¿Qué Hay Detrás?
16 Logo Eu
Notas iniciais
POV Maxi
Quinta-feira, meu último dia de atestado, ainda bem, passou rapidamente. Nem vi quando Naty levantou-se naquela manhã para ir à aula. Eu, como nos outros dias, fiquei em casa, terminei todas as minhas listas de exercício atrasadas, assisti às minhas séries favoritas e esperei a hora passar. Naty chegou no mesmo horário dos outros dias, porque ouvi quando a porta se abriu e fechou, mas como estava tomando banho, terminei-o, me arrumei e saí do banheiro, deparei-me com ela sentada no sofá guardando seus pertences em sua bolsa. Fiquei parado próximo ao sofá olhando para ela e com a tolha que acabara de usar envolta do pescoço.
– Hey Naty – sorri.
– Oi Maxi, e aí, como estamos?
– Muito bem né, e feliz, porque finalmente amanhã saio desse marasmo de ficar em casa o dia todo.
– Fico feliz!
– E você? Aliás, onde está indo?
– Estou bem... Ué, para casa, agora que você melhorou, vou voltar para a casa dos meus avós – ela falou tranquilamente.
– Hmm, claro, você precisa voltar – constatei triste.
– É melhor assim né – ela comentou notando minha mudança de expressão -, dizem que os namoros se desgastam muito rapidamente quando o convívio entre o casal é intenso.
– Concordo em partes, mas enfim, vou sentir sua falta...
– Você vai me ver amanhã de manhã já – ela falou terminando sua arrumação fechando o zíper da bolsa. Então, pôs-se de pé e ficou me olhando.
– E amanhã vai ser um longo dia... O técnico vai escalar o time do Campeonato Estadual, apesar de achar que não vai dar para mim, tenho que estar preparado.
– Vai dar tudo certo, meu amor – foi a primeira vez que ela me chamou de “meu amor” desde o nosso primeiro beijo, e quando isso aconteceu, confesso que meu coração acelerou. – Você é um ótimo jogador, e eu vou torcer por você!
– Você que é ótima! E eu estava morrendo de saudades...
– Do quê? – ela perguntou confusa.
– Disso – eu respondi sorrindo. – De poder beijar você a minha maneira!
Sem pensar duas vezes, aproximei-me rapidamente, enlacei meus braços em sua cintura e a puxei para um beijo. Colei meus lábios no dela como num selinho, e logo minha língua pediu passagem, a qual foi concedida, para que iniciássemos um beijo. Nossas línguas se encontraram e se moviam em sincronia fazendo meu corpo estremecer, como da primeira vez que a beijei. O beijo foi calmo e delicado. Eu não queria soltá-la, e queria que ela sentisse o mesmo. Segundos depois, quando senti que o ar já faltava para ambos, soltei-a lentamente e fiquei olhando profundamente em seus olhos brilhantes.
– Ainda bem que você melhorou – por fim, Naty falou ofegante.
– Concordo! – eu ri.
– Bem, vou indo – ela disse soltando-se completamente dos meus braços. – Vá descansar para amanhã!
– Não quer que eu te acompanhe?
– Não é necessário, ainda é cedo, e seu atestado termina só amanhã, melhor não arriscar – riu.
– Tudo bem... Então, até amanhã – segurei-a novamente em meus braços e lhe dei um selinho demorado.
– A-até – Naty conseguiu falar. Pegou suas bolsas sobre o sofá e se aproximou da porta. – Durma bem!
– Você também...
Ela se virou e saiu, observei-a caminhar pelo corredor e descer as escadas, e quando Naty já havia desaparecido do meu campo de visão, fechei a porta. Comi, escovei os dentes e me deitei, apesar de ainda ser relativamente cedo, optei por dormir, amanhã será um longo dia.
POV Naty
Chegou a hora de voltar para casa, Maxi já estava melhor e amanhã voltaria para a Universidade, por hora, meus trabalhos na casa dele estavam encerrados. Na despedida, Maxi surpreendeu-me com um beijo, um beijo diferente dos outros que já havíamos dado. Foi lento, terno e cheio de sentimentos, assim que seus lábios tocaram os meus, senti todos os pelos de meu corpo eriçarem e meu coração acelerar. Infelizmente, precisei voltar embora.
