Pérolas e Safiras
5 Visita – Parte II
Notas iniciais
Horas antes do esbarrão...
Naruto acordou de supetão ao escutar os ensurdecedores baques em sua porta. Graças ao susto acabou por cair de cabeça de sua cama. A cama parecia pequena para comportar um corpo grande como o do jovem e, mesmo zonzo, decidiu que compraria uma nova assim que ganhasse a recompensa de sua missão.
Irritado, sonolento e com a dor da pancada em sua cabeça, abriu a porta da compacta casa com a cara amarrada e nada amigável.
– Boa noite! – Saudou uma Sakura amável e sorridente em sua porta.
Naruto soltou um gemido irritado e deixou com que a rosada entrasse na pequena casa que comprara com seu novo salário de jounin. Sakura não pareceu se abalar com o mau humor do colega de equipe – ou as poucas vestes do rapaz que estava vestido com uma calça de pijama velha — e sorriu amavelmente para o louro que coçou a cabeça ao mesmo tempo em que bocejou na tentativa de acordar seu corpo.
A Haruno discretamente sondou a casa do amigo e fez uma careta em desagrado ao vê-la tão desarrumada. Virou-se para o amigo e o encontrou sentado no envelhecido sofá da sala a observando com uma sobrancelha elevada.
– O que foi? – Sakura questionou colocando as mãos na cintura o encarando de maneira inocente.
– Por que está aqui uma hora dessas? – Naruto perguntou carrancudo por ter sido acordado do seu maravilhoso sonho. Ele tinha certeza que tinha sonhado com rámen e também alguma coisa pervertida...
– Você sabe que horas são? Você fala como se eu tivesse te acordado de madrugada, não anoitecendo! – Ela respondeu com impaciência. — O que faz tanto para acordar tão tarde?
– A vovó estava me irritando até tarde com algumas coisas que nem prestei atenção...
Ele resmungou se afundando ainda mais no sofá que protestou audivelmente com o pesado corpo acima. A rosada apenas bufou irritada, mas seu semblante rapidamente voltou a ficar alegre ao se lembrar do objetivo em ir visita-lo.
– Bom, — começou a falar atraindo novamente sua atenção. – já que nós não temos trabalho hoje, que tal irmos passear no centro? – Perguntou sorrindo animada. – A noite está linda para um passeio!
Se fosse o Naruto de antigamente Sakura tinha a razão de que veria o semblante do louro ficar radiante. Super-hiper-mega-blaster empolgado. Mas o que viu foi apenas desconfiança, Naruto estava desconfiado com aquela repentina e anormal proposta.
– O que foi? O teme não quis sair com você? – Ele questionou curioso.
– O QUE? – Sakura gritou raivosa pelo que ele havia dito. – Seu idiota!
Xingou alto e correu para dar um soco no rapaz, entretanto Naruto foi mais rápido e se esquivou do golpe pulando para detrás do sofá, fazendo com que uma barreira sólida impedisse o progresso agressivo da jovem. Ele olhou assustado para o buraco que a rosada havia feito no estofado pela potência do murro.
– Hey! Calma ai Sakura-chan! – Ele pediu sem graça tentando apaziguar os ânimos exaltados da amiga. O medo de levar uma surra deixou sua voz trêmula. – Eu só fiquei curioso por você estar me convidando para sair! Você mesma não disse que jamais iria fazer isso?
Ele argumentou apressadamente contornando o sofá ao ver que a rosada tentava chegar até onde estava. Depois de escutar aquela explicação plausível, Sakura parou de tentar encurralar o assustado rapaz, mas claro que ainda estava com raiva já que achava que o louro havia debochado dela. Ao ver que sua amiga estava mais controlada, Naruto soltou um suspiro de alívio e coçou sua nuca com nervosismo.
– Então, você vai ou não? – A rosada perguntou visivelmente mais controlada, entretanto ainda havia a possibilidade dela se descontrolar novamente.
– Não estou com vontade...
Naruto respondeu displicentemente fazendo uma cara de tédio enquanto negava enfaticamente com o indicador. Ele havia sido ingênuo por ter acreditado que a rosada aceitaria sua resposta. O sangue recém-frio da Haruno voltou a ferver e antes que controlasse seus impulsos já havia avançado sobre o louro. Ela puxou a orelha do rapaz com tanta força que ele logo começou a choramingar de dor.
– Ai, ai, ai Sakura-chan! Está doendo! – O rapaz choramingou tentando salvar sua pele.
