Quando menos esperamos
10 CAPÍTULO 10
A olhei incrédulo.
- Você tem 16 anos?
- Uhum. – Respondeu simplesmente.
Eu estava muito ferrado.
Não é possível.
Se eu tinha ficado incomodado achando que ela tinha 18 anos e ter mexido comigo de uma maneira que mulher nenhuma nunca mexeu, imagina agora que sei que a mulher que está me deixando com a mente a milhão tem apenas 16 anos.
Mais uma vez... eu estou muito ferrado.
- Nossa... – pigarreei depois de um tempo em silencio. Só para ter certeza que minha voz não ia falhar. – Não imaginei. Pensei que tivesse no mínimo uns 18 anos. – Pelo menos era o que eu esperava. Assim seria maior de idade e esse encantamento todo que eu tive nessa pequena mulher não seria tão absurdo assim.
Eloísa deu de ombros e mexeu em seu anel, que pude perceber agora ser uma aliança de compromisso.
- Sempre pareci ser um pouco mais velha. Isso é bom, às vezes.
Ficamos conversando mais um pouco e à medida que eu ia conhecendo essa menina, eu ia ficando mais e mais encantado. Ela era inteligente, linda, simpática, queria cursar gastronomia e que estava estudando para entrar na PUCPR, uma das melhores faculdades do Paraná.
- Excelente escolha. – Concordei. – Só é um pouco difícil entrar lá, mas acredito que você vai conseguir. Pude ver como é inteligente.
Notei seu rosto ruborizar levemente e ela desviar o olhar mais uma vez para aquela bendita aliança.
- Eu sei como é difícil. – E me olhou. Pude ver seus olhos brilhando nesse momento. Foi a primeira vez desde que olhei em seus olhos que pude ver um brilho neles. – Mas foi onde minha mãe estudou, então eu tenho um ótimo incentivo para entrar. Sem contar que meio que se tornou um sonho para mim, desde pequena.
Eu não conseguia desviar meus olhos dos dela. Como pode uma menina de 16 anos me deixar desse jeito? É como se tudo o que saísse da sua boca fosse para me hipnotizar...
Não acredito que isso está acontecendo.
- E você? – Perguntou ela – Sua irmã me disse que você apresentaria sua namorada para toda a família.
Fiz uma careta que acabou fazendo Eloísa rir.
- Gabriela é maluca. – Respondi simplesmente. – Primeiro porque nem namorada eu tenho. Acho que um dos sonhos da vida dela é me ver casado.
- Isso é verdade. – Concordou. – Ela vive dizendo que você precisa se casar e dar sobrinhos para ela mimar.
Balancei a cabeça em descrença.
- Não disse que minha irmã era maluca?
Eloísa riu e eu me peguei rindo junto. Era muito fácil manter uma conversa com ela.
- Vamos crianças. – Disse Gustavo me trazendo de volta a realidade. – Dominic, foi um prazer te conhecer. Vá nos fazer uma visita antes de ir embora. – Estendeu sua mão para eu apertar.
Me levantei, sendo seguido por Eloísa, e aceitei em cumprimento.
- O prazer foi meu. E pode ter certeza que vou sim. – dei uma olhada rápida para a garota que estava ao meu lado e a mesma me olhava. Desviei o olhar de volta para seu pai que não pareceu perceber.
- Excelente.
Nos despedimos e eles foram embora.
Já na sala de estar, minha mãe resolveu ir se deitar com meu pai e a Gabi veio até mim, me puxando para sentar em um balanço que ficava na varanda de casa onde podíamos ver o mar.
- Então? – Pude ver ansiedade em seus olhos. – O que achou dele?
Olhando para minha irmã, pude perceber como minha opinião era importante para ela.
Peguei em suas mãos e olhei em seus olhos.
- Você está feliz? – Isso era o que realmente importava no final das contas.
Só pelo sorriso que Gabriela abriu, eu percebi que não precisava de uma resposta, mas ainda assim ela respondeu.
