Quando Meus Pés Vacilam
1 Capítulo único
Notas iniciais
Bom, esse oneshot é um presente para An-chan! Espero que goste, querida (^o^)/
Perdão. Perdão, Mana.
Peço perdão por não ter conseguido cumprir a promessa que fiz. Prometi que me tornaria um exorcista, que salvaria a todos – akumas e humanos –, que continuaria andando, mas não cumpri com minha palavra.
Escolhi esse caminho por causa da culpa que sentia por ter lhe transformado em akuma e te destruído. Queria poder me redimir de alguma forma, e ser exorcista me ajudaria a alcançar meu objetivo. Entrei na Ordem pretendendo ser o melhor exorcista e salvar o máximo de akumas possível. Essa era a minha meta. Esse era meu sonho.
Contudo, me deparei com obstáculos. Obstáculos que sem querer acabaram se tornando importantes para mim. Até mais importante que minha promessa. Sendo que nunca chegaram a ser mais importantes que você. Nunca!
Você a foi única pessoa que se aproximou de mim apesar da aparência grotesca do meu braço. Foi o único que me tratou com carinho, que cuidou de mim, que me amou. Não tinha como alguém se equiparar a você. Isso erra impossível, ou pelo menos era o que pensava.
Pensei realmente que a única pessoa que amaria seria você. E por muito tempo você foi único para mim; até ele aparecer. Jamais pensei que alguém conseguiria ocupar tanto os meus pensamentos e acabasse me fazendo esquecer você; isso me assustou. Como alguém que havia conhecido há pouco tempo poderia ter tanta influência sobre mim?
Não fazia sentido. Nossos ideais eram diferentes, não conseguíamos concordar com nada, estávamos sempre brigando e ele sempre fazia questão de mostrar o quanto me odiava. Não tinha como sentir algo por ele que não fosse aversão; mas senti. Senti algo que não esperava, algo que para mim já havia deixado de existir.
No começo o meu ódio era genuíno. A raiva se apossava de mim e a vontade de socá-lo aumentava cada vez que era chamado de Moyashi. Nossas brigas acabaram virando rotina, e parecia que ele sabia quando eu estava triste, porque as discussões pioravam nesses momentos. E, por mais estranho que possa parecer, eu gostava. Era quando estávamos tendo nossas típicas discussões que esquecia os meus problemas.
O tempo passou. Não discutíamos com a mesma frequência de antes, mas ainda havia certa rivalidade entre nós. Entretanto, sem eu perceber, comecei a desejar que brigássemos como antigamente, que ele voltasse a implicar comigo, para que eu pudesse tomar um pouco mais de sua atenção. Esses pensamentos me assustavam e preferi não me aprofundar sobre o assunto. Pensar sobre, me fazia cogitar uma hipótese que temia e que acabou sendo confirmada depois de um tempo.
Demorei a aceitar e até isso acontecer, ficar no mesmo recinto que ele era difícil. Ficava corado e meu coração batia descontrolado toda vez que o via. As pessoas achavam minha atitude estranha e incomum e apesar dos inúmeros questionamentos que faziam, eu apenas respondia que era cansaço ou que não estava me sentindo bem. Cheguei ao cúmulo de ficar olhando-o enquanto treinava ou meditava até me sentir satisfeito ou até que escutasse passos e decidisse sair antes que fosse visto.
Como eu poderia ter me apaixonado pelo BaKanda?! Com tantas pessoas no mundo, por que justo ele?! Isso me dava tanta raiva que toda vez que o via, a vontade de socá-lo era tão grande que eu tinha que fazer um esforço imenso para não realizar minha vontade. Afinal, a culpa era toda dele, certo? Foi aquele maldito que me fez ficar parecendo uma garotinha apaixonada. Sabia que era impossível que ele me correspondesse, já havia me conformado com isso e tinha decidido que iria esquecê-lo.
Entretanto, todo o meu esforço foi em vão quando me deixei levar por uma típica provocação.
Tinha acabado de voltar de uma missão e depois de comer tudo o que Jeryy sabia fazer de melhor, fui tomar banho. Precisava de algo para me acalmar. Não tinha ninguém, mas era de se esperar, já era muito tarde. Entrei na água quente, sentindo meus músculos relaxarem. Porém a sensação de paz durou pouco ao reconhecer o dono da voz que havia me insultado ao entrar. Será que ele nunca pararia com isso?
Foi então que me lembrei do motivo dos banhos estarem vazios. Kanda sempre vinha tomar banho nessa hora. Suspirei. Não sabia como havia esquecido algo assim. Pensei que ele fosse me mandar embora, por isso me surpreendi quando ele estalou a língua e entrou na água sem dizer nada. Ficamos por um bom tempo em completo silêncio até que decidi sair. Comecei a me vestir, contudo, parei assim que escutei o que Kanda falou.
Virei meu rosto e perguntei o que ele havia dito, torcendo para que ele tivesse o bom senso de não repetir; mas foi em vão.
Você parece uma criança.