– É para doer mesmo, seu louro oxigenado! – Exclamou exaltada puxando ainda mais a orelha já vermelha. – Como assim você não quer ir?
– Tudo bem! Eu vou! Eu vou! Por favor, me solta! – Gritou o rapaz que já chorava de dor por ter sua orelha quase arrancada da cabeça.
Satisfeita com a resposta, a jovem Haruno larga a orelha do pobre louro que a acaricia para ter a certeza de que ficaria no lugar. Depois de sentir que sua orelha continuaria presa em sua cabeça, Naruto dirige seu olhar choroso até a amiga que mantinha um sorriso doce e inocente no belo rosto.
– Então nos encontramos daqui a pouco em frente ao Ichiraku! – Disse visivelmente mais calma. – Tchau!
Despediu-se alegremente já abrindo a porta da entrada e saindo em seguida de maneira pacífica. Isso fez com que não desse para escutar o resmungo do louro, que já por nervosismo e incredulidade coçava sua nuca.
A Sakura-chan ficou louca... Isso é culpa da vovó! Elas passam muito tempo juntas! – pensou consigo e logo tratou de ir se arrumar.
Queria evitar em ter de levar outro puxão de orelha da forte Haruno.
*****
Do lado de fora da casa do Uzumaki, escondido nas sombras, Sasuke observou exatamente o momento em que sua amante saiu da casa e veio andando em sua direção calmamente e com um sorriso travesso em seu rosto. Ela não havia visto que ele estava ali a observando.
– Conseguiu? – O moreno questionou Sakura assim que passou por ele sem perceber.
A rosada se virou para a voz conhecida e encontrou o Uchiha encostado na parede de um beco envolto em sombras. Ela sorriu amavelmente para ele e foi prontamente em sua direção. Sasuke esperou sua resposta com uma sobrancelha elevada tentando a todo custo ler o semblante animado de Sakura.
– Ele duvidou um pouco, mas consegui convencê-lo. – Falou com um sorriso alegre ao se relembrar a cena cômica.
O moreno abriu um sorriso de lado e depois de se certificar de que ninguém os encontraria mesmo estando escondidos, a puxou para seus braços sendo prontamente recebido pela rosada. Eles se encaixavam com muita perfeição.
– E o que vamos fazer agora? – Ele perguntou curioso com o desfecho do plano estratégico da Sakura.
– Você tem alguma notícia da Hinata? – Ela questionou preocupada em receber uma resposta negativa por parte do moreno.
– Eu nunca falho em uma missão... – Ele reclamou revirando os olhos ao perceber tal preocupação. – É claro que eu tenho.
– E quais são?
– Hiashi viajou, Hanabi vai passar um bom tempo com o Sarutobi no clã e Hinata vai visitar sua sensei que irão se encontrar no centro da Vila. – Ele respondeu com extrema exatidão dos fatos.
Ele havia passado um bom tempo vigiando o clã Hyuuga para conseguir tais informações, enquanto a rosada passava a tarde trabalhando no hospital. O Uchiha ficou no topo de uma árvore próximo a casa principal e observou o fluxo constante de pessoas, escutou muitas coisas, mas o que interessava a ele teve de ser retirado com um pouco de dificuldade. Os Hyuuga realmente são discretos...
– Ótimo! – Sakura exclamou animada pelo seu plano estar sendo executado com perfeição e ainda tendo resultados tão bons. – Agora apenas precisamos falar com a Kurenai-senpai e tudo ficará perfeito!
Riu animada fazendo o moreno soltar uma risada anasalada. Ele gostava de vê-la tão feliz por alguma coisa, sabia do quanto havia machucado a garota que agora está entre seus braços aceitando todas as suas carícias. Sasuke nunca entendeu o poder do amor. O que a Haruno sente por ele de uma maneira impossível permitiu com que várias vezes percebesse seu descontrole. Não estava acostumado a ter companhia, mas estava disposto tê-la ao seu lado e se surgir uma competição iria sem o menor traço de dúvidas competir pela atenção dela e se sairia vencedor.
– O que eu ganho pelo meu trabalho perfeito? – Sasuke perguntou arrogantemente para a rosada que sorriu marota.
– Infelizmente não temos muito tempo... Mas acho que isso pode ser um prémio de consolação...
E para completar suas palavras, Sakura puxou o rosto do rapaz para mais perto do seu e logo tratou de beijá-lo. Era um beijo intenso e quente, apenas um modo de dizer que quando tivessem mais privacidade teriam algo a mais.
Então para instiga-lo ou saciar por hora suas vontades continuaram a provar do outro, até que se sentiram satisfeitos – por hora – e voltaram suas atenções para o que tinham de fazer. Sakura tinha um plano a executar.
