QUANDO O CORAÇÃO RECONHECE
12 CAPÍTULO 12 - O homem que me matou Sarah
Eu sabia que aconteceria.
Desde o instante em que Alice enviou o currículo de Emma Taylor para a Black Corporation, eu sabia que em algum momento ficaria frente a frente com Aro Volturi.
Passei dezoito meses me preparando para isso.
Ensaiamos.
Alice dizia o nome dele sem aviso.
Mostrava fotografias.
Fazia perguntas.
Criava situações.
Obrigava-me a controlar a respiração.
A manter as mãos imóveis.
A impedir que o medo chegasse ao rosto.
Aro era justamente a razão pela qual Emma Taylor existia.
Mesmo assim, quando a porta da sala de Jacob se abriu no terceiro dia de trabalho e ouvi aquela voz, descobri que treinamento algum poderia preparar meu corpo para encontrar o homem que tentara me matar.
— Espero não estar interrompendo.
Minha mão congelou sobre o teclado.
Aquela voz.
De repente, não havia escritório.
Não havia computador.
Não havia Jacob.
Havia chuva.
Meu pé pressionando o freio.
O carro não respondendo.
Água.
Escuridão.
Dor.
Foi ele.
Aro.
— De forma alguma — Jacob respondeu. — Entre.
Não olhei.
Ainda não.
Respirei pelo nariz.
Devagar.
Uma vez.
Duas.
Três.
Emma Taylor.
Eu era Emma Taylor.
Aro Volturi nunca havia me visto.
Nunca havia ameaçado minha carreira.
Nunca havia descoberto minha investigação.
Nunca havia mandado mexer no meu carro.
Nunca havia tentado me matar.
Levantei os olhos.
E o vi.
Dezoito meses não tinham mudado Aro.
Talvez alguns fios grisalhos a mais.
Talvez uma linha nova perto dos olhos.
Só isso.
O mesmo homem.
Elegante.
Controlado.
Gentil.
O velho amigo de Billy Black.
O homem em quem Jacob confiava.
O homem que ajudara nas buscas pelo meu corpo depois de tentar produzi-lo.
Meu estômago revirou.
Mas sorri.
— Bom dia.
Aro me olhou.
Meu coração bateu tão forte que tive certeza de que ele perceberia.
Seus olhos passaram pelo meu rosto.
Cabelos.
Olhos.
Corpo.
Depois voltaram ao meu rosto.
Nada.
Nenhum sinal de reconhecimento.
— Bom dia.
Jacob levantou-se.
— Aro, esta é Emma Taylor. Nossa nova auditora.
A palavra fez alguma coisa mudar nos olhos de Aro.
Muito pouco.
Mas eu estava procurando.
Vi.
— Auditora?
— Sim.
Jacob veio para mais perto.
— Emma, Aro Volturi. Consultor da família e da empresa há muitos anos.
Levantei.
Minhas pernas não tremeram.
Aro estendeu a mão.
Olhei para ela.
Aquela mão.
Talvez tivesse assinado documentos que eu investigara.
Talvez tivesse pago alguém para mexer nos meus freios.
Talvez tivesse recebido a ligação dizendo que Sarah Swan finalmente estava morta.
Estendi a minha.
— Prazer em conhecê-lo, senhor Volturi.
Ele apertou minha mão.
— O prazer é meu, senhorita Taylor.
Eu sobrevivi ao toque.
Não puxei a mão.
Não demonstrei repulsa.
Não tremi.
Sorri.
Alice ficaria orgulhosa.
Ou teria um infarto.
Talvez os dois.
Aro soltou minha mão.
— Auditoria interna?
— Ligada diretamente a mim — Jacob respondeu.
Aro virou para ele.
— Uma decisão interessante.
— Necessária.
— Claro.
Aro sorriu.
— Depois de tudo.
Meu coração apertou.
Depois de tudo.
Jacob ficou sério.
— Exatamente.
Aro voltou os olhos para mim.
— Imagino que tenha recebido bastante trabalho.
— Bastante.
— A Black Corporation é grande.
— Percebi.
— E antiga. Algumas práticas podem parecer pouco convencionais para quem chega de fora.
Sorri.
— É justamente para isso que existe auditoria.
Jacob levantou os olhos para mim.
Aro também.
Por um instante, ninguém falou.
Então Aro sorriu.
— Naturalmente.
Ele sentou diante da mesa de Jacob.
Eu voltei ao computador.
Ou fingi.
Eles começaram a falar sobre contratos.
Fornecedores.
Reestruturações.
Eu ouvia cada palavra.
Aro mencionou duas empresas que estavam no pendrive.
Meu corpo inteiro ficou alerta.
Não demonstrei.
Continuei digitando.
— Algumas operações antigas talvez precisem ser reorganizadas — Aro comentou.