Já em casa guardei minha mudança, jantei com meus avós depois de alguns dias, tomei um banho e me arrumei para dormir. Amanhã seria sexta-feira, e a vida voltaria ao normal, pelo menos por enquanto.
***
Na manhã seguinte acordei às 6h, arrumei-me e desci para tomar café, depois segui meu rumo para faculdade. Minha primeira aula era a optativa de Psiquiatria com a turma de medicina, cheguei e fui direto para sala, alguns alunos já estavam na sala, procurei um lugar e sentei-me esperando o início da aula.
A aula passou rapidamente, e logo fui para o intervalo encontrar-me com os demais, somente Vilu e Francesca estavam no refeitório, juntei-me a elas.
– Oi meninas.
– Oi Naty!
– Cadê os meninos?
– Treinando – Vilu deu de ombros.
– Agora? Mas o resultado não é só depois?
– Sim, mas eles quiseram dar mais uma treinada, e Maxi foi pegar umas dicas com León e Fede por causa das últimas faltas – Fran comentou.
– Menos mal, ele estava bem preocupado porque havia faltado dois dias nessa reta final.
– Os meninos estão demasiado preocupados né, mas vai dar tudo certo, falei isso milhões de vezes para o León – Vilu comentou.
– Falei pro Maxi também.
– Falando nele – Fran começou -, como vocês estão?
– Estamos bem, nos conhecendo... Maxi é um fofo, cada dia eu me surpreendo mais com as atitudes dele.
– Que bom, o Maxi merece alguém como você! – Vilu falou por fim.
– Mereço o quê? – os meninos apareceram em nossa mesa de repente, e Maxi questionou a frase que acabara ouvindo pela metade.
– Alguém como a Naty – Vilu afirmou e senti meu rosto corar, ao mesmo tempo em que Maxi sentou-se ao meu lado.
– Na verdade, eu não mereço, Naty é muito boa – ele respondeu enquanto me dava um beijo na bochecha. – Ainda não sei como ela se interessou por mim também – e todos riram.
Não demorou muito depois que os meninos chegaram, para que o intervalo acabasse, despedi-me de Maxi com um selinho e lhe desejei novamente boa sorte, e fui com Vilu para nossa aula, e os demais foram para suas respectivas aulas.
POV Maxi
O dia estava sendo bom demais, mas precisava de algo para atrapalhar tudo, e esse algo se chama “Desenho Geométrico e Forma Tridimensional”, minha querida matéria optativa de desenho, na qual faço dupla com minha mais querida ainda ex-namorada Camila. Cheguei à sala e ela já estava lá, sentada em uma carteira ao fundo, a carteira ao seu lado estava vazia, logicamente pronta para que eu me sentasse. Coloquei minha mochila nas costas da cadeira e me sentei.
– Oi.
– Olá Maxi – ela respondeu enquanto se olhava em um espelho, sem me dar a mínima atenção.
– Alguma novidade sobre o nosso trabalho?
– Nenhuma, a não ser o fato de você ter que ser minha dupla.
– Isso não é nenhuma novidade, já sabíamos desde a semana passada – acrescentei.
– Ah é, então nenhuma novidade – ela deu de ombros. Ia ser difícil encarar um semestre dessa matéria com a Camila como dupla.
O professor entrou em sala, e logo começou a jogar as palavras sobre os trabalhos e o que deveríamos fazer agora.
– Agora está na hora de colocar o projeto escrito de vocês em prática botando a mão na massa. Ou seja, agora vocês precisam me trazer os desenhos e afins que idealizaram nos projetos – o professor falou animado.
– Como assim? – perguntou um aluno sentado na primeira fileira.
– Ora Josh, sobre o que era seu trabalho?
– A utilização dos desenhos na musicoterapia...
– E bem, quais desenhos?
– Não os fizemos – Josh respondeu.
– Então, a hora é agora... Vocês precisam idealizar os desenhos para justificarem os projetos de vocês. Podem fazer com material que quiserem, e do jeito que quiserem.
– Para quando? – eu perguntei um pouco assustado.