*****
Eram oito e pouco da noite quando Naruto parou em frente ao Ichiraku. Ele esperava a sua amiga com muita paciência mesmo que quisesse voltar para sua casa e voltar a dormir.
O Uzumaki estava vestido de uma maneira diferente de seu novo uniforme jounin. Hoje usava uma camiseta de cor clara com uma jaqueta escura por cima, estava com calça jeans e sapatos casuais. Seu cabelo louro estava desgrenhado e mais espetado que o normal, o seu protetor de testa comumente impedia que as mechas caíssem sobre os olhos, como não a usava hoje, permitiu que o cabelo ficasse rebelde em torno de sua cabeça.
Foi dessa maneira descontraída que Sakura o encontrou, ela sorriu animada ao ver que o rapaz estava diferente e bem vestido. Ela agora tinha de esperar que o destino ajudasse em seu plano, afinal, já fizera a sua parte em conseguir convencer Kurenai e o esperto Akikazu em ajuda-la.
– Está muito bonita, Sakura-chan! – Naruto gracejou ao vê-la se aproximar, sorrindo da sua maneira feliz. Era o seu típico sorriso de boas-vindas. Ele ficou aliviado ao ter a ideia em vestir uma roupa diferente, ao ver que sua amiga estava usando um vestidinho solto e leve para aquele clima teve a certeza que fez a coisa certa.
A rosada sorriu amavelmente e pegou no braço do garoto para arrastá-lo até a feirinha noturna. O louro a seguia ainda se sentindo desconfiado da maneira com que sua amiga o estava tratando. Ele não entendia esse interesse repentino em leva-lo para sair. O rapaz já havia perdido a conta de quantas vezes a convidou para sair quando mais novo e em todas as suas tentativas sempre levava um soco junto da resposta negativa. Isso estava estranho, as coisas não estavam tão corretas...
Sakura arrastava o louro pelas barraquinhas, animada com a diversidade de coisas para se comer ou brincar. Naruto apenas a seguia e sorria quando ela se virava para ele, afirmando que estava adorando o passeio. Ele estava com vontade de voltar para casa, sentia que havia entrado em uma enrascada ficando com ela por ali.
– Ah! Olha Naruto, que fofinho! – Sakura disse animada apontando paa um cachorrinho do clã Inuzuka que fazia truques para divertir o público.
Quando o rapaz foi observar o que o cachorro fazia, Sakura encontrou a brecha que necessitava e procurou Hinata pela multidão. A encontrou andando de mãos dadas com o pequeno Akikazu no meio de muitas pessoas animadas. Finalmente o destino estava a ajudando com mais rapidez do que calculara.
– Naruto! – Desviou a atenção do rapaz do cachorro que a olhou com um sorriso divertido nos lábios. – Por que não compra dangos para mim?
Pediu enquanto o empurrava até a direção da barraquinha de dangos que era exatamente na mesma direção que Hinata estava vindo. Naruto franziu o cenho confuso tentando impedir que ela o empurrasse.
– Achei que não gostasse de dangos. – Ele falou confuso sem entender a pressa com que ela lhe empurrava.
– Você deve ter se enganado... – Negou impaciente, se ele continuasse assim faria seu plano ruir. – Por favor, Naruto! Vai comprar, não vai?
Pediu novamente insistindo com o olhar mais desolado que tinha. Irritado, Naruto suspirou cedendo ao desejo da amiga. E antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, Sakura o empurrou com mais força para longe e sem que o lourinho visse, acenou para o pequeno Sarutobi que na mesma hora em que a viu entendeu o recado e correu para ela se soltando da Hinata.
Quando Naruto se virou para ir à barraquinha de dangos, viu que um garotinho de cabelos negros e desgrenhados passou correndo feito uma bala por ele. Em uma rápida olhada reconheceu o menino graças aos olhos castanhos avermelhados, tão incomuns.
Espera! Esse não é o filho da Kurenai-sensei? – pensou confuso e antes que se virasse para impedir a fuga do garoto, sentiu seu corpo ser chocado com outro.
Assustado olhou para frente exatamente na hora em que a mulher ia começar a cair desequilibrada pelo choque. Com seus rápidos reflexos agarrou os braços finos e esguios da morena e impediu a queda puxando-a para si. E antes que um pedido de desculpas saísse de sua boca, as palavras se viram impedidas de sair ao ver quem estava em seus braços.
