Pérolas e Safiras
16 Outro Lado da Moeda – Parte II
Notas iniciais
“Acho que vou sentir sua falta para sempre, assim como as estrelas sentem falta do sol de manhã. Tarde é melhor que nunca, mesmo se você tiver ido, eu vou dirigir.” – Lana Del Rey, Summertime Sadness.
A neve caia ao seu redor e acumulava-se no chão, formando uma bela paisagem branca na montanha Ulrica, onde fica a mansão do Otsutsuki Hamura.
Os sons de pés nervosos e o choque de metais quebrava o silêncio do lugar. No jardim congelado, Hinata e Toshida se encaravam. Eles estavam rente ao outro, cada um com uma espada na mão. Os dois esperavam pacientemente o próximo ataque que não tardou a acontecer. A morena segurou com mais firmeza a bainha da Tsuki no raion e tentou quebrar a defesa de Ren, que mesmo sendo velho e estar levemente fora de forma, conseguiu impedir seu progresso e conter a bela lâmina da katana com a sua espada.
A Hyuuga tentou se movimentar novamente, mas a única coisa que recebeu foi um forte empurrão que a lançou para longe, caindo de bunda no chão congelado. Ela estava congelando, mesmo tendo o corpo quase completamente coberto por roupas de inverno, o vento conseguia penetrá-las. A garota se arrependia em ter aceitado a ideia do velho. Ren achou que seria bom iniciar um treinamento, assim Hinata se habituaria com a nova arma e ainda manteria seu preparo físico.
Já havia um mês que esse treinamento durava e o inverno chegou junto com dezembro. A morena andava muito preocupada e cansada. Sentia saudades de casa, mas sabia que não poderia voltar e se quisesse ajudar sua família e amigos, deveria continuar o treinamento.
– Concentre-se, Hinata-sama. – Ren falou com seriedade. Ele a observou se levantar devagar e se apoiar com um joelho no chão, enquanto sua espada ficava cravada na neve. A morena estava ofegante e muito cansada. – Lembre-se que você e a espada têm de estar em sincronia. Tsuki no raion não é apenas um objeto. Ele é um espírito selvagem que tem de ser domado... Vocês têm de ser um só e assim poderão vencer qualquer obstáculo.
Hinata voltou a se levantar e novamente ergueu a espada com determinação. Ela deu uma longa inspirada, controlou a dormência de seus membros congelados e acalmou seu coração. Fechou seus olhos e tentou se focar em escutar o espirito da espada, queria descobrir uma maneira mais prática de se conectar com o espirito vibrante da katana.
Antes mesmo que iniciasse novamente seu treinamento, ela sentiu um chakra próximo ao lugar. E mesmo que pudesse tentar descobrir de quem pertencia aquele poder familiar, um ANBU de Konoha pulou de uma árvore, próximo aos dois. Ele estava coberto por uma capa longa da cor cinza, a máscara cobria seu rosto e não revelava nada mais. A morena foi a primeira a se movimentar e ficou na frente do velho Toshida.
– Eu cuido dele. – Ela falou com frieza e seriedade, se concentrando em seu mais novo alvo.
Ren sentiu um arrepio incômodo na coluna, na mesma hora em que viu a garota atacar o recém-chegado. Ele conhecia de onde aquele ANBU vinha, não gostava de ver sua mais nova aluna em combate, talvez o seu velho espírito de professor ainda estivesse preso em seu coração. As lembranças da época em que ainda era um simples shinobi dançavam em sua cabeça. E ignorou a sensação de que tinha de interferir na batalha.
O intruso, ao ver perceber o ataque hostil, puxou uma kunai do bolso e se protegeu da lâmina da espada. Foi um movimento rápido e preciso, e parecia que não se afetou com a força do golpe. Hinata tinha a mandíbula tensa. Sabia que ainda não tinha poder o suficiente, mas que tentaria proteger a si ou Toshida de ameaças. Estava preocupada e um pouco irracional, não era do seu feitio fazer essas coisas, contudo vivenciar tudo pelo que passou nesses seis meses, foi o suficiente para que sua personalidade começasse a tomar mudanças drásticas.
