¿Qué Hay Detrás?
26 Pra Te Fazer Lembrar
Notas iniciais
POV Maxi
A manhã seguinte chegou rápido, exatamente como eu queria. Acordei animado, levantei-me e fui tomar banho. Minha mãe não estava no quarto, mas podia imaginar que ela estava resolvendo a papelada da alta.
Após o banho voltei para “meu” quarto no hospital devidamente vestido e pronto para ir. Minha mãe já havia voltado e estava na presença do doutor Sawdicott. Os dois sorriram a me ver.
– Vejo que tem alguém animado para ir embora, até acordou cedo – riu o doutor.
– O senhor não sabe o quanto, tudo o que mais quero é voltar para casa, para a faculdade e para minha vida normal.
– Vai com calma, garoto... Você ainda tem algumas restrições quando “vida normal”.
– Como assim? – perguntei confuso.
– Você precisa ficar afastado de esportes ou outras atividades que envolvam esforço físico por enquanto – ele falou tranquilamente.
– Isso não será problema, eu não vou jogar o campeonato estadual esse ano, então, nem estou mais treinando com o time – comentei. – Mais alguma coisa?
– Só o que já conversamos ontem, sobre voltar aqui toda semana ou a qualquer momento que sentir dores.
– Eu virei! – afirmei.
– Então, está dispensado. Vemo-nos na semana que vem. Sua mãe tem todas as informações da consulta – ele comentou estendendo a mão para um cumprimento.
– Obrigado por tudo, doutor. Até semana que vem! – retribui o aperto de mão.
– Obrigada, doutor – minha mãe também o cumprimentou.
– Juízo hein – ele falou por fim, rindo.
– Eu terei...
Depois mamãe e eu saímos do quarto e fomos para estacionamento, para finalmente irmos para casa. Haviam sido poucos dias no hospital, mas não queria voltar ali para ficar tão cedo. Entramos no meu carro, o qual minha mãe estava usando e seguimos para meu apartamento.
Quando chegamos lá e entramos tudo parecia diferente, mas igual ao mesmo tempo.
– Eu não mexi em nada enquanto você estava no hospital, somente vim aqui pegar suas roupas, tomar um banho, mas tudo continua exatamente como estava... – ela comentou.
– E mesmo assim algumas coisas parecem diferentes – comentei olhando ao redor. O apartamento estava com uma decoração diferente, uma decoração bonita eu diria. Porém, a mesma não parecia ter sido feita por mim. – Acho que outra pessoa andou mudando as coisas por aqui – falei por fim.
– Sei que Naty passou um tempo com você aqui, talvez tenha sido ela – mamãe falou tranquilamente.
– Passou um tempo aqui? Como assim?
– Você teve um resfriado bem forte e ficou alguns dias de atestado. Como é bem teimoso e não come ou dorme direito, Naty ficou aqui cuidando de você.
– Ela parece tão atenciosa – falei lembrando-me de tudo que já havia escutado sobre Naty e sua delicadeza e predisposição para cuidar de todos.
– Tenho certeza que ela é – minha mãe confirmou.
– Bom, não importa quem foi – falei mudando de assunto. – Está tudo ótimo e é bom estar em casa – falei jogando-me em minha cama.
– E eu fico feliz que você esteja bem, meu amor – minha sentou-se em minha cama e me posicionei ao lado dela. – Fiquei tão preocupada!
– Mas agora eu estou bem, pronto para outra...
– Não fale uma coisa dessas – ela me repreendeu. – Você nos deu um susto daqueles... Não imagina como seu pai ficou por não poder estar aqui.
– Vou ligar para ele depois – sorri e ela sorriu de volta. – Fico feliz que você tenha vindo, eu estava com saudades – abracei minha mãe pela primeira vez depois de dias.
– Eu também estava – ela retribuiu me abraçando forte.
– Quando você vai embora? – perguntei quando nos soltamos do abraço.
– Em dois dias...