– N-naruto-kun! – Hinata deixou escapar inconscientemente se esquecendo por completo do que prometera da ultima vez em que se encontraram.
Ao escutar novamente o seu sufixo predileto sair de maneira carinhosa e diferente do que da ultima vez em que se falaram, Naruto abriu um largo sorriso e encarou as perolas da Hyuuga.
– Acho que te salvei de um belo tombo, não foi? – Ele falou brincalhão fazendo a garota corar envergonhada.
– D-desculpa, e-e-eu n-não vi você! – Gaguejou encabulada tentando se firmar no chão, mas percebeu que isso seria bem difícil já que suas pernas pareciam duas gelatinas.
Naruto apenas sorriu e se esqueceu por completo do que tinha de fazer. Ele estava extasiado, feliz por ver que aquela Hinata que conhecia estava de volta. A morena também esqueceu que tinha de ir atrás de Akikazu, estava perdida na imensidão dos olhos azuis que o Uzumaki possuía. Coitada da garota que não conseguia respirar ou agir corretamente, principalmente com essa aproximação repentina de seus corpos.
– Você não está machucada, não é? – O louro perguntou preocupado com o silencio da Hyuuga. Ele queria que ela falasse alguma coisa, pelo menos agisse.
Finalmente acordando de seu estupor, Hinata balançou a cabeça negativamente ao mesmo tempo respondendo a pergunta como também para desenevoar sua cabeça. E de repente voltou à realidade.
– Akikazu! – Exclamou preocupada se soltando do rapaz.
– É eu o vi. Por isso me distraí! – Ele falou envergonhado coçando sua cabeça nervosamente.
– Para onde ele foi? – Hinata havia se esquecido de que estava envergonhada e se rendeu a preocupação mesclada ao nervosismo. Naruto estranhou o comportamento de sua amiga.
Antes que respondesse ou falasse qualquer coisa, Naruto foi interrompido por Sakura que chegou mais perto do casal com o pequeno Sarutobi em seus braços que ria divertido.
– Ah, Hinata! Eu acho que peguei seu fugitivo. – Falou sorrindo divertida com a situação a sua frente. Ela ficou animada ao ver que a garota ainda reagia de maneira envergonhada na frente do louro. Sabia que eram indícios do amor que a Hyuuga ainda sente por ele.
– Akikazu! Você me deixou preocupada! – Hinata exclamou visivelmente aliviada tomando o garotinho dos braços da rosada e o abraçando em seguida.
O moreninho apenas pediu desculpas e com isso derreteu qualquer preocupação ou irritação da morena. Eles sorriram amavelmente para o outro e soltaram uma risada, estavam decididos a passar uma borracha no ocorrido. Naruto olhou para aquela cena e deixou escapar um sorriso de afeição para a cena.
Ela daria uma boa mãe... – pensou de maneira distraída ainda olhando para a cena, até que se tocou no que havia dito. – É o que?
– Você está bem, Naruto? – Sakura questionou o amigo percebendo a maneira afetuosa como ele olhava para a cena.
– Eu estou ótimo Sakura-chan! – Ele falou soltando um sorriso nervoso e coçando sua nuca. O louro não entendia o motivo de ter pesado em uma coisa tão... Pessoal!
Hinata olhou para Sakura e Naruto não podendo evitar a irritação dominá-la ao ver que eles estavam tão próximos. Ela odiava admitir, mas tinha ciúmes da relação amistosa dos dois. Não era um ciúme possessivo, tinha mais a ver com o fato de que a rosada podia conversar, tocar o louro sem precisar desmaiar ou ficar envergonhada, quase ter um sangramento pelo nariz...
Agora você exagerou Hinata... – sua consciência resmungou impaciente.
– Hinata-sama! – Alguém que se aproximava dos quatro chamando pela garota, que fechou os olhos por um instante já sabendo quem era. Essa atitude do rapaz começava a irritá-la.
Ko ao ver que o Uzumaki estava muito próximo de sua líder apressou seus passos até o quarteto. Naruto lançou um olhar carrancudo para o irritante Hyuuga e amaldiçoou a pessoa que teve a brilhante ideia de leva-lo até ali. Kurenai que andava calmamente até o grupo, ficou satisfeita ao ver que Sakura já estava pondo seu plano em ação com aparente sucesso. Quando a Yuhi chegou mais perto deles, piscou um olho para a rosada que sorriu de maneira discreta e cumprimentou o louro, que demonstrava estar irritado pela presença do guarda-costas da Hinata.
