Pânico no Além
4 Quatro
Notas iniciais
Depois de passar da placa, Midney se recordou do acidente que assistiu e da conversa com o funcionário do restaurante.
Com receio, o pálido levantou o corpo e começou a olhar bem mais atento para o que o veículo deixava para trás.
De relance, viu a ossada de um animal no acostamento. Quando tentou avistá-la melhor, foi interrompido por Ana.
– Vejam!
A morena apontou com o indicador para uma pickup azulada tombada fora da pista. Todos olharam curiosos, exceto Matt que devia estar no segundo sono.
– É a mesma da TV! — Reconheceu Bree.
– Então foi aqui que eles bateram... — Ana murmurou.
– Bateram? TV? — Nolan não entendeu nada. — Do que vocês estão falando? Conhecem aquele carro?
– O casal que estava nele morreu há dois dias. — Midney explicara.
Aquilo deixou Nolan mais curioso. O negro se distraiu da estrada querendo observar o estado do outro veículo novamente...
O Ford do grupo iniciou-se a ir para a pista oposta lentamente. Da mesma, um casal de moto vinha em uma velocidade muito acima do limite.
Assim que Matt abriu os olhos, num flash, viu o que estava prestes a acontecer e deu um grito alto "Nolan!". O loiro puxou o volante, mudando a direção do carro, e salvou por muito pouco o grupo de uma batida.
Todos ficaram abalados. O negro pisou fundo no freio, o carro saiu da pista chiando. O casal na moto deu uma forte buzinada e seguiu seu caminho.
Finalmente o Ford parou quando bateu calmamente em uma moita de cactos. Nolan suspirava fundo naquela altura, sua pele estava mais branca que a de Matt.
– O que foi isso? — Bree perguntou entre gaguejos.
– Nolan, seu retardado, quase matou a gente! — Matt gritou, passando as mãos pelo rosto e pelo cabelo.
– As coisas sobre esse quilômetro são verdadeiras... — Midney grunhiu, olhando Ana, que respirava pausadamente. — Você está bem, amor?
– Um pouco gelada... Mas tô viva!
O atleta respirou fundo, abriu sua porta e saiu do carro.
– Nolan, eu dirijo daqui pra frente!
– Acho uma boa ideia, Matt. — O negro falara, descendo trêmulo pelo seu lado e bufando do lado de fora. — Acho que não dirijo mais essa semana...
Em poucos segundos, os rapazes voltaram para o veículo. Matt pegou a chave e a engatou na ignição.
De repente, o telefone de Ana começou a chamar. Ela o retirou do bolso e olhou inclinada para o namorado.
– É minha mãe...
Assim que o loiro o ligou, um forte tremor abalou todo o veículo, as montanhas e tudo mais naquele cenário.
– O que está acontecendo? — Ana perguntou assustada.
– Um terremoto. Fiquem no carro. — Midney explicou segurando firmemente a namorada.
Segundos depois, a vibração parou e tudo voltou ao normal. Ana olhou em seu celular e percebeu que a ligação caira, assim como a rede.
– Acho que já passou. Podemos continuar agora!
Com as palavras de Midney, Matt notou que o carro havia morrido. Desligou e ligou com a chave, tentou dar partida, mas nada aconteceu. Mais duas vezes e nada, então olhou suspirante para os amigos.
– Não fala que o carro deu defeito... — Nolan adivinhou.
– Ficamos a pé! — O loiro usou outras palavras.
– E agora? — Ana questionou.
– Já fui mecânico. — Midney abriu a sua porta. — Vou tentar ver o que houve e consertar...
Ana, Bree e Nolan saltaram. As garotas ficaram olhando em volta para as colinas do deserto, enquanto o negro ficou próximo de Midney.
– Abre o capô, Matt!
E o loiro o fez. O pálido apoiou a lataria num suporte, aproximou-se do motor e observou cautelosamente todos os cabos na parte de dentro.
– Encontrou o que é? — Nolan estava tenso. — Fala que encontrou... Esse carro é alugado!
– Infelizmente sim...
– Infelizmente?
– Pra um carro da pane desse jeito só pode ser uma coisa: Queimou a bateria... A gente só volta pra rodovia com uma bateria nova!
– Droga! — Nolan berrou.
– E o que vamos fazer? — Bree ficou preocupada, olhando o celular. — A rede telefônica caiu, não tem como chamar ninguém!
– Não sei... — Matt saiu do carro e bateu a porta. — Talvez apareça uma carona... Vamos ter que esperar!
– "Talvez apareça uma carona"? — Repetiu Ana em dúvida. — Acha que alguém vai passar por aqui e ter espaço pra 5 estranhos? Eu duvido muito!
– E o que sugere? — O loiro retrucou.
– Bom, aquele restaurante não tá muito longe daqui, e tem um posto de gasolina próximo... Voltamos até lá, pegamos a bateria e pedimos carona até aqui...
– Boa ideia, mas eu não vou abandonar esse carro aqui, sozinho...
– Não precisamos ir todos. — Midney falou. — Eu e a Ana vamos e vocês nos esperam aqui...
– Eu vou também. Preciso muito beber água... — Bree disse.
– Então peguem suas malas e vão. Eu fico aqui com o Nolan. — Explicara o atleta. — E antes que eu me esqueça: Se não acharem ajuda, fiquem por lá. Se demorarem mais de 2 horas, nós vamos pra lá também.
– Ok.
O trio compareceu ao porta-malas, pegou sua bagagem e iniciou uma longa caminhada debaixo daquele sol nada amigável.
Nolan entrou para o seu Ford e se aconchegou no banco, e Matt ficou sentado numa rocha até ver os amigos sumirem com a estrada.
– Essa não era a viagem que eu queria... — Nolan recomeçou.
– Nenhum de nós queria... Mas temos sorte de ainda serem 11 horas da manhã. — Matt disse. — Com certeza vamos conseguir carona, centenas de carros vão passar por aqui pra ir ao Hereafter!
– Ou talvez não... — Nolan expressou preocupação.
– Como assim? Este não é o caminho para a festa?
– Bem, é... Mais é um atalho!
– O quê?! — Matt se levantou surpreso.
– É que eu sabia que a estrada principal deveria estar congestionada e resolvi caçar uma rota alternativa...
– E você nos levou pra um atalho onde não passa sequer um carro? É isso? Que droga! A gente tá sem veículo, sem ajuda e perdidos aqui!
– De qualquer forma, adiantamos bastante passando por aqui... — Nolan se protegeu.
– Que seja! — Matt tirou seu celular do bolso e começou a andar para a estrada na frente no carro.
– Aonde vai?
– Procurar sinal telefônico ou uma mecânica uns 2 quilômetros pra frente. Se eu não achar, eu volto. Fique aqui e espere pelos outros!
– Beleza!
Nolan acompanhou o loiro com os olhos até vê-lo sumir em uma curva, bufou e deu um tapa de leve na testa.
– Ótima ideia, idiota. — Gruiu consigo mesmo. — Por sua culpa a viagem foi arruinada!
E aquele era apenas o começo...
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