– Já?
– Eu preciso filho. Outras crianças precisam de mim – ela falou referindo-se as crianças que ela ensinava. – E você vai ficará em boas mãos, todos os seus amigos são bem preocupados.
– Sim, eles são – sorri lembrando-me deles.
– Vou fazer alguma coisa para comermos – ela falou levantando-se e indo para cozinha.
Eu me joguei de costas na minha cama novamente e fiquei olhando para teto e pensando. Pensei em Naty, pensei em Camila, pensei em como minha vida seria daqui para frente. Solteiro e recomeçando tudo novamente. Iria ser estranho.
Levantei-me e comecei a olhar as coisas no apartamento de novo, entrei no banheiro e vi que tinham alguns produtos do quais não lembrava usar. Abri meu guarda roupa e algumas roupas ali também não eram minhas. Sim, alguém tinha andando por aqui. E sim, esse alguém era Naty. Falaria com ela na manhã seguinte na universidade.
Não demorou muito para que minha mãe aparecesse na porta da cozinha e me chamasse para comer. Fui até lá e tivemos um almoço juntos após alguns anos.
POV Naty
Há essas horas Maxi já estava em casa. Graças a Deus a estadia dele no hospital foi curta e agora ele poderia voltar a sua vida normal. Seria difícil reencontrá-lo todos os dias na universidade e não poder tocá-lo, beijá-lo e sermos felizes como antes. Ainda mais, ser amiga dele como antes, teríamos que voltar a estaca zero e recomeçarmos nossa amizade. Seria tão estranho.
Eu estava na faculdade, perdida nas minhas memórias durante as aulas, e fiquei feliz quando o professor disse que estava na hora do intervalo. Fui para intervalo encontrar o pessoal.
Eles estavam lá, sentados todos juntos como todos os outros dias. Fiquei observando-os e pensando em como tinha encontrado amigos perfeitos quando tudo em minha vida estava perdido. Como eles tinham sido prestativos em todos os momentos, como eram legais. Francesca me viu e sorriu acenando, eu me juntei a eles.
– Como estamos hoje? – perguntou Vilu.
– Tudo bem... Maxi já está em casa, fico feliz por isso – sorri.
– Todos ficamos – Fede comentou. – Tenho certeza que logo, logo vai tudo se resolver entre vocês.
– Vamos deixar o tempo resolver né – falei. – Primeiro ele tem que estabilizar em casa, na faculdade, na vida... Depois vamos conversando, afinal de contas, agora somo dois estranhos e tenho que primeiro ser amiga dele.
– Tenho certeza que com tudo que vocês já compartilharam nesses dias nos quais ele esteve no hospital você já se tornaram amigos – León comentou.
– Tomara, seria menos uma coisa – sorri.
Ficamos conversando amenidades enquanto terminávamos nosso almoço e depois cada um seguiu para suas respectivas aulas. Após as aulas fui para casa, tinha alguns trabalhos para escrever e algumas matérias pendentes para estudar.
Passei minha noite com a cara nos livros, o que foi bom, porque por algumas horas me esqueci de Maxi. Levantei-me da frente do computador para pegar um livro na gaveta do meu criado-mudo. Peguei o livro e senti algo caindo no chão, olhei para baixo e era uma foto. Nunca havia visto aquela foto antes. Juntei e comecei a admirá-la. Eu e Maxi. Sorridentes. Sentados na sorveteria. Não me lembrava do momento no qual ela foi batida, com certeza alguma das meninas secretamente. Sorri para mim. Virei a foto e tinha uma pequena dedicatória.
“Naty,
Às vezes a vida não é justa. Você sabe do que eu estou falando. E não só nesse momento que você passou algum tempo atrás, mas em outros, coisas que não gostaríamos acontecem. Só queria te dizer para continuar forte e sorridente (como nesta foto), porque esses momentos vão passar. E se não passarem, eu estarei lá para te consolar. Nunca desista!