Ao ver que sua mãe já estava por perto, Akikazu pulou do colo da Hyuuga e foi diretamente para Kurenai. Ele não ligava muito para aquela situação e ao ver que Shikamaru estava entre eles gritou de felicidade. Gostava de brincar com o jovem Nara.
– Sakura, — Kurenai chamou a atenção da moça que lançou os olhos esmeraldinos na antiga professora da amiga. – o Shikamaru estava me convidando para tomar um chá na casa dele, você não adoraria vir com a gente?
Perguntou sorrindo docemente, mas por dentro já estava conspirando uma maneira de deixar sua ex-aluna e Naruto a sós. O Nara que havia ficado momentaneamente perdido com o convite – já que não havia feito nenhum – ia protestar algo, mas uma cotovelada em sua barriga o impediu de falar. Sakura – que havia dado a sutil cotovelada – aceitou o convite parecendo estar muito animada.
Cha! Peguei vocês dois! – Exclamou vitoriosa a Sakura interior.
– Mas Sakura-chan, e seus dangos? – Naruto questionou inocentemente sem ter a completa noção do que estava acontecendo.
– Não precisa mais compra-los, deve ter lá na casa do Shikamaru, não é mesmo Kurenai-senpai? – Disse a Haruno que a todo custo tentava se desviar do louro, que ficou ainda mais confuso.
– É claro! – Respondeu Kurenai que suspirou ao perceber a inocência do Uzumaki. – Naruto, por que você não leva a Hinata para um passeio. Ela precisa respirar novos ares, não acha?
Propôs inocentemente, mas como Naruto não conseguia captar as coisas com tanta facilidade, aceitou a proposta com animação sem pensar duas vezes na verdadeira intenção da morena. Como o Nara não poderia reclamar da situação ao finalmente perceber a intenção das duas mulheres, soltou um baixo “problemáticas” e rezou internamente para que o louro não estragasse tudo.
– Não acha melhor irmos para casa, Hinata-sama? – Ko perguntou para a morena que prontamente estava prestes a aceitar sua fuga.
Entretanto Kurenai foi bem mais rápida.
– Você também está convidado Ko-san e não vou aceitar respostas negativas! – Alertou para o rapaz que se viu obrigado a aceitar o convite.
Hinata engoliu em seco, poderia rejeitar a presença do louro e ir correndo para casa. Entretanto seu coração traidor não permitia que ela fugisse. Ela apenas esperava que não estragasse tudo, mas sabia que a presença de seu amado faria com que qualquer convicção ou sentimento ruim não a dominasse. Sua alma clamava por uma saída, queria voltar para a luz.
– Vamos? – Naruto chamou a atenção da garota assim que se despediram dos outros. – Está com fome? Peça o que quiser que eu pago!
Avisou abrindo o seu típico e grandioso sorriso de animação, sorriso que fez o coração da garota perder por completo o passo acelerado para frenético e enlouquecido.
– E-e-eu... – Ela odiou por estar gaguejando, então respirou fundo e contando até três voltou a falar. – Eu não estou com fome.
Respondeu mais controlada, entretanto com o coração ainda batia rápido, talvez isso jamais mudasse. Naruto não aceitou tal resposta, queria que aquele passeio desse certo.
– É claro que você está com fome e eu também estou, então vamos! Não precisa ter vergonha! – Afirmou enfaticamente. – Vamos comer alguma coisa doce! Qual seu doce predileto?
Perguntou esbaforido ignorando a imobilidade da morena, com sua impulsividade pegou na mão delicada e pálida da garota para arrastá-la até as barraquinhas de doces. Hinata se sentia meio dormente ao sentir a mão quente e grande do louro na sua. Seu corpo derreteu como manteiga, ela não podia negar nada a ele, podia?
Com timidez, Hinata afirmou preferir os rolos de canela e se surpreendeu ao escutar do rapaz que nunca havia experimentado tal iguaria. Então com muito exagero, Naruto comprou muitos rolos e os dividiu com a morena que não controlou sua risada ao ver a cara que ele havia feito ao provar do pão doce. Ele admitiu entender o motivo dela preferir o doce e disse que aquela também seria sua preferencia. A jovem Hyuuga apenas ria das piadas do rapaz, ela nunca havia se sentido tão livre, jovem...
Com ele poderia ser a Hinata verdadeira que estava escondida pelo ar frio e impessoal da líder do clã. Por fim, enquanto comiam, continuaram a passear pelas ruas animadas de Konoha.
Os habitantes que conheciam os shinobi se perguntaram o que a líder do clã fazia andando com o Jinchuriki da Folha. Eles se perguntavam se aqueles dois seriam o mais novo casal da Vila e isso geraria muita fofoca.