Jacob assentiu.
— Emma vai revisar tudo.
Silêncio.
Senti os olhos de Aro em mim.
— Tudo?
Levantei a cabeça.
Jacob respondeu:
— Tudo.
Aro continuou olhando para mim.
Sorri.
— Existe algum problema?
Ele sorriu de volta.
— Nenhum.
— Ótimo.
Voltei ao computador.
Por dentro, meu coração estava disparado.
Ele estava preocupado.
Talvez não comigo.
Mas com a auditoria.
Isso era suficiente.
Quase quarenta minutos depois, Aro levantou.
— Não vou tomar mais seu tempo.
Jacob também se levantou.
— Te ligo depois.
Aro assentiu.
Passou por minha mesa.
Parou.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Senhorita Taylor.
Olhei para ele.
— Senhor Volturi.
— Espero que goste de trabalhar conosco.
— Tenho certeza de que será uma experiência interessante.
Aro sorriu.
— Sem dúvida.
Foi embora.
A porta fechou.
Eu continuei olhando para o computador.
Não conseguia respirar direito.
— Emma?
A voz de Jacob.
— Sim?
— Você está bem?
— Claro.
— Tem certeza?
— Por quê?
Jacob franziu a testa.
— Você ficou pálida.
Droga.
— Café demais.
— Você tomou uma xícara.
Meu coração apertou.
Claro.
Jacob percebia.
Sempre percebera.
— Então talvez uma xícara seja meu limite.
Ele continuou olhando.
— Aro deixou você desconfortável?
Quase ri.
Quase chorei.
— Não.
— Tem certeza?
— Senhor Black...
— Jacob.
Parei.
— Como?
Ele pareceu perceber o que havia dito.
— Pode me chamar de Jacob.
Meu coração disparou.
— Acho melhor mantermos senhor Black.
— Por quê?
Porque se eu dissesse Jacob muitas vezes, em algum momento sairia Jake.
— Estamos trabalhando.
Ele aceitou.
— Certo.
Voltei para a tela.
Depois de alguns segundos, ele disse:
— Mas, se alguma coisa deixar você desconfortável, pode falar comigo.
Fechei os olhos por um instante.
A mesma pessoa.
Dezoito meses.
Outro rosto.
Outro nome.
E Jacob ainda estava tentando me proteger.
— Obrigada.
Minha voz quase falhou.
— Vou lembrar.
Esperei vinte minutos depois de sair da empresa antes de ligar para Alice.
— Ele apareceu.
Silêncio.
— Quem?
— Aro.
— Meu Deus. Você está bem?
— Estou indo para casa.
— Sarah, você está bem?
Olhei para minhas mãos.
Agora tremiam.
— Não sei.
— Vem direto.
— Estou indo.
Quando entrei na casa, Alice já estava esperando.
Nem consegui tirar os sapatos.
— Ele apertou minha mão.
Alice veio até mim.
— Aro?
Assenti.
— Ele não me reconheceu.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Como ele reagiu?
— Como reagiria com qualquer pessoa nova.
Tirei o blazer.
Minhas mãos ainda tremiam.
— Até Jacob dizer que sou auditora.
— E aí?
— Ficou interessado.
— Interessado como?
— Cauteloso.
Sentei no sofá.
— Perguntou se a auditoria era interna. Jacob disse que respondo diretamente a ele.
Alice sentou diante de mim.
— Isso incomodou Aro.
— Sim.
— Ótimo.
— Não sei se é ótimo.
— Sarah...
— Alice, ele ficou quarenta minutos dentro da sala.
Minha voz subiu.
— Quarenta minutos! Falando com Jacob como se fosse amigo dele. Como se não tivesse tentado me matar. Como se não tivesse passado dezoito meses apagando tudo!
Alice segurou minhas mãos.
— Mas ele não reconheceu você.
— Não.
— Então o plano está funcionando.
— Por enquanto.
Respirei fundo.
— O problema é Jacob.
Alice ergueu uma sobrancelha.
— Que surpresa.
— Estou falando sério.
— Eu também.
Levantei.
Comecei a andar pela sala.
— Ele olha para mim.
— Você mencionou.
— Não. Você não entende. Ele realmente olha.
— Sarah, você está linda. Homens olham.
— Não é assim.
Alice ficou séria.
— Como é?
Parei.
— Como se estivesse tentando lembrar.
O sorriso dela desapareceu.
— Ele disse alguma coisa?
Contei.
Tudo.
A conversa.
A sensação.
A paz.
A pessoa importante.
Alice ficou em silêncio por vários segundos.
— Ele falou que sente paz quando você está perto?
— Sim.
— E que você lembra alguém?
— Não exatamente. Disse que é mais uma sensação.
Alice se recostou.
— Isso é...
— Péssimo.
