¿Qué Hay Detrás?
24 Perder Você
Notas iniciais
“Não sei. Quem é você?”, essas foram as primeiras palavras de Maxi para mim assim que ele acordou do coma, e eu não podia acreditar. Meu coração ficou em pedaços após ouvir aquilo. Meio desnorteada com o tudo, resolvi deixar o quarto dele.
POV Narradora
Naty saiu do quarto e sentou-se na sala de espera de cabeça baixa. O clima no quarto estava um pouco tenso, então o médico mandou que todos saíssem e o deixasse sozinho com Maxi.
– Precisamos fazer mais alguns exames, peço que deixem o quarto e volto a conversar quanto tiver notícias.
– Vamos, crianças! – disse Helena fazendo com que todos deixassem o quarto. E eles foram para onde Naty estava, Vilu sentou-se ao seu lado e ficou consolando a amiga.
POV Maxi
Não estava entendendo nada. Estava num quarto de hospital com todas as pessoas que eu gostava ao meu redor e de repente todo mundo deixou o quarto porque o cara que eu pensava ser o médico pediu.
– Olá Maxi, eu sou o doutor Sawdicott e estou aqui para responder todas as suas perguntas – ele falou prestativo para mim.
– O que aconteceu?
– Você foi atropelado.
– Como? Quando? – eu não podia acreditar naquilo.
– Você não lembra nada? – ele estava preocupado.
– Não...
– Qual é sua última lembrança? O último dia que você lembra...
– Estava jogando futebol na faculdade com os garotos, me preparando para a seleção do time que irá jogar o campeonato.
– Vou ter que falar com seus amigos sobre esse dia... Vamos fazer mais alguns exames, ok?
– Eu não estou entendendo nada, mas tudo bem.
Então ele chamou alguns enfermeiros e começaram a me fazer milhões de perguntas e exames.
POV Naty
– Estou indo embora... – eu disse depois já ter conversado com meus amigos e Helena por um tempo. Não adiantaria ficar ali, e eu não queria ficar. Observava Camila de longe e ela somente se vangloriava pelo que acontecera no quarto. Estava pegando minhas coisas quando o doutor apareceu na sala de espera.
– Dona Helena... – Helena virou para ele aflita.
– Sim, então doutor, alguma novidade?
– Primeiro saber com algum dos amigos... Vocês por acaso fizeram alguma seleção para time de futebol? Ou melhor, treinaram pesado para isso?
– Fizemos – Fede disse. – Isso foi algumas semanas atrás, mas antes da seleção o time vinha treinando com bastante frequência e intensidade, porque todos queriam passar.
– No que isso pode ajudar? – León perguntou.
– Só queria confirmar minhas suspeitas... O Maxi está com uma leve perda de memória sobre alguns recentes acontecimentos. Ele não lembra nada depois de algum dia de treino de vocês.
– E isso é grave? – Helena ficou preocupada.
– Não necessariamente... Ele vai ser capaz de lembrar tudo que acontecer daqui para frente, e lembra toda vida dele antes desse dia. São alguns acontecimentos de talvez dois meses.
– Mas ele vai se lembrar? — Vilu questionou.
– Não sabemos ainda, talvez se lembre, talvez não. Mas importa que ele está bem, e só tende a melhorar.
– Amém! Eu posso vê-lo? – Helena perguntou mais aliviada.
– Claro, mas só a senhora por enquanto... Ele está um pouco nervoso com tudo que aconteceu, não queiramos perturbá-lo demais.
– Fala que mandamos abraços e melhoras para ele – Fran disse.
– Vou falar sim, queridos. E vocês, vão para casa e descansem, tenho certeza que amanhã poderão vê-lo.
– Ligue se precisar – Léon recomendou.
– Obrigada, garotos! – ela deu um abraço em cada um de nós, eu fui a última e ela falou algumas palavras em meu ouvido: “ele vai lembrar de você, pode ter certeza, vou estar aqui para fazer com que isso aconteça, não se preocupe”. Eu sorri com olhos marejados e sai com o pessoal.
POV Maxi
Já estava chateado de ficar naquele quarto sem fazer nada quando a porta se abriu. Era minha mãe. Ela entrou com um sorriso no rosto e veio em minha direção me enchendo de abraços e beijos.
– Fico tão feliz que você esteja bem, meu amor! – exclamava.
– O que aconteceu, mãe? Me conte, por favor!
– Você foi atropelado – ela falou sentando-se próxima de mim.
– Eu sei disso... Mas o que eu quero saber é como, onde.
– Bem, Naty me contou tudo, vou falar para você...
– Quem é Naty?
– Sua namorada... – ela falou naturalmente.
– Mãe, minha namorada é a Camila.
– Não Maxi... O nome da sua nova namorada é Natália, mas você não se lembra, porque está com uma pequena perda de memória.
– Como assim? – comecei a ficar preocupado.
