Pétalas de uma semideusa
2 Cap. 1: A criança perdida
Notas iniciais
Assim que passamos pelo arco meio abobadado, consegui ver o campo em sua plenitude. Havia tantas pessoas vestidas de camisetas laranjas, algumas também possuíam uma espécie de traje de proteção por cima, lutando umas contra as outras como se suas vidas corressem um enorme e verdadeiro risco, já outras, corriam com caixas e mais caixas de armamentos, madeira, entre outros objetos que não deveriam estar em um acampamento normal provavelmente.
Ao longe, vi várias casinhas, organizadas em um semicírculo, e uma enorme construção de madeira, a qual com certeza comportaria os tantos jovens ali presentes. Uma floresta mais densa estendia-se no horizonte, como uma barreira verde e, à oeste, um edifício um pouco mais vistoso aos olhos, não só feito de um material rústico, combinando com o ambiente como um todo, mas também de mármore, talvez. Possuía colunas gregas que sustentavam um telhado triangular, daqueles de casas comuns que têm sótãos.
— Quem são todas essas pessoas? — Indaguei após o choque. — Aonde estou?
Nico fitava tudo com uma espécie de admiração, porém, desgosto ao mesmo tempo, como se não apreciasse tanta gente concentrada em apenas um local. Depois de respirar fundo, então, acenou com a cabeça em um pedido silencioso para eu dar um passo à frente, sinalizando uma trilha feita até o final da colina, onde tudo movimenta-se junto, em uma completa e graciosa união.
— Vamos, por aqui. Quíron deve estar aguardando-a na Casa Grande...
Sem outra escolha evidentemente, passei a caminhar na direção em que o caminho de terra batida levava, sendo seguida pelo garoto, que se mantinha em um silêncio quase mórbido. Enquanto isso, ainda encarava, maravilhada, a dimensão do acampamento. Era vasto e maravilhoso, mas seria ainda mais impressionante se, ao chegar mais perto, não tivesse avistado as expressões cansadas e um pouco amedrontadas dos campistas.
— O que aconteceu aqui? — Murmurei para di Angelo.
Assim que fiz meu comentário, as atividades pararam por um momento e vários olhos ergueram-se até mim e não pude deixar de engolir em seco, afastar-me até ficar perto o suficiente de Nico e estancar ali, sem ter a mínima ideia do que fazer.
Não era medo. Eu realmente não era medrosa no dia-a-dia, porém, considerando que eu fora sequestrada por um cara mais pálido que papel, o qual dissera que as criaturas que vi a vida inteira, inclusive as de mais cedo que falaram alguma coisa de Mãe Terra, eram reais, eu não sabia o que esperar de um bando de adolescentes e crianças armados.
— Voltem ao trabalho!
Após ordenar e, aos poucos, ser obedecido, o garoto colocou uma mão esguia sobre meu ombro, como em um gesto protetor, mas não porque achasse que eu precisava ser protegida da multidão, e sim, para transmitir uma breve segurança a mim, mesmo que momentânea.
Agradeci mentalmente, encarando-o. Por sorte, ele entendera a mensagem, se não, bom...
— Vamos. — Apertou de leve meu braço e soltou-me, mantendo novamente a já usual distância. — Por aqui...
Caminhamos mais um pouco e quase morri quando um ser, metade humano e metade bode, apareceu do nada com um arco e flecha. Ele franziu a testa para mim, como se uma energia negativa saísse de mim, mas antes de tentar entender o que estava acontecendo, Nico direcionou-me pela trilha. Não fiz perguntas, porém, eu estava cada vez mais curiosa e, logo, não poderia evitar um enorme questionário mantido escondido mentalmente durante aqueles poucos minutos.
Depois de um tempo, avistei a construção com mármore, em estilo moderno e grego antigo. O caminho era dividido e uma das trilhas alargava-se e era guiada por tochas acesas, mesmo sob a claridade do início da tarde. Parecia ter dois andares e, com o telhado triangular, lembrava-me a casa de campo de minha avó, tirando as colunas e decorações clássicas. Provavelmente, era a tal Casa Grande citada pelo jovem...