Ignorantes desses pensamentos, Naruto e Hinata continuaram a andar pela Vila. O louro agora terminava de comer com animação o ultimo rolo de canela que a morena afirmara não suportar comer por estar satisfeita. Mesmo que a kunoichi ainda estivesse meio intimidada com a presença e a animação do rapaz, respondia com muita calma e doçura as perguntas feitas por ele. O Uzumaki estava ávido por informações, não entendia direito, mas gostava em saber das preferencias da garota, do que ela gostava de fazer quando não estava trabalhando, em como estavam seus treinos...
Quando eles haviam percorrido toda feirinha, Naruto pensou em mais alguma coisa para prolongar o passeio. Gostava de saber que a morena estava se divertindo com ele. Então lembrando-se de um lugar soltou uma exclamação animada e novamente por impulso pegou na mão da garota e a guiou até uma praça que estava terminando de ser reconstruída.
Hinata passou meio hesitante as grades de contenção da construção e teve de ofegar impressionada com a beleza do lugar. Era um grande jardim florido. As árvores frondosas eram iluminadas pelos simpáticos postes que foram colocados pelo caminho de pedras cinzentas, o gramado recém-restaurado estava verde e úmido.
– A vovó mandou reformar essa praça, — Naruto explicou enquanto a guiava até um dos bancos restaurados. Hinata olhava as flores fracamente iluminadas pelos postes com muito fascínio. – ela encarregou a Ino de restaurar o jardim com as melhores flores da floricultura de sua família. – Continuou e se sentou no banco, sendo acompanhado pela morena. — O que achou?
– Aqui é lindo! – Ela respondeu com os olhos brilhando.
A Hyuuga aspirou o cheiro maravilhoso que o lugar tinha e sentiu uma serenidade dominar seu corpo. Sentimento que não combinava com o turbilhão que era estar sentada ao lado do Uzumaki. O corpo do rapaz ocupava boa parte do banco e isso fazia com que seus braços roçassem. Conviver com ele sempre significaria sentir o extremo oposto. E ao mesmo tempo em que adoraria viver ao seu lado pela eternidade, tinha a questão do dever. Nunca poderia iniciar algo com Naruto, ele é apaixonado por outra pessoa...
– Para você. – Hinata foi retirada de seus pensamentos melancólicos pelo rapaz que lhe estendeu uma flor delicada de pétalas brancas.
A morena pegou a flor e agradeceu ao gesto gentil, quase romântico do louro com timidez. Ela cheirou a flor e identificou o aroma.
– Oh! – Exclamou surpresa com o achado do Uzumaki. – É uma gardênia, elas apenas florescem na primavera...
Falou mais para si, entretanto Naruto a escutou e se impressionou com a sabedoria da garota.
– He-he, eu não sabia que era uma gardênia. – Admitiu envergonhado rindo e coçando sua nuca nervosamente.
Naruto havia coletado aquela flor para Hinata pelo simples motivo de que as pétalas de um branco imaculado dão a impressão de delicadeza e o maravilhoso perfume sutil que combinava com a Hyuuga.
Não podendo ler os pensamentos do garoto, a morena sorriu amavelmente para ele e voltou sua atenção para a flor em suas mãos. O silencio do lugar obrigou o louro a ter de iniciar uma conversa, tinha algo que ele queria perguntar e uma promessa a cumprir.
– Como vão as coisas no clã? – Ele iniciou a conversação com mais seriedade e suavidade, iria devagar com as perguntas para não aborrecê-la.
– Está indo bem, — ela respondeu voltando seus olhos perolados para ele. – ás vezes é um trabalho cansativo, mas estou conseguindo fazer alguma coisa...
Disse dando de ombros como se não ligasse tanto para o que estivesse falando. Naruto tentou decifrar os segredos e sentimentos que aqueles olhos claros escondiam. Havia um novo mundo dentro deles, um mundo que o louro adoraria explorar. Entretanto tinha de falar algo...
– Como estão as coisas na sua casa sem ele? – Ele questionou de uma maneira doce, sentindo a tristeza dominar seu peito.
Hinata desviou seus olhos para a flor em suas mãos ao compreender o sentido da pergunta. Aquilo era doloroso de se falar, principalmente com ele.
– Foi meio difícil de aceitar no começo... – Falou com a voz baixa sem conseguir olhá-los nos olhos. – Hanabi se adaptou a condição mais facilmente. Já com o papai foi meio complicado. – Admitiu com pesar soltando um suspiro. – Ele meio que se responsabilizou por não ter protegido o Neji-nii-san, mas não foi culpa dele.