Percebendo que não iria conseguir nada, presa daquele jeito, a Hyuuga pulou para trás e dessa vez esperou que ele a atacasse. Não deu tempo nem de pensar com coerência ou planejar, sei lá, uma fuga. Quando sentiu, o ANBU já tinha a desarmado e agarrado seus braços, prendendo-a junto ao seu corpo.
– Peguei você. – Ele exclamou vitorioso, enquanto a garota se remexia de costas ao ninja.
– Tem certeza? – Hinata falou atrás dele, com a lâmina da espada próxima ao pescoço do ninja.
O ANBU ficou confuso com o que havia acontecido, até que olhou novamente para os seus braços e viu que segurava um toco de madeira.
Então você utilizou o jutsu de substituição, huh? – pensou orgulhoso da rapidez em como ela agiu e soltou o toco. – Danadinha...
Hinata ainda estava séria e como não aguentava mais aquela diferença de altura, chutou a parte de trás dos joelhos do oponente, forçando-o a ajoelhar-se e assim ficar mais baixo. Nem um segundo se quer ela pensou em baixar a guarda ou guardar sua espada, como também não tinha a intenção de feri-lo.
– Eu vou contar até dez e você vai embora e se eu te encontrar nas redondezas, pode ter a certeza de que não hesitarei em mata-lo. – Ameaçou com a voz séria e o mais firme possível.
– Acho que vai ser impossível. – Ele falou e a morena teve a noção de que possivelmente o ninja tinha um sorriso no rosto. – Minha missão é te levar de volta e é o que vou fazer.
A coluna da morena enrijeceu ao escutar aquelas palavras. Não podia acreditar, mas...
Isso só pode ser uma piada! – disse mentalmente ficando irritada.
De maneira quase brusca, a morena libertou o ninja e se afastou dele a passos largos e irritadiços. O ANBU se voltou para a garota, curioso por ela ter repentinamente o libertado.
– O que está fazendo aqui? – Ela o questionou com raiva, seus olhos já ardendo devido às lágrimas e o coração batendo enlouquecido em seu peito. – Eu achei que tivesse sido clara quando fugi da sua casa. Não era para estar aqui.
Hinata trincou os dentes e com os olhos flamejantes observou o ninja retirar a máscara. Naruto revelou seu rosto que estava com uma expressão séria e preocupada. Ele estava aflito com o estado em que a Hyuuga havia ficado. Ela parecia tão perdida e cansada... Tão triste...
O louro se levantou e tentou se aproximar da morena, que de imediato se afastou dele e virou-se para a casa.
– O treino acabou por hoje, Toshida-san. – Ela falou com sua voz calma, na tentativa de mascarar a explosão de sentimentos em seu peito.
Ren apenas observou as costas da garota e acompanhou com o olhar ela voltar correndo para a mansão. Naruto prontamente apressou o passo para segui-la, mas foi impedido pelo velho, que o restringiu com a mão em seu ombro. O Uzumaki olhou para o homem, com os olhos azuis agudos devido à irritação, entretanto, aquele olhar não intimidou o velho que apenas o encarou com firmeza e inquietação.
– Deixe-a sozinha por enquanto... – Falou secamente, retirando a mão do ombro tenso do rapaz. – Venha, vou te mostrar um pouco do lugar e talvez assim você me diga quem é você.
Mesmo que estivesse atormentado com o semblante desesperado da morena e seu coração estar corroendo de saudades, Naruto concordou com o que Toshida falara e o seguiu para dentro da mansão.
*****
O céu escurecera rápido demais. As constantes nuvens cinzentas insistiam em continuar a derramar sobre a montanha flocos de neve.
Hinata observava aquela paisagem da janela em seu quarto, que dava diretamente para o jardim. Ela não viu o momento em que Naruto e Ren seguiram diretamente para casa, mas tinha expectativas de que se o louro fosse sensato iria embora. As coisas já estavam complicadas demais por si só e com ele ali por perto ficaria difícil de continuar. Tinham horas que a Hyuuga odiava possuir esperança e fé. Quando ele aparecia as sentia com tanta força e apelo que chegava a sufoca-la.
As unhas da morena cravaram na madeira que compunha o parapeito da janela, devido às imagens doces e maravilhosas da manhã, onde pela primeira vez, se sentiu uma verdadeira mulher, se sentiu completa...
