Quando Se Assume Um Sentimento

5 Desejo e obrigação batem de frente


Notas iniciais
Malz a demora para postar e agradeço aos que estão lendo ^^
Boa leitura!

- O Arqueiro Verde fez um bom trabalho no Arkham não acha? – pergunta Diana para puxar assunto

- Ele foi muito esperto – comenta sucinto o morcego

Os dois estavam andando a um bom tempo pelas ruas de Gotham City. Ruas desertas e silenciosas graças à noite gelada. Bruce tinha perguntado a amazona se ela não queria ir voando após saírem do Asilo, mas ela disse preferir ir andando dessa vez. Diana se sentia cansada e com muitas dores no corpo. Certamente a luta com Cheeta havia sido muito puxada. Quando conseguira se levantar das pedras sem ajuda olhou para o lado e ao longe viu Batman sendo beijado pela felina. Por instinto, foi em direção aos dois o mais rápido que seu corpo permitiu. Sentiu uma pontada ciúmes da cena, mas viu que o morcego estava sendo obrigado a isso. Para demonstrar seu interesse, ela chamara Bruce de garanhão e ele ironizara.

- Achei estranho o alarde dos presos de repente. Tenho a impressão que tem mais alguém envolvido nisso – Batman comenta fechando os olhos

- Mesmo? Então temos que ficar atentos

- Sim. Queria ter falado com o delegado, mas ele não estava

Diana não faz nenhum comentário e segue o caminho de cabeça erguida. Também queria ter conversado com o delegado, mas em relação à prisão de Cheeta e Sombra. Como o homem que havia chamado os dois de um casal não estava presente quando levaram os criminosos, ficaria para próxima. Ela e Bruce seguiram o restante do caminho sem conversar. Às vezes, Diana comentava alguma coisa, mas o homem morcego se mantinha silencioso, como sempre.

Depois de muito andarem, chegam a bat caverna. A Mulher Maravilha senta em uma espécie de cadeira de consultório odontológico e se pergunta por que ele tinha um móvel assim. Devia ser para injetar substancias no corpo dos bandidos quando preciso e em si próprio. Batman acende as luzes e o lugar fica bem iluminado. Ela observa que o homem morcego mantém sua caverna bem arrumada. Um pouco a frente, ela vê várias telas de computador e teclados diferentes. Lembra-se da primeira vez que entrou ali, quando todos da liga estavam se escondendo das forças Thanagarianas.

Bruce pega algumas seringas e ataduras no seu armário e coloca em cima da mesa ao lado dela. Depois se afasta um pouco e volta com vidros de remédios e algodão que coloca no mesmo lugar. Ele empurra um assento com rodas próximo à princesa e se senta.

- Você é alérgica a algum medicamento? – pergunta enquanto tira sua máscara

- Que eu saiba não – responde a amazona

Ouvindo isso ele começa a colocar o liquido de um dos vidrinhos na seringa. Ela apenas o observa.

- Me dê seu braço

Diana encosta no acento da cadeira e oferece seu braço a Batman. Ele o segura e enfia a agulha. Quando o liquido começa a entrar nas suas veias, ela sente um leve incomodo, mas não se importa.

- Esse remédio é de efeito imediato. Você não sentira mais dores – fala retirando a agulha e colocando uma atadura no lugar

A amazona apenas concorda e fecha os olhos. As palavras do morcego se concretizam e as dores começam a dissipar.

- Agora sente de frente para mim – ele diz seriamente

Diana abre os olhos e faz o que ele pede. Sentada e com as pernas cruzadas, espera mais instruções. Bruce pega o algodão e o encharca com o liquido de outro vidrinho. O pedaço de branco passa a castanho escuro. Ele aproxima mais a cadeira de sua paciente e a olha nos olhos.

- Isso vai evitar que os cortes em seu corpo infeccionem e vão cicatrizar mais rápido

A aproximação de seus corpos é incrível. Batman exala toda sua masculinidade sem querer. A princesa se mantém o mais normal possível. Seu corpo esta todo unhado, e algumas partes apresentam sangue seco. O corte mais profundo era o do pescoço.