Pronto! E foi por causa dessa simples frase que mais uma briga começou. Os insultos foram diversos e os socos e chutes ficavam cada vez mais fortes. Continuamos a nos bater por um bom tempo, até que um soco mais forte me fez cair, levando-o junto comigo.
Nossos rostos ficaram a milímetros de distância e tenho certeza que meu rosto ficou completamente vermelho. Kanda me encarou por longos segundos e quando foi levantar-se, o impedi.
Ei! Me solta – ele puxava seu braço com força, mas eu não tinha a mínima intenção de soltá-lo.
Não sabia o porquê de estar fazendo isso, só sabia que meu corpo ficava cada vez mais quente. Soltei seu braço e segurei seu rosto entre minhas mãos. Kanda me olhava confuso e antes que pudesse falar qualquer coisa, o beijei. Foi um beijo leve e superficial que, para minha surpresa, estava durando bastante.
Quando nossas bocas se separaram, minha respiração estava descompassada. O beijo não havia exigido muito de mim mas, meu coração batia descontrolado. Virei meu rosto para o lado, envergonhado pelo que havia feito e esperando que minha punição viesse logo.
Vários minutos se passaram e nada acontecia. Tinha medo de encará-lo, então ficamos assim por mais um tempo, até que senti sua mão virar meu rosto bruscamente em sua direção. Fechei meus olhos fortemente. Não queria ver. Não queria ver a expressão de ódio e nojo com que ele me encararia.
Olhe para mim, Moyashi.
Sua voz saiu supreendentemente calma e devagar fui abrindo meus olhos, me deparando com a expressão séria que sustentava. Não parecia estar com raiva ou com nojo, parecia pensar profundamente sobre algo.
Você sabe que isso é um pecado, não?
É claro que sei! Não sou tão burro assim pra não saber disso!
Você sabe que isso é condenado com a morte, não é?
Sei.
E que se isso chegar aos ouvidos dos comandantes seríamos, na melhor das hipóteses, presos e mantidos sob vigilância constante, não é?
Sim.
Não estava entendo o porquê dessa conversa. Pensei que ele iria me delatar aos comandantes, mas não foi isso que fez.
Ótimo. Não vou precisar me conter já que sabe de tudo isso.
O que ele quis dizer com se conter, eu descobri logo depois. Ele voltou a me beijar, sendo que estava sendo muito melhor do que o primeiro e eu me perguntava onde ele havia aprendido a beijar dessa maneira. Sua língua travava uma verdadeira batalha com a minha e ao nos separarmos, um fio de saliva ainda conectava nossas bocas. Suas mãos desceram pelas minhas costas desnudas, puxando-me para mais perto. Nossas ereções se chocaram e ambos deixamos um baixo gemido escapar.
Começou a beijar meu pescoço, mordendo-o e deixando marcas. Sua mão direita apertava meus mamilos, enquanto a esquerda acariciava minha perna, deixando-me envergonhado e cada vez mais excitado. Já não conseguia segurar meus gemidos e sabia que essas poucas carícias não satisfariam meus desejos reprimidos há tanto tempo.
Quando senti sua boca em um dos meus mamilos e sua mão em meu pênis, ouvimos passos e vozes alteradas. Pegamos nossas roupas e entramos no primeiro box que vimos. Vimos alguns cientistas entrarem e não demorarem muito para entrar na água, reclamando do excesso de trabalho que tinham.
Torcia para que fossem logo embora, mas parecia que iriam demorar bastante. Suspirei ao mesmo tempo em que senti algo quente e duro no meu quadril. Kanda virou meu rosto para si e me beijou. O beijo se aprofundou e pude sentir como suas mãos apertavam meu quadril, deslizando até aquele lugar. Fiquei tenso quando Kanda colocou um dedo dentro de mim, depois mais um e por fim, colocou os três e começou a mexê-los lentamente. Foi incômodo no começo, mas me acostumei logo e meu esforço para não gemer alto foi grande.
Quando seus dedos saíram de dentro de mim, ele puxou meu quadril para si e começou a me penetrar. Mordi meus lábios para poder aguentar a dor, mas não consegui conter algumas lágrimas. As investidas começaram lentas, tornando-se cada vez mais rápidas e profundas. Estava difícil me manter em pé, mas me sustentava como podia na porta do box.
Como você é apertado, Moyashi. É realmente muito bom estar dentro de você.
Corei. Como ele podia dizer isso?!
Ouvimos a porta do banheiro ser fechada e agradeci mentalmente por eles terem ido embora, porque assim que o som de seus passos se tornaram distantes, Kanda me penetrou profundamente , acertando em um ponto que me fez gritar de tanto prazer.
Depois disso, não consegui mais me controlar. Ele acertava aquele lugar com mais força. Não consegui aguentar e gozei e depois de mais algumas penetrações Kanda também. Nossas respirações estavam descompassadas, minhas pernas estavam fracas e sabia que se Kanda não estivesse me segurando eu já estaria no chão.
Ele realmente não havia se contido.