Ela se questionava até quando poderia suportar estar longe dele. Ali não entrava mais a questão em proteger seu coração e sim manter sua sanidade. Bastava apenas pensar em seu nome, todas as convicções — as que julgava serem corretas — se estilhaçavam. Justamente nesse momento delicado, onde não podia ter esperanças... O que iria fazer? Como suportar a dor que está sentindo?
As suaves e oscilantes batidas na porta do quarto, a retiraram dos pensamentos angustiantes. Soltando um suspiro pesado, Hinata acendeu uma lamparina para iluminar o quarto e permitiu a entrada de quem quer que esteja a sua porta.
Provavelmente deve ser o Toshida-san, preocupado comigo... – pensou enquanto revirava seus olhos.
E não ficou surpresa quando viu estar errada e quem entrou no quarto foi o louro. Ele estava meio inquieto por entrar ali, receoso das reações negativas da morena.
Hinata apenas esperou que ele entrasse e fechasse a porta o mais rápido possível, para evitar que o vento gélido dominasse o quente e aconchegante cômodo. Parado próximo à porta, Naruto a observou temeroso em tentar uma aproximação. Seu coração afundou no peito ao vê-la ignorá-lo e voltar sua atenção para a janela. O louro sentiu mais frio ali dentro do que do lado de fora.
O rapaz havia retirado o colete, os protetores dos braços e as sandálias. Seus pés descalços se impeliram de maneira automática na direção da morena, que ao escutar cada passo dado sentia seu coração querer sair pela boca.
– Eu te disse que era para ir embora... – Ela resmungou baixinho, parecendo um animal encurralado por seu caçador.
– Eu não vou voltar até que venha comigo. – Naruto falou teimosamente e baixo apenas para não quebrar o silencio do quarto, estava muito próximo à garota agora.
A presença do Uzumaki fazia com que o ambiente ficasse denso e carregado de uma tensão elétrica, que mexia profundamente a Hyuuga. Ela não continha mais suas emoções, queria deixar de lado os turbilhões de sensações que sentia, mas ele sempre a obrigava a tomar atitudes que não combinava consigo. E dessa vez, a explosão de raiva e irritação apagou toda a candura típica da morena.
Hinata se virou para encarar Naruto e o pegou de surpresa quando bateu seus punhos no peitoral dele. Ele encarou aquelas perolas e estremeceu ao encontrar uma cor bem mais escura que o normal, quase lembrava o cinza do céu que cobria o azul no lado de fora.
– Pare com toda essa nobreza! – Ela explodiu enquanto batia nele, o rapaz apenas recebia os golpes que propositalmente não eram fortes. – Você não pode me ajudar agora! Volte para casa e continue a viver! – A morena não chorava mesmo que sentisse sua garganta fechada e dolorida. O louro a encarava com o rosto sério e calmo, esperando que aquela explosão raivosa terminasse. – Você tem um sonho a cumprir... Então não seja tolo e volte para Konoha...
Ela falou baixinho, não conseguindo mais manter a raiva. O arrependimento lavava seu ser, os olhos antes firmemente cravados nos azuis, caíram para o chão, enquanto seus punhos cerraram mais, ainda apoiados no peitoral dele. Não queria ter dito aquelas palavras, não queria deixa-lo ir, mas se fosse entre isso ou faze-lo sofrer, então preferia mil vezes fazer com que a odiasse, do que machuca-lo no final...
Contudo, ele não queria escutar aqueles apelos. Dava para ver e sentir o desespero nela e isso o agoniava mais do que pensar estar sendo rejeitado. O louro queria que a morena ficasse bem, que sorrisse... E com esses pensamentos, agarrou a cintura Hyuuga e a puxou para si. Naruto enterrou seu nariz no pescoço alvo da garota, inalando seu cheiro doce e misterioso. Ela estremeceu com aquele ato. Ele sentia seu coração ficar mais leve e aliviado ao senti-la em seus braços, aquilo não erradicava as saudades, mas acalentava seus pensamentos desordenados.
Hinata não o rechaçou, na verdade não conseguia ignorar e rejeitar o abraço. Ela enterrou seu rosto no peitoral do rapaz e agarrou a blusa que ele vestia. Inalou o cheiro dele que era divinamente maravilhoso.