— Eu ia dizer romântico.
— Alice!
— Desculpa.
— Ele não pode desconfiar.
— Ele não desconfia.
— Ainda.
— Sarah, ele acha que você morreu.
— Exatamente. Então qualquer semelhança vai parecer absurda.
— E é isso que está acontecendo.
Sentei novamente.
— Hoje ele percebeu que fiquei pálida depois que Aro entrou.
— Isso é preocupante.
— Eu disse que era café.
Alice me olhou.
— Café?
— Foi a primeira coisa que pensei.
— Você podia ter inventado alguma coisa melhor.
— Ele estava olhando para mim!
— Certo.
— E depois disse que eu podia chamar ele de Jacob.
Alice sorriu.
— Não.
— Sim.
— E você?
— Disse que prefiro senhor Black.
Ela começou a rir.
— Não tem graça.
— Tem bastante.
— Alice.
— Você passou vinte anos chamando ele de Jake e agora está lutando pela formalidade.
— Exatamente.
Alice ficou séria novamente.
— E como foi ver Aro?
A pergunta me desmontou.
Sentei.
— Horrível.
Minha voz ficou baixa.
— Por alguns segundos, eu estava dentro do carro de novo.
Alice segurou minha mão.
— Mas você ficou.
— Fiquei.
— Olhou para ele.
— Sim.
— Apertou a mão dele.
— Sim.
— E ele não viu Sarah.
Balancei a cabeça.
Alice apertou meus dedos.
— Então Emma funciona.
Olhei para ela.
— Funciona.
Mas alguma coisa me incomodava.
— Com Aro.
— O quê?
— Emma funciona com Aro.
Alice entendeu.
— Mas talvez não com Jacob.
Emmett entrou na sala no fim da tarde.
Sem bater.
Como sempre.
— Você precisa aprender a bater.
— Você precisa aprender a trancar.
Jacob não respondeu.
Emmett sentou no sofá.
— Aro estava aqui.
— Estava.
— E a nova auditora?
Jacob levantou os olhos.
— O que tem?
— Paul está apaixonado.
— Paul se apaixona três vezes por semana.
— Verdade.
Emmett ficou em silêncio.
Jacob voltou aos documentos.
— Você também está estranho.
A caneta parou.
— Como?
— Desde que Emma chegou.
— Não estou.
— Está.
— Emmett.
— Jacob.
Os dois se encararam.
Emmett sorriu.
— Fazia tempo que não fazia isso.
— O quê?
— Discutia comigo por besteira.
Jacob fechou a pasta.
— O que você quer?
O sorriso de Emmett desapareceu.
— Saber como você está.
— Não começa.
— Não estou falando da Sarah.
Silêncio.
O nome ainda fazia aquilo.
Dezoito meses e continuava fazendo.
— Estou falando da Emma.
Jacob recostou-se.
— Não existe nada para falar.
— Então por que você olha para ela como se estivesse tentando resolver uma equação?
Jacob franziu a testa.
— Eu não olho.
Emmett riu.
— Paul percebeu no primeiro dia.
— Vocês dois precisam trabalhar mais.
— Talvez.
Emmett se inclinou.
— O que acontece?
Jacob não respondeu.
— Você achou ela bonita?
— Claro que é bonita.
— Isso foi rápido.
— Tenho olhos.
— Então está interessado?
— Não.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Emmett ficou ainda mais curioso.
— Então o que é?
Jacob passou a mão pelo rosto.
Não sabia explicar.
Essa era a parte irritante.
— Ela me lembra Sarah.
Emmett perdeu o sorriso.
— O quê?
— Eu sabia que você faria essa cara.
— Jacob...
— Não estou dizendo que elas se parecem.
— Porque não se parecem.
— Eu sei.
— Em nada.
— Eu sei.
Emmett observou o amigo.
— Então como Emma lembra Sarah?
Jacob levantou.
Foi até a janela.
— Não sei.
— Tenta.
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
— Quando Sarah morreu...
A palavra ainda custava.
— Tudo ficou barulhento.
Emmett franziu a testa.
— Barulhento?
— Dentro da minha cabeça.
Jacob procurou as palavras.
— Eu trabalhava e pensava nela. Dormia e sonhava com o acidente. Acordava lembrando que ela tinha morrido. Entrava aqui e via a mesa onde ela costumava sentar. Ia almoçar e lembrava que ela roubava minha comida.
Um pequeno sorriso triste apareceu.
— Ficava esperando alguma coisa cair no corredor porque Sarah sempre derrubava alguma coisa.
Emmett abaixou os olhos.
— Eu sei.
— Depois de um tempo, você aprende a funcionar com isso.
Jacob respirou.
— Não passa. Só fica... constante.
— E Emma?
Jacob olhou para a sala.
Para a mesa dela.
