¿Qué Hay Detrás?
6 Vou Voltar a Viver Pra Mim
Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo para vocês. Curti escrever esse, espero que gostem também :)
POV Maxi
Cheguei ao campo de ensaios, sentei-me na arquibancada e fiquei observando as meninas ensaiarem sua coreografia, seus pulos e manobras. Avistei Camila com seus cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo que balançava de um lado para outro enquanto ela pulava, e pensei comigo se estava fazendo a coisa certa. Sim, eu estava! Camila já não era a mesma de quando começamos a namorar. Sempre fora ciumenta, mas estava passando dos limites. Brigar e tirar satisfação com a Naty por conta de uma conversa que nem existiu, e falar sobre algo que não lhe diz respeito por ciúmes, isso tinha sido de mais.
Havíamos terminado e voltado aproximadamente quatro vezes em menos de um ano, e em todas as vezes que acontecera, sempre fizera questão de sair com as amigas “para abalar” como costumava dizer, enquanto eu ficava em casa esperando o momento em que a mesma ia bater em minha porta e pedir desculpas pelo novo acesso de ciúme. Eu gostava muito de Camila no início do nosso namoro, não a amava ainda, mas gostava. Éramos amigos desde o jardim de infância, é clichê, mas é verdade, depois aprendi a amá-la, mas depois do segundo término, meus sentimentos por ela mudaram, e comecei a somente suportar nosso namoro, não sei o porquê de ainda não termos terminado realmente, acho que estava esperando um motivo, e me parece que ele apareceu.
Fiquei ali sentado por alguns minutos, e quando o ensaio acabou Camila, que já havia notado minha presença, e me dado apenas um aceno, pegou sua bolsa e subiu na arquibancada se sentando ao meu lado.
- Oi meu amor – ela falou sorridente.
- Oi Cami – respondi desanimado.
- Está tudo bem? – perguntou, notando a diferença em minha voz.
- Precisamos conversar.
- O que foi? – falou já mantendo a voz firme.
- O que quero te dizer, é algo que mais cedo ou mais tarde, nós sabemos que iria acontecer...
- Desembucha logo!
- Quero terminar! – exclamei sem rodeios.
- Não.
- Não, o quê?
- Não quero terminar com você...
- Ora Camila, nós dois sabemos que não ia demorar muito mais pra isso acontecer, de novo! E, aliás, isso não é uma decisão só sua – previa que seria uma longa conversa.
- Nem só sua você quer e eu não, e talvez não acontecesse mais... Até porque, você só está terminando comigo por causa daquelazinha.
- Quem? Naty? – me arrependi de ter falado isso.
- Viu, nem precisei falar o nome dela e você já sabia quem era.
- Naty não tem nada a ver com a minha decisão – menti.
- É lógico que tem... Desde que você soube que falei com ela, está diferente comigo, só querendo conversar e brigar, até agora, que veio terminar – falou parecendo triste.
- Claro que o que você fez não foi certo, mas já conversamos sobre isso, e a decisão de terminar com você não partiu disso.
- É óbvio que partiu – ela se levantou e pegou sua bolsa. – Mas quer saber? Não vou ficar aqui falando com você sobre isso, quer terminar? Terminamos! Só que dessa vez vai ser diferente, não vai mais ter volta, Maxi – falou séria olhando para mim. – Você vai se arrepender por isso, e vai ser tarde...
Ela virou as costas e saiu sem esperar qualquer resposta minha.
Levantei-me e segui para minha casa, não havia mais o que fazer na Universidade hoje. Estava seguindo o mesmo caminho de todos os dias, quando passei em frente ao café Ornella’s e avistei através do grande vidro Naty, Violetta e Francesca sentadas em uma mesa rindo. Fiquei por alguns minutos admirando aquela cena, mas resolvi voltar a seguir meu caminho, antes que elas me vissem.
POV Naty
Depois do acontecido com Maxi na biblioteca, resolvi ir para casa, mas, quando estava saindo da Universidade, encontrei Vilu e Fran saindo juntas, elas aproveitaram e me chamaram para tomar um café. Viemos até um lugar chamado Ornella’s, era pequeno, porém, aconchegante. Fizemos nosso pedido e conversamos sobre a vida. Em um momento, falando sobre os acontecimentos do dia, acabei falando sobre o que acontecer na biblioteca, mas assim que o fiz pensei, por quê? Um turbilhão de perguntas surgiu partindo das meninas, até aquela que eu já imaginava aparecer em algum momento da conversa.
- Você tá afim dele, não tá? – veio da parte de Fran.
- Claro que não! – respondi rapidamente.
- Acho que não acredito em você.
- Não faz sentido nenhum eu gostar dele, nos conhecemos há dois dias.
- Você nunca ouviu falar em amor à primeira vista? – perguntou Vilu toda ingênua.