Eles permaneceram abraçados por um bom tempo, sem se preocupar com o mundo ao redor deles. Mas Naruto tinha de dizer coisas, pensamentos e conclusões que tomou desde que saiu em busca da Hyuuga. Pensou em tantas possibilidades, repensou em suas atitudes e chegou a uma conclusão que necessitava contar a ela. Ele nunca teve uma certeza tão absoluta quanto tinha neste momento.
– Hinata... – Ele a chamou baixinho, enquanto se afastava minimamente, apenas para poder olhá-la nos olhos. A morena desenterrou rosto da camisa e engoliu em seco ao ver o quão brilhantes estavam as safiras que o louro chamava de olhos. A cor era tão intensa que provocou um arrepio delicioso em sua coluna. – Você diz que ajo dessa maneira por nobreza... E que devo desistir para correr atrás do meu sonho... – Naruto iniciou sua fala com o coração batendo acelerado, frenético em seu peito. Jamais havia dito aquelas palavras de maneira tão séria e isso o deixava nervoso, mas tinha de dizer. Respirou fundo e continuou. – Do que adianta realizar todos os meus sonhos, se a mulher que eu amo não está ao meu lado.
Para Hinata o mundo simplesmente parou de girar. Ela tentou a todo custo encontrar a mentira ou a revelação que aquilo era apenas um de seus sonhos, mas o rosto sério e ansioso do louro indicava que tudo o que ouviu, havia sido apenas a realidade. A morena puxou o ar bruscamente e tapou sua boca com a mão, sem saber o que pensar ou reagir... Ele estava dizendo que a amava e ela não fazia ideia do que fazer... Não estava preparada para isso...
O Uzumaki mesmo estando nervoso, abriu um sorriso adorável ao perceber o choque e a imobilidade da garota. Mas estava aliviado em saber que não havia feito nada de errado, pois ela não se afastou dele, estava surpresa demais para reagir com coerência.
– Me desculpa, mas eu acho que deveria ter falado isso de uma maneira melhor... — Ele não pode terminar a frase.
Hinata finalmente acordou de sua imobilidade e ficou nas pontas dos pés para envolvê-lo num beijo apaixonado. O louro sorriu alegre ainda a beijando e colou ainda mais seus corpos sedentos. A morena jurou a si mesma que não teria mais vergonha ou timidez na frente dele, a admissão era o suficiente para liberar um lado seu tão oculto e corajoso, que jamais pensaria existir.
A atmosfera consequentemente ficou mais densa e pesada. Para eles não bastavam os beijos, iriam sempre querer mais e mais.
E diferente da primeira vez, Hinata não se demonstrou petrificada e inexperiente. Reagia com bastante necessidade. Naruto andou para trás, na tentativa de leva-la até a cama que estava alguns metros de distância. Eles soltavam risadas devido aos tropeções causadas pela afobação, estavam se divertindo com tudo. Era um momento tão mágico e perfeito, que ficaria marcado para sempre em seus corações.
Suas bocas insistiam em se manter coladas, não importava o quanto já haviam se beijado, nunca era o suficiente e sempre se irritavam pelo fato de necessitar respirar. A cada encontro de lábios sempre algo novo e excitante acontecia.
Naruto não calculou bem o espaço e acabou por chocar sua perna na base alta da cama, caindo no colchão. Para não machuca-la, ele a soltou antes de cair sentado e corou envergonhado por ter estragado o momento. Hinata cobriu sua boca com a mão, mas não pôde evitar a risada que veio fácil. O louro estreitou seus olhos, fingindo a repreender e estendeu sua mão direita, era uma exigência silenciosa para que ela se juntasse a ele.
Contudo, ela não aceitou de imediato e com sua coragem recém-descoberta, se despiu com lentidão. Naruto ficou encantado com a atitude ousada e observou cada movimento sensual como se estivesse hipnotizado por ela. Ele a desejava ainda mais, queria descobrir o quanto de coisas aquela Hyuuga ainda escondia. Quando Hinata já estava totalmente despida, não soube como explicar, se sentiu desejada e não envergonhada por estar nua na frente dele. Principalmente ao encarar o olhar quente e lascivo que lhe era direcionado.