Te amo,
”
É claro que terminei de ler isso com os olhos marejados, mas ao mesmo tempo feliz. Eu não iria desistir Maxi, não iria desistir de você.
Coloquei a foto em cima do criado-mudo e voltei aos meus estudos, estava renovada para encarar os próximos dias e lutar pelo amor.
***
POV Maxi
Quarta-feira amanheceu ensolarada. Acordei cedo e feliz, finalmente voltaria à universidade, e nunca achei que fosse ficar tão feliz por ir para aula. Levantei-me do sofá, já que havia dado minha cama para mamãe, apesar de muita luta da parte dela. A mesma continuava dormindo, o que era ótimo, pois havia se cansado demais no hospital. Tomei um banho, um café bem reforçado, juntei meus materiais e sai sem fazer muito barulho.
O caminho para a faculdade foi tranquilo. Caminhei ouvindo minhas músicas e tranquilamente. Cheguei ao campus cedo e tomei o caminho para sala. Algumas pessoas me cumprimentaram no corredor e sorriram, provavelmente porque me viram melhor.
Cheguei a minha sala e vi León sentando no meio da sala, sentei-me ao lado dele, que já sorriu a me ver.
– E aí cara, de volta então... – ela falou.
– Finalmente! – sorri.
– Bom ter você de volta, temos muitos trabalhos para fazer – ele riu.
– Como assim? – eu ri. – Falto uns três dias de aula e já tenho trabalhos!?
– Temos – ele retificou. – São alguns em grupo, como sou seu amigo te coloquei no grupo.
– Valeu cara, te devo uma – comentei.
– Não se preocupe não, tem bastante coisa pra você digitar – falou rindo.
– Tá né.
– Mas e no mais, como estão seus problemas com as meninas? – León perguntou referindo-se a Cami e Naty.
– Não estão... Preferi terminar com Camila, por causa de tudo que me falaram que aconteceu nesses dois meses, do tipo eu ter namorado Naty e tudo o mais. E Naty, bem, conversamos... Acho que somos bons amigos.
– Já é um bom passo – ele comentou. – Ela ficou bastante preocupada com tudo...
– Posso imaginar apesar de não me lembrar dela, Naty tem se mostrado extremamente atenciosa e ajudado muito.
– Porque ela te ama, cabeção – León falou e fiquei pensando nisso.
O professor entrou na sala e começamos nossa aula. Com minha felicidade por estar de volta, tudo passou rapidamente. Logo já estava na hora do almoço.
Fui para o refeitório com León e nos juntamos à mesa dos meus amigos, Francesca e Federico já estavam lá quando chegamos, não demorou muito para que Naty e Vilu aparecessem e se juntassem a nós. Não dava para esconder que o clima ficou meio estranho comigo e Naty sentados juntos, mas conseguimos ter uma conversa legal, todos juntos.
Quando estava na hora de voltar, pedi para que Naty ficasse um pouco mais, precisava conversar com ela. A mesma assentiu e nos despedimos do pessoal.
– Você precisa de alguma coisa? – ela perguntou preocupada.
– Não, tudo bem... Obrigado pela preocupação.
– De nada... E então, o que é?
– Bem, eu voltei para casa ontem... E bem, tem algumas coisas diferentes por lá, minha mãe disse que tem uma mãozinha sua, já que você ficou um tempo por lá e tudo o mais que você já sabe...
– Ah, me desculpe – ela falou abaixando a cabeça.
– Não estou reclamando, na verdade, parece bem mais bonito do que me lembro – sorri para quebrar o gelo. – O que queria dizer, é que olhando ao redor encontrei algumas coisas suas... Estava me perguntando se você não precisava delas.
– É mesmo, tenho algumas coisas na sua casa... Talvez fosse interessante buscar, não quero causar problemas para você – ela falou e fiquei confuso.
– Problemas?
– Camila pode não gostar de ver coisas de outras meninas por lá – falou tranquilamente.
