As brigas agora eram constantes, e por maior que fosse o amor a desconfiança e mágoa eram maiores a ponto de já estar destruindo o que juntos construíram, e o amor que sentiam. Não pareciam mais o casal que anos antes lutara contra tudo pra ficar juntos.
Agora, a não ser durante as discussões, quase não se falavam e já mal se olhavam nos olhos. Passavam poucas horas juntos para falar a verdade. E na opinião de ambos, à hora de sair para o trabalho era a melhor parte do dia. Pois preferiam a distância à guerra de palavras.
A rotina da vida fez o sonho acabar, e não havia mais nada que pudessem fazer. Gerard procurava não pensar nisso, mais chegara a um ponto inevitável, e ele não via outra solução. E agora chegara o momento de aceitar o que há tempos estava decidido. E comunicaria à Frank quando chegasse a casa.
Ele queria que as horas não passassem tão rápidas, queria que demorasse mais até a hora de falar pra seu pequeno que era o fim.

Frank não confiava mais nele, e Gerard não dava motivos pra que confiasse. Saia as sextas á noite e voltava domingo de madrugada. E na maioria das vezes traia o companheiro.
Frank sabia aonde ele ia, mais por amá-lo muito, preferiu deixar-se trair, deixá-lo ir e voltar quando quisesse, por medo de perdê-lo. Frank nunca o impedira de sair, mas ultimamente era menos sutil em demonstrar seu desagrado quanto a isso, e se tornara mais áspero quando voltava. Agora eram dois estranhos que moravam na mesma casa, e nada mais que isso.
Frank se tornara indiferente e alheio a tudo em relação ao que Gerard fazia. E Gerard se acostumou bem rapido a essa nova atitude. Muitas vezes agora, Frank se pegava perguntando se tinha valido a pena brigar contra o mundo pra ficarem juntos, porque não era mais o que queriam.

Gerard estava no carro, a caminho de casa, não tinha duvidas do que tinha que fazer, ele cansara de magoar Frank, o único culpado de existir um Frank mais frio e alheio era ele, e este sabia disso.
Mais nunca em nenhum momento de crise duvidaram do amor que sentiam. Mais amar também é fazer o melhor pro outro e era isso que faria.
Gerard nunca se acostumara a ser “casado”, e Frank se acostumara rápido demais, pois idealizava a família perfeita e com estabilidade.


Já em casa, Gerard encontrou Frank sentado no sofá, com um falso interesse no livro que segurava.
— A gente precisa conversar. – Gerard tentando manter a voz firme.
— Hum. — recebeu em resposta do outro, como demonstração de que este escutava.
Gerard sentou na poltrona defronte a de Frank, que se recusava a olhá-lo.
— Não dá mais né?- continuou Gerard fingindo não notar a indiferença do outro. -Eu acho que é melhor a gente terminar aqui. – falou, despedaçado por dentro.
-Como assim? -Frank pareceu surpreso.
— Cansei de te fazer sofrer Frank — Gerard impacientou-se com o ar de surpresa do outro – E não finja que não sabia que isso ia acabar acontecendo.
Depois de uma longa conversa dolorosa e esclarecedora, anunciaram a casa à venda.
Frank se mudou na mesma noite para Bellevele, e Gerard para seu antigo apartamento, em Newark mesmo.

Frank era filho de um empresário muito importante em Nova Jersey, com qual brigara ao sair de casa para morar com Gerard. E esse aceitou o filho de volta.
Sem duvidas, era a melhor decisão que tinha tomado, Frank vivia melhor sem ele.
Com o tempo passando, foram se acostumando com a ausência um do outro, e seguiram cada um com suas vidas. Gerard não demonstrava saudade, apesar de senti-la.
Na manha de domingo, como de costume, Gerard fora até a porta de o apartamento pegar o jornal. Sentou-se no sofá com uma xícara de café numa mão e o jornal na outra. Pousou a xícara na mesinha de centro, Folheando o jornal. Parou de repente na coluna social ao avistar a foto de Frank com uma mulher muito bonita, de cabelos escuros, pele alva e olhos claros, Jamia Nestor. Era a noticia do casamento dos dois. Gerard já havia pensado na idéia de Frank se casando com uma mulher.
O sentimento de perda fora inevitável. Mais fora ele mesmo que optara pela separação, e agora seria assim, ele querendo ou não.

