Escuro.

Mas sentia uma presença, alguém. Mas o que ou quem seria? Parecia que sussurros me cercavam e falavam coisas deprimentes, uma atrás da outra. Eu me via cercada por coisas que estavam me dando medo, como o monstro que vivia debaixo da cama e agora estava atrás de mim. Sempre coloquei minha crença neles e nunca no homem que ficava no escuro. Mas Breu não era um homem e sim um monstro mesmo. Que se aproveitava do medo das crianças para viver. Afinal como ele consegue viver assim, desse jeito? Eu não conseguiria nem se precisasse e ainda bem que eu não preciso, porque não teria coragem e nem o dobro dela.

Coragem.

A palavra que me falta. Ou melhor, o sentimento e a emoção da coragem, muita dose dela é perigo na certa. E quando eu preciso dela nesse momento para espantar esses sussurros agonizantes, eu não o tenho. Como um efeito borboleta, Breu era resultado disso. Ficavam mais intensos e terríveis, mesmo eu gritando, uma hora minha voz não saia mais. Nem meus berros silenciosos conseguiam para tudo aquilo e eu me via aprisionada em medo.

Medo.

O lugar começa a se iluminar, e eu olhava timidamente para a luz. A lua. O homem da lua. Mas por que agora? Tinha que ser agora? Eu não consigo entender e talvez eu nem queira. “Pequena Elizabeth, tenha apenas cuidado.” Isso? Apenas isso? Tudo isso era o que ele tinha para deixar a mim? E quanto a Jack?

— Lizzy? Lizzy! Acorde! – Levantei num pulo, caindo do divã. – Você é uma garota impossível...

— Alex? O que aconteceu...? – Massageei a cabeça e me sentei no chão.

— O sono é tão pesado que você nem ouviu não é? Estamos sendo invadidos... – Ela suspirou e se colocou na porta. – Melhor você vir, vão precisar as sua ajuda.

— Mas o que...? – Senti um estrondo percorrer as paredes e olhei novamente para Alex, que se mantinha serena. – Onde tem armas?

— Não consegui com que a Fada me desse uma espada, ela não gosta muito que usemos coisas que ferem e machuquem sabe?

— Ah, entendo. Nem eu deixaria... Vamos? – Levantei e saímos passando pelos corredores estreitos

— É oficial, ou a Fada redecora esse lugar ou eu mesma faço isso, e pode apostar ela não vai gostar nem um pouco! – E demos uma boa risada com isso, mesmo que a situação não a exigisse.

Quando vimos onde ficavam todos os dentes, as fadinhas pareciam agitadas, voando de um lado para o outro e chiavam bastante.

— Meninas, ainda bem que acordaram!— Fada veio até nós e seu olhar era alarmante.

— O que aconteceu? – Perguntei, não tirando minha atenção do lugar, era assustador...

— Algo maligno está vindo. Atacando e com ajuda.— Completou e eu podia sentir que o que quer que fosse não seria bom, para mim não seria.

— E esse alguém é algum conhecido nosso? E os aliados dessa pessoa? – Alex perguntou, parecia que lera leu meus pensamentos e fez a pergunta.

— É Jack, Alex... Ou melhor, a outra coisa que o dominou... E ele quer você, Lizzy. Ele esta gritando seu nome lá fora.

Meus olhos se arregalaram, mas ela me falou que ele não sabia a localização do palácio das fadas, como ele poderia estar aqui?! A não ser que... Ai caramba, como eu sou ingênua!

— As memórias... – Sussurrei.

— Desculpe o que disse?— Fada se aproximou para ouvir melhor.

— Memórias, a outra coisa devia ter notado que aconteceu... Mas eu pensei que não houvesse perigo em vê-las... – Olhei alarmada para as duas.

— E não tem... Ele deve ter os sentidos mais apurados! E isso foi um erro, não devia ter visto as memorias dele sem que soubéssemos o que aconteceria depois.

— A culpa não é sua... – Alex pousou sua mão em meu ombro.

— Claro que é... Eu sou muito ingênua...! – Bati com a mão na testa.

— Melhor vocês se prepararem... Coelhão está ali. Ele lhes dará as armas, mesmo que com minha reprovação.

Meu sorriso saiu fraco com essa parte, pelo menos iríamos lutar. Quando chegamos até onde Coelhão estava, ele jogou uma katana para Alex e deixou comigo um arco e poucas flechas.

— Não sou tão boa de mira... – Corei um pouco.

— Terá que ter um pouco dela. Alias na escola, você sempre que aprontava conseguia acertar seu objetivo. – Ele deu uma piscadela e se afastou, se colocando em posição.

— Não acredito que ele viu minhas memorias...! – Fiquei na beira olhando onde os inimigos entrariam.

E então aconteceu, uma brisa entrou mais forte e uma sombra começou a dominar a claridade do lugar. Medonhos e cavalos feitos com o mesmo material do Sandman, a areia negra deles dava arrepios, mas não era só isso.

Gelo.

Aquilo só podia estar sendo feito por uma pessoa. Jack Frost!

— Lizzy e Alex sejam o que for não recuem o ataque. Mesmo se for Jack, ele não hesitara em atacar. – Coelhão falou pela ultima vez atacando um cavalo negro que vinha na direção dele.

Alex correu para onde ele estava e o máximo que eu fiz foi atirar em um pesadelo que a ia atacar por trás. E foi assim com os três que atacaram juntos, três flechas bem na cabeça deles.

— A pequena Lizzy... Como você é linda de perto!— Um frio percorreu minha espinha e eu apenas me esquivei para o lado, caindo no chão e olhando para o lugar onde eu estava anteriormente. O gelo com um tom negro.

— Jack! Sou eu, não se lembra? – Fiquei procurando por ele e nada, ele estava se movendo nas sombras.

— Lembrar? Como eu poderia esquecer. Você é a pessoa que mantém esse garoto imortal na reta.— Um riso deixou-me com medo e encolhi os ombros. — Pensei que fosse mais esperta, ver as lembranças de um antigo guardião mexe com ele, o abala. Mas nesse caso ele nem sentiu por minha causa.

— Deixe-o em paz! O que você quer e o que é você?! – Gritei para o nada. O lugar tinha sido envolto de sombras e nenhum pesadelo atacava mais.

— Eu sou o que vai fazer Jack Frost sumir do mapa, Eu sou Jack Black, ou o mais sombrio que isso, Jokul Frosti!— E então ele apareceu, os cabelos do alpino estavam negros e seus olhos marcado e mostrando que não se dormia há meses. E seu casaco, envolto por um pó negro.

— Devolve o Jack para mim agora...! – Minhas mãos tremiam de raiva.

— Venha pegá-lo!