Saindo do transe, o louro percebeu que estava vestido demais e com afobação retirou suas roupas jogando-as pelo chão, sem se importar com a bagunça. Depois disso, ele pegou a mão delicada da morena e a guiou até a cama, deitando-a com suavidade sobre o colchão. Hinata aceitou o louro sob si de muito bom grado e sorriu feliz para ele. Naruto retribuiu o sorriso e a beijou com muita lentidão, sua língua executando uma dança erótica e conhecida apenas pelos amantes.
Ah! E como eles sentiam falta da eletricidade atravessando suas peles fortemente coladas. As mãos do casal não se cansavam de explorar ao outro, tinham tanto para descobrir, cicatrizes para serem decoradas, partes sensíveis a serem tocadas, tantas opções...
Com a boca, Naruto explorou o corpo de sua amada com devoção. Ele amava seu cheiro e aprendia a apreciar ainda mais os gemidos baixos e controlados, que ela deixava escapar quando suas carícias se tornavam intensas. Sem vacilar, o louro continuou a beijar as partes onde não explorou na primeira vez. Hinata sabia qual era a verdadeira intensão do rapaz ao vê-lo beijar toda a extensão da sua barriga e ainda continuar indo mais para baixo. Ela não o impediu quando ele abriu suas pernas, tendo acesso ao seu ponto mais intimo e afundou bruscamente sua cabeça no travesseiro, tentando manter os gemidos contidos ao sentir a língua dele lhe provocar prazeres, jamais imagináveis.
Ela se entregou aquelas carícias e quando menos esperou acabou por sentir os tremores em seu corpo, indicando que chegaria ao clímax. Percebendo, Naruto parou o que fazia de imediato e quase gargalhou ao ver a irritação da morena. O louro serpenteou seu corpo novamente para cima, e voltou a beijá-la com mais desejo e fúria. Decidida a dar o mesmo prazer de agora pouco ao seu amado, Hinata com habilidade inverteu as posições e iniciou o ritual lento no corpo musculoso e perfeito do louro.
Ele arregalou os olhos, impressionado com as atitudes ousadas, mas totalmente desesperado por mais e mesmo ela não tendo terminado o que pretendia. O louro a interrompeu e voltou a beijá-la, enquanto elevava seu tronco. Já sentado, Naruto deslizou sua mão esquerda até a nuca da garota e seus dedos automaticamente se emaranharam nos fios negro-azulados. Sua mão esquerda deslizava pela pele arrepiada da morena e quando chegou à cintura delgada, ele interrompeu o passeio e a estabeleceu por ali.
Dessa maneira eles se conectaram com profundidade, dessa vez não puderam conter as exclamações em deleite e assim o mundo ao redor deles se fragmentou num abismo de sensações, onde o desejo e insanidade se mesclavam a paixão e o amor. Era um momento único e harmônico, seus corpos se perdiam cada vez mais no fogo que despertaram. Queriam cada vez mais de si e aumentar a velocidade das estocadas não era apenas o suficiente.
Hinata tentou se lembrar de que não podia fazer muito barulho, lembrando que a acústica da casa era péssima e Toshida poderia escutar o que eles estavam fazendo. Mas seus pensamentos se dissipavam com um simples toque ou beijo e se descontrolou por completo.
Juntos chegaram ao ápice do momento, totalmente ofegantes, mas não satisfeitos. Sendo assim apenas se recuperaram o suficiente e novamente iniciaram a noite mais perfeita de suas vidas.
*****
Naruto e Hinata caíram exaustos na cama, lado a lado. Deitada de bruços, a morena tentava controlar seu coração que batia frenético. O louro olhava para o teto sentindo-se satisfeito e aliviado, nunca pensou que aquela admissão culminaria em um sentimento tão bom...
Aos poucos o casal foi recuperando seus sentidos enevoados. O Uzumaki a puxou para acomodá-la em seu peito e assim começaram uma conversa banal. Eles trocavam experiências e informações sobre o tempo em que passaram separados. Devido ao cansaço, seus corpos relaxados começavam a demonstrar sinais de dormência. Hinata tentava se manter acordada, mas de vez em quando suas pálpebras se fechavam em teimosia. Naruto, que estava calado, não percebeu o estado sonolento da morena quando iniciou outra admissão.