Gerard voltou á atenção para foto, mas sem prestar atenção em Jamia e sim em Frank. Não mudara muito, só o cabelo que tinha partes vermelhas agora, e ele deixara a franja crescer. O Pai deve ter parado de implicar com a aparência dele, agora que sabia que a aparência estranha não era o pior que Frank podia fazer com sua reputação — Pensou Gerard.


Ele estava certo. A partir do momento que Frank entrou em casa, seu pai se tornou muito mais flexível as suas vontades, porque ainda julgara o “casamento” de Frank com Gerard um castigo por sua intolerância. Agora mantinha uma posição bem-mais amigável com o filho.
Jamia Nestor era filha de um empresário amigo do pai de Frank, que em uma festa que a família dera ele a conheceu. Ele não sabia o que sentia por ela, mais não era amor. Há tempos aprendeu a não pensar em Gerard. Apesar de tudo,não era raiva o que Frank sentia, era mágoa e desilusão.
A saudade era inevitável. O amor não morreu com o passar do tempo, ou com a falta de convívio.
O tempo trouxe o arrependimento a Gerard pela decisão, Frank pode ter vivido muito melhor, com a proteção do pai, com a estabilidade no casamento que tanto sonhava, mais Gerard sentia, sabia que podia fazê-lo mais feliz. Gerard já o fizera mais feliz antes.

Varias vezes preparava cartas, a maioria nunca chegaria ao destino, mais uma ele decidiu enviar depois de relê-la inúmeras vezes, não queria que a carta fizesse Frank infeliz com a vida que tinha agora:
“Caro Frank,
estou te escrevendo essa carta pra tentar organizar em palavras tudo que está em meu coração há cinco anos, cinco longos anos em que eu não tive você aqui.
Eu sei, admito que por culpa minha, fui um péssimo marido e passo que me perdoe por ter te feito sofrer tanto, só agora eu posso ver o mal que te fiz. Éramos muito jovens, eu tinha 21 e você 19 quando fomos morar juntos, foi a melhor decisão da minha vida! Conseguimos ficar quatro anos juntos, e agora eu percebo que tornei os melhores quatro anos da minha vida, os seus piores quatro anos. Egoísta só pensei em mim, todo e tempo, enquanto você sangrava por dentro com tudo que eu fazia.
Eu nunca vou me esquecer do dia em que você saiu pela porta da nossa casa, depois do fim da nossa relação. Quando você saiu daquela casa pela ultima vez, essa foi também a ultima vez que vi você.
Eu entendo que você não queira me ver, e sinceramente por mais que me doa dizer isso, eu prefiro assim. Eu não conseguiria te ver indo embora de novo. Eu não conseguiria continuar vivendo sem-ter você.
E não quero que isso pareça um suplica, mais eu sempre vou amar você

só peço que você tente não me esquecer.

Atenciosamente, Gerard”
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Dias, meses até uma resposta:

“Gerard,
Estou lhe respondendo pra te dizer que não o odeio. Apenas não te quero mais ao meu lado.
Não quero que o que eu diga pareça rancor ou arrependimento. Não é isso. Mais larguei muito pra ter sua companhia todos os dias. Troquei tudo, minha vida, minha casa, o convívio da minha família, e você o que trocou por mim? Nada! Se recusou a trocar suas noites nas boates por mim, e eu não vou dizer que isso não machucou.
Eu sofri, chorei, e reconstruí tudo que você destruiu em mim. As feridas não cicatrizam, mais a dor passa. Pensei em você tudo que tinha pra pensar, chorei por você até perceber que isso não te traria de volta. Eu entendi que você me fez sofrer quando estávamos juntos, e eu decidi que não te deixaria me fazer sofrer agora não estando mais comigo!
Eu sinto muito que você tenha entendido tudo, agora que já é tão tarde.
Eu consegui seguir minha vida agora, e também não quero te encontrar.
Eu queria poder responder que também te amo, mais seria mentira. O amor que eu sentia por você se transformou em decepção, e isso nada vai mudar.
Não me entenda errado. Não te quero mal, só não te quero mais pra mim!

Frank”


Gerard não sabia se preferia o silencio de Frank ou aquela resposta fria e sem emoção.
Enquanto isso, Frank relia emocionado a carta de Gerard pela milésima vez, trancado no quarto enquanto Jamia batia na porta nervosa gritando seu nome.

Fim.

Notas finais
Por favor, deixe seu comentário. Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!