Não. Não era possível. É claro que ela não estava atrás de mim. É claro que ela não me ouviu dizer que estava apaixonado por ela. Eloísa estava na Ilha agora, não estava?

Fechei meus olhos e respirei fundo.

- Oi, gente.

Sim, ela estava ali. E tenho certeza de que ela me ouviu.

- Bom... – Gabi se levantou feliz. – Vou me retirar, acho que vocês têm muito para conversar.

A vi sair e tive uma imensa vontade de bater na minha irmã e olha que eu nunca tinha sentido isso antes.

- Posso me sentar? – ouvi sua voz mais perto.

- Claro. – eu estava muito nervoso.

Eloísa deu a volta no sofá e pude ver como ela estava vestida quando entrou no meu campo de visão.

Elô vestia uma saia rosa claro soltinha até o meio da coxa, sua blusa era branca de alcinha e seu cabelo estava preso num rabo de cavalo meio frouxo.

Ela se sentou e me olhou com aqueles lindos olhos verdes.

Por um momento eu não soube o que dizer a ela. Não queria admitir nem para mim no começo esse meu amor por ela e agora eu disse em voz alta, confirmando pela primeira vez e justo ela acaba escutando.

Nunca tinha me apaixonado antes. O frio na barriga, o nervosismo, o medo de ela não sentir a mesma coisa. Eram coisas novas para mim. Eu não estava acostumado com isso. Então nesse momento eu não sabia direito como agir. Eu era um homem de 36 anos, mas no momento eu me sentia um adolescente na frente da menina que amava.

Resolvi quebrar aquele silencio.

- Você não estava na Ilha? – certo, pareceu meio acusatório, mas não era pra ela estar ali. Não era para ela ter ouvido.

Eloísa segurou o riso com o meu tom de voz.

- Estava. – disse se recompondo e sorrindo pra mim. – Mas eu disse que queria voltar para casa.

Franzi o cenho.

- Sua madrinha não ficou chateada?

Elô balançou a cabeça em negação.

- Ela entende. – o jeito que ela falou parecia que ela queria dizer algo mais com aquilo. – Então... – começou com o sorriso ainda brincando em seus lábios lindos. – Quando eu entrei na sala eu ouvi uma coisa...

Droga. Sério que ela ia mesmo me abordar? Assim na lata?

- O que ouviu? – perguntei já sabendo a resposta, mas ainda com a esperança de ser outra coisa.

Eloísa sentou um pouco mais na beira da poltrona e se inclinou para mim, olhando bem no fundo dos meus olhos.

- Sobre você estar apaixonado.

É. Eloísa não era uma adolescente normal. Enquanto umas teriam vergonha ou receio de abordar um assunto dessa magnitude, aqui estava ela, fazendo exatamente isso. Abordando o assunto comigo.

Resolvi assumir. Eu era um homem de 36 anos. Eu era o adulto ali, por mais que não me sentisse desse jeito com ela. Então eu iria sim dizer tudo a ela.

Ela queria ouvir? Então ela vai ouvir.

Também me sentei na beira do sofá me inclinando para ela. Nossos rostos ficaram a muito poucos centímetros um do outro.

- Pois é. – confirmei. Vi seus olhos brilharem. – Eu me apaixonei desde o segundo em que coloquei meus olhos em você. – ergui minha mão e acariciei seu rosto.

- A reciproca é verdadeira. – falou olhando em meus olhos.

Nesse momento meu mundo explodiu. Eu estava em êxtase. Ela disse mesmo isso? Ela estava mesmo apaixonada por mim?

Eu não estava acreditando ainda.

- Espera. – eu disse tentando controlar a euforia que queria me atingir. – O que você disse? – perguntei para confirmar.

Elô pegou minha mão que estava em seu rosto, a segurou e sorriu.

- Eu também me apaixonei por você desde o segundo que coloquei meus olhos em ti.

Não aguentei. Puxei Eloísa para cima de mim e beijei seus lábios. A mesma veio de muito bom grado.

Eu não estava acreditando que isso realmente estava acontecendo. Eu estava apaixonado e era correspondido. Não poderia ser melhor. O resto parecia insignificante para mim. Poderíamos lidar com o resto.

Eu não estava mais ligando para quem entrasse e visse nós dois naquela posição. Eu deitado no sofá com a Eloísa em cima de mim, sua saia subindo um pouco e nossos lábios grudados se movendo em perfeita sincronia. No momento não estava pensando muito. Só estava aproveitando e curtindo o momento com ela.

Quando dei por mim eu estava com a Eloísa em meu quarto, nossas bocas nunca desgrudando uma da outra. Não sei como cheguei aqui com ela, mas a verdade é que eu não estava conseguindo controlar a euforia de saber que a mulher que eu amava estava apaixonada por mim.

Num movimento rápido a prensei na parede e comecei a beijar seu pescoço. Elô gemia baixinho em meu ouvido e isso estava me deixando louco.

Eu tive que me obrigar a pensar. Eu tinha que parar ali. Se eu seguisse mais um pouco com isso eu não conseguiria mais parar. O desejo que eu sentia por essa garota era enorme e eu não poderia colocar ele na frente de tudo. Eu tinha que pensar e raciocinar.

Eu não sabia se ela estava pronta. Não sabia se ela era virgem ainda ou não, apesar de saber que namorava há bastante tempo, preferia averiguar antes. Não podia simplesmente transar com ela.

Separei nossos lábios e nossas respirações estavam irregulares. Encostei minha testa na dela ainda de olhos fechados.

- Não sei como viemos parar aqui. – disse sorrindo ainda tentando recuperar o folego.

Eloísa não estava muito diferente de mim.

- Nem eu. – respirou mais uma vez. – Eu perco... – e mais uma vez. – A noção das coisas... quando estou... com você.

Sorri com essa afirmação, porque eu também era assim com relação a ela.

- O que vamos fazer? – perguntei mais pra mim. Não contava com esse Q da equação. Não contava que ela também tivesse se apaixonado por mim.

- No momento... – começou a Elô com as mãos em meu cabelo acariciando. – Eu quero que você me ame.

Eu abri meus olhos e afastei minha testa da dela para poder olhar em seus olhos.

- O que? – perguntei num sussurro.

Ela estava mesmo me pedindo isso?

Eloísa sorriu e acariciou meu rosto.

- Eu quero me entregar para o homem que me apaixonei. – disse com muita convicção. – Eu quero que você seja meu primeiro.

Então ela era virgem. Confesso que fiquei feliz com isso. Exultante em saber que ninguém a tinha tocado. Que ela era somente minha.

- Você tem certeza disso? – perguntei com cautela. – Você está tomada pelo desejo. – disse acariciando o rosto dela. – No momento não está pensando direito.

Eu queria muito isso. Queria muito fazê-la minha, mas eu sabia como eram os adolescentes. Não queria que ela se arrependesse depois.

- Não é de hoje que penso nisso. – Eloísa falava seria. – Hoje eu sei o porquê de eu nunca ter conseguido me entregar ao Henrique. – disse calmamente. – Eu não o amava. Não o desejava. Mas você... – ela passou seus dedos nos meus lábios. – Eu te amei desde o momento que te vi. – então sorriu. – Eu te amo, Dominic... me faça sua.

Sorri para ela.

- Seu pedido é uma ordem.

Então fiz exatamente o que ela me ordenara.



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