– Camila não tem nada a ver comigo mais, só pensei que você poderia precisar de suas coisas.
– Quando posso buscar?
– Se você quiser, podemos ir juntos depois da aula...
– Claro – ela sorriu. – Nos encontramos no final da aula – falou e se levantou.
– Até lá – sorri de volta e me levantei também. – Boa aula.
– Pra você também – ela falou e sumiu pela porta do refeitório.
POV Naty
Então ele e Camila não namoravam mais, era uma notícia interessante, mas mesmo assim ainda existiam obstáculos entre nós que precisaríamos ultrapassar.
Voltei para minha sala e comentei com Violetta sobre a conversa que acabara de ter com Maxi.
– Pelo menos eles não estão mais juntos – ela falou feliz.
– É sim – comentei chateada.
– Vai dar tudo certo, Naty. Tenha fé – ela falou me animando.
– Nunca perco.
A aula da tarde passou rapidamente, logo já me via saindo da sala e encontrando-me com Maxi no corredor para ir para a casa dele.
Nosso caminho até lá foi silencioso, quando trocávamos algumas palavras era para eu contar alguma das coisas sobre a minha das quais ele já sabia, mas que mesmo assim eu contava com o entusiasmo de sempre.
Chegamos e entramos. Olhei ao redor e sorri, era bom estar de volta, apesar de que por pouco tempo. Helena apareceu na porta da cozinha com a chave do carro nas mãos.
– Oi Naty, que bom te ver – ela sorriu e me abraçou.
– É bom ver você também – retribui o abraço.
– O que te traz aqui?
– Vim pegar algumas coisas que deixei por aqui – comentei e ela desfez o sorriso.
– Ah sim – foi o que falou. – Eu estou saindo, vou ao mercado comprar algumas coisas para esse garotinho – riu. – Espero ver você quando voltar.
– Claro – foi o que falei, apesar de achar que não estaria mais ali.
Helena saiu fechando a porta atrás de si. Larguei minha bolsa no sofá e comecei a olhar ao redor lembrando onde estariam minhas coisas.
– Maxi, você pode me arrumar uma bolsa para colocar tudo? – perguntei.
– Claro, um segundo.
Logo ele voltou da cozinha com uma bolsa para que eu pudesse juntar meus pertences, e começamos a fazer isso junto.
POV Maxi
Ajudei Naty a juntar seus pertences, enquanto ela foi ao banheiro, juntei pelo quarto/sala, depois ela finalizou na cozinha. E sim, ela realmente tinha deixado muita coisa por aqui.
– Parece que é isso – ela falou colocando a mochila nas costas e juntando a bolsa do chão.
– Parece que sim, você precisa de ajuda? – perguntei dando uma última olhada no meu armário.
– Não, tudo bem – ela falou.
– Mais uma coisa... – eu falei. Eu estava com a porta do armário aberta, então Naty não podia me enxergar. Eu tinha acabado de entrar um casaquinho preto misturado as minhas coisas. Era claro que ele pertencia a Naty. Coloquei-o próximo ao meu nariz e pude sentir aquele cheiro que fez meu corpo tremer e minha memória embaralhar. Parecia que minha mente queria dizer alguma coisa.
– O quê? – ela perguntou. Então resolvi aparecer e olhar para ela.
– Nada não... Engano – falei colocando o casaquinho de volta em meu armário.
– Então vou indo – ela falou por fim. – Obrigada por me lembrar disso – apontando para a bolsa de pertences.
– Por nada – respondi e me aproximei para abrir a porta. – Tem certeza que está tudo bem em carregar sozinha?
– Sim, não se preocupe – ela saiu e virou para olhar para mim, já na parte de fora de meu apartamento. – Fico feliz que esteja de volta – sorriu.
– É bom estar de volta – comentei.
– Até amanhã – ela falou.
– Até! – e inconscientemente dei um beijo em Naty. Sorrimos. Ela desceu e eu fechei a porta.
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