Quando Se Assume Um Sentimento
7 O pedido da poção para o Agente da Ordem
- Por onde esteve até agora? – pergunta cruzando os braços a Canário Negro
Ollie não sabia o que dizer. Não havia inventado uma resposta precavida, pois pensara que chegaria em casa e encontraria a heroína dormindo. Não podia dizer que ficara a madruga inteira atrás de bandidos que soubessem de alguma coisa sobre o Ladrão das Sombras. Sem alternativa, resolve não dar muita satisfação.
- Estive dando uma prensa em alguns bandidos – retruca andando para o quarto.
Canário impede seu caminho, ficando no meio do corredor. Ela olha desconfiada para ele e quando ia dizer alguma coisa, Ollie a impede
- Estou bem amor. Isso que o que importa – diz acariciando seu rosto
Ela segura sua mão com força e começa a falar
- Se não quiser que eu grite com você sugiro que conte a verdade
- Ouch! – chia o Arqueiro – Estou dizendo a verdade, estava atrás de criminosos
- Tem certeza? – pergunta parando de apertar sua mão, mas a mantendo cativa
- Absoluta – fala se aproximando de seu rosto e lhe dando um selinho – Podemos fazer coisa bem olhar do que brigar
Ele a olha de cima a baixo. Canário veste apenas um baby-doll preto transparente e uma calcinha da mesma cor. Ollie pensa que ela se vestira assim para quando chegasse pudessem ter uma noite daquelas e se sente orgulhoso por ter uma mulher tão linda só para si.
- Faça sozinho – ela revida lhe dando as costas e começa a andar sensualmente para o quarto
Oliver apenas a observa, silencioso com um sorriso nos lábios. Ele tira seu chapéu e coloca seu arco e suas flechas em um lugar seguro na sala de sua casa. Enquanto faz isso, chega à conclusão que o dia, ou no caso a madrugada acordado, não havia rendido nada. Falara com vários criminosos, utilizando varias maneiras para convencê-los, mas nenhum deles dissera nada relevante sobre o bandido que está procurando. A única coisa que salvara um pouco a noite havia sido um informante vodu que conseguira encontrar. Ele dissera que o Ladrão das Sombras havia passado por ali, perguntando alguma coisa sobre como manipular pessoas. O Arqueiro ficara intrigado e perguntara se ele sabia o porquê disso. O voduista falara que não, e logo após sumira. Isso tinha sido a única coisa que o herói conseguira naquela noite, mas agora tinha certeza que o criminoso ainda estava na cidade e planejando alguma coisa. Ollie sabe que precisa dizer a Batman o que descobriu, mas decide deixar para depois, pois se sente sonolento. Ele se dirige para o quarto e quando entra olha para sua mulher deitada na cama, enrolado nos lençóis. Com a luz fraca do abajur, consegue ver seus cabelos loiros espalhados no travesseiro e sem fazer barulho deita a seu lado. Quando se vira de costas para ela e fecha os olhos, sente sua mão acariciando sua costa.
- Sabe que estava brincando não é? – Canário fala a seu ouvido baixinho
- Na verdade, acreditei que estivesse falando sério – comenta se virando para ela.
Ollie a beija nos lábios carinhosamente por um longo tempo e quando para olha em seus olhos. O resto da noite seria longa, muito longa.
- Shayera, vou com você ver o Senhor Destino – diz Diana de frente para ela.
A mulher alada para de andar e surpresa olha para a princesa
- Por quê? Não confia em mim? – pergunta com um sorriso nos lábios
- Isso não vem ao caso – retruca a amazona – Quero saber como ele fará essa poção.
- Tudo bem então – rebate e começa a andar novamente a Mulher Gavião.
Diana lhe dá passagem e a segue, andando ao seu lado. Nunca se deu tão bem com Shayera, ainda por cima depois da traição com seu povo. Mesmo depois do arrependimento da thanagariana e do perdão que recebera da Liga, a princesa não conseguia confiar nela completamente. Era a mais desconfiada em relação à mulher alada de todos. Lembra-se dá aventura que tiveram juntas quando Hades tentara sair do Tártaro e juntando suas forças conseguiram impedir. A mulher alada dissera a amazona no final que as duas eram como azeite e vinagre, davam um bom tempero, mas não se misturavam. Diana concordava com isso.
