Quando menos esperamos
1 CAPÍTULO 01
Notas iniciais
Hoje era sexta-feira, último dia de trabalho antes das minhas merecidas férias.
Eu estava em meu escritório, revisando algumas plantas de um projeto que estava trabalhando em meu computador, quando ouço alguém dar três batidas na porta.
- Eu acho um absurdo você inventar essa viagem justo agora que temos um zilhão de projetos em andamento.
Desviei meus olhos da tela do computador e ri vendo Lucas entrar com a expressão raivosa e sem eu ter autorizado sua entrada.
— Boa tarde para você também, Lucas. – disse e voltei a planta que estava fazendo. – Por que está tão irritado?
Ele se sentou na cadeira que tinha em frente à minha mesa e bufou.
- Fala sério, Dominic. Sem você aqui tudo recai nos meus ombros.
Eu ri dessa afirmação.
- Nossa, que belo amigo.
- É sério. – falou fazendo uma careta. – Por que você vai para Caraguá?
Finalizei meu projeto, fechei meu notebook e olhei para meu amigo que ainda estava com uma careta.
- Já disse, minha mãe está me cobrando e a Gabi está de namoro sério. Quero ver quem é.
Lucas revirou os olhos.
- Cara, sua irmã já é adulta, sabia? Precisa parar de ser ciumento. – e riu.
- Não sou ciumento, só quero conhecer o rapaz.
Lucas era meu melhor amigo. O conheci assim que cheguei em Curitiba. Ele trabalhava aqui na empresa há uns meses antes de mim. Ele era um cara bem legal, mas assim como eu, não gosta muito de se relacionar.
- Poxa, vou ficar um mês sem pegar mulher. – resmungou.
Eu ri.
- Do que você está falando?
Lucas me olhou e ergueu uma sobrancelha.
- Eu só pego mulher quando eu saio com você. Como é que eu vou pegar mulher agora?
- Fala sério, Lucas. Você sempre pega mulher. – disse me levantando e indo até o bar que tinha na minha sala. – Não sei que história é essa agora. – peguei uma garrafa de água. Não sou nem louco de tomar nada alcoólico na empresa.
Lucas girou na cadeira que estava sentado para ficar de frente para mim.
- As mais gatas eu não pego sozinho. – resmungou. – Posso ir junto? – mudou de assunto de repente.
A felicidade com que ele me perguntou isso me fez gargalhar. Ele parece criança.
- Para com isso. Vou acabar pensando que não vive sem mim. – Lucas fechou a cara. – E mais, você não estava saindo com a Érica? — perguntei bebericando da minha garrafa.
Lucas respirou fundo e pude perceber que ele estava controlando a raiva.
- Érica acha que é a minha dona. Acha que manda em mim. – disse indignado.
- O que aconteceu? – me sentei no sofá que tinha na minha sala.
- Só porque eu disse a ela que não tinha problema se ela ficasse com outros caras, que eu não ligava. Assim como eu também ficava com outras além dela.... Para que eu fui falar isso, a garota surtou. Começou a jogar prato, copo.... Sai correndo pela porta e nem sei mais em que pé a gente está.... Acho que perdi minha foda casual. – disse pensativo.
Não aguentei e comecei a rir muito. Não conseguia mais parar. Sempre era assim com o Lucas, ele sempre conseguia tirar as mulheres totalmente do sério e nem sei como ainda está vivo.
- Não ri não, cara. Eu estou com problemas. Por isso quero saber... – parou um instante. – Posso ir?
Balancei a cabeça ainda rindo e voltei para minha cadeira.
- Sabe que não da. – olhei pra ele divertido ao ver seu semblante desabar.
- Por quê?
- Primeiro, são férias. Você tirou as suas há exatos 3 meses, então duvido muito que vão te dar outra. – vi meu amigo concordar a contra gosto. – Segundo, preciso de alguém aqui para supervisionar as obras que estão em andamento, principalmente a do Shopping. Essa está tirando o nosso juízo.
- Nem me fale. – Lucas assumiu sua postura seria. – Se Leandro ficar acobertando os erros dos funcionários dele vai acabar sobrando para ele.
Não era a primeira vez que nosso mestre de obras pisa na bola, mas ele é um excelente funcionário, vamos ter que conversar com ele sobre isso.
- Estou indo falar com ele mais tarde. Quando eu voltar das férias nós nos reunimos e vemos um meio para que isso não se repita.
Lucas assentiu no mesmo instante que ouviu as batidas na porta.
Meu amigo sorriu e se levantou.
- Deu a minha hora. – sorriu malicioso. – Tenha um excelente fim de tarde, meu amigo.
Balancei a cabeça sorrindo. Esse Lucas não tem jeito.
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