Pássaros
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Pássaros
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Escrito por Amanur e Noel Blue
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Capítulo 5
Sakura entrou na boate e bufou se perguntando o porquê de ter aceitado ir naquela festa. Estava mais do que arrependida e tudo que ela queria fazer agora era voltar para casa e se atirar em sua cama. Ela se sentia pouco a vontade com aquele grupo de gente amontoado, se balançando para cá e para lá. Havia homens atraentes e mulheres que pareciam muito mais bonitas do que ela. Certamente, estavam mais sexy. Ela escolhera, sem muita convicção, um vestido cor de vinho curto, meio rodado na saia, e sem decote. Nos pés, calçava um salto preto fechado que lhe parecia a melhor opção para a ocasião. Mas ali, vendo todas aquelas belas mulheres, despojadas, com decotes que iam ao umbigo e salto mais altos do que elas próprias... Sentiu-se o lixo em pessoa. Pelo menos, seu cabelo havia cooperado, e estava no volume ideal para deixá-lo solto, jogado para o lado. Mas, para variar, sua falta de acessórios a deixava menos atrativa ainda. Nem um mísero batom foi capaz de se lembrar de passar nos lábios.
Teve vontade de correr quando viu seus amigos acenarem para ela. Mas se forçou a arquear as sobrancelhas e acenar de volta, se sentindo totalmente sem graça, sem sal, sem açúcar, sem nada. Enfim, se aproximou do pequeno grupo, vendo Naruto caminhar em sua direção. O loiro lhe deu um pequeno abraço e um beijo em seu rosto. Em seguida, foram as vezes de suas amigas Tenten e Ino lhe cumprimentarem.
— Ele só falava em você! — disse a loira em seu ouvido, quando a abraçou.
Sakura revirou os olhos, mas em seguida Naruto veio para lhe sufocar.
— Você quer beber alguma coisa? —perguntou em seu ouvido, devido a música alta.
— Sim, algo forte. — respondeu a ele antes de vê-lo se afastar em direção ao bar. E, então, voltou sua atenção para as meninas a sua frente.
— Ah, Sakura que bom que veio. — disse Tenten animada, enquanto dava um gole na bebida que tinha em mãos.
— O Naruto estava morrendo de ansiedade, esperando por você. Acho que ele realmente gosta de você... — disse Ino, já meio embriagada, enquanto ria sem motivo aparente.
— Não liga, ela já bebeu alguns copos. — Tenten revirou os olhos por causa da amiga loira.
— Uhum... A Ino nunca soube se controlar em festas mesmo. — resmungou, olhando ao redor, vendo Naruto voltar sorridente com dois drinks.
— Aqui, pedi dry Martini. — O loiro sentou-se ao seu lado e lhe entregou a taça com a bebida, que ela tratou de tomar metade com um único gole.
A rosada já estava entretida em seu terceiro drink, ignorando a conversa a sua volta. Às vezes, lhe perguntavam algo que ela tratava de responder rapidamente, com respostas curtas, quase monossilábicas — estava se sentindo entediada, até que notou um ruivo se aproximar da mesa e chamar a Ino para dançar. Assim que os dois se afastaram, Tenten encontrou alguém para tirá-la da mesa também, e restar apenas os dois. E não demorou para sentir o olhar do seu colega queimando em sua pele.
— Você quer dançar? — Naruto levantou e lhe ofereceu a mão. Ela hesitou, pensando se realmente queria aquilo, mas então lembrou que havia decidido ir àquela festa para esquecer seu passado e encarar o futuro.
— Claro. — e pousou sua mão na dele.
Foram para a pista de dança, onde uma música agitada tocava. Naruto era um bom dançarino e Sakura só precisava de um incentivo para se deixar guiar. Ele sorriu para ela, enquanto a girava pelo salão, a fazendo tontear de leve. Em seguida, ele aproximou seus corpos e rodaram juntos, ao som da batida. Eles não estavam muito dentro do ritmo, mas era proposital da parte dele que apenas queria animá-la. Ele tinha o sorriso estampado no rosto, embora não alcançasse seus olhos, por que ele percebia que ela continuava séria, sem sorrir. Sakura parecia estar bem longe dali, com a cabeça em outro lugar. Ela pensava na primeira vez em que dançou com seu marido; pensou no quanto aquele momento pareceu mágico e único em sua vida, percebendo que ele jamais voltaria a se repetir.
— Você está detestando isso, não é? — de repente, ele indaga ao pé de seu ouvido.
Ela olhou surpresa para o loiro, porque não esperava que estivesse aparentando alguma coisa.
— Não, eu estou me divertindo. De verdade. — apesar de ser mentira, ela se forçou a sorrir, mas não foi um sorriso autêntico, e ele percebeu. Mas como ele queria muito acreditar naquela mentira, ele fingiu que estava tudo bem, e continuou a dançar com ela no meio da pista, até que bateram em outro casal — isso arrancou dela um sorriso melhor, mas ele desconfiava que fosse efeito do álcool. Sakura, apesar de tudo, se esforçava para se divertir, embora não conseguia deixar de se sentir deslocada naquele espaço.