– Calma! Vou lhe explicar tudo... – ela segurou em minha mão e começou a contar-me muitas coisas. Que eu havia terminado com Camila, conhecido a tal de Naty, que não havia sido escolhido para time (o que me deixou extremamente depressivo), como o tal do acidente havia acontecido, que Naty havia doado sangue quando precisei e o que o médico falou sobre minha memória.
– Isso é inacreditável! – foi tudo que consegui falar quando ela terminou.
– Eu sei, mas não pense nisso agora filho, só descanse, para melhorar logo e irmos para casa. Durma um pouco!
Fechei os olhos para tentar dormir, mas era impossível fazer isso depois de tudo que ouvi. Que história mais maluca. Como assim eu estava namorando outra pessoa? Eu nem ao menos sei quem ela é. E toda essa história de como foi atropelado, que doideira.
– Mãe? — falei abrindo os olhos novamente.
– Sim!?
– Você pode pedir para a Naty vir aqui amanhã.
– Claro filho – ela sorriu. – Agora durma.
POV Naty
Não dormi quase nada durante a noite, e na manhã seguinte levantei, me arrumei e fui para a Universidade. Não conseguia explicar o sentimento dentro de mim, tão forte quanto quando perdi Joaquim. Por afinal de contas, eu havia perdido Maxi. Ele continua lá, vivo, graças a Deus, mas eu o perdi.
Cheguei à Universidade. Fui para minha sala e Vilu estava lá. Sentei-me perto dela que logo começou a falar comigo.
– Como você tá hoje?
– O mesmo, péssima – respondi triste.
– Tenho certeza que tudo isso vai se resolver de uma forma muito boa, só vamos dar tempo ao tempo – ela tentou me animar.
– Já ouvi tanto isso em minha vida, que esperar e dar tempo ao tempo é o que mais sei fazer – tentei forçar um sorriso. – Eu realmente gostaria que ele se lembrasse de mim, mas antes de tudo, só quero vê-lo bem e longe daquele hospital.
– Tenho certeza que logo ele já vai estar por esses corredores sendo o Maxi de sempre – ela sorriu, e eu lembrei o “Maxi de sempre”. Não pude deixar de sorrir. Então, quando estávamos mais descontraídas na conversa, Camila entrou na sala e veio toda sorridente para o meu lado.
– Parece que temos uma perdedora aqui! – falou bem alto fazendo com que todos que já estavam na sala olhassem para nós. – Espero que você tenha aproveitado seu tempo com o Maxi, porque agora, ele nem ao menos se lembra de você, quem dirá lembrar-se de que um dia vocês tiveram algo.
– Credo Camila... Maxi está no hospital, acabou de acordar de um coma e você fica se vangloriando por causa disso. Eu teria vergonha – foram minhas únicas palavras.
– E quando ele melhorar é comigo que ele vai ficar... E – ela estava falando, mas meu celular começou a tocar, olhei no visor. Era Helena. Atendi.
– Olá Helena – eu falei isso e Camila ficou em choque.
– Naty... Tudo bem?
– Sim. Aconteceu alguma coisa?
– Na verdade, aconteceu – quando ela falou isso, meu coração congelou. – Mas não foi nada grave, acho que você vai até gostar. Você está ocupada agora?
– Eu estou na faculdade, mas pode falar... Fiquei curiosa!
– Maxi quer ver você!
– Sério!? – eu quase gritei no telefone.
– Sim... Venha assim que você puder.
– Estou indo agora.
– Mas você tem aula querida – ela ficou preocupada.
– Mas você sabe que eu não conseguiria ficar aqui pensando nisso – eu ri.
– Eu sei. Eu não conseguiria também.
– Até mais!
– Tchau! – ela desligou.
Olhei para Vilu, ela estava assustada, apenas pisquei para ela e a mesma entendeu a situação, que estava tudo bem. Camila continuava de pé ao nosso lado.
– O que foi? O que a Helena queria? – perguntou como uma pessoa normal.
– Nada não! Estou indo Vilu, mando uma mensagem para você... – falei juntando meus materiais.
– Sem problemas – ela sorriu. Caminhei em direção a porta e Camila foi atrás de mim.
– Você não vai sair daqui sem mim, eu tenho direito de saber o que está acontecendo também.
– E eu também... O que está acontecendo aqui? Onde as senhoritas pensam que vão? – o professor perguntou entrando na sala.
– Eu preciso ir ao hospital – falei.
– Tudo bem com o Maxi? – o professor perguntou preocupado. Todos na escola já estavam sabendo sobre ele ter sido atropelado, não exatamente o porquê, mas sabiam que ele estava internado.
– Isso que eu vou descobrir – menti. – Posso ir?
– Claro! Mande lembranças...
– Obrigada – agradeci sorrindo.
– E você, aonde pensa que vai? – ele perguntou à Camila.
– Ver o Maxi.
– Por quê? Acho que ele não precisa de tanta gente por lá agora, tenho certeza que quer rever os amigos, mas dê um tempo a ele.