Sabia que ele estava sorrindo e que estava adorando me ver naquele estado. Saiu de dentro de mim e senti seu sêmen escorrer. Era uma sensação estranha e desconfortável. Pensei em me limpar, mas Kanda não deixou.
O que vai fazer?
Vou me limpar. Essa coisa está me incomodando.
Não há necessidade – me puxou para mais perto e me beijou, sorrindo com malícia. – Você irá se sujar novamente.
Repetimos a dose no seu quarto até que eu perdesse a consciência, completamente exausto e satisfeito. Entretanto, a dor que senti no dia seguinte foi suficiente para me fazer ficar na cama durante o dia inteiro. Pensei em sair para comer mas, só o ato de pensar em levantar fazia com que os meus quadris doessem terrivelmente.
Fiquei me perguntando o que tinha passado na cabeça de Kanda para fazer tudo isso e se algum dia essa loucura se repetiria. Dois dias depois, Kanda entrou no meu quarto de madrugada e nós transamos novamente, mas ele não foi tão bruto e insensível como da primeira vez.
Essas visitas noturnas continuaram, alternando os quartos. Sendo que, de vez em quando, Kanda inventava de transar nos banheiros, na sala de treinamento, na enfermaria. Isso me preocupava, porque alguém poderia nos ver mas ao mesmo tempo era excitante e, quando Kanda começava a me beijar, eu esquecia tudo e me entregava totalmente.
Para mim, toda a felicidade havia desaparecido do mundo após a partida de Mana e sabia que meus sorrisos não eram os mesmo. Nunca pensei que voltaria a me sentir desse jeito depois que Mana havia morrido. Contudo, tudo mudou quando comecei a me encontrar com Kanda. Estava feliz. Muito feliz.
Kanda continuava o mesmo de sempre. Insensível, grosso, irritante e nossas brigas não haviam mudado também. Porém, havia vezes em que acordava e sentia suas mãos acariciando meus cabelos e meu rosto. Claro que ele achava que eu estava dormindo, e é óbvio que eu continuava a fingir por um pouco mais para poder sentir o máximo possível essas raras carícias.
Não me considero uma pessoa religiosa, mas toda noite pedia a Deus para que essa felicidade durasse por bastante tempo. Pedia que ele não saísse muito ferido das missões, que ele tentasse ser um pouco mais delicado, que pudéssemos ficar sempre juntos, que ele não morresse antes de mim. Eram pedidos como esses que enchiam minhas orações. Pedia pela sua segurança com extrema devoção e esperava que Deus escutasse. No entanto, minhas súplicas não foram atendidas.
Eu o perdi. Perdi para um passado que era desconhecido para mim.
Alma. Alma Karma. Era o nome de seu passado.
Não era a primeira vez que ouvia esse nome. Já havia ouvido Kanda dizê-lo enquanto dormia. Sempre me perguntei quem seria essa pessoa que fazia com que Kanda mudasse de expressão tão rapidamente. Eu o via sorrir e no instante seguinte estava com o semblante preocupado. Não perguntei sobre Alma, esperava que ele me contasse quem era. O tempo passou e ele nada me disse. E sem querer passei a sentir raiva e ciúme dessa pessoa desconhecida.
Quando conheci a história dos dois senti pena e quis ajudá-los a se libertar. Usei um portal para levá-los embora e senti meu coração apertar ao vê-lo partir.
Lutei contra o Conde e os Noah, e assim que a luta acabou fui preso pela Ordem. Não comia e tomava pequenos goles de água. Minhas forças já estavam no fim e apesar de ter sido dito para mim que deveria continuar andando e jamais desistir, a vontade que tinha de sumir era maior. Ele não estava comigo.
Link entrou na cela trazendo a comida de Jeryy. Conversamos sobre os terceiros e percebi o quão inútil e ignorante eu era. Por não conhecê-los direito, os julguei mal. Se eu soubesse antes da vida deles, as coisas poderiam ter sido diferentes. Lembrei-me de Kanda e comecei a chorar. Meu corpo começou a ficar quente, não conseguia respirar e senti que estava perdendo a consciência.
Tudo aconteceu muito rápido. Fui atacado pelo Cardeal que apareceu de repente, Tiky e Road apareceram para me salvar e Link me ajudou a fugir. Road ao tentar me proteger foi atingida pelo Apocryphos e quando saímos da Ordem, ela me disse antes de desaparecer que Neah havia lutado por Mana. E essa frase me fez lembrar a razão de eu ter me tornado um exorcista.
–X-X-X-
Agora estou sendo perseguido pela Ordem e pelo Apocryphos. Não sei para onde vou e nem como farei para sobreviver. Também não sei o porquê de eu ter me lembrado de tudo isso, só sei que estou andando. Estou seguindo em frente. Lembrando-me da última coisa que ele disse antes de partir e que me dá forças para continuar.
Obrigado, Allen Walker. Você nos salvou.
Notas finais
Se tiver algum erro me avisem! E, sim! Eu sei que a sinopse ficou uma bosta e que não tem nada a ver com a fic ;_;
Kissu ~^-^~
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