As duas se dirigem silenciosas para a área de tele transporte da Torre da Liga. A Mulher Gavião com sua tala presa pendurada na mão e a Mulher Maravilha com as mãos para trás chegam ao centro de comando rapidamente. Diana interrompe o silencio com o som de sua voz.
- Vamos com a minha nave. Chegaremos mais rápido – sugere e para de andar
- Temos que ser discretas. A casa de Destino é misticamente protegida – vira-se Shayera para ela, séria – Sua nave será vista por todos
- Ela é invisível – retruca a princesa
- Assim mesmo...
- Eu insisto – interrompe Diana
Ela começa a andar na direção contrária a que estavam e ouve os passos da thanagariana seguindo. Elas chegam ao local onde ficam as naves e a amazona para, procurando a sua. Observa que ali se encontram a nave de Batman e a branca usada pelos membros da liga quando preciso. Um pouco mais afastada vê sua nave, completamente transparente. A princesa se aproxima e aperta um botão em um compartimento secreto, que abre a entrada da nave. Ela olha para a Mulher Gavião, que parece impressionada e comenta.
- Foi um presente de minha mãe
- Um belo presente – retruca a mulher alada sorrindo matreira
Diana retribui o sorriso e Shayera entra na nave, sendo seguida por ela. Lá dentro a princesa senta na frente, onde ficam todos os comandos e a thanagariana se acomoda a sua direita. As duas colocam o cinto e a amazona fecha o compartimento de entrada. Apertando outro botão o chão se abre, fazendo as duas sentirem um frio na barriga com a queda rápida no espaço. Diana liga os motores agilmente e a nave parte em disparada, com um tranco.
- Você não muito gentil não é? – comenta Shayera olhando para o universo a sua volta
- Não costumo – diz a princesa olhando-a de soslaio enquanto pilota
A thanagariana fica quieta e apenas observa a paisagem. Depois de um tempo, alcançam a órbita da Terra e a neblina da madrugada cobre a nave, camuflando-a.
- Diana... Sei que não confia em mim depois de tudo o que fiz, mas eu deixei Thanagar há muito tempo e escolhi a Terra como lar. – diz Shayera com o olhar perdido
- Nunca duvidei disso e sei que deve ter sido difícil para você tomar essa decisão – comenta a princesa
- Você não faz idéia
- Mas você nos traiu. Admito que ainda não te perdoei, mas isso acontece com o tempo
- Você não concordou com minha volta a Liga não é? – pergunta intrigada a thanagariana
- Pra ser sincera não
- É compreensível – retruca a mulher alada – Sem contar que nós duas nunca nos demos tão bem mesmo
- Isso é verdade – comenta a mulher maravilha olhando-a de soslaio – Mas formamos uma bela dupla
Shayera sorri com o canto de boca, e Diana retribuiu o sorriso. Volta a olhar para frente e percebe que já estão próximas da casa do Senhor Destino. Ela começa a descer a nave calmamente e observa que lá em baixo, as ruas e parques estão vazios. Ainda deve ser bem cedo, pensa. Quando sua nave toca o chão suavemente, a amazona desliga os motores e aperta o botão para abrir as portas. Quando as heroínas saem da nave, a neblina cobre suas visões parcialmente e o frio faz seus corpos arrepiarem. Elas começam a andar na grama próximo a casa de Destino e quando chegam à frente de um monumento histórico alto e dourado, param.
Shayera grita bem alto uma palavra em uma língua desconhecida para Diana e na mesma hora um risco de luz dourada surge e o grande monumento histórico some, dando lugar a uma mansão bem planejada. Rapidamente as duas entram e quando Diana fecha a porta, o monumento reaparece para quem vê de fora. Dentro da casa, a princesa não houve nenhum barulho ou voz.
- Destino deve estar lá em cima – comenta a thanagariana subindo as escadas
Ela é seguida pela amazona, que apenas observa o lugar. Uma casa muito excêntrica, pensa, mas bonita assim mesmo. Quando as heroínas alcançam o segundo andar, vêem ao longe, sentada em uma poltrona de lado para uma lareira, Inza Cramer, que com seus olhos azuis apenas observa a chegada das duas.