— Lorelai Tate, seja bem-vinda ao Acampamento Meio-Sangue. Eu sou Quíron, diretor de todas as atividades daqui e... Querida? Srta. Tate?
Eu havia parado em ''Lorelai Tate'', pois minha atenção voltou-se imediatamente à parte inferior, abaixo da cintura, do homem barbado a minha frente. Sem pensar coisas indecentes... É que era tão surreal como todas as criaturas, as quais tinha visto em vida. Ele era um humano, mas também era um cavalo branco. Basicamente, ele tinha um traseiro equino.
— Ah, Nico... — Quíron deu um terno meio sorriso. — Vejo que não preparou nossa nova campista para este momento.
— Não houve tempo, senhor.
— Foi difícil convencê-la?
— Impossível, eu diria. — O adolescente suspirou. — Lorelai Tate pode ser bem presa às próprias decisões...
Ambos falavam como se eu não me encontrasse ali, mantendo um papo saudável enquanto eu fazia uma careta e continuava a encarar o traseiro do diretor. Isso havia soado incrivelmente malicioso e galinha, porém, não importava muito, pois eu somente tentava digerir a seguinte dúvida: ''Estaria louca?''.
— Ahn, desculpa, mas além de Quíron, o diretor das atividades, o que você é? — Engoli em seco, intrometendo-me. — Eu preciso de respostas ou eu acabarei doida. — Pousei as mãos sobre a cabeça. — O que eu estou vendo é real, não é? Eu... Eu sou diferente, né?
Dessa maneira, o mais velho olhou para mim com um sorriso sereno formando-se no rosto. Sua expressão indicava que, não importasse o que fosse dizer, seria difícil para eu aceitar.
— Ah, sim, querida... — Sacudiu a cabeça como em um pedido de desculpas. — Eu sou um centauro.
— C-centauro? — Arqueei a sobrancelha, lembrando-me vagamente do nome. — Tipo da mitologia?
— Sim. — Aproximou-se lentamente para não me assustar. — Exatamente como na mitologia...
Nico mantinha-se postado mais atrás e analisava-me, prevendo um surto psicótico de minha parte ou qualquer outra ação precipitada e sem sentido. Bom, talvez isso fosse plausível... Como derrubar um cavalo com inteligência de um humano?
— E o que eu sou? — Perguntei o que eu mais temia. — Eu me sinto tão... Errada.
— Não há nada de errado, querida. — O centauro prosseguiu. — O diferente nem sempre é errado, é apenas diferente.
Fitei o chão, o qual de súbito parecia extremamente interessante, mas travei o maxilar, armazenando forças para aturar o que quer que viesse nos próximos minutos. Eu não poderia fugir, não quando estava tão próxima da verdade ou, pelo menos, uma aparente verdade... A única que responderia às indagações malucas sobre monstros dignos de Hollywood circulando por Nova Iorque.
Ergui o queixo, respirando fundo.
— Quão diferente?
— É de se esperar que se eu existo, deuses também...
Estreitei os olhos e murmurei, retórica:
— Por que não?
— Há muito tempo, deuses costumam procurar distrações no mundo mortal e, no processo, acabam por deixar suas proles pelo planeta. Um deus com um humano... Dessa união, nasce um meio-sangue, o semideus.
— Como Hércules?
— Sim. — Quíron encarou Nico com uma expressão esperançosa, de que as coisas até aquele momento iam bem. — Os semideuses normalmente são diagnosticados com TDAH e dislexia, porém, isso representa apenas a manifestação de seus instintos de batalha falando mais alto, os reflexos e a força do parentesco olimpiano. A batalha é o habitat natural dos semideuses. Esse acampamento é direcionado aos meio-sangues, para treiná-los, prepará-los e protegê-los de vários seres perigosos. E o pinheiro, lá fora, protege o acampamento como um todo, mantendo os monstros longe de todos nós...