– Mas... – ela tentou falar.
– Mas nada... Agora se sente – ouvi ele falando enquanto saia da sala. Foi por pouco.
Peguei um táxi e logo já estava no hospital. Entrei rapidamente e segui para a sala de espera, não havia ninguém lá. Então, fui até o quarto de Maxi, pude ouvir algumas conversar através da porta. Bati.
– Entre... – uma voz ecoou de dentro.
Abri a porta e vi Helena e Maxi dentro do quarto. Ele estava deitado em 45º graus, parecia muito melhor do que nos outros dias. Helena estava sentada em uma cadeira próxima a cama. Maxi parou de conversar e ficou com os olhos atentos em mim e em meus movimentos.
– Com licença – falei entrando.
– Olá Naty... Venha aqui! – Helena me chamou para mais perto. Maxi continuava observando todos os meus passos dentro do quarto, eu estava começando a me sentir desconfortável.
– Maxi – Helena disse olhando para ele. – Esta é Naty – e apresentou-me como se fosse a primeira vez que nos víssemos.
– Oi Naty – ela falou como se eu fosse desconhecida.
– Olá – respondi sem graça.
– Vou deixar vocês dois aqui, acho que vocês têm muito que conversar... Qualquer coisa eu estarei na sala de espera – Helena falou saindo.
– Sente – Maxi disse quando a porta já havia se fechado, e eu me sentei na cadeira que antes era ocupada pela mãe dele.
POV Maxi
Naty, a menina que todos diziam ser minha namorada estava sentada em meu quarto de hospital olhando para mim sem graça. Ela era linda. Tinha algumas cicatrizes no seu rosto que nem se notava tamanha a beleza dela. Olhos brilhantes perdidos e cabelos organizadamente bagunçados. Eu poderia ficar o dia todo olhando para ela, mas o clima no quarto estava ficando estranho, e eu precisava quebrar o silêncio.
– Obrigado – foi a primeira coisa que eu disse. – Obrigado por salvar minha vida.
– Sei que você faria o mesmo por mim...han... – ela começou a gaguejar. – Não foi nada! – falou por fim.
– Eu provavelmente faria – falei para aliviar o ambiente. – Eu não sei o que aconteceu entre a gente, mas sei que alguma coisa aconteceu, porque todos me falaram, e bem, minha mãe te adora – ela sorriu. – Então eu precisava falar com você, fazer algumas perguntas, tudo bem?
– Claro, vá em frente – ela respondeu.
– Há quanto tempo a gente tá saindo?
– Uns dois meses.
– Você estuda na UNC?
– Sim, mas eu sou aluna nova. Estudo Psicologia com a Violetta.
– E como a gente se conheceu?
– Na aula de Reflexões... – ela respondia sem pensar.
– Ah sim, boas aulas – comentei rindo e ela sorriu. – Gostaria de saber mais sobre a gente, você pode me contar?
– Claro. Então, nos conhecemos no meu primeiro dia... – e ela começou a falar de tudo. Sobre nossas aulas e trabalhos juntos, sobre Camila não aprovar nossa amizade e meu término com a mesma, a festa na casa de André, a aula de Reflexões na qual teve um problema e eu a ajudei. Sobre nosso primeiro beijo e tudo que vivemos quando começamos a namorar, e terminou falando sobre seu ex-namorado, Joaquim, o que aconteceu com ele e tudo o mais, e me senti realmente mal por isso. – E bem, até agora você é a única pessoa além da minha família que sabe sobre isso...
– Obrigado por ter me contado isso, e por confiar em mim desse jeito.
– Confio em você, porque gosto de você, Maxi – ela falou. – E você não sabe o quanto sofri por saber que você estava em um hospital por mim causa. Pela segunda vez eu machuquei alguém – ela abaixou a cabeça para que eu não a visse chorar. As mãos dela estavam sobre meu cobertor, então apanhei uma e senti aquele toque delicado. Ela olhou para mim com os olhos chorosos.
– Você não tem culpa! São coisas que acontecem... Minha mãe me falou tudo que aconteceu, e eu confio nela e em você. Sei que vocês não inventariam uma história dessas... Eu só preciso de tempo – falei tentando animá-la. – Tudo entre a gente é muito novo para mim, eu me lembro de namorar Camila, e é difícil simplesmente largar uma coisa na qual você entrou de cabeça...
– Eu entendo Maxi – ela falou soltando minha mão e se levantando, nem me deixou terminar de falar. – Você quer saber mais alguma coisa?
– Não, obrigado – respondi mais agitado.
– Okey então, eu estou indo – ela falou se aproximando da porta. – Fique bem, seus amigos esperam por você.
– Ficarei – sorri. – Hey Naty – falei antes que ela fechasse a porta, ela voltou e olhou para mim. – Pode me fazer um favor? – ela assentiu. – Pode pedir para minha mãe ligar para Camila vir aqui?
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