– Eu acho que ainda te devo desculpas. – Naruto falou e isso chamou a atenção da sofrida morena, que o olhou aturdida. – Eu não me desculpei por ter quase desistido de tudo e nunca agradeci por você ter me ajudado... – Disse com tristeza e sem conseguir olhar para ela. – Sem você não teria conseguido derrotar as convicções de Madara e Kaguya.
– Não precisa me agradecer. – Disse de maneira reprobatória, não aceitava esses agradecimentos. Não as merecia. – Eu fiz o que qualquer um faria...
– Não. – Naruto a repreendeu firmemente e isso fez com que ela se voltasse sua atenção a ele, surpresa com a maneira severa. – Qualquer um jamais faria isso por mim, você é a única pessoa capaz de me fazer entender. Você me entende. – Afirmou com firmeza fazendo Hinata se sentir envergonhada com a sua certeza, ela baixou o olhar para suas mãos pousadas em seu colo pensando no que ele havia dito. – Eu sempre terei uma eterna dívida com Neji...
– Por quê? – Voltou a olhá-lo com curiosidade, não havia entendido o que ele disse.
Naruto elevou seu olhar brilhante e determinado para Hinata que ao enxergar tanta força e convicção neles se sentiu sufocada, não podendo mais respirar.
– Porque ele te salvou... Eu nunca me perdoaria se você morresse por minha causa. E tenho certeza de que ele também se culparia.
A admissão do Naruto quebrou todas as barreiras que sua mente construiu em torno do seu coração. As lágrimas que há muito tempo não derramava nublaram seus olhos. Como ela poderia se sentir egoísta quando o homem a sua frente falava isso. Em anos a ferida causada pela morte do primo finalmente começava a cicatrizar, a dor que sentia em seu peito e garganta era da cura.
O louro não gostou de ver que deixara a morena infeliz, então para distraí-la dessa tristeza, pegou a flor que repousava no colo da delicada moça e a colocou na orelha dela. Ele sorriu docemente e ficou aliviado ao receber em troca um sorriso — mesmo que fraco – dela. Hinata enxugou algumas lágrimas que haviam escapado e decidiu que já estava na hora de sair daquele mundo sombrio em que se trancara. Sabia que Neji aprovaria sua atitude, Naruto a salvara.
Depois que conseguiu firmar a flor, Naruto não entendeu muito bem como aconteceu, mas de repente começou a fitar o rosto da morena com mais atenção e percebeu coisas que não havia visto antes. Os traços delicados e femininos do seu rosto, a curva dos lábios, a alvura de sua pele em contraste da sua que era bronzeada. Se perguntou se era realmente real a maciez dos fios daquele cabelo preto-azulado que roçavam seus dedos.
Como um imã seu rosto foi atraído para o dela, mesmo que uma parte de si alegasse para que se impedisse de fazer tal ato, já a outra parte — a dominante – exigia para que continuasse e desvendasse os mistérios que aquela boca pequena e perfeita possuía.
Hinata que percebeu tardiamente a intensão do louro, não pode evitar ou fazer algo para impedir de prosseguir com o ato insano. Até mesmo pelo motivo que ela queria aquilo com todas as forças que possuía. Surpresa e embriagada com a aproximação do Naruto se manteve quieta, imóvel. Ela pensava que estava sonhando, que havia ido ao paraíso, que estava delirando.
Mas quando houve o contato de seus lábios eles tiveram a certeza de que era a maravilhosa mescla da realidade com a perfeição. Naruto jamais imaginou que iria provar de algo tão delicioso quanto os lábios dela eram. Eles eram doces e macios, o louro estava inebriado com sensações tão novas e repentinas. Mesmo que ele não tivesse experiência com garotas, seus instintos o levaram a aprofundar o beijo.
E a partir desse momento foi à perdição entre eles. A mão que estava tocando a macia mecha do longo cabelo escorregou para a nuca e ali enroscou os dedos no cabelo puxando-a para mais perto. Com o movimento possessivo do louro, Hinata deixou um suspiro de êxtase escapar pelos lábios e isso foi um pretexto para Naruto invadir a boca dela com sua língua ávida para desvendar o sabor que ela tinha.
O contato tímido e exploratório não reduzia a magnitude e perfeição do ato. Eles apenas se entregaram a sensações antes nunca experimentadas. A mão – até agora inerte – livre do rapaz foi diretamente para a cintura dela, a morena elevou inconscientemente a mão direita e fez a mesma coisa que a mão direita dele fazia em sua nuca, agarrou os fios louros e rebeldes para se firmar no banco, pois tinha a sensação de que iria voar.