De repente, a música agitada acabou, dando a vez para outra mais lenta. E o loiro, é claro, se aproveitou para colar seus corpos ao ritmo lento.
— Sakura?
— Hm? — indagou enquanto descansava a cabeça, que começava a pesar, no ombro do loiro.
— Gosto de você, eu realmente gosto... — ela levantou a cabeça para olhá-lo, e em seus olhos, Sakura viu que ele não estava mentindo.
— Naruto...
— Não, deixe-me falar. Eu sei que não é um bom momento da sua vida, mas você tinha que dar outra chance a si mesma. Você está morrendo Sakura, e eu não quero que isso aconteça. — ele não deu chance para ela responder, pois logo seus lábios estavam sobre os dela. Isso a assustou, sendo pega de surpresa. Seu coração deu um salto no peito, as mãos e as pernas fraquejaram, mas decidiu corresponder ao beijo, dando passagem à língua dele. No entanto, tão logo o beijo começou, ele terminou. Sakura se afastou e pôs a mão na boca com os olhos lacrimejantes. Ela balançou a cabeça e desviou o olhar para sair correndo em direção ao bar, sem dizer nada ao colega.
Desabou no primeiro banco vago que viu, com medo de que caísse no meio da pista. Quando as primeiras lágrimas caíram, ela as limpou rapidamente, respirando fundo.
— O que a moça bonita vai querer? — o barman, sem camisa, perguntou a ela.
— Vodca pura e deixa a garrafa. — respondeu. Ele assentiu, dando uma piscadela para a rosada.
Ela olhou ao redor, procurando pelo Naruto. Ela precisava se desculpar, mas não o via por perto — o que poderia significar que o havia magoado, e não era o que pretendia. Tudo o que viu foi um casal, mais ao canto; a mulher estava sentada em alguma coisa e seu vestido estava erguido até metade das coxas, enquanto o homem se postava entre suas pernas fazendo movimentos de vai e vem.
De repente, a sensação de náusea lhe bateu, e aquele lugar começou a girar em sua visão. Ela queria sair correndo, mas temeu que suas pernas não fossem capazes de lhe obedecer.
— Aqui, boneca. — disse o barman, tirando sua atenção do casal. Ele lhe mostrou um sorriso galanteador, que ela fez questão de ignorar para pegar o copo. Sorveu o primeiro gole, sentindo a bebida queimar em sua garganta.
Virou as costas ao bar, olhando as pessoas dançarem na pista; outro casal, mais perto do bar, dançava displicentemente enquanto o homem segurava a bunda da mulher, quase a tirando do chão. Sakura teve vontade de vomitar, mas entornou mais um copo cheio para aplacar a náusea, e depois mais outro, até que já estava alta demais para se importar com qualquer coisa. Uma mulher loira e alta se aproximou do balcão, subiu e começou a dançar de maneira bastante provocativa. Aquilo estava começando a virar bagunça — o que só poderia indicar que já estava tarde. Vários homens se aproximaram para ver o espetáculo. Foi quando a moça começou a tirar a roupa que Sakura decidiu que estava na hora de sair dali. Pegou sua bebida e começou a cambalear no meio da multidão que gritava e urrava alto, aplaudindo a mulher. Não só homens, como mulheres se juntavam para assisti-la. Mas a fisioterapeuta, não foi muito longe, por que Tenten a encontrou no caminho.
— Sakura, estou indo ao hospital. Me ligaram de lá dizendo que o Sasuke está tendo
algum tipo de ataque nervoso.
— O quê? Eu vou com você!
Sakura a seguiu até o carro, mas com muito esforço. Ela não conseguia manter o equilíbrio, e tropeçava nos próprios pés. Tenten percebeu que ela não parecia bem, mas resolveu sair dali antes de iniciar aquela conversa.
Elas já estavam na avenida principal, a caminho do hospital, quando Sakura começou a chorar. Tenten pensou em parar o carro, mas o paciente precisava de atendimento urgente, e ela precisou acelerar. Por sorte, era madrugada, e o movimento nas ruas era quase inexistente, o que possibilitou que atravessasse sinais vermelhos. Chegaram ao estacionamento em poucos minutos, e, no fim, Tenten não conseguiu perguntar nada para não perder a concentração nas ruas. Afinal, ela também estava meio embriagada, embora não tanto quanto a amiga.
— Consegue caminhar, Sakura? — indagou, ao ver que a amiga não conseguia sair do carro porque prendeu o pequeno salto no tapete do carro.
— Sim, vá, vá... Eu vou assim que conseguir me livrar dessa merda! — resmungou, fungando o nariz.