- Por que têm tantos aparatos médicos? – pergunta

- Nunca que sabe quando vai precisar – o morcego responde sabiamente

Bruce começa a passar o algodão na pele da princesa. Primeiro pelas suas pernas, cuidadosamente. Logo após ele se dirige a seus braços e molha outro pedaço com o medicamento. A pele da amazona fica quase toda marrom, mas rapidamente volta à cor normal. Sem a presença do sangue, percebe o quanto as unhas de Cheeta são afiadas. O morcego pega mais um pedaço de algodão e fica de pé, para alcançar seu pescoço. Ele se mantém concentrado e Diana vira um pouco a cabeça para deixá-lo passar o algodão no profundo corte. A distancia de seus corpos é tão pequena que ela consegue escutar sua respiração. A princesa não se mexe para não atrapalhá-lo. Quando ele para de tocar sua pele, ela levanta olhos e eleva a cabeça. Seus olhos se encontram com os de Bruce, azuis, frios e distantes. Diana sem pensar, se aproxima para beijá-lo. Ela percebe que o homem morcego faz o mesmo e fecha os olhos, esperando o encontro de seus lábios, mas isso não acontece. Bruce se afasta.

- Você vai ficar bem agora – fala friamente fazendo-a abrir os olhos – Já pode ir embora

A Mulher Maravilha o vê pegando as coisas para guardar. Ela se levanta recuperada de seus ferimentos enquanto o Batman coloca os remédios, as ataduras e as seringas no lugar. Não transpassa nenhuma emoção ou sentimento. Diana começa a andar em sua direção e pega preso junto a seu laço, uma garrafinha de vidro.

- Por que não deixou acontecer? – pergunta se aproximando

Ele não diz nada, apenas continua guardando as coisas

- Já sei... O Batman não pode se envolver com ninguém – fala com um sorriso nos lábios

- Isso só complicaria as coisas – ele retruca seriamente virando para ela

- Tenho a impressão que é a sua cabeça que complica tudo

Ele se mantém impassível como se não tivesse ouvido nada demais. Ela segura sua mão e diz

- Pegue. Vejo que também está machucado

- O que é isso? – ele pergunta

- Um elixir do meu povo. Vai se sentir melhor se beber.

A princesa de Themyscira lhe entrega o vidro e sorrindo passa a mão nas marcas em seu rosto

- Vejo que também está arranhado.

Ela lhe dá às costas e voa em direção a saída da caverna.

Batman observa a heroína indo embora. Não diz mais nada. Nem ao menos agradece pelo elixir. O que quase acontecera naquela sala o deixara cabreiro. Concluiu que sentia mesmo atração por ela, e sabia que a princesa não escondia seu interesse por ele. A aproximação de seus corpos fez Bruce sentir dificuldades em se controlar. Quando alcançou seu pescoço e parou de mexer em seu machucado, baixou seus olhos e encontrou os de Diana, bem próximos. Ela se aproximou para beijar sua boca e quando Bruce já estava fazendo o mesmo, caiu em si. Levado pela razão que ainda restava se afastou. Não podia fazer isso, não tinha tempo. Como falara para ela, isso traria problemas. Não era coisa da sua cabeça. Bruce olha para o elixir em sua mão e sorri sem graça. Ele anda calmamente para seus computadores, onde poderia manter sua cabeça ocupada. Chegando lá, o homem morcego coloca o vidrinho em cima da mesa, senta em sua cadeira confortável e encosta a cabeça, fechando os olhos.

- Batman, você esta ai? – diz uma voz ao fundo

- Estou sim... Ollie.

- Como sabia que era eu?

- Reconheci sua voz – responde o morcego seriamente se levantando da cadeira – O que quer?

- Quero conversar com você – responde misteriosamente o Arqueiro andando em sua direção

Bruce ouve atentamente o historia do herói verde e não interrompe em nenhum momento. Ollie dá detalhes sórdidos sobre o que acontecera no Arkham enquanto ele e Diana estavam atrás de Cheeta e Sombra. E Batman confirma suas suspeitas sobre o envolvimento de mais alguém na rebelião. Lembra-se muito bem desse bandido e quando o amigo termina seu relato comenta

- Eu conheci esse Ladrão das Sombras enquanto seguia a Mulher Gavião em seu encontro com Carter.