– Antes de sair a sua procura, — ele falou com a voz enrouquecida pelo sono. A morena soltou um sonolento “hum” indicando estar escutando. – Vovó Tsunade me entregou um pacote, que só pude abrir depois de estar longe da vila... E quando li o conteúdo da carta que tinha dentro do envelope fiquei surpreso e estático, quase sem saber o que pensar. – Disse rindo fracamente e o movimento do seu peitoral despertou a morena por completo. – Eu acho que ela fez isso para que eu voltasse ou coisa parecida, não sei...
– O que tinha escrito na carta? – Hinata o questionou com o cenho franzido em curiosidade, seus olhos estavam sonolentos. Naruto a encarou diretamente nos olhos e revelou:
– Quando eu voltar da missão... Vou ser declarado como o mais novo Hokage.
Os olhos da morena brilharam intensamente de alegria. O louro sorriu abertamente, aliviado com a reação positiva da morena.
– Eu sabia que isso ia acontecer o mais cedo possível... – Hinata falou eufórica enquanto tocava o rosto do seu amado com as costas dos dedos.
– Você vai voltar comigo, não é?
A voz do Uzumaki saiu baixa e hesitante. A Hyuuga abriu um sorriso triste, já se sentindo péssima por não poder ir ao momento mais importante da vida dele. Não podia se permitir a ir, tinha coisas executar. Só esperava que ele a perdoasse por seu egoísmo. Os olhos do Naruto denunciaram todo desapontamento e infelicidade ao ver a resposta no rosto da morena.
– Eu posso desistir de tudo, você sabe. – Ele falou com a voz rouca e arranhada devido a lagrimas que foram firmemente seguradas. – Não tem sentido ser Hokage sendo que nem posso trazer minha mulher de volta. Como vou proteger a Aldeia da Folha, se não consigo te proteger! Volta comigo, por favor!
O futuro Hokage implorou desesperado e frenético, nunca sentiu um aperto tão profundo e cortante em seu coração. Odiava ter esse medo infantil da rejeição. Era como se Hinata estivesse se despedindo dele para sempre. Com sua alma sendo estraçalhada em milhares de pedaços ao capturar com seu polegar as primeiras lágrimas que ele deixou escapar, a morena tentou apaziguar o coração maltratado do louro.
– Você não vai desistir de nada. – Hinata falou com a voz profunda e embargada. – Se você realmente me ama, então vai voltar para Konoha e aceitar seu destino. – Naruto logo tratou de retrucar, mas foi calado pela morena que colocou o indicador sobre seus lábios. – Você sempre me protege e enquanto estiver em meu coração, sempre estarei protegida. Você me salva, Naruto-kun. Nem Kaguya pode mudar o meu amor por você.
Falou com convicção e olhando com firmeza nos olhos azuis que tanto ama. Naruto soltou um suspiro chateado, odiando o fato da morena ser tão teimosa e sempre preferindo proteger os outros, mesmo que significasse arriscar sua vida... E esse era um dos motivos que o fez se apaixonar, ela além de linda era tão nobre e forte...
O Uzumaki custou a aceitar aquelas palavras, quando a fez, voltou a beijá-la com desespero, já odiando o momento em que teria de deixa-la. Até que veio uma curiosidade em sua cabeça ao tocar o vão das costas da Hyuuga e lembrou-se de uma coisa estranha. Sendo assim, ele quebrou o beijo e quase gargalhou ao escutar o murmúrio irritado da morena.
– Que desenhos são esses em suas costas? – Perguntou e ficou apreensivo ao senti-la ficar tensa repentinamente.
– É um selo. – Ela respondeu séria não podendo mais sustentar o olhar do louro. Naruto lembrou os desenhos e se deu conta de que eram inscrições. – É isso que controla Kaguya. – Falou afastando o cabelo da nuca, revelando o desenho de uma meia lua onde as pontas apontavam para cima.
O louro seguiu com os olhos a trilha de inscrições que seguia do começo ao fim a coluna vertebral da morena, terminando na nuca com a lua. Ele não sabia o que falar, estava atormentado com a ideia de que ela tenha um selo, isso era perigoso? E se de alguma maneira aquilo não funcionasse?
