me curvar por conta dessa dor.

A expressão dela caiu.

- Não queria que voltasse para lá. – disse sincera. – Não poderia pedir transferência para cá?

Eu tinha pensado nisso desde o minuto em que me vi preso na Elô. Desde o momento em que eu soube que não conseguiria viver sem ela.

- Não posso. Já pensei nisso, mas no momento acredito que não vão me liberar.

Estávamos indo muito bem na empresa. Fazendo muitos projetos e em todos eles eu estava à frente. Não poderia ir embora e nem pedir transferência de lá por pelo menos mais 3 anos.

- Já é um começo você querer voltar para cá.... Eu sinto sua falta perto de mim.

Eu a abracei e beijei seu cabelo.

- Também sinto sua falta, mãe. E prometo que vou vir muito mais vezes agora. – disse.

E estava falando muito sério. Eu iria embora, mas tentaria voltar sempre que possível para ver Eloísa. Não iria conseguir ficar muito tempo sem vê-la.

- Assim espero. – se separou de mim com um sorriso. – Bom, vou lá para baixo assistir minha novela. Se falar com sua irmã, pergunta da Elô.

- Pode deixar.

Vi minha mãe descendo as escadas e fui para dentro do meu quarto, trancando a porta.

Segui até a cama e me deitei sobre o corpo nu e descoberto de Eloísa.

- Meu amor. – disse em seu ouvido num sussurro. – Hora de levantar.

Elô murmurou, mas eu vi um sorriso em seus lábios quando a chamei de “meu amor”.

- Não quero. – disse fazendo manha.

Eu ri e comecei a passar meus dedos por seu corpo, vendo-o se arrepiar.

- Por mim você jamais sairia da minha cama, mas... – fui distribuindo beijo por toda suas costas. – Minha mãe já veio até aqui para saber de você.

Elô se sentou em um pulo, o que me fez cair de costas na cama.

- Sua mãe me viu? – perguntou.

- Não. – disse me erguendo no cotovelo. – Ela não entrou.

Vi sua expressão suavizar.

- Que bom.

Franzi o cenho confuso.

- Não quer que ela saiba?

Eu sei que a gente combinou, mas ainda assim isso me feriu. Eu queria gritar para os quatro cantos do mundo que eu a amava e que queria ficar com ela para o resto da minha vida, mas ela não parecia querer o mesmo. Sei que me amava, mas talvez não o bastante para enfrentar as coisas por esse amor. O que de certa forma era bom.... Tentava me convencer.... Porque ela poderia ter uma briga feia com o pai e eu não queria isso.

Elô me olhou com a expressão de incredulidade.

- Assim... – apontou para seu corpo nu. – Não.

Só então eu entendi.

Eloísa não estava preocupada em minha mãe nos pegar juntos, ela estava preocupada da minha mãe entrar aqui e ver essa cena. Eloísa com o cabelo levemente bagunçado, suas roupas jogadas pelo chão do quarto e deitada totalmente nua em minha cama.

Não precisava ser um gênio para entender o que tinha acontecido ali.

Comecei a rir, sem querer. É que o alívio que eu senti em saber que a preocupação dela não tinha nada a ver com o que eu estava pensando era sem medida.

- Estou falando sério. – disse a Elô batendo de leve em meu braço. – Eu amo muito sua mãe. Não quero que ela saiba assim.

Eu a puxei para mim e me deitei com ela na cama. Elô não demonstrou nenhuma recusa com meu “convite”.

- Não se preocupe, ela não viu nada.

Assentiu e colocou o rosto no vão do meu pescoço.

- Amo seu cheiro. – disse depois de respirar fundo.

Sua respiração estava batendo contra a minha pele e eu estava me esforçando muito para me controlar e não agarra-la ali.

- Elô... – disse com a voz falhando miseravelmente. – Acho melhor você parar, antes que eu te agarre e você não saia mais desse quarto.

Senti a risada da Eloísa na minha pele e isso me deixou maluco. Virei nossos corpos de novo e ataquei seus lábios.

Ela inteira era viciante. Como eu poderia ir embora agora e ficar sem ela? Não existia essa possibilidade.

- Dominic... – Elô disse com a voz fraca e entrecortada quando passei a beijar e lamber seu pescoço. – O que... – ela não conseguia formular uma frase completa. – Sua mãe...

Então eu me lembrei do porquê de tê-la acordado. Ergui meu rosto e olhei para o seu. Ela estava em completo deleite. Elô tinha um sorriso brincando nos lábios, os olhos estavam fechados para apreciar a caricia que eu proporcionava a ela, suas bochechas estavam coradas.... Ela estava magnífica.

- Queria saber onde você estava. – disse e vi seus olhos se abrirem e fitar os meus. O que vi ali era puro desejo. – Não me olha assim. – alertei.

Elô fez uma carinha confusa.

- Assim como?

Me aproximei meus lábios dos seus e sussurrei sobre eles.

- Como se quisesse que eu te atacasse.

- E quem disse que eu não quero isso? – disse com firmeza.

Essa mulher ia me matar ainda.

Beijei seus lábios mais uma vez e me sentei na cama.

- Infelizmente tem gente esperando por uma ligação sua.

Eloísa se sentou e segurou o lençol sobre os seios, o cobrindo. Fiquei um pouco decepcionado, confesso.

- Quem?

- Seu pai.

Ela na mesma hora se levantou correndo e pegou seu celular que estava no chão.

Ouvi um gemido de agonia vir dela.

- 25 chamadas perdidas.

Me deitei na cama e coloquei meu braço atrás da cabeça, deitando sobre ele.

- Minha mãe disse que você saiu da Ilha e não falou mais com ele.

Vi seu rosto fazer uma leve careta.

— Eu meio que discuti com ele. – disse olhando para o celular.

Fiquei confuso.

- Por que?

Eloísa me olhou e sorriu.

- Aparentemente eu estou feliz demais para alguém que terminou um namoro há pouco tempo. – ela falou e logo viu minha expressão de confusão. – Meu pai acha que eu terminei com o Henrique por causa de outra pessoa.

- E ele não está gostando disso? – perguntei tentando controlar meu ciúme.

Ela caminhou até onde eu estava e se sentou ao meu lado, ainda com o lençol sobre o corpo.

- Ele não gosta do fato de eu ter dito não a ele. – disse simplesmente. – Sempre fui a filha perfeita. A que sempre fazia o que o pai queria. A que tira notas excelentes, a que não é de sair para balada, a que é mais caseira. – ela pegou minha mão e começou a acaricia-la. – Eu não ligava. Gostava de ser a garotinha do papai. A que fazia as coisas para que ele aprovasse. Eu comecei a namorar o Henrique mais por saber que meu pai gostava muito dele.... Eu amo muito meu pai, mas eu quero viver a minha vida. Não quero viver a vida que ele escolheu para mim. – então ela me olhou intensamente. – E agora, eu quero muito você na minha vida e não estou ligando mais para o que ninguém vai falar. – Elô se inclinou e beijou meus lábios. – Nunca estive tão feliz como estou agora.

E mais uma vez essa garota me deixou totalmente entregue a ela.

- Eu estarei com você pelo tempo que você me quiser. – disse levando minha mão até seu rosto o acariciando.

Seu sorriso se alargou.

- Maravilha. – me deu em selinho e se levantou começando a caminhar em direção ao banheiro, mas antes de entrar se virou e falou: — Quer dizer que você estará preso a mim para sempre. – E entrou no banheiro.

Ela não poderia estar mais certa.




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