- Você o impediu de fazer alguma coisa?

- Sim e não ao mesmo tempo. Com certeza o deixei irritado.

- Como ele fugiu do Arkham e eu soube pela Shayera que você o conhecia vim bater um papo

- Ele deve estar bem forte, se conseguiu bater em todos os presos do andar de cima do Asilo

- É – concorda pensativo Ollie – Temos que pega-lo antes que faça mal a alguém ou roube alguma coisa

- Com certeza. Vou fazer o que for preciso para prendê-lo de novo.

- Eu vou te ajudar. Como acabei me envolvendo nisso, fiquei interessado – fala Ollie pegando uma de suas flechas

- A Mulher Gavião sabe que ele fugiu?

- Eu não disse pra ela. Nem mesmo J’onn esta sabendo disso. Queria falar com você primeiro

- Mantenha isso em segredo. Se chegar aos ouvidos de Shayera não conseguiremos pega-lo discretamente.

- Farei isso. Vou ver se descubro alguma coisa pelas ruas. Mantemos contato – diz o Arqueiro se dirigindo à saída

- Tome! – o morcego joga um bat comunicador para ele – Caso precise de mim ou vice e versa

- Você e seus apetrechos Bruce – Ollie diz pegando o objeto no ar e colocando no bolso

Batman ouve os passos do Arqueiro Verde se afastando e se volta para seus computadores. Senta na cadeira e clica em um botão que abre as informações do Asilo Arkham em uma das telas. Com tipos como Pingüim e Charada ali, ele tinha que ficar de olho. Clica em um botão que diz “criminosos” e digita o nome do homem que havia fugido. O Ladrão das Sombras sempre fora muito traiçoeiro. Bruce se recorda quando foi pego de surpresa por ele, enquanto estava atrás de Shayera em um templo antigo e da chantagem que fizera com Carter para que ele desarmasse a armadilha para chegar ao tesouro. A ajuda de Ollie vem a calhar, pensa. Após o carregamento da página, o morcego finalmente abre a ficha do vilão.

- Jason Mennins – diz em voz alta – Esse é seu nome verdadeiro

Bruce anda com a cadeira até o computador do lado, entra em um site de pesquisa e começa a procurar informações do homem com seu nome verdadeiro. Acha várias manchetes de jornais antigos relatando tudo o que ele havia aprontado e não se surpreende. Várias horas se passam e o homem morcego continua impassível sobre os computadores. Esta absorvendo o máximo que pode de seu inimigo para quem sabe usar contra ele. Alfred havia dito uma vez a Batman que ele ficava obcecado quando encontrava um vilão e o mordomo não estava errado.

Mais algumas horas se passam e Bruce sai de perto dos computadores, empurrando a cadeira para trás. Ele passa a mão nos cabelos lisos e olha as horas no relógio do computador que marca 23h00min. Resolve ir para as ruas de Gotham, vigiar como sempre sua cidade. Pega o elixir que Diana havia lhe dado e toma em um só gole. Sente algumas dores no estomago devido ao soco que levara de Sombra e as unhadas no rosto de Cheeta. O incomodo começa a passar e em silencio ele agradece a princesa. Coloca o vidro vazio no lugar e caminha em direção a seu carro equipado. Quando esta prestes a entrar no carro seu comunicador toca em seu ouvido.

- Batman na escuta – diz apertando o botão para atender

- Preciso que venha para torre da liga – fala Ajax na outra linha

- Estou a caminho

Bruce desliga o comunicador e fica um pouco bravo por ser chamado justo agora. Cuidar dos criminosos de Gotham é sua prioridade, mas sabe que o motivo para J’onn precisar dele na Torre da Liga deve ser importante. Pega sua máscara que deixara em cima da mesa onde havia colocado os remédios para cuidar de Diana e abre um compartimento secreto onde guarda várias armas. De lá, retira várias objetos úteis independente da missão e coloca em seu cinto. Fecha a porta do compartimento e liga seu comunicador auricular.

- J’onn, pode subir

- Ok – responde o marciano

Notas finais
Mereço reviews?!
Beijos *-*