- Muito. Ele é o amor da minha vida.
- Isso basta para mim.
Abracei-a de lado e ficamos encostados no balanço nos movendo lentamente olhando para as ondas que se quebravam na escuridão.
- Mesmo assim, quero saber o que achou dele. – Ela falou em um sussurro.
- O conheci por menos de 4 horas... – comecei – Mas pude perceber que ele ama mesmo você. – Me afastei um pouco e a olhei. – Ele fica com aquela cara de “te dou o mundo se você me pedir” quando olha para você e acho bom mesmo que seja assim. Se ele te machucar ele vai se ver comigo.
Gabriela riu.
- Para com isso. – Se afastou de mim e se endireitou no balanço ficando de frente para mim. – E você?
Franzi o cenho confuso.
- O que tem eu?
- Eu te vi conversando com a Elô. – Começou.
Me endireitei um pouco incomodado. Não queria entrar nesse assunto, ainda é muito estranho para mim.
- Sim, ela é uma menina muito simpática.
Gabi ainda me encarava.
- E linda também. – Completou minha irmã.
Assenti. Não tinha como negar isso.
- Verdade.
- Era impressão minha ou vocês estavam conversando bem animados?
- Não entendi.
Gabi deu de ombros.
- Só estou dizendo que ela é uma pessoa incrível, linda e que despertou alguma coisa em você.
Continuei olhando minha irmã indignado. Certo, eu estava indignado porque ela tinha percebido que eu não fui tão indiferente a Eloísa.
Limpei a garganta.
- Do que você está falando?
- Não se faça de desentendido, Dominic. Eu percebi que você mudou no instante em que viu a Eloísa.
Balancei a cabeça em negação. Tentando convencer a mim também.
- Não viaja, Gabriela. – Falei. – Você está vendo coisas onde não existem.
- Não acho isso. Sei bem o que eu vi. – Disse com convicção. – Eu te conheço melhor do que você mesmo, meu querido irmão.
Respirei fundo. Eu estava incomodado com o fato de que meu encanto por uma garota de 16 anos acabou sendo percebido por alguém.
- Gabi, ela tem 16 anos. – Falei lentamente. Tentando convencer a mim também. – Tem idade para ser minha filha.
- E daí?
- Como assim “e daí”. Enlouqueceu?
Gabriela suspirou e o que disse a seguir me deixou atônito por constatar que era exatamente isso.
- Dominic, desde quando você ficou tão preconceituoso?
E nesse momento eu fiquei sem palavras.
Era isso. Era exatamente isso o que eu estava fazendo. Eu estava sendo preconceituoso com relação a idade de Eloísa. Porque pode ter certeza que se ela fosse até uns 10 anos mais velha eu não pensaria duas vezes antes de tentar conquista-la.
Não vou negar e dizer que não me encantei pela Eloísa, porque estaria mentindo. Me encantei por ela desde o momento que a vi ainda em meu sonho. Mas isso não muda o fato de que ela é menor de idade, mesmo que não seja considerado pedofilia, todo mundo acharia no mínimo estranho um homem de 36 anos com uma garota de 16.
- Olha, Gabi... – disse me levantando e andando para o andar de cima onde ficavam os quartos, pela visão periférica vi minha irmã me seguir. – Não vou discutir isso com você. Até porque isso é um tremendo absurdo.
Chegando a porta do meu quarto eu me viro para minha irmãzinha.
- Me perdoe, irmão, mas absurdo é você dar ouvidos ao seu preconceito. – Gabi colocou uma mão em meu ombro. – Você ignorar o fato de que gostou dela desde o minuto que a olhou não vai mudar nada. Ainda vai continuar remoendo isso até tomar uma decisão do “arrisco ou não arrisco”. – Deu um beijo no meu rosto e finalizou. – Às vezes você só não tinha encontrado o amor da sua vida antes, porque ela nasceu 20 anos depois de você. – Piscou para mim e foi para seu quarto.
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