- Não acredito nisso, desculpa – falei sincera.
- Tudo bem, mas acho que existe – riu.
- Ah Naty, faz dois dias que vocês se conhecem, mas desde então, muita coisa já “rolou” entre vocês... O esbarrão na saída, Maxi te “defendendo” da Camila, essa cena na biblioteca – Fran comentou.
- São coisas que acontecem, poderia ter sido com qualquer outra pessoa – continuei firme com minha opinião.
- Você só não quer dar o braço a torcer e falar que está mexida por ele – Fran e Vilu riram.
- Vocês são duas bobas! – exclamei rindo.
Ficamos ali mais algum tempo e depois seguimos para nossas casas. Em casa foi tudo bem, conversei com meus avós, jantei, tomei banho e fui dormir.
Desde que tinha voltado a estudar não havia mais tido pesadelos, talvez pelo cansaço de sair de casa cedo e chegar tarde, ter que estudar e ajudar em casa, ocupando a cabeça durante todo dia, me fazia estar cansada demais para que eles ocupassem minha cabeça à noite.
*
Acordei na manhã seguinte, me aprontei e desci para o café. Vovó estava servindo a mesa, sentei-me.
- Bom dia, vovó!
- Bom dia, meu amor – sorriu.
- Onde está o vovô? – estranhei que ele não ocupava a ponta da mesa.
- Saiu cedo – comentou. – E você, dormiu bem? Está com uma cara ótima!
- Dormi sim. Faz dois dias que não tenho pesadelos, isso me faz bem.
- Fico feliz por você – ela comentou sentando-se no seu lugar. – Mas essa carinha não é só de quem não tem pesadelos, é cara de gente apaixonada! – exclamou.
- Até você, vovó? – eu ri. – As meninas estão com isso também, não tenho nada de apaixonada... Você sabe que vai demorar muito pra isso acontecer de novo, talvez nem aconteça mais – falei cabisbaixa.
- Não fale assim, minha filha – vovó começou, sabendo que eu me referia a Joaquim. – Tenho certeza que ele não gostaria que você ficasse para sempre sem ninguém e falando desse jeito. Você precisa tocar sua vida.
- Eu sei que não, vovó, mas é que ainda não me sinto preparada para um novo amor.
- Para o amor não se precisa estar ou não preparado, só precisa esperar que ele chegue e aconteça naturalmente – falou ela com grande sabedoria.
- Mas eu não estou apaixonada, vovó, não há ninguém – menti.
- Não precisa mentir para sua avó – ela riu. – Mas também não precisamos ter essa conversa agora, você já está atrasada – disse olhando no relógio da parede.
- É mesmo!? – tomei um susto quando vi a hora. – Vou indo, vovó. Tchau – levantei-me e dei um beijo em sua bochecha antes de sair.
Segui meu caminho até a faculdade pensando na conversa que acabara de ter com minha avó. Eu sabia que Joaquim não gostaria que eu ficasse sem ninguém, e os pais deles, sempre que me encontravam – continuávamos a nos ver quando eu ia para Buenos Aires -, perguntavam sobre meus namorados e falavam para eu tocar minha vida. Eu iria fazer isso. Não agora.
Cheguei e fui direto para sala, entrando junto com o professor, sentei-me ao lado de Violetta, como todos os dias, e prestamos atenção na aula. Na hora do intervalo fomos para o refeitório e nos sentamos com León, Francesca e Federico não ficariam conosco hoje, pois tinham prova e preferiram ficar na sala estudando. Comemos conversando sobre a vida e a faculdade. Assisti às outras aulas do dia na companhia de Violetta, e por ser meu terceiro dia e alguns professores ainda não me conhecerem, seguíamos a tradição da apresentação antes de iniciar a aula.
A aula chegou ao fim, Violetta não fez companhia até a rua, quando cada uma seguia seu caminho, pois precisava falar com León. Mesmo conhecendo-a a pouco tempo, sabia que Vilu não queria falar nada para ele que não pudesse esperar, ela só queria vê-lo e ficar um pouco com León antes de ir embora. Eu achava isso fofo. Os dois se mostravam muito apaixonados quando estavam juntos, e mais ainda quando estavam separados, pois em qualquer brecha da conversa, Violetta sempre falava de León e de onde eles iam, o que faziam juntos, e eu e Fran – bem mais largada no namoro -, só suspirávamos ouvindo.
Despedi-me de Violetta ainda na sala e sai pegando o caminho até a saída do prédio estava caminhando calmamente, olhando para frente, quando comecei a sentir alguém caminhando ao meu lado, no mesmo ritmo que eu. Olhei para o lado e lá estava ele, Maxi.
- Oi Maxi – sorri.
- Oi – respondeu. – Podemos conversar? Queria te contar algo.
Notas finais
Obrigada a todos que estão lendo!
Bjbj ♥
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