Notas iniciais
Continuando...

As lágrimas embaçavam a visão de Fabinho, enquanto ele acelerava a moto por uma estrada deserta, a velocidade o fazia pensar. Mesmo que naquele momento o que ele mais queria era parar de pensar. Será que agora ele estava entendendo o que sempre lhe disseram, que dinheiro não trás felicidade. Porque sim ele estava milionário, neste exato momento poderia está torrando sua grana no que quisesse em carros, viagens, mulheres, mas não, agora não fazia o menor sentido. A única mulher que ele desejava era um maloqueiro de rua que insistiu em ser mais atraente pra ele que qualquer outra que já conheceu, um moleque turrão e mal educado que insistiu em salvar sua vida e consequentemente se apossar dela.

Nunca se imaginara apaixonado, muito menos por Giane a mulher mais improvável de todas. Tão pouco se imaginava sofrendo por amor. Era isso que ganhava uma pessoa por ser boa? Por tentar fazer as coisas direito? Pois nunca se sentiu tão miserável na vida como naquele momento. E novamente desejou que ela não tivesse entrado em sua vida, preferia mil vezes vagar pelas ruas do que aquela dor que estava sentindo. Preferia ter morrido e descansado ao está vagando desesperado feito um louco naquela hora da noite com aquele sentimento sufocante. Desejou ter permanecido o mesmo marginal que sempre fora, mudara por ela, mas parece que não foi o suficiente. Agora ele estava mais perdido que nunca.

Curvas e derrapagem arriscadas, ele nem se importava, só queria fugir. Se caísse, se morresse não importaria, mais miserável que estava não podia ficar. E acelerou ainda mais a moto, querendo fazer com que qualquer pensamento se esvaísse.

*

A madrugada estava fria, mas nada estava mais frio que o interior de Giane, o estômago parecia ter congelado, o coração nunca tivera tão apertado no peito, e as lágrimas ainda não a tinha abandonado. Sozinha, escorada na janela da sala de sua casa, olhando pra lua dessa vez pedindo, implorando desesperadamente para que nada acontecesse a ele.

- Toma cuidado, meu amor, num faz nenhuma besteira. Toma cuidado, por favor! – sussurrava em agonia, enquanto tentava calar os soluços.

Percebeu que era ela quem estava esperando por ele. Ele disse que não iria esperar por ela, mas ela esperaria. Esperaria ele voltar, bater na sua porta e então ela se atiraria nos braços deles e jamais o largaria. Era a esperança que alimentava seu coração. Já deveria está acostumada, porque sabia que nunca iriam mudar, sempre seriam dois turrões, sempre brigariam, sempre se machucariam com palavras pesadas e desnecessárias, sempre teriam discussão que não levariam a nada, sempre teriam acusações infantis pra lançarem sobre o outro. E por mais que não admitisse, sempre estaria ali esperando por ele. E ele voltaria pra ela, ela tinha certeza que voltaria.

- Volta pra mim, meu amor, volta – sussurrava pra lua como se ela pudesse transmitir a mensagem ao seu destinatário. Mas de repente sentiu o coração aliviar, até se permitiu sorrir. Talvez uma memória bonita tivesse passado por seu inconsciente ou ela tivesse se imaginado velhinha sentada numa poltrona esperando o ranzinza do marido voltar depois de mais uma discussão. O motivo do alivio só ficou evidente minutos depois quando ouviu ao longe o motor da moto de Fabinho rangendo em seus ouvidos. Viu quando a moto passou em direção a casa de Margot. Nunca se sentira tão aliviada em sua vida.

Giane sabia que ele não iria até ela, pelo menos não agora, no máximo podia esperar que ele a chamasse para conversar pela manhã, talvez depois do casamento de Lucindo, onde os nervos já teriam se acalmado. O problema é que ela não conseguiria espera mais, não tinha mais paciência, já ficara longe dele tempo demais, já fora injusta demais e sem pensar duas vezes pegou as chaves de Margot no balcão da cozinha e se dirigiu para porta.

Margot que estava no quarto com Silvério também ouviu o barulho da moto, não tinha conseguido pregar o olho, até pensou em fazer companhia a Giane na sala, mas percebeu que a menina precisava ficar sozinha, pra clarear a cabeça, pra entender aqueles sentimentos tão confusos. Entreabriu a porta do quarto a tempo de ver a moça saindo silenciosamente de casa. Ela sorriu, sabia que Giane iria atrás de Fabinho afinal um sempre, sempre cederia ao outro. Voltou para cama e se aconchegou ao lado do homem que amava, agora dormiria tranquila.

Notas finais
*Primeiramente, queria pedir desculpas meninas se eu as decepcionei em relação ao acidente de Fabinho. Sei que eram o que vocês esperavam, mas eu posso dizer os motivos de não tê-lo feito. Primeiro, pq como eu disse a fic é baseada na letra de 'Quando você voltar' e a música fala exatamente do regresso depois de uma briga, "Meu amor cuidado na estrada" tentei colocar essa parte evidente na preocupação de Giane. Segundo, não acharia justo com o Fabinho, pareceria que a Gi só voltaria com ele por se sentir culpada, ou pq ele estava mal novamente, não quis fazer isso. Ele precisava de algo mais.

*Depois queria dizer que esse foi o penúltimo capítulo = O proximo já é a reconciliação. Peço que não esperem muito, pois escrevi essa fic de supetão, assim sem tantos detalhes, e como eu disse pequenos gesto valem muito mais que palavras.

* Mas uma vez agradeço muito as meninas que comentaram, fiquei muito feliz com os elogios, obrigada de verdade.

*Por fim, espero do fundo do coração que continuem lendo e indiquem a fic pra quem gosta do casal, pq isso é muito reconfortante pra quem escreve. E que você gostem do final.

Beijos e até!