A apreensão foi quebrada, quando a morena exigiu que ele descansasse e deixasse tudo aquilo momentaneamente esquecido. Naruto concordou com a ideia e deitou a cabeça no travesseiro — relaxando seu corpo — onde segundos depois adormeceu. Hinata permaneceu acordada por um bom tempo. Velava o sono inquieto do rapaz.
E em sua mente, várias coisas passavam como flashes desesperados por atenção, eram motivos para contar nada ao louro, mesmo querendo. Até porque se contasse com certeza seria o fim de tudo.
*****
Eles nunca se despediram de alguém de uma maneira tão demorada e angustiada. Eles se amavam e não queriam se separar de maneira nenhuma, mas fariam em nome do dever. A brisa fria que vinha do oceano, não foi o suficiente para acabar com o momento, na verdade os impulsionou a continuar abraçados, aquecidos pelo calor de seus corpos.
Naruto e Hinata se beijavam longamente e pouco importava se tinham plateia, apenas continuaram abraçados e sem interromper o beijo desesperado no caís de Sutäruna. Ela soltou um suspiro apaixonado quando o beijo teve de ser encerrado. A falta de ar, a bendita falta de ar...
– Se continuar desse jeito eu não vou embora... – Ele murmurou embriagado com a presença da morena.
– Desculpa. – Ela se desculpou risonha e sorriu ao escutar o resmungo irritado do louro que alegou ter sido uma brincadeira.
Ele não queria ir embora, mas como negar um pedido dela. Hinata insistiu tanto que chegou a deixa-lo zangado e quando irritadamente se rendeu aos pedidos, teve a companhia dela e do velho Toshida até o caís, onde o barco que o levaria até o País do Fogo estaria atracado. Lógico que não voltaria apenas por causa dela, também o faria para se tornar Hokage e com o poder já incluso, iria mudar a situação da morena, que ainda era uma foragida. Esses pensamentos estavam guardados em seu intimo, um segredo que ele não revelaria a ela.
– Vou sentir sua falta... – Admitiu sentindo que seu coração ficava com ela. O louro beijou a testa coberta pela franja e se segurou para não arrastá-la junto.
– Toma... – Ela falou se separando dele enquanto estendia um penduricalho da sua espada. A distância entre seus corpos era o suficiente para que sentissem a falta do calor que emanavam quando estavam juntos. – Assim um pedaço meu estará junto de você no seu grande dia.
Ela se esqueceu de avisá-lo, que o seu coração também voltava com ele. E quando o último sino do barco que levaria Naruto de volta soou, entenderam que agora era a despedida definitiva. Com um ultimo abraço apertado na morena e um aceno de mão para Ren que estava atrás deles, Naruto correu para o barco que não demorou muito para zarpar.
Hinata observou o barco ir em direção ao horizonte, indo cada vez mais longe de si Se permitiu a derramar as lágrimas que guardou pelos quatro dias em que Naruto esteve com ela. Aqueles dias foram tão bons e significativos que ás vezes tinha a vontade de jogar tudo para o alto, apenas para ficar ao lado dele.
Você sabe que ele vai odiá-la quando descobrir tudo. Não adianta chorar. – Kaguya falou debochadamente para a morena, que rosnou internamente para a inimiga.
Ele irá odiá-la ainda mais se tudo der errado, então cale a boca!– A frase grosseira da morena fez com que a deusa se calasse por completo.
Sendo assim deixou a garota em paz, por enquanto. Contudo não suportaria mais ser tratada daquela maneira novamente. E prometeu a si que iria se vingar da morena.
A Hyuuga sentiu a mão grande e pesada do velho Toshida em seu ombro, entendia o que ele queria dizer com aquele toque.
– Eu não contei a ele. – Falou para o homem que suspirou com irritação pelo gênio teimoso da garota. – Tive de inventar uma história sobre a marca.
– Não acho que ter escondido isso seja uma boa ideia... Eu sei que não está preparada...
Ele tentou argumentar, mas foi calado pela expressão séria e endurecida no rosto da morena, que se virou para ele, muito irritada. Ela não queria questionamentos, aquela não era a hora certa para isso. Teria sua quota de arrependimentos mais tarde.
Entretanto no momento, Hyuuga Hinata estava preparada para morrer.
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