— Então, eu sou uma semideusa? — Concluí. — É isso?
Toda a esperança do centauro esvaiu-se imediatamente e senti di Angelo suspirar, provavelmente já esperando aquele momento.
— Não, não exatamente.
Eu quase caí de costas. Todo aquele discurso tocante, apenas para dizer que a história não se aplicava a mim. Era incrível como essas pessoas tinham o tempo e a capacidade de enrolar tanto.
— O que eu sou? — Arregalei os olhos. — Você ao menos sabe?
Um período de silêncio prolongou-se e Quíron andava em suas quatro patas, pensativo, rodeando-me. Mantinha o dedão e o indicador no queixo, sobre a barba, e não parava de trotar ao redor de mim.
— Temo que sim, querida.
— Teme?
— Há quase dezesseis anos, rumores quase colocaram o Olimpo em guerra, mas logo foram silenciados e poucos sabem do ocorrido. Os Três Grandes — Zeus, Poseidon e Hades — tomaram uma decisão entre eles, na tentativa de assegurar a paz nesses tempos sombrios que se seguem... Uma criança recém-nascida e humana fora escolhida para carregar o fardo de uma profecia, de carregar o poder dos Três Grandes. — O diretor contava seriamente. — Esse bebê, porém, foi protegido dos demais olimpianos, caso decidissem intervir na decisão, vivendo escondido em algum lugar do mundo, vivendo em uma mentira chamada vida, vivendo perdida.
Um arrepio percorreu minha coluna e Nico aproximou-se, permanecendo ao lado do centauro.
— Você acha que eu...
— Lorelai Tate, você é a criança perdida.
A primeira coisa que meu corpo fez em sua defesa foi negar. Dei um passo para trás e sacudi a cabeça, tentando não acreditar naquelas palavras, possíveis farsas existentes somente para me assustar.
— Não! — Sibilei, quase desesperada. — Eu não... Não!
— Lembra-se das criaturas mandadas por Gaia? — di Angelo adiantou-se. — Referiram-se a você como "filha do trovão, do mar e da morte''. É apenas a prova real de que, sim, você é a garota da profecia.
— Que profecia? Vocês já ouviram essa profecia? — Gritei. — Hein? Como podem estar tão certos de que sou eu?
O garoto pálido preparava-se para falar, mas Quíron colocou a mão em seu ombro em um pedido silencioso para parar um pouco.
— Tem razão. — O mais velho assentiu. — Por mais que repitamos para nós mesmos de que é você, não há como sabermos... Não ainda. — Ergueu a sobrancelha. — Por isso, acho que não seria tão ruim esperarmos até depois do jantar, quando faremos a Fogueira.
— Fogueira?
— Normalmente, os semideuses são reclamados por seus pais, deuses, durante a Fogueira.
Molhei os lábios, indecisa.
— O senhor disse que eu não sou uma semideusa, pelo menos não exatamente... Acha que serei reclamada como os outros?
— Não sei. — Mostrou sua sinceridade. — Isso tudo está sendo feito à base de suposições ante o desconhecido... E, como não sabemos, melhor esperar até a Fogueira.
— Se eu não for reclamada, poderei voltar para casa? — Indaguei. — Em Nova Iorque?
Nico mais uma vez abriu a boca, prestes a responder, porém, foi calado pelo diretor, o qual tinha uma postura sábia, como se jogasse comigo, fingindo estar tão duvidoso quanto à criança perdida e, na verdade, já soubesse quem eu era, de fato.
— Tem minha palavra, Lorelai Tate. — Fez uma mesura. — Agora, descanse... É muito para digerir, não é? Normalmente, quem não sabe de quem é filho, os indeterminados, é mandado para o Chalé 11, dos filhos de Hermes, mas faremos uma pequena exceção. Descansará na enfermaria, portanto. Nico, poderia acompanhá-la, enquanto atualizo a Srta. Dare?
O garoto assentiu em silêncio e começou a andar em direção à Casa Grande sem qualquer preâmbulo. Segui-o mais uma vez.