Quando os pulmões exigiram o precioso ar se viram obrigados a encerrar o beijo. Hinata por vergonha não conseguia abrir seus olhos, tinha medo de enxergar rejeição nas safiras do Uzumaki. Naruto abriu seus olhos e não pode evitar novamente o desejo em beijá-la. Ele não conseguia se manter firme ao olhar aquelas bochechas coradas, respiração ofegante e os lábios inchados – que por sinal ele havia provocado tal efeito. E novamente sem poder controlar os instintos, aproximou seu rosto da morena que ainda se manteve de olhos fechados para tentar controlar a súbita fraqueza em seu corpo.
Quando os lábios já estavam novamente para se tocarem, alguém os atrapalha.
– Hinata-sama! – Ko gritou ao conseguir identificar a figura de sua líder de longe. Graças a pouca iluminação do lugar, ele não conseguiu ver o exato momento em que por susto os dois se separaram apressados.
Agora era oficial, Hinata queria se enterrar devido ao constrangimento, como ela conseguiria olhar novamente naqueles olhos azuis, tão perfeitos?
E antes que o Hyuuga se aproximasse para reclamar da aproximação indevida dos dois e conspirasse ao desejo do seu pai, ela pulou para fora do banco e dando um rápido e envergonhado “tchau”. Marchou ainda aérea para fora do grandioso e perfeito jardim. Na entrada das tábuas da construção se encontrou com o Hyuuga que olhava meio carrancudo para o Uzumaki que ainda estava sentado no banco.
Ko concordava com Hiashi sobre evitar que Hinata tenha contato com o rapaz. Ele não gostava dele, mas o respeitava até mesmo pelo fato do rapaz ser um herói e estar se tornando uma lenda viva no mundo shinobi. Entretanto ele não era homem o suficiente para sua líder...
– A senhorita está bem? – Ele questionou ao perceber que Hinata estava diferente.
A morena corou violentamente e não conseguiu mais olhar diretamente para o jovem Hyuuga, então fixou seu olhar no chão. Respondendo baixinho e afirmativamente a pergunta, logo tratou de sair dali com o rapaz indo diretamente para casa.
Quando já estava trancada em seu quarto e sem Hanabi – não tinha a encontrado na sala – para lhe questionar sobre sua aparência, Hinata se permitiu sorrir bobamente, com as pontas dos dedos tocou seus lábios levemente inchados e não pode deixar de se achar boba, mas estava tão completa, tão feliz, que apenas passou a mão no cabelo não conseguindo acreditar no que havia feito.
Ela sentiu uma coisa escorregar de sua cabeça e ao olhar para o chão viu a gardênia repousada no chão. A morena abriu outro sorriso de ingênua e pura felicidade e sem hesitar apanhou a flor. Pensava no quanto a gardênia agora significava para ela, afinal era a prova concreta do que havia feito não foi um sonho e por isso queria que a planta durasse. Então já sabia que iria fazer para que aquele símbolo durasse.
E com a flor na mão se jogou na cama e se virou para o teto. Decidiu que olhar para o teto branco não era muito animador, então fechou os olhos apenas para reviver a prazerosa cena do seu primeiro beijo.
*****
Naruto ainda estava sentado no banco. Já havia se passados minutos que Hinata havia ido embora e permanecia ali petrificado. Seus pensamentos estavam em desordem, mas a única coisa que dominava sua mente era plenitude do beijo.
Aquele beijo foi tão esplêndido, mágico, natural, espontâneo e Hinata... Ah! Ele não tinha adjetivos suficientes para qualifica-la. Ela foi tão diferente, quente... O Uzumaki estava impressionado, surpreso com a atitude da garota. Ela era definitivamente uma caixinha de surpresas.
O louro ainda conseguia sentir o sabor que a morena tinha, era doce devido ao açúcar e marcante por causa da canela, mas tinha algo há mais, um sabor que não conseguia identificar. Ao pensar nas atitudes teve de concordar que ela havia se superado, ao mesmo em tempo que a garota se demonstrava tímida e suave, quando a provocou daquela maneira quando puxou seus cabelos... Cara! Ele nunca poderia imaginar uma mulher tão firme e decidida...
Uzumaki Naruto estava oficialmente encantado pela Hyuuga Hinata e antes de voltar para casa decidiu que um dia teria mais.
E por ele isso seria no dia seguinte. Afinal nunca foi paciente.
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