Vazia naquele momento.
— Quando ela está aqui, fica quieto.
Emmett não disse nada.
— Não sei explicar.
Jacob continuou:
— Não é porque ela é bonita.
— Certo.
— Não é atração.
— Certo.
— Quer dizer...
Parou.
Emmett levantou uma sobrancelha.
— Quer dizer?
Jacob ficou irritado.
— Claro que percebo que ela é bonita.
Emmett quase sorriu.
— Entendido.
— Não faz essa cara.
— Que cara?
— Essa.
Emmett conteve o sorriso.
— Continua.
Jacob olhou novamente para a mesa.
— Quando ela entrou aqui para a entrevista, alguma coisa...
Passou a mão pelo peito.
— Assentou.
— Assentou?
— É.
— Isso está ficando estranhamente poético para você.
— Quer ouvir ou não?
— Desculpa.
Jacob respirou.
— Era como se eu conhecesse aquela presença.
Emmett ficou sério.
— Presença?
— Eu sei que parece loucura.
— Um pouco.
— Ela fala diferente. Anda diferente. Se veste diferente. É completamente diferente da Sarah.
Um sorriso involuntário apareceu.
— Sarah usava umas roupas horrorosas.
Emmett riu.
— Isso é verdade.
— Lembra daquela saia marrom?
— Qual delas?
— A que parecia cortina de motel.
Emmett gargalhou.
Jacob também.
Por alguns segundos.
Depois parou.
A saudade voltou.
— Ela teria me matado por falar isso.
— Com razão.
Jacob sorriu.
— E depois teria roubado minhas batatas.
O silêncio voltou.
Emmett observou o amigo.
Era a primeira vez em muito tempo que via Jacob falar de Sarah e sorrir ao mesmo tempo.
— Então Emma faz você lembrar das coisas boas.
Jacob pensou.
— Talvez.
— Isso não é ruim.
— É estranho.
— Por quê?
— Porque não é uma lembrança.
Jacob olhou para ele.
— É uma sensação.
Emmett esperou.
— Quando Emma está perto, por alguns segundos eu tenho a impressão de que alguma coisa voltou para o lugar.
Emmett não brincou.
— Como se eu estivesse...
Jacob procurou a palavra.
Encontrou.
— Em casa.
Silêncio.
Emmett ficou olhando para ele.
— E isso te assusta.
Jacob soltou uma risada sem humor.
— Muito.
— Porque parece que está substituindo Sarah?
— Não.
A resposta foi imediata.
Jacob percebeu.
— Não é isso.
— Então?
Ele pensou.
— Porque não parece novo.
Emmett franziu a testa.
— Como assim?
— Se eu estivesse interessado numa mulher depois de dezoito meses, seria estranho, mas faria sentido.
Jacob voltou para a cadeira.
— Só que não sinto que estou conhecendo Emma.
— O que sente?
Jacob demorou.
— Como se estivesse lembrando dela.
Emmett ficou completamente quieto.
Jacob balançou a cabeça.
— Esquece. Isso é absurdo.
— Talvez seja só seu cérebro associando alguma coisa nela à Sarah.
— Provavelmente.
— Os olhos?
— Talvez.
— A voz?
Jacob pensou.
— Às vezes.
— Algum gesto?
— Não sei.
Emmett sorriu levemente.
— Então para de analisar.
— Fácil falar.
— Deixa ela ser Emma.
Jacob olhou para a mesa vazia.
— É exatamente o que estou tentando fazer.
Emmett levantou.
Chegou à porta.
Antes de sair, virou.
— Jake. Talvez elas tenham a mesma essência e você percebeu.
— Talvez você tenha razão.
— E Jake... Você sorriu hoje.
Jacob ficou imóvel.
— O quê?
— Mais de uma vez.
Emmett abriu a porta.
— Não fazia isso há muito tempo.
Saiu.
Jacob permaneceu sozinho.
Olhou para a mesa de Emma.
Depois para a própria mão.
Lembrou-se dela dizendo:
O senhor precisa de alguma coisa?
Lembrou-se do olhar.
Da voz.
Da maneira como enfrentara Paul.
Da resposta sobre os relatórios.
Da sensação inexplicável de tranquilidade quando ela estava a poucos metros.
Não conhecia aquela mulher.
Sabia disso.
Sarah estava morta.
Também sabia disso.
Emma Taylor era apenas Emma Taylor.
Bonita.
Elegante.
Inteligente.
Uma desconhecida.
Jacob fechou os olhos.
Por alguns segundos, porém, voltou a sentir aquela paz estranha.
Aquela sensação impossível.
Casa.
Abriu os olhos.
A cadeira estava vazia.
E o vazio voltou.
Jacob franziu a testa.
Aquilo era um problema.
Só ainda não sabia de que tipo.
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