Lá dentro, várias esteiras imitando macas baixas eram separadas por cortinas de algum tecido que dava privacidade, mas não total isolamento, e di Angelo colocou-me em uma das últimas vagas, perto da parede.
Muitos jovens estavam com ferimentos leves, como cortes ou raspões, por isso, tudo era muito rápido e movimentado. Após comer uma coisa estranha, respiravam um pouco e já deixavam o recinto, dando espaço para outro meio-sangue ocupar.
— Você realmente acredita que sou a criança perdida? — Sentei-me na esteira. — Sério, mesmo?
Nico pareceu pensar por um instante e isso deixou-me estranhamente feliz. Não era uma resposta pronta ou ensaiada, era sincera.
— Acho que precisamos de ajuda nessa guerra e, se você for quem nós estamos procurando, é lucro e uma tremenda vantagem...
— Guerra? Contra os seres de terra?
— Olha, você não precisa saber disso agora, ok? — Seus olhos tornaram-se mais sombrios. — Você...
De repente, a cortina foi aberta de supetão e uma criatura certamente não-catalogada surgiu. Só pude notar os olhos. Olhos por todo lado, por todo seu corpo... Acabei por desmaiar, não antes de ouvir di Angelo protestar e o outro expressar culpa:
— Argus!
— D-desculpe!
★
— Acorde! Lorelai Tate, acorde! Estamos atrasadas...
Escutei, incomodada, uma voz meio sussurrante e melodiosa perto demais de mim. Eu quase conseguia sentir a presença da pessoa, sua respiração bem próxima de meu rosto e a sensação era estranha e um pouco amedrontadora.
Abri os olhos lentamente e pisquei. A enfermaria estava com uma iluminação diferente, uma tonalidade mais quente e, ao sentar, vi as diversas tochas pelo recinto e, do lado de fora, já estava escuro. Ficara noite.
À minha frente, uma cabeleira ruiva, cheia e despenteada fazia sombras na parede. Uma garota com cabelos desgrenhados cor de fogo, sorria cordial e um pouco loucamente para mim. Estava com uma regata branca, estampada com um desenho de girafa de pescoço curto abraçando outra de pescoço longo e normal, e uma frase motivadora passava acima da figura: "Abrace o diferente''. Seu rosto era salpicado por sardas douradas e parecia estar sujo de alguma coisa como terra ou argila, mas pela relativa escuridão, não pude ter certeza.
— Quem é você? — Fiz uma careta. — Cadê o Nico?
A jovem manteve o sorriso.
— Sabe, o di Angelo ficará feliz por saber que perguntou por ele assim que acordou. — Colocou uma mão tampando um pouco a boca, como se contasse um segredo. — Ele é meio estranho... Um isolamento total!
— Aham, para quem mora em uma caverna, acho que você não tem muita credibilidade para debater sobre o assunto, Dare.
Um garoto de cabelos castanhos apareceu e bagunçou a juba ruiva da menina, divertindo-se. Ele possuía um sorriso, porém, este não chegava em seus olhos, os quais estavam opacos e cansados. Assemelhava-se a meu pai, Julian, quando não dormia à noite e precisava trabalhar o dia inteiro.
— Travis, não assuste ela! — Olhou para mim. — Não esquenta, Lorelai... Esse é Travis Stoll, filho de Hermes e eu sou Rachel Elizabeth Dare, o Oráculo de Delfos, a seu dispor.
— Oráculo de Delfos? — Arqueei a sobrancelha. — O que é isso?
Eu mal lembrava de uma aula de Filosofia e daquele nome estranho, porém, era uma aula de Filosofia, então, não havia muito o que se esperar da minha memória sobre o assunto. Só recordava daquela detestável professora com óculos redondos e de tartaruga, com um coque preso com vários grampos, gel e tudo mais para mantê-lo no lugar, e a verruga na bochecha direita. Ela realmente sabia chamar atenção, talvez não em um lado positivo.
