Quando a Humanidade Sucumbe a Dor

1 Capítulo Único - Quando a Humanidade Sucumbe a Dor


Notas iniciais
Espero que gostem e que consigam compreender a mensagem que quis passar.

Aconselho a lerem ouvindo esta música, ela que me forneceu inspiração:

Inuyasha's Lullaby (Full)

O frio da noite atingia a todos com força, o céu brilhava cheio de estrelas, estas que pareciam ter fugido dos olhos dos soldados daquele acampamento, depois de tanto tempo lutando, vendo a realidade da vida ninguém possuía um brilho nos olhos, mas era possível enxergar determinação. Por mais que estivem na atual situação ainda tinham esperança, um sentimento humano curioso, mas todos ali só queriam a paz, queriam voltar para suas famílias, queriam apenas viver.

Em meio a todas aquelas pessoas estava uma garota, ela encontrava-se apoiada a uma árvore encarando fixamente a noite estrelada, como se esperasse por algo, ou visse além das estrelas. Não se engane ela estava ali por seu esforço e real mérito, só queria lutar pelo que se importava e não seria seu gênero que a impediria.

A tensão se espalhava pelo local, tão palpável que quase podia ser tocada. Eram companheiros da morte, aonde iam ela os acompanhava, só esperando pelo momento certo onde lhe ceifaria as almas. Era trágico, mas era a realidade.

Todos tinham o mesmo objetivo em mente, colocando-o em frente a muitas coisas, não se importando de estarem esgotados, de terem perdidos companheiros de guerra, de seus olhos terem visto coisas horríveis de mais para uma única vida, de poderem nunca retornar aos que amavam, era necessário ganhar, era preciso garantir a paz.

Todos ali sabiam que tanto eles quando o outro exército eram nada mais do que meros piões dos nobres, mas nada podiam fazer, existiam vidas que dependiam deles, era necessário sacrificar sua felicidade pela dos outros, era o preço a se pagar.

A soldada remexeu-se inquieta perguntando novamente quando tudo aquilo acabaria, no fundo sabia que aquele caos ainda se arrastaria por um longo tempo, mas não conseguia conter a ansiedade, era uma de suas falhas.

Tivera um árduo treinamento, os campos de batalhas eram tão perigosos quanto à politica e dinheiro que estavam por trás deles. Focou-se por um bom tempo a aprender a lutar, entender e criar estratégias de guerra, se camuflar, perseguir e a matar.

Todos ali assim como ela já haviam matado vários, ninguém possuía as mãos e consciência limpa em um exército. As mãos que estavam pousadas sobre a terra eram banhadas pelo sangue de muitos, já haviam segurado inúmeras armas, mas eram mãos que lutavam pela paz.

A hora da luta sempre chegava, como o mais rápido pássaro mensageiro, só que trazendo péssimas notícias, deixando para trás a noite estrelada e as divagações de homens e mulheres maltratados pela vida.

Quando os exércitos foram se aproximando rapidamente o choque já era esperado, a matança começava, flechas e bolas de fogo cobriam o céu, gritos preenchiam os ouvidos, corpos eram jogados ao relento, vidas eram dizimadas e gritos de medo, dor e raiva eram ouvidos.

A maioria lutava pelo mesmo motivo, muitos morriam e matavam por ele.

Estariam vivendo mais uma vez o inferno na terra, seria o valor a ser pago por tantas vidas que haviam matado? Era tudo muito cruel, tão cruel que dilacerava mais e mais o coração já enegrecido daqueles soldados.

E ali se encontravam, o céu exibia tons escuros graças as recentes bolas de fogos atiradas que geraram fumaça, um clima sórdido, corpos jaziam, inertes, decapitados, decepados, cobertos por sangue. O campo de grama baixa fora banhado por gritos, sons de armas se chocando e o clamor daqueles que morreram.

No meio de todo aquele caos, do fim de uma batalha, uma heroína foi esquecida.

Assim como os outros corpos o dela jazia sobre a terra, os olhos vidrados fixavam-se no céu, o vento que passava calmamente contrariando a anterior luta balançava seus cabelos e secava o sangue de suas feridas.

Com uma espada cravada no coração ela morreu, morreu por aqueles que acreditava, morreu para proteger os que amava, morreu tentando.

Antes de morrer ela não vira o que tanto ansiava. Queria poder ter falecido em seu leito, cercada por seus filhos e netos, com a certeza que fizera tudo que devia e pudera em sua vida, depois que seu país estivesse em paz e que estivessem todos á salvos, mas a vida era muito mais cruel do que este utópico desejo.

Não reprimiu as lágrimas quando a espada afiada lhe acertou, levando sua alma, seus desejos, seus anseios, suas vontades, sua coragem.

Caiu de joelhos quando suas forças começaram a se esvair, o gosto de ferrugem apoderando-se de sua boca, o sangue escorrendo, pingando, vertendo-se em grande quantidade, juntamente com o mar de lágrimas que lhe saiam dos olhos, olhou uma última vez em volta. Via pessoas morrendo e matando, o fogo crepitando, os gritos, o bater constante das armas, o relinchar dos cavalos, tudo em certo caos que ia se esvaindo aos poucos.

O barulho começava a desaparecer, a dor era tanta, imensa, lhe tirando o ar e a fazendo cuspir sangue, comprimindo todo seu ser, fazendo suas pernas pesarem, a cabeça latejar e as mãos tremeram. Seu coração também doía, ela não queria morrer, não queria desistir assim.

Encarou uma ultima vez o céu, como se tentasse se consolar que sua morte não estaria sendo em vão, que havia feito algo, que o mundo, a vida, não era só aquilo. Desejou com todas as suas forças que aquela guerra acabasse um dia.

Seu corpo sucumbiu a terra e foi dado um último suspiro, os olhos escuros, e que um dia foram tão marcantes, não passavam de uma sombra vazia fitando o céu.

Em meio a toda aquela destruição ninguém voltaria ao campo de batalha, ninguém voltaria para buscar um simples corpo, de uma simples garota que foi morta pela espada do inimigo. Ela morrera como tantos, como heroína de guerra, mas isso não mudava o fato de tudo ter acabado ali, em um amontoado de corpos que provava o quão cruel os seres humanos podem ser.

As guerras não poupam a ninguém, alguns sofrem mais que os outros, mas todos sofrem, lutando por um bem maior, às vezes nem lutando por algo que valha a pena, obedecendo aos que estão no comando, sucumbindo à dor e a terrível realidade.

Essa é vida, a vida que marcou e ainda marcará muitas cicatrizes em todos.

Notas finais
Como sempre estou abertas a vossas opiniões!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!