Sakura conseguiu parar de chorar, tentando se concentrar no paciente que precisava da sua ajuda. De repente, aquilo começou a tomar outras proporções, e ela via em Sasuke a necessidade de fazer por ele o que não fez no passado.
No fim, ela não conseguiu tirar o salto do tapete, porque sua coordenação lhe falhava o tempo todo, e decidiu correr pelo estacionamento de pés descalço. Ela ainda cambaleava, visível a qualquer um que sua embriaguez passara dos limites, mas ela não se importou, orgulhosa o suficiente por estar, pelo menos, consciente de suas ações. Ela correu para o elevador, mas o segurança a barrou no meio do caminho.
— Precisa de ajuda, senhorita?
— Eu trabalho aqui, seu palhaço! — ela procurou sua bolsa, mas havia esquecido dentro do carro, e praguejou. — É só olhar no banco de dados.
— Seu nome, por favor. — ele solicitou, fazendo cara feia para os modos da moça.
Ela revirou os olhos, mas entregou seus dados ao homem que, prontamente, foi procurá-la na lista de funcionários autorizados a entrar por aquele elevador. Mas assim que viu as portas se abrir, Sakura correu, se jogando dentro daquela caixa metálica antes de lhe ser autorizado. O guarda bem tentou pegá-la, mas por pura sorte, desta vez, conseguiu manter os passos firmes e apertar o botão a tempo.
No quinto andar, foi direto para o quarto 523. Do corredor, se ouvia a gritaria que Sasuke fazia. Ele berrava e urrava como se estivesse torturando o homem, e ela foi diminuindo os passos.
A porta estava aberta, e Sakura encontrou Tenten com quatro enfermeiras em volta do paciente. Ela aplicava uma injeção de calmante, enquanto Sasuke chorava e se debatia. Os curativos estavam parcialmente desfeitos, todos manchados de sangue. Hipnotizada, olhando para aquele homem em pura agonia, Sakura simplesmente puxou a poltrona e sentou-se em frente do leito. Ficou calada o tempo todo, tentando decorar cada detalhe daquele momento. Sua mente fazia um paralelismo com o que aconteceu ao seu marido, ao mesmo tempo em que Sasuke se desmanchava a sua frente. Mas era tudo apenas fruto da imaginação, ou do álcool no seu sangue. As imagens giravam em sua mente, e ela sentiu a náusea voltar com tudo. Sentiu o gosto amargo da bebida voltar à garganta, mas engoliu de volta, junto com o choro que queria vir a tona também. A rosada ficou tão perdida naquelas imagens confusas que se passavam em sua mente, que nem ouviu Tenten gritar seu nome, pedindo ajuda para prender o Sasuke na cama. O rapaz girava a cabeça de um lado para o outro, dando cabeçadas, e mordia quem tentasse se aproximar. Ele ainda tentava se derrubar da cama; com todo aquele esforço, acabava deslocando a tronco do colchão, e seus pontos nas costas precisavam serem refeitos.
Sakura só voltou a si quando percebeu que o paciente se calara, e alguém tocava seu ombro.
— O que diabos aconteceu com você? — Tenten indagou.
Como se de repente acordasse de um pesadelo, ela arfou. Olhou a sua volta, para se situar. Sasuke estava preso na cama, de barriga para baixo, com cordas amarradas em volta da cama por segurança, enquanto as enfermeiras trocavam os curativos de suas costas. O paciente já dormia pesadamente, facilitando o trabalho das moças.
— Onde estão os acompanhantes dele? — perguntou, ao invés de responder a amiga.
— Havia uma moça com ele, mas eles começaram a discutir. Foi então que ele entrou em colapso, e ela saiu correndo pelo corredor com umas sacolas nas mãos, chorando. — disse uma das enfermeiras.
— E ninguém ligou para os familiares dele?
— Ligamos, mas ninguém atendeu...
— Eu fico com ele... — Sakura resmungou.
— O que? Você está falando sério? — Tenten arregalou os olhos para aquele absurdo — Isso não tem cabimento, Sakura. Você é médica!
— Vou ficar observando ele. Se quiserem reclamar, que reclamem! — ela se acomodou na poltrona, jogando a cabeça para trás — Me tragam um lençol e travesseiros, por favor. — disse a uma das enfermeiras.
As moças olharam para Tenten, se perguntando o que deveriam fazer, mas a psicóloga apenas deu de ombros. Sakura já era uma adulta, capaz de medir as conseqüências de seus atos... ou pelo menos, ela esperava que assim fosse.
Mesmo depois que todos se foram, Sakura ainda custou a dormir encarando aquele homem a sua frente. Ele tinha a estatura alta e aparência de que já fora um homem de fibra, meio casca grossa, mas agora não passava de uma criança amedrontada pelo futuro. Ele estava desesperado, por que perdera o seu caminho de vista. E a semelhança que via ali, com o momento em que se encontrava em sua vida, lhe perturbou até fechar os olhos.
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