— Ah, sim. — Ela sacudiu as mãos como se não fosse algo muito importante. — Falo profecias, nada demais. Agora, temos que ir. A Fogueira já está acesa.
— Aqui. — Travis entregou-me um pano. — Você perdeu o jantar.
Levantei da esteira e abri o pequeno pacotinho, embrulhado por um tecido decorado por desenhos de uvas e cálices, e o negócio explodiu, simplesmente soltou faíscas e desapareceu no ar, ao jogá-lo para o alto e gritar.
O adolescente gargalhou um pouco e a ruiva fitou-o em sinal de reprovação, fazendo-o olhar para o chão, um pouco culpado. Muito pouco... De trás da cortina, de uma mesa de canto, ele tirou um novo pacote e deu para mim.
Encarei Travis, desconfiada, e sem tirar os olhos dele, abri mais uma vez. Não explodiu. Tinha um pão, uma maçã e uma coxa de frango. Não era muito, mas era o suficiente, afinal, eu estava com fome, porque Nico impediu que eu comprasse meus desejados tacos para o almoço.
— Filhos de Hermes... Sabe como é, certo? — A garota desculpou-se. — Idiotas até a alma.
— Obrigada. — Agradeci mesmo assim ao cara, dando um meio sorriso. — Vamos, então?
Peguei a fruta e dei uma mordida e quase a deixei cair, pois Rachel enlaçou meu braço, toda exaltada, e marchamos em direção à saída da Casa Grande.
— Sim! — Ela sorriu, vitoriosa. — Estou ansiosa pelo resultado!
Nós três seguimos a passos rápidos até o centro do Pavilhão do Refeitório, segundo os dois, perto dos Chalés dos respectivos deuses, e, lá, encontramos uma porção de gente. A maioria rodeava uma grande fogueira, cujas chamas constantemente mudavam de cor. Era lindo.
Avistei Nico bem afastado das pessoas. Ele não parecia incomodado por estar sozinho, mas também não queria ficar completamente só, tanto é que estava ali. O garoto era um tanto estranho, só que naquele momento, era o mais próximo de alguém em quem eu confiaria.
— Sente-se aqui. — Rachel indicou. — É, aqui é um bom lugar.
Estávamos na última fileira de semideuses, porém, não muito longe do fogo. Como ela havia dito, era um bom lugar mesmo. Alguns enviaram-nos um olhar significativo, e a ruiva espantou-os com alguma praga e algo relacionado à privacidade.
Todos conversavam, animados e eufóricos, ao som de batuques e desconhecidas cantigas. Vi alguns outros seres, metade homem e metade bode, e Quíron também estava lá, gargalhando e, vez ou outra, direcionando o olhar a mim.
— Em breve, entraremos em guerra. — Ela confessou, fitando os amigos. — A Fogueira é a única forma de fazê-los esquecer um pouco. Eles passam o dia treinando, fazendo novas armas... Vê-los assim é muito bom.
Compadeci de sua preocupação em relação aos meio-sangues e perguntei finalmente:
— Contra quem entrarão em guerra? — Continuei a encarar as chamas bruxuleantes, mas não obtive respostas. — Rachel?
Novamente, nada. Virei, então, e a ruiva olhava para o topo da minha cabeça com um sorriso formando-se. Arqueei as sobrancelhas, confusa, e por alguma razão desconhecida, tornei e os outros campistas, impressionados, compartilhavam entre si a mesma expressão, um misto de medo, incerteza e admiração.
Meio receosa, olhei para cima, temendo que houvessem nascido chifres em minha testa, e três símbolos brilhavam, cada um com sua própria coloração. No meio, havia um raio envolvido em uma tonalidade meio prateada e dourada ao mesmo tempo, depois um tridente, em um tom verde-mar e, por fim, um elmo brilhando em um vermelho próximo a vinho. Surreal, eu diria, e um pouco idiota.
— Saúdem Lorelai Tate... — Quíron sorria. — ... a criança perdida, filha dos Três Grandes!
Fale com o autor