- Bem vindas – diz sem se levantar
- Olá Inza – cumprimenta a Mulher Maravilha – Sabia de nossa chegada?
- Kent me disse que viriam
- Seu marido está em casa? – pergunta Shayera
- Ele foi para outra dimensão há algum tempo. Mas disse que não vai demorar. – responde a mulher simpática — Sentem-se e tomem um chá enquanto esperam
- Obrigada – as heroínas agradecem juntas
Diana e Shayera se sentam de frente para Inza, a princesa mais próxima da lareira e a thanagariana ao seu lado. A amazona sente o calor vindo do fogo e começa a se esquentar. A mulher de Destino pega duas xícaras de chá de uma mesinha ao seu lado e entrega para as heroínas, pegando um para si depois. Diana toma um gole e sente o gosto de erva doce bem quentinho
- O que querem de Destino? – Inza pergunta tomando o chá
- Queremos que ele faça uma espécie de feitiço para mudar nossa aparência – responde Shayera
- Ele vai gostar de fazer isso – comenta a mulher sorrindo
- Soubemos que Kent andou com problemas por causa do elmo de Nabu – diz a princesa
- Isso acontece às vezes – fala Inza – Como ele é um Agente da Ordem e sempre tem que usar seus poderes, o elmo acaba influenciando sua personalidade
- Não seria melhor ele usar outra roupa mística? – diz a thanagariana
- Reduziria seus poderes mágicos– responde a mulher – Mesmo porque um herói tem que sacrificar pelo bem
Diana e Shayera não dizem mais nada. Elas entendem muito bem o que é se sacrificar pelos outros, pelo que realmente importa. As três mulheres ficam em silencio, tomando seu chá. A princesa começa a se lembrar de quando esteve ali para entender porque Arthur tinha salvado Grod. Junto com ela estavam Superman e Shayera e eles tiveram que ajudar Aquaman e Destino a deter os monstros de outra dimensão. O silencio perdura até que é quebrado pelo som de um vento forte. A Mulher Maravilha olha para o lado e vê uma fenda tridimensional se abrir com o símbolo do destino, dourada e brilhante. De lá sai Kent Nelson, o combatente do caos. As três mulheres se colocam de pé e esperam a aproximação do herói.
- Olá Mulher Maravilha e Mulher Gavião – cumprimenta o mágico
- Destino, precisamos falar com você – diz Shayera.
- Sei disso – responde o herói – Pode nos dar licença Inza
A mulher sorri para o marido em sinal de aprovação e começa a andar em direção a outra parte da mansão. Quando os passos de Inza se tornam distantes, Shayera toma a palavra:
- Nós precisamos que faça uma poção ou algum tipo de magia
- Com que propósito? – pergunta o mago
- Mudar nossa aparência – diz Diana
- Não drasticamente – comenta a thanagariana – Mas o suficiente para que não nos reconheçam. Pode fazer isso?
- Com certeza – responde Kent – Mas preciso de alguns dias para isso
- Uma semana é o suficiente? – toma à palavra a princesa
- Sim – fala o herói
- Então daqui a uma semana voltamos para buscá-la – diz Shayera
Terminada a conversa, elas se despedem do Senhor Destino e se dirigem para as escadas. A thanagariana começa a descer na frente e Diana a segue.
- Não será somente na aparência que ocorrerão mudanças – comenta Destino misteriosamente se virando para elas
Shayera e Diana param nos degraus e ouvem atentamente as palavras do servo de Nabu. A amazona pergunta a si mesma o porquê do herói ter dito aquilo. O que aconteceria na Austrália? Pensa até em perguntar para ele, mas como Shayera recomeça a descida, resolver deixar para lá.
As heroínas alcançam a rua e novamente sentem o frio em seus corpos. Enquanto se afastam da casa do Agente da Ordem e se aproximam da nave invisível, Diana pergunta para Shayera acompanhando seu passo.
- O que você acha que Kent quis dizer com aquilo?
- Sinceramente não sei – responde a mulher alada sorrindo – Mas com certeza ele não disse a toa
- Interessante – comenta pensativa a princesa
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