Quando a lua cai ao relento.

2 Capitulo 2: O Dragão


Após eu ouvir as palavras daquela senhora bondosa ela sorriu de um jeito misterioso e egocêntrico eu estava um tanto assustada,meu nome estava em todos os lugares e isso era perturbador

– Esqueci de dizer,começamos o seu treinamento amanhã,boa noite.
Ela saiu da sala lentamente arrastando os pés que calçavam uma pantufa arosada cheia de corações. E eu ainda estava tentando arrumar aquela confusão que parecia impossível na minha cabeça.

Andei até o banheiro e tirei a roupa,liguei as torneiras da banheira e me sentei,a água estava quente e tocava minha pele com gentileza por fim afundei a cabeça na água,fiquei pensando no que haveria me acontecido,tentando entender aquela historia confusa de algum modo,com o passar do tempo acabei ficando sem ar e tirei a cabeça da água

– O que raios está acontecendo?
Falei para mim mesma em um tom baixo quase sussurrante e afundei a cabeça na água novamente,depois de algumas horas eu sai da água e troquei a roupa,andei pela casa olhando para as coisas preciosas que aquela velha teria,passando por um corredor havia algo que me chamava á atenção,era o tipo de um vaso antigo nele havia um dragão desenhado,um dragão negro,lindo, os olhos do dragão tinham um amarelo ouro inabalável,infelizmente o vaso acabou escorregando da minha mão,caindo no chão e se quebrando vários pedaços,de dentro dele saiu uma poeira um tanto misteriosa,parecia que aquele vaso estava ali á muitos anos,ou que não estava sendo limpo.

Eu olhei para o lado do quarto da velha com medo de que isso houvesse acordado ela,vendo que não eu limpei os pedaços do vaso e escondi em algum lugar,voltando para o corredor eu me dirigi até a sala e me deitei em um tipo de cama que aquela velha havia aprontado para mim no sofá e acabei pegando no sono.

Cinco horas da manhã ela me acordou batendo em panelas o que me assustou e me fez rolar da cama e ir de encontro com o chão fazendo um tipo de “bum” quando eu cai,ela parecia rir da minha cara cada vez mais por conta daquele desastroso momento vergonhoso da qual ela tinha prazer em ver.

. – Vou te dar 15 minutos para se arrumar,caso contrario. Ela amassou um copo descartável que estava acima da mesa de centro,eu sai correndo ao ouvir aquilo e em 15 minutos estava em pé na frente dela que me levou a um campo de terra plano e extenso com uma floresta que nos rodeava como em uma arena.

– Hoje nós vamos descobrir do que você é capaz
Ela andou a minha volta como se estivesse me examinando, aquilo não estava me deixando confortável, ela sorriu de um jeito malicioso.

– Bem vejamos,você não deve ser muito forte,afinal ser neta de duas famílias tão baixas.
Ela sorriu novamente,estava me incomodando.

– E sua mãe,era uma vadia imunda
Quando finalmente ouvi as palavras daquela velha maluca e egocêntrica,eu cerrei os punhos e olhei para ela com um tanto de raiva e vi ela sorrindo para mim de uma forma fria,como se estivesse rindo de mim.
– Minha mãe não era uma vadia imunda
Eu falei em um tom alto que fez os pássaros saírem das arvores ouve um certo silencio e nós ouvimos um rugido ao longe e algumas arvores pegando fogo,mas um fogo diferente um fogo azul,a senhora me olhou com o rosto assustado.

– Você não derrubou o vaso do dragão,derrubou?

Eu assenti com a cabeça olhando para ela e ela pareceu horrorizada,em segundos o dragão nos notou e começou a correr pra nós.

– Aquele vaso abriga um dragão muito antigo que foi selado por 20 demônios diferentes.
O Dragão nos lançou um raio azul que senhorita defendeu com um tipo de espada larga da qual eu não sabia o nome.

– Fuja.
Ela correu após aquelas palavras mas o dragão infelizmente derrubou com tamanha força que a fez rolar morro abaixo e a deixou desacordada,logo ele me avistou e eu corri o mais rápido que pude,tropecei em uma pedra de pontuda e cai no meio da floresta bati as costas em alg, fiquei em total silencio tentando assimilar a dor ao local e como ele não me viu foi em direção á senhora,eu levantei com uma certa dificuldade e corri até a ponta do morro e vendo que estava sobre a senhora eu peguei uma pedra e joguei nele.