– Tudo que vocês precisam fazer deve estar pronto na penúltima semana de aula, para que possamos fazer uma exposição em sala e para que eu avalie...
– E como ficam nossas aulas? – Josh voltou a questionar.
– Não vou mais cobrar presença, porém, ficarei aqui nesse horário para sanar as dúvidas e ajudar com o que precisarem... Mais alguma dúvida? – a sala permaneceu em silêncio. – É isso, dispensados por hoje!
Nada melhor como ser dispensado mais cedo em um dia tão conturbado como hoje. Saí da sala e fui direto para os vestiários, troquei-me e fiquei pronto para a hora da escalação. Enquanto batia um pouco de bola contra as paredes, os demais colegas de time foram chegando, logo Federico e León apareceram, demostrando que as aulas haviam acabado.
– Isso tudo é vontade de entrar para o time? Chegou até mais cedo – Federico chegou zoando.
– Fui dispensado mais cedo da aula – comentei. – Ainda bem, porque ficar tanto tempo ao lado de Camila me estressa.
– Ah, aquela matérias que fazem juntos... Não conseguiu fugir? – León perguntou.
– Não, vamos ser uma dupla, acreditam? – os dois riram.
Os dois entraram para se trocarem, e logo estavam em campo junto com todo resto do time. O técnico, que já havia chegado, começou a dar as instruções.
– Olá garotos, para uma escolha justa, peço que se dividam em quatro times e “batam uma bola”. Vou escolher meus 20 jogadores a partir de um jogo entre as equipes...
Quando as instruções terminaram, dividimo-nos em quatro equipes, duas entraram em campo para jogar, passados algum tempo a outra entrou contra o time que ganhava e logo o revezamento foi acontecendo para que todas jogasse contra todas, e para que todos os jogadores também tivessem sua vez.
Após os jogos, todos nos sentamos no gramado esperando que o técnico começasse a dar o veredito final.
– Bom jogo, garotos! Gostaria de iniciar dizendo que todos vocês são muito bons, e queria poder levar todos para o campeonato, porém, sabemos que cada Universidade só pode levar uma delegação de até 20 jogadores, e com isso, alguns de vocês terão de ficar fora esse ano... Sem mais delongas, vamos aos escolhidos – o técnico Bolatti, falou enquanto analisava sua prancheta. – O primeiro nome escolhido, e também capitão do time é... León – o que não foi novidade, pois León era o melhor jogador do time. Quando o mesmo se levantou para cumprimentar o técnico, foi aplaudido. – Nosso próximo jogador é Federico – que também foi aplaudido pelos demais.
E aos poucos os outros jogadores foram chamados, a cada nome um pouco de mim deixava de acreditar que fosse ser escalado, dezenove já estavam de pé, felizes por terem sido escolhidos, León e Federico, apesar de tudo, estavam apreensivos junto comigo.
– Por último, mas não mesmo importante – era agora, minha última chance -Broduey! – e o garoto, que estava justamente ao meu lado, levantou-se para se juntar aos demais.
E minha última gota de esperança se esvaiu com o anúncio do último nome. Broduey, intercambista, vindo diretamente do Brasil. Eu tinha que confessar, o cara sabia como jogar bola. León era muito bom jogador, mas quando Broduey chegou, com certeza se mostrou uma ameaça, e eu não poderia ficar chateado por ele estar no time, Broduey e León jogando juntos com certeza trariam o título para UNC. Porém, fiquei desapontado comigo mesmo, que me preparei o ano todo, mas acabei ficando doente alguns dias antes e talvez, perdido uma vaga.
Os jogadores escolhidos eram cumprimentados pelos demais, o técnico era abraçado, alguns dos não escolhidos iam para o vestiário se trocar, e eu, ia começar a fazer o mesmo.
– Pow cara, você merecia! – Federico falou quando ele e León se aproximavam.
– Ah, tudo bem, quem sabe no ano que vem – falei tranquilamente. – Parabéns, capitão! – parabenizei León.
– Valeu brother! Esperamos você nos jogos...
– Estaremos lá, eu e as garotas – ri.
– Que perigo! – Federico comentou, e caímos na risada.
– Maximiliano, posso falar com você?
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