Quando a Neve Derreter
1 Convite
Notas iniciais
A brisa de primavera balançava levemente as folhas novas e verdes das árvores. A rainha respirou fundo, um aroma floral a deleitando. Ela adorava o frio e a neve, mas começava a também enxergar graça nas épocas mais calorosas do ano. Havia agora um conforto nelas.
Os jardins estavam praticamente vazios, exceto por Anna e Kristoff a alguns metros de si. Eles não haviam lhe visto ainda e, apesar de ser um tanto constrangedor testemunhar enquanto trocavam suas juras, estavam próximos demais da saída para que não os tivesse notado.
Anna tinha um brilho diferente a envolvendo. O casamento estava cada vez mais próximo, devia ser aquilo. Desta vez, ela tinha a benção da irmã – que os fizera esperar vários meses antes que realmente fizessem os votos, afinal, da última vez que Anna tivera pressa, as coisas saíram de controle. Mas a princesa concordou. Disse que, por Kristoff, até mil anos valeriam a pena. Isso surpreendeu Elsa, porém sabia que significava que a irmã havia amadurecido. Estava enfim pronta.
Retornou para o interior do castelo de fininho, para não interromper os noivos. Estava se perguntando onde estaria Olaf, tendo adentrado poucos metros, quando um mensageiro lhe abordou.
— Vossa Majestade — ele se ajoelhou, estendendo-lhe um envelope. — Notícias das Ilhas do Sul.
Elsa ergueu uma sobrancelha, um tanto surpresa.
— Obrigada — pegou o envelope e ele se retirou.
Ficou se perguntando o que poderia ser. As relações de Arendelle estavam instáveis com as Ilhas do Sul desde... Os Dias de Gelo, como todos vinham chamando. Abriu a carta sem cerimônia.
Era um convite para um evento público. O julgamento de Hans havia chegado ao fim.
Ele fora sentenciado à morte. E ela tinha sido convidada para assistir de camarote.
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— Você não pode ir, Elsa! — Anna protestava, enquanto as criadas faziam as malas da irmã, que se aprontava para a partida. — Ele nos fez mal, mas ter de vê-lo morrer já é demais!
— Eu sei, Anna. Não estou nem um pouco animada também. Só que preciso ir se quiser restabelecer uma boa relação com aquele país. Eles eram fornecedores importantes de produtos essenciais para o reino, porém com toda essa tensão entre nós, não temos recebido nada. A morte do Príncipe Hans parece algum tipo de acordo, algo simbólico. Ele morre, e o conflito também.
— Isso é errado — Anna balançava a cabeça, encarando o chão. Estava começando a chorar.
Olaf apareceu na porta do quarto e olhando a cena, fez uma careta.
— Ih... Pelo jeito cheguei numa hora ruim, hein...
Elsa suspirou, se aproximando e abraçando a irmã.
— Vai acabar logo, eu prometo.
Anna soluçou.
— Por favor, não demore muito.
— Não se preocupe, a viagem de navio dura só alguns dias e não pretendo estender minha estadia. Sairei de lá assim que puder.
Anna fez que sim, tentando sorrir.
— Não ouse perder meu casamento.
Elsa sorriu de volta.
— Jamais faria isso.
— Viagem? Oba! Eu posso ir também? — Olaf chegou mais perto das duas, animado.
A rainha deu uma leve risada, seus pensamentos longe.
— Não, Olaf, melhor ficar aqui. Essa viagem não será nada divertida, posso garantir.
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