– Hey Bafo de enxofre podre!
Pareceu ter sido uma má idéia ter chamado a atenção dele porque ele veio atrás de mim parecia enfurecido com os xingamentos, eu corri o mais rápido que pude mas sempre fui um desastre em corridas e tropecei em uma raiz que estava no meio do campo e cai quando eu menos esperei senti um bafo quente como se fosse uma fungada eu me virei para ver e pude enxergar uma dor profunda em seus olhos,como se ele nunca mais pudesse ser feliz,como se ele tivesse medo de não poder ser livre novamente,eu pude enxergar a mim mesma nos olhos dele ficamos um tempo nos entreolhando até a velha recobrar a consciência e selar ele novamente em um vaso,ela olhou para mim assustada.

– Vamos tomar um café!

Ela saiu andando na minha frente eu fiquei deitada no chão pensando no que havia acontecido até levantar.Ao levantar limpei a roupa e fui atrás dela.
Quando chegamos no café ela pediu dois cappuccinos com bastante chantily

– Dragões são criaturas bem orgulhosas,aquele ali é pelo menos o ultimo dragão da noite
A velha disse em um tom sorridente me tirando do transe em que eu estava

– Aquele foi selado porque era muito forte e quase indomável,mas no entanto se conseguir a confiança de um dragão ele poderá saber quando você precisa de ajuda e te proteger,tendo um dragão você por transformar em uma arma mortífera
Ela sorriu de um jeito sarcástico desafiador.

– Você disse quase indomável,por que, “Quase”?
Eu olhei para ela confusa

– Ele foi domado a muito tempo por um rapaz ruivo de olhos cinzas,um rapaz muito bonito que fugiu com ele,esse dragão amava o seu mestre de um jeito incondicional e quase infinito,mas com o passar dos anos esse rapaz foi se metendo cada vez mais em batalhas e guerras e como ele não era imortal os anos iam passando e ele ia envelhecendo e um dia esse rapaz com os seus 78 anos adoeceu mas não ligou e foi para uma batalha e em um dia rigoroso de inverno esse rapaz morreu,e o dragão magoado e machucado fugiu e nunca mais pode ser domado.

Depois de ouvir aquela historia eu pude entender o temor do dragão,me senti triste mas ao mesmo tempo consegui me associar a ele.

– Eu sei que você quer domar ele,e eu não vou te impedir. O nome dele é Fenix,não se esqueça

Ela pagou a conta e saiu do café e me deixou sozinha eu acabei me tocando de que não havia perguntado o nome dela,peguei o meu casaco e fui atrás dela.
Quando cheguei em casa peguei o pote em que ela havia selado o dragão e corri para um campo aberto e abri o pote soltando o dragão,ele me olhou com uma certa raiva e veio para cima de mim com fúria.
Eu apertei os olhos e percebendo que ele não faria nada eu os abri e percebi que ele não estava mais ali havia fugido.

–Ótimo!. O que foi que me deu na cabeça para confiar em um dragão bobo.
Falei alto e com raiva e chutei uma pedra,quando olhei para o horizonte ele parecia ter me dado uma chance e mudado de idéia ele sentou em uma distancia de mim e quando eu resolvi me aproximar ele mostrou os dentes como se dissesse “não se aproxime” eu olhei para ele desanimada.

– Me desculpe por ter te chamado de bafo de enxofre podre
Eu dei uma risada baixa e olhei para ele que estava bufando,então tentei ficar seria eu tentei mais uma vez me aproximar dele e vendo que ele não estava confortável eu sai.
– Vou te deixar solto por hoje,mas não apareça em nenhum vilarejo,pode voar mas esteja aqui amanhã
Andei de cabeça erguida até a casa da velha e senti um cheiro gostoso,minha barriga estava roncando,ao chegar na cozinha ela sorriu para mim.

– A propósito pode me chamar de vovó
Eu fiz uma cara estranha
– Esta com fome?
Minha barriga roncou e eu pus a mão nela,a vovó apenas sorriu

– Achei que estava.